sexta-feira, julho 15, 2011

Trilha sonora da minha vida 2

Atire a primeira pedra quem nunca, mas nunca mesmo mentiu para si mesmo.
E que não teve a impressão que via coisas que ninguém mais via...
E como é bom quando a gente percebe que não sabe tudo.....

"Quase sem querer", na a minha versão preferida, com a Zélia Duncan.....


Quase Sem Querer



Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha


Tenho andado distraído,

Impaciente e indeciso

E ainda estou confuso,

Só que agora é diferente:

Sou tão tranqüilo e tão contente.



Quantas chances desperdicei,

Quando o que eu mais queria

Era provar pra todo o mundo

Que eu não precisava

Provar nada pra ninguém.



Me fiz em mil pedaços

Pra você juntar

E queria sempre achar

Explicação pro que eu sentia.

Como um anjo caído

Fiz questão de esquecer

Que mentir pra si mesmo

É sempre a pior mentira,

Mas não sou mais

Tão criança a ponto de saber tudo.



Já não me preocupo se eu não sei por que.

Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê

E eu sei que você sabe, quase sem querer

Que eu vejo o mesmo que você.



Tão correto e tão bonito;

O infinito é realmente

Um dos deuses mais lindos!

Sei que, às vezes, uso

Palavras repetidas,

Mas quais são as palavras

Que nunca são ditas?



Me disseram que você

Estava chorando

E foi então que eu percebi

Como lhe quero tanto.



Já não me preocupo se eu não sei por que.

Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê

E eu sei que você sabe, quase sem querer

Que eu quero o mesmo que você.

terça-feira, julho 05, 2011

O SOL, O SOL, O SOL

Ele apareceu... e não importa se o vento é ainda frio, se o Ele está escondido em uma névoa fina...
O importante é o brilho e a cor que o Sol traz ao dia.
Eu ficaria o resto da tarde sob ele, de olhos fechados, só pra curtir aquelas múlplicas cores que vão se formando na minha pálpebre... Viva o bom humor que vem com o seu calor!!

segunda-feira, julho 04, 2011

Não é o frio

É a falta de Sol, de Luz e de Cor que me deixa assim, cabisbaixa.
O frio eu aguento e até gosto.
Cachecol e casaco longo, botas de couro e luvas.
É charmoso.
Mas o dia inteiro cinza me cansa e entristece.
Já li que natural.
Dias nublados provocam mesmo mais depressão na população em geral.
Ainda não entrei nas estatísticas desta doença horrível.
Minha depressão não é patológica.
É sazonal.
Ela sara com "tardes de Outono".
Mas, até lá, acho que vou beber uma boa taça de vinho quando chegar em casa.
;-)

quinta-feira, junho 30, 2011

Debate sobre o amor

A Jussara me mandou um texto e a gente ficou falando, por e-mail, sobre o assunto. Gosto mesmo de falar e escrever sobre o amor. E ela, que é sábia, numa de suas respostas, me disse.

"...na verdade, não tem fácil ou difícil. Tem o amor. Acontece ou não. Pode ser à primeira vista, após anos de convivência, de amizade ou de inimizade. Uma hora ele chega - e a gente nem sabe de onde. O amor bom é sempre aquele que a gente vive."

Certíssima, Ju.

Segue o texto que deu origem à conversa.
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O amor bom é facinho


 Ivan Martins, é editor-executivo de ÉPOCA



Por que as pessoas valorizam o esforço e a sedução?

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?

Eu suspeito que não.

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?

Minha experiência sugere o contrário.

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.

quarta-feira, junho 29, 2011

Sem motivo

Ela chora assim, sem ter motivo. Ela mesma não sabe o que é. Ou tem vergonha de dizer, de reconhecer.
Que tem medo, saudade,  solidão. Eu faço de conta que não entendo, dou beijinho, carinho, bronca, enxugo suas lágrimas, tudo pra tentar fazê-la ser forte. Eu acho que tenho de fazer ela ser forte. Mas, ao mesmo tempo, me pergunto: será? Quantas vezes eu mesma já não chorei assim, sem motivo, sem saber dizer direito o porquê. Agora mesmo é o cansaço, a mágoa, o medo, o ciúme... ou um pouco de tudo isso, tudo junto e misturado, que parece formar uma grande bolha que precisa explodir lá dentro. Então, eu a deixo chorar, e digo "chora mesmo", mesmo sem ter um motivo pra explicar. Daqui a pouco vai passar. Eu prometo

segunda-feira, junho 27, 2011

Aqueles dias

Todo mundo passa por eles, eu sei.
Aqueles dias que tudo parece estar errado, mesmo que não esteja.
Mesmo que, quem lhe veja, pense que você está forte e feliz...
É uma raiva incontida, uma vontade de ter uma boa notícia pra espairecer, uma dificuldade para melhorar o humor, uma lágrima que teima em ficar pendurada no olho, uma impressão que em vez de falar você vai latir, grunhir....
É hoje... E escrevo pra ver se passa.
Minha letra serve pra mim como uma prece pedindo aos Céus para passar....
...
;-(

domingo, junho 26, 2011

O melhor do plantão

E talvez a única coisa boa do plantão, é sentir a vibração dos torcedores fanáticos de futebol...
Em casa nem TV eu estaria vendo. Aqui sou obrigada e ver dois jogos ao mesmo tempo.
E, agora mesmo, estou adorando está gritaria de felicidade corinthiana.... hehe...
Viva o meu segundo time!!!

:-)

sexta-feira, junho 24, 2011

O amor é um fungo

É o título do texto da Isabela, no blog Novo Mundo... Muito bom. Tinha de deixar registrado aqui, pra encontrá-lo rapidamente quando tiver voltado de reler... Ah, quer ler? É só clicar no título...
...

quinta-feira, junho 23, 2011

SOU PÉ QUENTE!

Viva o Santos!!

:-)

quarta-feira, junho 22, 2011

Tenho um time

Vou declarar já que o jogo está no começo.
Depois de uma longa e minuciosa análise (começou na Copa), eu, definitivamente, virei Santista..

E, se o meu time perder este jogo agora, ninguém ouse me acusar de pé frio!

:-)

quarta-feira, junho 15, 2011

Trilha sonora da minha vida 1

E Tudo Mais


São várias as músicas da nossa vida. Mas essa eu escutei hoje. E é o que eu penso hoje.


Lulu Santos


Tudo o que eu sonhei

Está na minha frente

Tudo caminhando num processo longo de ser gente

Está em nossas mãos

É a nossa vida

Cada escolha sempre determina

O que vem em seguida (2x)



E do outro lado dessa linha

Aonde está você?

Que é pra onde eu miro

Que é quem pode me ler

Mas se por acaso falhar esta ligação

A minha casa do chão

segunda-feira, junho 13, 2011

Acabou o inferno

É, agora que não tem mais o inferno astral, eu estou só por minha conta.
Feliz ano novo, Vivix!

:-)

terça-feira, junho 07, 2011

Adoro a sincronicidade

No começo desta semana, eu, como sempre, estava no carro indo para o trabalho... É uma parte do dia que eu adoro... Uma hora de música e reflexão... E comecei a lembrar de canções do meu passado, de shows que curti... Acho que foi porque estava escutando algo do Zé Ramalho ou do Zé Rodrix, sei lá...
Mas o legal é que fui lembrando de todos e rindo sozinha... E, de novo, revivi uma história que adoro contar:

Quando eu era professorinha e dava aula no maternal, não ensinava aos pequenos de 3 anos apenas aquelas musiquinhas infantis... As mães estranhavam as cançõess que as crianças começavam a cantar em casa... E vinham me perguntar que versos bacanas eram aqueles:
"Tudo é uma questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo...".
ou
"Não me pergunte, não me responda, não me procure e não se esconda. Não diga nada, saiba de tudo, fique calado, me deixe mudo....  Seja no canto, seja no centro, fique por fora, fique por dentro.. Seja o aveso, seja a metade, se for começo, fique a vontade...".

(Será que lembrei tudo?)

Elas não o conheciam. Não podiam imaginar que eu tinha grudado na porta do meu guarda-roupas até o autógrafo dele. Eu me atrapalhava para explicar, mas elas, no final, curtiam saber que seus filhotes estavam aprendendo música mais modernosa... Se sentiam incluídas.

Eu adoro mesmo contar esta história... Dá bem a dimensão da minha vida...  querendo sempre marcar a vida dos outros de um jeito muito particular, nem que seja uma marca bem pequena.
E adoro falar dessas músicas, mesmo correndo o risco de ser chamada de antiga... cada vez que as escuto entendo um pouco mais o que significam... É como se fossem preces.

:-)

sábado, junho 04, 2011

Eu estou aqui

Acho, sinceramente, o fato de existir a melhor parte da vida.
É que é surpreendente!
Tanta coisa, tanto motivo para desaperecer rápido daqui, somos tão frágeis, mas sobrevivemos.
E eu, apesar dos tropeços, quero mesmo mais e mais vida.
:-)

segunda-feira, maio 30, 2011

Um amigo leve

A Danuza Leão (Folha de São Paulo - 29/05/11) disse tudo neste texto.
Só que eu procuro este amigo há muito tempo... onde será que ele está?
Como ele mesmo diz... É coisa rara.  Segue o texto:


É SEMPRE ASSIM: com tanto para fazer e sem tempo para nada, a gente acaba negligenciando um monte de coisas, entre elas nossos afetos.


E como os sentimentos não sobrevivem sem uma certa atenção, um dia se começa a achar que o coração não consegue -e nunca mais vai conseguir- gostar, ou ao menos sofrer por alguém.


Mas o tempo passa, aquele amigo que a gente via o tempo todo viaja e um belo dia você sente saudades dele. Preste atenção: esse fato é mais merecedor de uma comemoração do que qualquer data querida. Ter saudades de um amigo, há quanto tempo isso não acontecia? Ah, que coisa boa.


Uma simples saudade faz com que você se sinta viva, mesmo que sejam saudades apenas de um amigo -como se um amigo pudesse ser chamado de "apenas". Mas tantas vezes você amou apaixonadamente, e quando ele fez uma viagem sentiu um alívio, até para descansar de tanta paixão e poder se encher de cremes, sem ele por perto para reclamar? E tem melhor do que de vez em quando ter aquela cama enorme só para você, e até dormir com a televisão ligada?


Ter um amigo é coisa muito boa, e sendo um que não te patrulha, não te inveja, não te analisa nem discute a relação, é bom demais -e raro. Um amigo tão bom que te aceita do jeito que você é, que não faz perguntas indiscretas, que te entende e está por ali sem ser, jamais, invasivo. Você sabe de certas particularidades dele, ele das suas, mas delas não falam, só quando é necessário. E com pouca intimidade.


O excesso de intimidade pode ser fatal, mesmo entre mãe e filho, marido e mulher. A intimidade física não é nada, perto da dos pensamentos e sentimentos. Pode ser pior do que ouvir a pergunta "em que você está pensando?". Pode sim: é quando alguém tenta analisar a razão pela qual você disse ou fez determinada coisa num determinado dia, pretendendo, assim, conhecer você melhor do que você mesma se conhece.


Um distanciamento saudável é indispensável às boas relações humanas.


Qual a primeira qualidade que deve ter um amigo? Bem, além das clássicas, como lealdade, fidelidade, discrição sobre as intimidades que ouviu nas horas do aperto, disponibilidade para escutar as histórias, bom humor, e mais o quê? Leveza. Ter um amigo leve é uma benção dos céus.


Não espere dele considerações sobre a vida e a complexidade dos sentimentos humanos, mas ninguém será melhor companhia para jantar, viajar, conviver, do que um amigo leve. Já pensou, passar três dias seguidos com um amigo profundo? Se estiverem tomando banho de mar, ele pode se lembrar do tempo em que era criança, falar da relação que tinha com a mãe e o pai, e daí para cair no divã é um pulo; eles gostam de falar como são tolos os banqueiros e políticos, que só pensam em dinheiro e poder e não compreendem que a vida real etc. etc., quanta profundidade.


Com essa mania, quando estão numa rede em frente à praia, comendo um camarãozinho frito e tomando uma cerveja estupidamente gelada, se esquecem de que nessa hora o bom é não pensar em nada.


É isso que faz um amigo leve; ele não diz nada, apenas usufrui a vida, e quem tiver a sorte de estar perto dele vai ter momentos de grande felicidade - ou pelo menos quase isso.


Com um amigo assim, até a vida fica mais leve.

domingo, maio 29, 2011

Venha sol

Venha, venha sol
curar este inferno astral que inferniza a minha alma....
....

terça-feira, maio 17, 2011

Terreno fértil

Fase estranha essa... me sinto como um terreno fértil, pronto para ser semeado. E sendo semeado aos poucos.

É vida que parece se esparramar por todos os meus poros... uma felicidade boa, sem nenhuma pretensão de ser mais do que ela é ou ter mais do que ela tem.

E, melhor, não há nada de muito especial acontecendo... Só o dia a dia, só o de sempre, só o esperado (Às vezes, muito às vezes, tem um inesperado sim, mas isso é outra história :-).

E talvez seja isso o melhor da vida - o imponderável estar  dentro do nosso cotidiano, sem tropeços, nem grandes expectativas, sem pensar que a vida pode ser melhor do que é.

Simplesmente porque ela é do jeito que tem de ser.

:-)

quinta-feira, maio 05, 2011

Gostos e desgostos

O que eu gosto é do toque
Gosto do cheiro da pele lisa
E do perfume que fica em minhas mãos depois

O que eu gosto é da conversa sem compromisso
Das histórias que se diz e que eu nunca sei
se são exageros ou meias-verdades

Eu gosto é do espanto, do sorriso e do cansaço

Mas há algo também que não gosto
De um certo estranhamento
Um não sei quê sem nome que fica no ar às vezes

Um risco de olhar sem confiança
Uma frase solta, sarcástica
Um suspiro de impaciência

Coisas assim que não sei definir
E que me fazem sair um pouco da linha
Dessa nossa linha imaginária

E ficar meio de lado
Esperando o tempo passar
E tudo, de novo,  se arrumar

;-)

sexta-feira, abril 15, 2011

A ficha ainda não caiu

As caixas estão espalhadas pela redação. Estão em cima das mesas, sob as balcões, nos corredores. É mais uma despedida pela qual eu passo. Tem gente até tirando fotos, fazendo filmes... É o nosso último dia aqui. Nessa onda de mudanças que tomou conta da minha vida nos últimos dois anos, esta é a mais involuntária. Até agora não caiu a ficha. Sair do Centro de SP me parece um fato ainda distante, como um plano de viagem que você não sabe quando será realizada de verdade. Mas, o fato, a verdade, é que na próxima segunda-feira estaremos longe daqui, muito longe daqui. E muito mais longe ainda da minha casa. Será uma viagem diária. Por quanto tempo? Eu não sei. Vai valer a pena? Terei que pagar e esperar para ver? Terá volta? Estou apostando que sim.

;-(

terça-feira, abril 05, 2011

Protocolada é sempre melhor

A dor já estava lá. Eu acordei sabendo que seria difícil sair da cama. Mas teimei. Num esforço enorme, arrastei as pernas para fora do colchão e coloquei os pés no chão. Dei um impulso e fiquei em pé. Mas os músculos das minhas costas não me obedeciam. Malditas seis horas de aula de dança que eu tinha feito no sábado. Só podia ser isso: excesso de esforço. E as minhas costas doiam. Encostei a cabeça e as mãos da parede numa tentativa de alongar, e acho que foi esse o meu erro. Devia ter voltado para a cama. Mas tudo aconteceu mais rápido do que o meu raciocínio: veio o zunido no ouvido, os olhos turvos, a escuridão e....cataplof - o chão. Cai de lado, do lado esquerdo, e assim fiquei.
Não entendo até agora porque eu não voltei a sentar na cama. Quem sabe se foi porque a expectativa pelo domingo era tão grande, eu e a Bia tínhamos combinado de fazer tanta coisa, e aquela dor horrível nas costas chegou tão fora de hora... sei lá. Só pode ter sido isso. Só sei que o que ouvi na sequência foi uma garotinha gritando "MÃE!!!, VOCÊ CAIU!!!" E se desesperar tanto que eu, mesmo sentindo calafrios pelo corpo todo, transpirando gelado com a pressão em baixa, me esforcei e consegui não desmaiar. Só falava, "Calma, Bia. Liga para o seu pai! Eu estou bem." E ela ligou, chorando... O vizinho ouviu a balburdia e veio ver o que era. "Não levanta, Viviane, pode ser grave!". A Bia falando: "Mãe, você está sangrando!" "Estou?" "É, um pouco, Viviane, foi um corte pequeno, deve precisar dar um pontos!" Toca o telefone e é o Mauro. Eu no chão, do jeito que cai. A Bia fala com ele e me dá o aparelho. E eu descubro que, no chão, o aparelho na minha orelha esquerda  não funciona. Vamos mudar de lado e aí eu escuto, apontando o aparelho para cima. "Eu estou parado no trânsito, a Claudia está indo praí! Você está bem?" "Eu ainda estou no chão." Eu, pro vizinho: "O senhor pode ficar tranquilo. O meu ex-marido e minha cunhada estão vindo pra cá. Obrigada, viu?" Fiquei tentando distrair a Bia. "Bia, pega uma toalha!" "É melhor um algodão. Onde tem?", pergunta o solícito vizinho. Ele, ainda todo atencioso, encontra uma almofada de coração e coloca embaixo na minha orelha. E eu, ainda tentando distrair a menina. "Bia, me arruma um copo de água". A toalha ficou suja de sangue. A água eu nem consegui beber, ali, deitada de lado no chão, só consegui me molhar. E, enfim, chegou a Cláudia. "Não se mexe, Vi. Dor nas costas? Vou ligar pro Samu!" Tento evitar; "Não, eu já estava com esta dor... E já tive outras quedas de pressão assim.." Mas não teve jeito, ela ligou. O Mauro chegou, o vizinho se foi, e o Samu parou na frente de casa. Os socorristas me fizeram mil perguntas, me colocaram sentada, viram que eu não tinha quebrado nada e que, aparentemente, estava tudo bem. Depois me colocaram para andar, e alívio, perguntaram: "A senhora quer ir pro hospital de veículo próprio ou prefere ir conosco?" "De veículo próprio, é lógico!" "Eu levo ela no meu carro", disse o Mauro. "Então, vou ver como está o PA e a taxa de glicose e, se estiver tudo bem, pode ir com o seu carro." Mas o PA estava 10x7. "O normal? É 12x8." "Então, a senhora vai com a gente. O PA está muito baixo. Vai que a senhora tem outra síncope (síncope?) no carro e aí ele se distrai, bate, e são dois acidentados. Assim, protocolada é melhor." Bem, eu não estava em condições de discutir com o homem. A essas alturas, a minha cunhada já tinha feito a Bia parar de chorar, a distraia lavando a louça. Eles me deitaram naquela prancheta estreita e me imobilizaram até o pescoço. Na saída do prédio até a viatura, que ficou parada na frente de casa, ainda peguei aquela garoa fina do domingo cedo. "Delícia", pensei. Foi um ótimo passeio para uma manhã de domingo chuvosa. Percebi o quanto a cidade está esburacada.
A maior vantagem de ter sido "protocolada" foi entrar no hospital pela emergência e evitar as três horas e meia de espera do pronto-atendimento. O saldo? Dois pontos na testa, um arranhão no rosto, um dedo ensacado, um analgésico fortão na veia e uma filha me olhando estranho, com medo até de ficar sozinha comigo. "E se você passar mal de novo?" "Bia, você foi exemplar hoje, ótima mesmo. Fez tudo direitinho. E eu não vou passar mal de novo. Pelo menos não hoje ou amanhã. Então, você pode dormir abraçada comigo esta noite?" "Tá bom, então!" "Hoje, Bia, só não posso ver nenhum filme triste. Porque senão eu choro e, está vendo este arranhão aqui na bochecha? Vai arder pra burro!"

:-)