segunda-feira, junho 18, 2007

Tardes de Outono

Um toque e eu enlouqueço
Um sinal e eu não me controlo
Uma palavra que se transforma em lágrima
Um olhar que me enfurece
Outro que me derrete

É assim que a vida tem me tocado
E é isso que talvez você não aproveite...
Não percebe que isso é bom em mim!

Adoro as tardes de Outono...
Tardes como as de ontem que me fazem lembrar...
Caminhadas pelas ruas da cidade
"Cabelo ao vento, gente jovem reunida..."

Tenho saudades das sensações
E fico feliz por senti-las de novo
Desta vez sozinha, no carro,
O vento bate no rosto, o sol vermelho me acalma
Respiro fundo, fecho os olhos...
E chego feliz ao anoitecer!

quinta-feira, maio 24, 2007

Nosso novo movimento

Esta noite
vou tomar a sopa com o seu tempero,
falar sobre os seus sonhos
brilhantes e verdes e,
no final,
antes de dormir,
vou tentar ardentemente traduzir
as idéias e promessas que
surgiram nos cantos
de nossas imaginações em contos singelos,
sempre pretensiosamente sinceros...
e eternos!

quinta-feira, maio 17, 2007

Vamos celebrar as canções

Canções podem sim me levantar ou acabar de me enterrar.
Ainda bem!

Must Be Talkin' To An Angel, by Eurythmics, me dá cócegas nos pés e uma vontade louca de dançar.
Me vejo dançando na sala, janelas abertar pro sol entrar, a Bia rodando no meu colo, na rua as pessoas passando e olhando, o som no último, mas estou só no meu próprio carro, de cara pra luminosidade do céu azul... E é o que basta!

"La da di da-da da-da da
Da-da da-da
La da di da-da da-da da
Da-da da-da, yeah"

Parece bobagem isso, mas não é! Depois de dias de trabalho intenso, o cansaço, as dores e o mal estar me deixam tão frágil, tão triste, que perco a noção do que sou eu ou do que sinto falta. Ou de quem sinto falta. Aí, um convite à celebração é um bom sinal:

"No one on earth could feel like this
I'm thrown and overblown with bliss
There must be an angel
Playin' with my heart, yeah
I walk in to an empty room
And suddenly my heart goes BOOM
It's an orchestra of angels
And they're playin' with my heart, yeah"

domingo, maio 13, 2007

Registro - Mapa Astral

Olha só o meu mapa astral de mãe... Interessante...

"De acordo com o cálculo do Mapa Natal, no exato momento do nascimento
de Viviane, a lua encontrava-se no signo de Áries. A posição da lua no Mapa
Natal fala sobre a nossa vida emocional e a forma como vivemos e expressamos
os nossos sentimentos. O signo lunar revela ainda características sobre a
maternidade, apontando como a mulher lida com este lado importante e
marcante de sua vida. A mãe com o signo lunar em Áries é toda sinceridade.
Apressada, às vezes impaciente, mas quase uma criança na manifestação
espontânea de seu amor. O melhor lado que ela tem a oferecer ao mundo é a
fé: a crença de que as coisas podem e devem ser melhores do que são. A mãe
com a lua em Áries também é, demasiadamente, voltada para o imediato, para o
'curto prazo'. Sua vida é uma sucessão de momentos vivos e intensos como os
de alguém que deseja sorver a vida até sua última gota. Para ela, tudo é à
flor da pele. É uma criatura aventureira, mas sabe se dedicar muito bem à
tarefa de ser mãe."

Ele não tem mãe

A Bia estava inconformada desde o início da semana.
- Mãe, por que você tem de trabalhar no Dia das Mães?

E eu já não aguentava mais responder:
- Porque o papa está aqui, filha. E eu tenho de trabalhar. Todo mundo lá no jornal tem de trabalhar.

Juro, ela já tinha feito a pergunta umas duzentas vezes. Aí, hoje de manhã, eu não aguentei mais:
- Bia, pára de me perguntar isso. Eu já te respondi. O papa está aí. Não quero mais ouvir esta pergunta!

A garotinha calou alguns segundos. E, então, disparou:
- Tá bom, mãe, vou perguntar outra coisa, então:
Por que o papa tinha que vir para cá justo no Dia das Mães???

- (rs, rs, rs)... é porque ele não tem mãe, Bia. Ele com certeza não tem mãe.

O reverso

com atraso de uma semana

E eu tive de encará-la de novo!
E eu te achei tão linda, tão linda....
Te invejei por inteiro
Teu porte, tua segurança, tua voz
E me entreguei em tuas mãos
sem te conhecer...
mal sabendo teu nome.
Fui obrigada a confiar...
Esquecer o meu medo
e, no final, te admirar
E agradecer

quarta-feira, maio 02, 2007

Sob os holofotes

Por que vergonha de mostrar a minha fragilidade?
E daí se essas pessoas me vêem chorar e percebem que não sou tão forte?

"Isso é uma bobagem, não tem nada demais, mas a gente respeita você!", ela diz...

Respeito... pouca gente sabe o que essa palavra significa...

Vergonha...
Vergonha por cada lágrima minha que você vê!
Inda bem que não verei mais nenhum de vocês!...
(Mas vocês talvez me vejam, e me reconheçam!)

E você, senhor charmoso, de barbas e cabelos longos, você eu com certeza verei e lembrarei que falou comigo como se eu fosse uma criança.
E talvez fosse isso mesmo o que eu aparentava... uma criança assustada, nua, com uma touca ridícula na cabeça, meias nos pés e holofotes na cara.

"Qual é o seu nome? Você sabe?"
"E a sua profissão?"
"Sabe onde mora?"
"Quem está com você?

Eu estou só! A minha companhia é só um empréstimo!
Porque no fundo, estou sempre só!
E acabou!

quinta-feira, abril 26, 2007

Pretinho básico

Me aprumo pra ir trabalhar. Saco do guarda-roupas um vestidinho tubinho preto, com uma estampa de galhinhos de flores miúdas, brancas, bem básico e discreto, herança de um tia querida.

Sentada no sofá, vendo desenho animado, a Bia olha, avalia e dispara:

- Mãe, você parece uma velha com esse vestido... Não combina.

A garotinha de 6 anos me pegou no fígado! Há meses eu já estava com a sensação de que aquele vestido de crepe tinha mais cara de senhora-senhora do que de jovem-senhora-que-não-gosta-de-se-vestir-na-modinha-mas-que-também-odeia-cafonices. Mas mantinha por teimosia o vestido pendurado no armário. E, nesta fase dos 40, qualquer menção à velhice me deixa louca de raiva.

E explodo:

- Pô, Bia, eu já desconfiava que esse vestido me envelhecia, faz tempo que não uso, mas você tinha que falar assim na lata??!! Me arrasou!!

A garotinha se desculpa:

- Não, não, mãe! Tá bom, tá bonito, vai com ele!

- Não vou. Quer saber? Vou tirar ele agora e dar pra alguém. Ó, vou tirar e dar pra Val (é a babá) levar pra mãe dela! Vai servir direitinho na dona Maria!

E a menina sussurra baixinho:

- Na minha avó também ia ficar bom...

Explodi de novo, mas desta vez de tanto dar risada...



domingo, abril 22, 2007

Pergunta da Bia...

...feita ao pai. Mas que também pode ser respondida por qualquer outro ser do sexo masculino??

Por que você vai no estádio ver futebol e, quando chega em casa, liga a
televisão para ver futebol??

sexta-feira, abril 20, 2007

Vontades

Quero ficar aqui quieta no meu canto
Ouvindo só o que dizem as minhas próprias dúvidas
Quero olhar essa tela e já ver tudo escrito
E só ter o trabalho de transpor o meu saber para o seu olhar
Quero falar baixinho
E sentir que o outro ouviu o meu grito
Quero te contar tudo sem falar palavra
Para você ter certeza que estou ao teu lado
Quero abrir a janela e respirar o cheiro de biscoito
E me sentir ainda como uma criança
Quero fechar os olhos e me sentir flutuando
Quero ter direito à minha solidão
Quero que você me pegue de surpresa
De um jeito que eu não possa lhe dizer não
Quero deitar agora como se fosse para sempre
Para encontrar bracinhos finos procurando o meu pescoço
O que é um bom jeito de dormir em paz

quarta-feira, abril 18, 2007

Duas coisas para não esquecer

A intensidade

e

O imponderável

sexta-feira, abril 13, 2007

Rua da Marquise, 901

Em que lugar fica esse endereço? Alguém pode me dizer?
Já olhei no guia, já olhei na net, já dei uma googada, e não encontrei nada parecido.
É a coisa mais louca que eu já sonhei! Um endereço. Um lugar que eu não sei qual é!

Por que Marquise?? O que é uma marquise? Um lugar onde a gente pode se abrigar!!!
Por que 901? Tenho que consultar uma numeróloga. No limite, é 1 (9+1=10 ou 1). Na numerologia o 1 é Início, a Força, mas também o Egocentrismo....

Já sonhei com beijos, com encontros, com brigas, com amassos, com a água invadindo meu carro, quase me afogando, com fugas desesperadas pela mata, houve época em que sonhava desesperadamente que estava sem sapatos, me dava conta que não tinha sapatos, mas um endereço.........

Não sei mais onde procurá-lo. Mas acho que é lá, neste lugar que não sei onde é, é lá que eu vou encontrar aquele espelho do outro sonho... Nele eu me mirava enquanto chorava... e a outra-eu, a imagem, com a maior naturalidade, desenhava um sorriso no rosto. E eu, chorando, era obrigada a segui-la, meio a contragosto, teimosa por querer continuar a sofrer, mas sabendo que ela, a outra, é que estava certa.

Sem falar palavra, ela dizia pra mim: 'sorria, garota, porque tudo, tudo vai terminar bem!'

segunda-feira, abril 09, 2007

A velhice

É difícil encarar a passagem do tempo de frente. A memória que já não é a mesma, o andar que não é mais firme, as mãos que tremem, o olhar embaçado...
Passei todo o feriado encarando tudo isso... Tentando observar o outro e a outra e não ver o meu futuro. Imaginar que comigo pode ser diferente.
Mas, dificilmente será. Não há muito o que fazer pra ser diferente. Me pergunto como não ser atropelada pelo tempo ou pela doença, pelo amargor, pelo abandono ou pela solidão. Algo disso inevitavelmente alcança cada um de nós em algum momento da vida.
Não sei a fórmula para escapar. É difícil não ter medo.
Mas, olhando como meus tios e tias estão, lembrando o que fizeram e como chegaram até hoje, o que me toca mais é a memória que guardo da integridade, da curiosidade, da bondade e da criatividade que tinham. Me orgulho disso, me orgulho por ter conhecido e convivido com cada um deles.
Hoje eles estão trôpegos, inseguros, esquecidos, frágeis, mas não consigo vê-los com piedade, mas sim com respeito e muito afeto.
Será que merecerei algo assim quando chegar aos meus 70 ou 80??

terça-feira, abril 03, 2007

O velho trem

O mundo pode estar caindo, mas eu me animo quando sinto o Sol.
Ele me aquece a alma quase sempre solitária.
Não adianta estar rodeada de gente quando a solidão faz parte da gente.
Escuto no trânsito Back On The Chain Gang (The Pretenders), saio cantando... Fico feliz.
Uma foto
Uma trégua
Dias felizes
Mas agora Back On The Chain Gang..........

Migalha

Ela só lhe dá uma migalha do seu coração.

Queria lhe dar mais.
Ele mereceria toda a sua atenção, todo o seu tempo, todos os seus pensamentos...
Mas ela não consegue.
É incapaz e, por ser incapaz, já chegou a sentir culpa.
Porque ele... ele está sempre ali.
Ele a considera tanto, ele a quer tanto e ele a respeita tanto,
que a comove.
E, pior, ele não lhe cobra nada.

Quando ela o dispensa, ele aceita.
Quando ela adia os seus encontros, ele entende.
Quando ela lhe pede um favor, ele faz.
E não faz por submissão, porque ela não o obriga.
Nem para agradá-la, porque ela não é um tipo que se adule.
Ou mesmo por falta de amor próprio, porque ela nunca o ofende.

Ele apenas faz porque sente prazer.
E ela apenas aceita.
E cala sobre o que não sente.
E, se ele percebe, prefere fazer de conta que não vê.

Ela já tentou amá-lo como ele a ama.
Mas não consegue.
Simplesmente porque, por ele,
não sente nem a atração que vem pelo corpo
e nem a paz que vem pela alma.
Sente apenas afeto sincero,

mais parecido com gratidão.

quarta-feira, março 28, 2007

Maridão

Odeio essa palavra! Acho de extremo mau gosto o que vem na entrelinha da expressão: "seu maridão..."
Vem sempre com uma maledicência, uma insinuação de que ele, o marido, é um bem de consumo, uma coisa, um objeto que precisa ser preservado a qualquer custo, manipulável ao belprazer da mulher, algo de segunda categoria.
É ainda pior quando vem assim a fala: "Essa é pra segurar o maridão!". Quem precisa segurar o quê, cara pálida? Por que as pessoas acham que toda mulher quer "segurar" o outro, quer manter alguém pra sempre grudado do seu lado, como se a sobrevivência dela dependesse disso? Seria por que a solidão é assustadora para maioria?
Sei que há mulheres que temem a solidão. Eu também tenho medo às vezes... Mas, Deus, não dá pra se agarrar no medo! Será que não percebem que tem gente diferente. Eu sou diferente! Conheço dezenas de mulheres diferentes.
Odeio quando me perguntam: "cadê o maridão?" O que me irrita é essa necessidade de posse e controle que a maioria tem.
As pessoas são únicas, independentes, não nasceram ligadas. Se encontram, se apaixonam, se amam, ficam juntas, se separam. Faz parte. Cada passo pode doer, de dor ou de prazer, mas é a intensidade de cada passo que dá a graça dessa coisa chamada vida.
E ficar com alguém é mais do que "segurar". É primeiro conquistar, depois dividir, ser cúmplice, manter prazeres e ainda passar por cima de dissabores. E isso sim é difícil!
O que me deixa ainda mais indignada é a falta de consideração com o outro, o marido, como se ele não tivesse parte nisso, fosse alguém estúpido e sem vontades, à disposição da mulher.
Então, vamos combinar: eu não tenho "maridão". Tenho amigo, companheiro, parceiro, namorado, marido, amante ou homem. São nomes melhores, que dizem muito mais de uma relação do que o estúpido "maridão".
Hoje estou com ele. Amanhã, quem sabe?

domingo, março 25, 2007

Lua @ Sol

(resposta para Lívia)

Sempre me achei mais Sol que Lua. Tenho a pretensão de aquecer a Terra, de esquentar o mundo, todo mundo...
Às vezes me assusto com a repercussão do que falo, um brilho que não alimento, que me segue como se não fizesse parte de mim, me empurrando, assoprando no meu ouvido o que devo fazer. Me assusta também o bem querer de tantos. Nunca acho que o mereço.
Porque, no fundo do meu coração, carrego essa tristeza lunar, entro em paradas escuras e saio ferida e me sentindo perdida. Mas nunca arrependida. Nunca a ponto de desistir e também nunca pronta para esquecer.
Tenho mesmo essa
"esperança no amanhecer,
no devir,
no fruto ou na renovação..."
Pretensão é a palavra. Minha pretensão de ser alguém de quem eu nunca me envergonhe.

quinta-feira, março 15, 2007

Reconciliação

A dor me leva de volta à água. Me reconcilio com ela, e a aceito de novo, com sua maciez e seu silêncio. O meu silêncio.
Entro devagar. Odeio respingos pra todos os lados, divisão de problemas com os outros, forma de demonstrar autoconfiança, mas é só autoafirmação.
Respiração profunda, olhos abertos, me estico e sigo.
Num susto, me surpreendo ao ver no fundo minha sombra. Ela me segue livre, como que desprendida de mim. Sua aura é própria. Ela está lá, refletida no azulejo escuro, fazendo cada movimento melhor do que eu mesma.
Apuro a visão e sinto cada onda que se forma com nossos toques. Mudo de posição, olho pra cima, a luz do sol fraco passa através do teto translúcido.
Percebo meus braços, mãos e dedos. Eles vem e vão, surgem e desaparecem e me empurram para a parede.
A água morna me envolve toda, com se fosse um corpo masculino, e eu vou imaginando que ela é. Um corpo bom, grande, que me cobre inteira, me toma e me proteje. Sem ele, na saída, é só frio.
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8. Viro e sigo de novo.
O sol se vai, agora só há refletores ofuscando meus olhos.
- Senhora, é hora de sair.
Acabou o meu prazer.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Meninas e irmãos

Criança é uma delícia. Seus diálogos, suas sacações, como interpretam o que escutam e vêem. São nosso espelho. Nosso melhor reflexo. Olha só a conversa da minha filha com sua amiguinha. Papo debaixo do chuveiro...

"- Bia, você não tem vontade de ter irmãos?

- 'Magina, que já
é difícil pro's meus pais aguentar uma filha viva e uma
morta, imagina se fossem duas vivas e uma morta.
Imagina...

- Sabe, é bem legal ter um irmão. Mas é chato quando chegam e falam
'Nicole,
vem olhar seu irmãozinho que eu preciso fazer isso', 'Nicole, vem ficar
com
seu irmão que eu preciso fazer aquilo'... "

Detalhe: a Bia sabe da história da irmã, mas nunca falei pra ela sobre filha viva ou morta... A construção é só dela.


quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O Outro

Faço de conta que você é o outro que já passou para poder conviver com você
Mas te reencontro como é várias vezes
Imagino que te encaro, que converso
E tento não enxergar em você o que gostaria que fosse
Me esforço para colocar uma pedra sobre nós dois
Mas as sensações escorrem por baixo dela
Líquidas, elas se renovam a cada dia
Me volto pra dentro, me encaro, quero parar
Não sou mais a mesma, você nunca mudou
É um alguém estático no tempo
Você não se recicla