Foi numa manhã como essas de inverno, de sol forte, céu azul e muito vento, que eu vi, surpreendida, o seu desespero. Wellington vivia em um abrigo. Era órfão ou tinha sido abandonado pela família, a gente nunca sabia direito. Mas o fato é que estava com pouco mais de 8 anos e era lindo. Quando eu comecei a acompanhar a rotina daquelas crianças, ele era o mais arredio. Depois, aos poucos, fomos ficando próximos e ele era o que eu mais amava. Acho que porque era ele o mais difícil de se lidar.
Naquela manhã, ele estava feliz da vida porque tinha ganhado uma pipa toda colorida. Ele e outros meninos do abrigo estavam curtindo os brinquedos, que vários tinham também. Várias pipas coloriam o céu do abrigo. O lugar era amplo.Tinha um descampado e lá Wellington corria e manobrava sua pipa no ar.
De repente, uma gritaria e o menino aparece correndo, vindo em minha direção, chorando, desesperado.
- Minha pipa!!! - era tudo o que ele conseguia dizer no meio dos soluços. Ele tinha perdido o brinquedo, cujo fio foi cortado por uma linha cortante.
Eu só conseguia lhe dar o meu consolo, mas dizer que aquilo não era nada, que a pipa era "só" um brinquedo, que a gente arrumava outro não adiantava. Ele não escutava, não queria abraço, nem carinho. Só corria e gritava. Ele voltou a se esconder no seu quarto. Toda a raiva contra o mundo parece que voltou ao seu coração. E eu me senti uma inútil.
Fui conversar com a psicóloga do abrigo e ela me explicou a situação. Disse que, para meninos como Wellington, desprovidos de tudo, a pipa, voando livre no ar, tinha um significado único - era a liberdade que ele queria ter. A liberdade que ele comandava. E que, naquele momento em que o fio foi cortado e ela voou para longe, no coração imaturo daquela criança pra lá de carente, era mais uma perda e um motivo de desesperança: significava que com o brinquedo colorido ia também sua chance de estar fora dali.
Eu entendi a lógica, mas continuei sem ter nada a fazer naquele momento. Simplesmente não sabia como agir, já que falar, com os meus argumentos lógicos, não adiantava nada. Wellington era só emoção, uma emoção que nem ele sabia descrever.
;-(
terça-feira, agosto 09, 2011
quinta-feira, agosto 04, 2011
Uma cena na esquina
Acho que só ela viu que eu chorei.
Paralisada atrás do meu volante, sem piscar para não perder nada da cena que, para minha surpresa, se desenrolava na frente. Eu estava hipnotizada, como numa sala de cinema. Mas estava parada num farol.
A pequena e o gigante.
A menininha dando uma flor a um homem embrutecido pela cidade, pela fuligem, pelo trânsito e pela pobreza. Mas ela dizia com os olhos e os gestos tímidos que aquele grandalhão era tudo para ela, seu porto. Ele era doce.
Só a mulher percebeu que eu vi. Ela olhava a filha, segurava o bebê e me observava, incrédula com a minha reação. E ela sorriu para mim, disfarçando também, meio cúmplice, como que aprovando minhas lágrimas que já ardiam debaixo daquele sol abafado de duas da tarde.
Ela percebeu que eu entendi? Que eu captei a mensagem?
Acho que sim.
Ele, por outro lado, diz pra me provocar que isso não é motivo de história, que as picantes são sempre melhores, que flores para pais presenteadas por menininhas são cenas comuns.
E eu respondo: É, pode ser. Mas amor bruto, inocente e puro no meio de uma tarde dura de trabalho na metrópole é, para mim, ouro puro, diamente raro, peça guardada com cuidado pra eu nunca mais esquecer.
Será que ele vai captar a mensagem?
...
Paralisada atrás do meu volante, sem piscar para não perder nada da cena que, para minha surpresa, se desenrolava na frente. Eu estava hipnotizada, como numa sala de cinema. Mas estava parada num farol.
A pequena e o gigante.
A menininha dando uma flor a um homem embrutecido pela cidade, pela fuligem, pelo trânsito e pela pobreza. Mas ela dizia com os olhos e os gestos tímidos que aquele grandalhão era tudo para ela, seu porto. Ele era doce.
Só a mulher percebeu que eu vi. Ela olhava a filha, segurava o bebê e me observava, incrédula com a minha reação. E ela sorriu para mim, disfarçando também, meio cúmplice, como que aprovando minhas lágrimas que já ardiam debaixo daquele sol abafado de duas da tarde.
Ela percebeu que eu entendi? Que eu captei a mensagem?
Acho que sim.
Ele, por outro lado, diz pra me provocar que isso não é motivo de história, que as picantes são sempre melhores, que flores para pais presenteadas por menininhas são cenas comuns.
E eu respondo: É, pode ser. Mas amor bruto, inocente e puro no meio de uma tarde dura de trabalho na metrópole é, para mim, ouro puro, diamente raro, peça guardada com cuidado pra eu nunca mais esquecer.
Será que ele vai captar a mensagem?
...
sábado, julho 30, 2011
Me espie
O dia que você não me espia eu me ressinto.
Entristeço mesmo, fico de bico.
No começo, juro, eu não ligava.
Nem percebia que você me vigiava.
Se me falassem, eu respondia: "Imagina, bobagem, nada disso".
Mas, agora, eu sei: você me espia como um vício.
E o meu vício é sentir que você me espia.
Por isso, disfarça, mas me leia, me olhe.
Mesmo que só bem rapidinho, com um piscar de olhos.
Me espie, me espie, me espie.
:-)
Entristeço mesmo, fico de bico.
No começo, juro, eu não ligava.
Nem percebia que você me vigiava.
Se me falassem, eu respondia: "Imagina, bobagem, nada disso".
Mas, agora, eu sei: você me espia como um vício.
E o meu vício é sentir que você me espia.
Por isso, disfarça, mas me leia, me olhe.
Mesmo que só bem rapidinho, com um piscar de olhos.
Me espie, me espie, me espie.
:-)
segunda-feira, julho 25, 2011
Itamar
Inquieto e doce, como você.
No final, é isso o que fica. É o que importa.
Ou pelo menos É
o que Eu quero guardar de você.
;-)
No final, é isso o que fica. É o que importa.
Ou pelo menos É
o que Eu quero guardar de você.
;-)
domingo, julho 17, 2011
A porta está aberta
Penso que é o medo de crescer.
Só isso pode explicar tanta lágrima, tanto desespero, tanto apego...
Ela me abraça e não me deixa sair.
Parece não lembrar que, na verdade, é ela que vai partir.
Eu estou seguindo a minha rotina.
Ela, daqui a pouco, vai desbravar mundos desconhecidos, onde eu não farei parte, serei lembrança.
E talvez saudades.
O passeio das férias, tão comum, de repente, fica tão grande.
Mas ela chora tanto que os meus olhos também se enchem de lágrimas.
...
E se quiser voltar antes? Pode.
E se quiser ligar? Liga.
Me liga todo dia? Ligo.
...
Quer desistir? Claro que não. Está na hora, eu sei.
Ela vai ter de enfrentar aquele frio na barriga que dá quando a porta está aberta e é a gente, e só a gente, que escolhe para qual lado virar.
;-)
Só isso pode explicar tanta lágrima, tanto desespero, tanto apego...
Ela me abraça e não me deixa sair.
Parece não lembrar que, na verdade, é ela que vai partir.
Eu estou seguindo a minha rotina.
Ela, daqui a pouco, vai desbravar mundos desconhecidos, onde eu não farei parte, serei lembrança.
E talvez saudades.
O passeio das férias, tão comum, de repente, fica tão grande.
Mas ela chora tanto que os meus olhos também se enchem de lágrimas.
...
E se quiser voltar antes? Pode.
E se quiser ligar? Liga.
Me liga todo dia? Ligo.
...
Quer desistir? Claro que não. Está na hora, eu sei.
Ela vai ter de enfrentar aquele frio na barriga que dá quando a porta está aberta e é a gente, e só a gente, que escolhe para qual lado virar.
;-)
sexta-feira, julho 15, 2011
Trilha sonora da minha vida 2
Atire a primeira pedra quem nunca, mas nunca mesmo mentiu para si mesmo.
E que não teve a impressão que via coisas que ninguém mais via...
E como é bom quando a gente percebe que não sabe tudo.....
"Quase sem querer", na a minha versão preferida, com a Zélia Duncan.....
E que não teve a impressão que via coisas que ninguém mais via...
E como é bom quando a gente percebe que não sabe tudo.....
"Quase sem querer", na a minha versão preferida, com a Zélia Duncan.....
Quase Sem Querer
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha
Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranqüilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.
terça-feira, julho 05, 2011
O SOL, O SOL, O SOL
Ele apareceu... e não importa se o vento é ainda frio, se o Ele está escondido em uma névoa fina...
O importante é o brilho e a cor que o Sol traz ao dia.
Eu ficaria o resto da tarde sob ele, de olhos fechados, só pra curtir aquelas múlplicas cores que vão se formando na minha pálpebre... Viva o bom humor que vem com o seu calor!!
O importante é o brilho e a cor que o Sol traz ao dia.
Eu ficaria o resto da tarde sob ele, de olhos fechados, só pra curtir aquelas múlplicas cores que vão se formando na minha pálpebre... Viva o bom humor que vem com o seu calor!!
segunda-feira, julho 04, 2011
Não é o frio
É a falta de Sol, de Luz e de Cor que me deixa assim, cabisbaixa.
O frio eu aguento e até gosto.
Cachecol e casaco longo, botas de couro e luvas.
É charmoso.
Mas o dia inteiro cinza me cansa e entristece.
Já li que natural.
Dias nublados provocam mesmo mais depressão na população em geral.
Ainda não entrei nas estatísticas desta doença horrível.
Minha depressão não é patológica.
É sazonal.
Ela sara com "tardes de Outono".
Mas, até lá, acho que vou beber uma boa taça de vinho quando chegar em casa.
;-)
O frio eu aguento e até gosto.
Cachecol e casaco longo, botas de couro e luvas.
É charmoso.
Mas o dia inteiro cinza me cansa e entristece.
Já li que natural.
Dias nublados provocam mesmo mais depressão na população em geral.
Ainda não entrei nas estatísticas desta doença horrível.
Minha depressão não é patológica.
É sazonal.
Ela sara com "tardes de Outono".
Mas, até lá, acho que vou beber uma boa taça de vinho quando chegar em casa.
;-)
quinta-feira, junho 30, 2011
Debate sobre o amor
A Jussara me mandou um texto e a gente ficou falando, por e-mail, sobre o assunto. Gosto mesmo de falar e escrever sobre o amor. E ela, que é sábia, numa de suas respostas, me disse.
"...na verdade, não tem fácil ou difícil. Tem o amor. Acontece ou não. Pode ser à primeira vista, após anos de convivência, de amizade ou de inimizade. Uma hora ele chega - e a gente nem sabe de onde. O amor bom é sempre aquele que a gente vive."
Certíssima, Ju.
Segue o texto que deu origem à conversa.
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O amor bom é facinho
"...na verdade, não tem fácil ou difícil. Tem o amor. Acontece ou não. Pode ser à primeira vista, após anos de convivência, de amizade ou de inimizade. Uma hora ele chega - e a gente nem sabe de onde. O amor bom é sempre aquele que a gente vive."
Certíssima, Ju.
Segue o texto que deu origem à conversa.
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O amor bom é facinho
Ivan Martins, é editor-executivo de ÉPOCA
Por que as pessoas valorizam o esforço e a sedução?
Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?
Eu suspeito que não.
Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.
Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?
Minha experiência sugere o contrário.
Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.
Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.
Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?
Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?
Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?
Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.
Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?
Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.
quarta-feira, junho 29, 2011
Sem motivo
Ela chora assim, sem ter motivo. Ela mesma não sabe o que é. Ou tem vergonha de dizer, de reconhecer.
Que tem medo, saudade, solidão. Eu faço de conta que não entendo, dou beijinho, carinho, bronca, enxugo suas lágrimas, tudo pra tentar fazê-la ser forte. Eu acho que tenho de fazer ela ser forte. Mas, ao mesmo tempo, me pergunto: será? Quantas vezes eu mesma já não chorei assim, sem motivo, sem saber dizer direito o porquê. Agora mesmo é o cansaço, a mágoa, o medo, o ciúme... ou um pouco de tudo isso, tudo junto e misturado, que parece formar uma grande bolha que precisa explodir lá dentro. Então, eu a deixo chorar, e digo "chora mesmo", mesmo sem ter um motivo pra explicar. Daqui a pouco vai passar. Eu prometo
Que tem medo, saudade, solidão. Eu faço de conta que não entendo, dou beijinho, carinho, bronca, enxugo suas lágrimas, tudo pra tentar fazê-la ser forte. Eu acho que tenho de fazer ela ser forte. Mas, ao mesmo tempo, me pergunto: será? Quantas vezes eu mesma já não chorei assim, sem motivo, sem saber dizer direito o porquê. Agora mesmo é o cansaço, a mágoa, o medo, o ciúme... ou um pouco de tudo isso, tudo junto e misturado, que parece formar uma grande bolha que precisa explodir lá dentro. Então, eu a deixo chorar, e digo "chora mesmo", mesmo sem ter um motivo pra explicar. Daqui a pouco vai passar. Eu prometo
segunda-feira, junho 27, 2011
Aqueles dias
Todo mundo passa por eles, eu sei.
Aqueles dias que tudo parece estar errado, mesmo que não esteja.
Mesmo que, quem lhe veja, pense que você está forte e feliz...
É uma raiva incontida, uma vontade de ter uma boa notícia pra espairecer, uma dificuldade para melhorar o humor, uma lágrima que teima em ficar pendurada no olho, uma impressão que em vez de falar você vai latir, grunhir....
É hoje... E escrevo pra ver se passa.
Minha letra serve pra mim como uma prece pedindo aos Céus para passar....
...
;-(
Aqueles dias que tudo parece estar errado, mesmo que não esteja.
Mesmo que, quem lhe veja, pense que você está forte e feliz...
É uma raiva incontida, uma vontade de ter uma boa notícia pra espairecer, uma dificuldade para melhorar o humor, uma lágrima que teima em ficar pendurada no olho, uma impressão que em vez de falar você vai latir, grunhir....
É hoje... E escrevo pra ver se passa.
Minha letra serve pra mim como uma prece pedindo aos Céus para passar....
...
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domingo, junho 26, 2011
O melhor do plantão
E talvez a única coisa boa do plantão, é sentir a vibração dos torcedores fanáticos de futebol...
Em casa nem TV eu estaria vendo. Aqui sou obrigada e ver dois jogos ao mesmo tempo.
E, agora mesmo, estou adorando está gritaria de felicidade corinthiana.... hehe...
Viva o meu segundo time!!!
:-)
Em casa nem TV eu estaria vendo. Aqui sou obrigada e ver dois jogos ao mesmo tempo.
E, agora mesmo, estou adorando está gritaria de felicidade corinthiana.... hehe...
Viva o meu segundo time!!!
:-)
sexta-feira, junho 24, 2011
O amor é um fungo
É o título do texto da Isabela, no blog Novo Mundo... Muito bom. Tinha de deixar registrado aqui, pra encontrá-lo rapidamente quando tiver voltado de reler... Ah, quer ler? É só clicar no título...
...
...
quinta-feira, junho 23, 2011
quarta-feira, junho 22, 2011
Tenho um time
Vou declarar já que o jogo está no começo.
Depois de uma longa e minuciosa análise (começou na Copa), eu, definitivamente, virei Santista..
E, se o meu time perder este jogo agora, ninguém ouse me acusar de pé frio!
:-)
Depois de uma longa e minuciosa análise (começou na Copa), eu, definitivamente, virei Santista..
E, se o meu time perder este jogo agora, ninguém ouse me acusar de pé frio!
:-)
quarta-feira, junho 15, 2011
Trilha sonora da minha vida 1
E Tudo Mais
São várias as músicas da nossa vida. Mas essa eu escutei hoje. E é o que eu penso hoje.
São várias as músicas da nossa vida. Mas essa eu escutei hoje. E é o que eu penso hoje.
Lulu Santos
Tudo o que eu sonhei
Está na minha frente
Tudo caminhando num processo longo de ser gente
Está em nossas mãos
É a nossa vida
Cada escolha sempre determina
O que vem em seguida (2x)
E do outro lado dessa linha
Aonde está você?
Que é pra onde eu miro
Que é quem pode me ler
Mas se por acaso falhar esta ligação
A minha casa do chão
segunda-feira, junho 13, 2011
Acabou o inferno
É, agora que não tem mais o inferno astral, eu estou só por minha conta.
Feliz ano novo, Vivix!
:-)
Feliz ano novo, Vivix!
:-)
terça-feira, junho 07, 2011
Adoro a sincronicidade
No começo desta semana, eu, como sempre, estava no carro indo para o trabalho... É uma parte do dia que eu adoro... Uma hora de música e reflexão... E comecei a lembrar de canções do meu passado, de shows que curti... Acho que foi porque estava escutando algo do Zé Ramalho ou do Zé Rodrix, sei lá...
Mas o legal é que fui lembrando de todos e rindo sozinha... E, de novo, revivi uma história que adoro contar:
Quando eu era professorinha e dava aula no maternal, não ensinava aos pequenos de 3 anos apenas aquelas musiquinhas infantis... As mães estranhavam as cançõess que as crianças começavam a cantar em casa... E vinham me perguntar que versos bacanas eram aqueles:
"Tudo é uma questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo...".
ou
"Não me pergunte, não me responda, não me procure e não se esconda. Não diga nada, saiba de tudo, fique calado, me deixe mudo.... Seja no canto, seja no centro, fique por fora, fique por dentro.. Seja o aveso, seja a metade, se for começo, fique a vontade...".
(Será que lembrei tudo?)
Elas não o conheciam. Não podiam imaginar que eu tinha grudado na porta do meu guarda-roupas até o autógrafo dele. Eu me atrapalhava para explicar, mas elas, no final, curtiam saber que seus filhotes estavam aprendendo música mais modernosa... Se sentiam incluídas.
Eu adoro mesmo contar esta história... Dá bem a dimensão da minha vida... querendo sempre marcar a vida dos outros de um jeito muito particular, nem que seja uma marca bem pequena.
E adoro falar dessas músicas, mesmo correndo o risco de ser chamada de antiga... cada vez que as escuto entendo um pouco mais o que significam... É como se fossem preces.
:-)
Mas o legal é que fui lembrando de todos e rindo sozinha... E, de novo, revivi uma história que adoro contar:
Quando eu era professorinha e dava aula no maternal, não ensinava aos pequenos de 3 anos apenas aquelas musiquinhas infantis... As mães estranhavam as cançõess que as crianças começavam a cantar em casa... E vinham me perguntar que versos bacanas eram aqueles:
"Tudo é uma questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo...".
ou
"Não me pergunte, não me responda, não me procure e não se esconda. Não diga nada, saiba de tudo, fique calado, me deixe mudo.... Seja no canto, seja no centro, fique por fora, fique por dentro.. Seja o aveso, seja a metade, se for começo, fique a vontade...".
(Será que lembrei tudo?)
Elas não o conheciam. Não podiam imaginar que eu tinha grudado na porta do meu guarda-roupas até o autógrafo dele. Eu me atrapalhava para explicar, mas elas, no final, curtiam saber que seus filhotes estavam aprendendo música mais modernosa... Se sentiam incluídas.
Eu adoro mesmo contar esta história... Dá bem a dimensão da minha vida... querendo sempre marcar a vida dos outros de um jeito muito particular, nem que seja uma marca bem pequena.
E adoro falar dessas músicas, mesmo correndo o risco de ser chamada de antiga... cada vez que as escuto entendo um pouco mais o que significam... É como se fossem preces.
:-)
sábado, junho 04, 2011
Eu estou aqui
Acho, sinceramente, o fato de existir a melhor parte da vida.
É que é surpreendente!
Tanta coisa, tanto motivo para desaperecer rápido daqui, somos tão frágeis, mas sobrevivemos.
E eu, apesar dos tropeços, quero mesmo mais e mais vida.
:-)
É que é surpreendente!
Tanta coisa, tanto motivo para desaperecer rápido daqui, somos tão frágeis, mas sobrevivemos.
E eu, apesar dos tropeços, quero mesmo mais e mais vida.
:-)
segunda-feira, maio 30, 2011
Um amigo leve
A Danuza Leão (Folha de São Paulo - 29/05/11) disse tudo neste texto.
Só que eu procuro este amigo há muito tempo... onde será que ele está?
Como ele mesmo diz... É coisa rara. Segue o texto:
Só que eu procuro este amigo há muito tempo... onde será que ele está?
Como ele mesmo diz... É coisa rara. Segue o texto:
É SEMPRE ASSIM: com tanto para fazer e sem tempo para nada, a gente acaba negligenciando um monte de coisas, entre elas nossos afetos.
E como os sentimentos não sobrevivem sem uma certa atenção, um dia se começa a achar que o coração não consegue -e nunca mais vai conseguir- gostar, ou ao menos sofrer por alguém.
Mas o tempo passa, aquele amigo que a gente via o tempo todo viaja e um belo dia você sente saudades dele. Preste atenção: esse fato é mais merecedor de uma comemoração do que qualquer data querida. Ter saudades de um amigo, há quanto tempo isso não acontecia? Ah, que coisa boa.
Uma simples saudade faz com que você se sinta viva, mesmo que sejam saudades apenas de um amigo -como se um amigo pudesse ser chamado de "apenas". Mas tantas vezes você amou apaixonadamente, e quando ele fez uma viagem sentiu um alívio, até para descansar de tanta paixão e poder se encher de cremes, sem ele por perto para reclamar? E tem melhor do que de vez em quando ter aquela cama enorme só para você, e até dormir com a televisão ligada?
Ter um amigo é coisa muito boa, e sendo um que não te patrulha, não te inveja, não te analisa nem discute a relação, é bom demais -e raro. Um amigo tão bom que te aceita do jeito que você é, que não faz perguntas indiscretas, que te entende e está por ali sem ser, jamais, invasivo. Você sabe de certas particularidades dele, ele das suas, mas delas não falam, só quando é necessário. E com pouca intimidade.
O excesso de intimidade pode ser fatal, mesmo entre mãe e filho, marido e mulher. A intimidade física não é nada, perto da dos pensamentos e sentimentos. Pode ser pior do que ouvir a pergunta "em que você está pensando?". Pode sim: é quando alguém tenta analisar a razão pela qual você disse ou fez determinada coisa num determinado dia, pretendendo, assim, conhecer você melhor do que você mesma se conhece.
Um distanciamento saudável é indispensável às boas relações humanas.
Qual a primeira qualidade que deve ter um amigo? Bem, além das clássicas, como lealdade, fidelidade, discrição sobre as intimidades que ouviu nas horas do aperto, disponibilidade para escutar as histórias, bom humor, e mais o quê? Leveza. Ter um amigo leve é uma benção dos céus.
Não espere dele considerações sobre a vida e a complexidade dos sentimentos humanos, mas ninguém será melhor companhia para jantar, viajar, conviver, do que um amigo leve. Já pensou, passar três dias seguidos com um amigo profundo? Se estiverem tomando banho de mar, ele pode se lembrar do tempo em que era criança, falar da relação que tinha com a mãe e o pai, e daí para cair no divã é um pulo; eles gostam de falar como são tolos os banqueiros e políticos, que só pensam em dinheiro e poder e não compreendem que a vida real etc. etc., quanta profundidade.
Com essa mania, quando estão numa rede em frente à praia, comendo um camarãozinho frito e tomando uma cerveja estupidamente gelada, se esquecem de que nessa hora o bom é não pensar em nada.
É isso que faz um amigo leve; ele não diz nada, apenas usufrui a vida, e quem tiver a sorte de estar perto dele vai ter momentos de grande felicidade - ou pelo menos quase isso.
Com um amigo assim, até a vida fica mais leve.
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