domingo, outubro 31, 2010

Pensata e Resposta

Algo bom até pode começar com o impulso do desejo,
mas não pode continuar - e muito menos perdurar -
sem a cumplicidade do afeto.

:-)

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quarta-feira, outubro 06, 2010

Saudades

Veio assim como um toque no coração, uma vibração boa, inesperada, silenciosa e acalentadora. Daquelas que te fazem fechar com olhos com suavidade e respirar fundo, soltando o ar devagar, como num suspiro prolongado. Começou no fim da tarde, no meio do trabalho, sem que eu provocasse, sem que eu estivesse pensando no assunto. Estranhei porque, na verdade, sempre penso em tudo o que passou, refaço cada passo, relembro cada palavra dita e escrita e, nem mesmo assim, sinto esse toque no coração. Já senti outras coisas, boas e ruins, bem sei. Nó na garganta, euforia, enjoos, aperto no peito, dores no útero, olhos úmidos, borboletas no estômago, a carne trêmula, os músculos se encolhendo por conta própria.... Mas este toque no coração, essa vibração alegre que senti hoje há muito, muito mesmo não sentia. E nem sei explicar racionalmente porque senti. Não tinha música, não tinha poema, não tinha mensagem, não tinha nenhuma imagem que me inspirasse. Pelo contrário. Tinha o frio do ar condicionado e o burburinho da redação. Fiquei tentando imaginar se era fruto da minha atual tristeza. Não consegui chegar a uma conclusão. E, já que bem tarde da noite, quando saí do trabalho, a sensação ainda estava lá, insistente na sua certeza, decidi me render a ela. Curti-la até o fim, simplesmente porque era muito boa, autêntica e minha. Só minha.  E, afinal, saudades é como o amor de verdade. Não tem muita explicação.Ela simplesmente é. Não há muito o que controlar.

;-)

sábado, outubro 02, 2010

Passatempo

É engraçado como as coisas comuns da vida ficam tão sem sentido quando a dor da morte que parece certa chega assim tão perto de você.
Nada parece ter mais muita importância.
Mas, o mais curioso, é que é para o dia a dia insosso que a gente quer correr quando a morte se aproxima.
Ele poderia ser ruim, mas é nele que está na nossa proteção contra a dor.
Então, a gente tenta mergulhar no mesmo ritmo antigo, insistir nas mesmas ações mornas, retomar antigos desejos superficiais não-realizados.
Mas, aí, isso que a gente chamava vida parece que é só uma distração, um passatempo.
Você tem que encontrar um outro sentido para as coisas.
E aceitar que aquela dor da morte próxima te mudou tanto que é impossível ser a mesma de antes.