sexta-feira, agosto 06, 2010

Eis o espírito

É a vida

Só a vida....

:-)

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sexta-feira, julho 16, 2010

Só o melhor

Hoje eu não fui na Vera. Preferi ficar sozinha em casa, lavando minha roupa, curtindo a Cléo, fazendo coisas simples...
A Vera já nem liga das minhas faltas. Quando liguei avisando, ela só quis saber se estava tudo bem. E achei curiosa a minha resposta tão espontânea, mais por causa do que me disse a Vera na sequência:
- Estou bem. Cheguei inteira na sexta-feira, e olha que eu imaginei que não ia conseguir.
- Mas é que, Vivi, quando a gente faz a coisa certa, pode até ficar triste, mas fica em paz.

Fiquei pensando nas coisas que a Vera me diz. Ela está certa, não é? Acho até que é mais do que fazer o que é certo. A gente fica em paz quando faz a coisa certa com o melhor que podemos ser e sentir:
sem medo, sem rancor, sem orgulho e, principalmente, sem mágoa.

É só fazer o que é certo com o melhor que temos no nosso coração.

sábado, julho 03, 2010

Um time para chamar de meu

Depois dessa Copa, acho que preciso escolher um time para chamar de meu.
Até hoje, sou  uma pessoa tucana quando o assunto é futebol. Mas a Copa me envolve, e mesmo o time do Dunga sendo ruim, me esforcei usando uma camisa canarinho e parando de fazer tudo para ver o jogo (mas um só consegui ver inteiro, e foi o melhor, contra o Chile, 3 a 0).
O que invejo é a paixão que as pessoas sentem pela causa. Olhos brilhantes, respiração suspensa, coração acelerado, na ponta da língua os nomes dos jogadores, posição, fraquezas, suas histórias pessoais. Eu não sou assim e queria muito ser. Ter essa paixão!!!
Mas não consigo escolher entre as opções. Pergunto para os amigos e me dizem que devo pender para o Timão. Me dá calafrios, mas lembro do Carnaval, os sambas da Gaviões, sempre bons, deliciosos. Se deixar os preconceitos de lado, dá até pra considerar. O Palmeiras nem pensar, simplesmente porque odeio aquele tom de verde. O São Paulo é o time do meu pai e me parece tão certinho, tão redondo, tão Morumbi. Acho que vou acabar virando Santista, ir mais para a praia, curtir a maresia.... Me disseram para eu torcer para o 15, qualquer 15, que terei vários times para torcer. Não vale, né? Torcer pelo Santo André também não vale, este vou torcer sempre, mais mesmo por obrigação, porque esta é a city do meu coração.
Não é um grande dilema, eu sei. É uma bobagem, mas é só algo que eu queria... Como tantas outras coisas coisas que eu queria...
Vamos ver se até o fim da Copa eu consigo me decidir. Senão, se ainda estiver por aqui, daqui 4 anos eu penso nisso de novo.
:-0

terça-feira, maio 18, 2010

Loucos & Santos

O poema não é meu, mas me foi dado de presente. Então, merece estar aqui. Os destaques são meus.



Oscar Wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.

Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábito.

Fico com aqueles que fazem de mim Louco e Santo.

Deles não quero respostas, quero meu avesso.

Que me tragam dúvidas e angústias e que aguentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco.

Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão

pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.

Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.

Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.

Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de

aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos e nem chatos.

Quero-os metade infância e a outra metade velhice!

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos

para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.

Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos nunca

me esquecerei que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


quinta-feira, abril 08, 2010

Depois do cinza

Depois que passa aquela garoa fina, que encharca, esfria e deixa tudo cinza, a visão do Céu Azul, salpicado de nuvens que parecem algodão, sempre me soa como um alerta, uma lembrança, ou a certeza de que o Sol sempre volta a brilhar.
Aliás, o Sol, diferentemente da garoa fina, sempre está lá, no azul do céu, pronto para nos esquentar e acalentar. A chuva sempre passa.

terça-feira, março 16, 2010

Missão cumprida

...e eu sai de lá feliz, muito feliz!

Foi uma sensação de missão cumprida, de satisfação por ter seguido uma intuição meio estranha no começo, dolorida até porque significava ruptura, mas certeira.

Não conseguia deixar de esconder meu sorriso, querendo, sozinha, correr pela rua como uma criança, ou como alguém que sabe que terminou bem um ciclo, uma história, uma parte da vida, e quer comemorar. Porque pode seguir em frente sem ter que olhar o que ficou para trás, sem pendências a resolver, sem rancores a cicatrizar.

Sai de lá já pensando em escrever essa sensação boa, registrar pra não esquecer, inventar um conto em cima da  história da minha vida real. Tinha que registrar. Há tempos também não tinha esta vontade, de descrever uma sensação. Tudo é motivo para comemorar.

É que, afinal, não é todo dia que a gente recebe a notícia que o ex está namorando. E fica satisfeita.

"Meu Deus, que notícia boa! Como é bom ver de novo sua cara feliz", digo para mim mesma, enquanto ele me dá alguns detalhes do seu novo romance, animado, meio sem jeito, naquele tom de quem confidencia algo muito importante, mas que eu já sabia por intuição, como uma mãe ou uma irmã que conhece bem com quem está falando.

- Eu já sabia - eu lhe digo.
E ele me olha meio incrédulo, é lógico.
- Como?
- É que era tão óbvio. Ela gosta de você há tanto tempo, estava tão na cara. Eu já havia lhe dito isso.

Engraçado esta sensação. Estou conseguindo contrariar a Ana, que sempre dizia:
- Você vai ver quando ele começar a namorar... Vai querer morrer.

Não, Ana, não vou. Pôxa, fiquei feliz mesmo.

Mas, antes de escrever, tenho que contar pra Bia, minha cúmplice de todas as horas.... e nós duas rimos a valer... é que a gente já tinha falado muito a respeito. Em casa, já tínhamos, numa íntima conversa feminina entre mãe e filha, especulado sobre o namoro do pai dela, que a gente suspeitava estar rolando. Também falei antes para preparar o seu espírito, ver sua reação para algo que estava ali, maduro para acontecer. Agora o que era suspeita, acontecia, desabrochava.

"É a minha menina se comportando como mocinha", penso. "E ele lá, todo preocupado com o que ela ia dizer....Por que os homens são assim, tão bobos?", sorrio de novo.

Ele estava preocupado com a reação dela. É natural.

- Ainda não contei pra Bia - ele me disse - Achei melhor, não sei como ela vai reagir - É... Afinal, como ele podia saber o que a filha ira achar, sentir. Dá pra entender.

- Desencana, eu falei pra ela e já faz tempo. Você só está me dizendo algo que nós duas já sabíamos. Eu e você fizemos tudo direitinho, fica tranquilo. Ela vai achar natural.

E achou mesmo. Morreu de rir muito mais do que eu.

- O importante é ele estar feliz, né, mãe?

- É isso aí, Bia. E agora ele está bem melhor.

- É, eu também acho!

;-)

segunda-feira, janeiro 25, 2010

2010 - Primeiro post

É, sumi daqui.
Não tem nenhum motivo especial eu ter parado de escrever aqui. Aliás, não parei. Só não escrevo há quase dois meses. Sempre posso voltar, e sempre vou voltar. Escrever aqui é um exercício delicioso. Um impulso que já me fez muito bem, mas também já fez muito mal.
Engraçado isso.
Uma reflexão.
Poderia dizer que não tenho tido vontade de escrever. Não seria de todo mentira. Nem de todo verdade.
E também poderia dizer que não tenho o que escrever. Seria pura desculpa. Todo dia penso em algo para colocar aqui. Um papagaio no ar graças a mão de um moleque que corre no meio do trânsito, um arco-íris raro na manhã chuvosa, o alagamento do dia, o encontro amigo, as saudades de sempre, os problemas diários, o choro de raiva, sei lá.
Mas o que tenho pensado ultimamente perde a força ao longo do dia e não se transforma em letras, conto, poesia ou o que quer que seja.
Tenho tido as histórias, e a vontade, mas nada disso tem sido suficiente para me tirar da paralisia.
E hoje estava pensando bem sobre isso. Do porquê disso. E o impulso voltou, naturalmente.
Acho que parei por um tempo, suspendi o ato de escrever por impulso porque a escrita, aqui neste espaço, é remédio, é desabafo, e é, principalmente, sem compromisso.
Ela vem naturalmente, como algo incontrolável, fluindo nas pontas dos dedos. Muitas vezes ela me deixou feliz, outras muito triste. Ela também foi instrumento de provocação, foi incompreendida e até irresponsável. E está certo porque é tudo isso que é o impulso na vida da gente. Mas nada disso me fez seguir ou parar. Aqui, escrever, simplesmente é.
Estou numa fase mais comedida, mais reflexiva, mais "pé no chão", talvez. Por isso, acho, os textos feitos por impulso têm sido mais difíceis de serem dedilhados.
Escrevo sim toda semana um conto, obrigação do ofício, história contada ou inventada, com começo, meio e fim.
(Teria eu aí o desafio de encontrar o meio termo entre o impulso e a obrigação? Mas essa é outra reflexão, de outro hora.)
O bom é que, mesmo mais no chão, continuo com os meus sonhos, as meus planos e objetivos reais e surreais. Estar menos impulsiva não significa esquecer que existem nuvens a alcançar. O mundo, para mim, nunca foi  cinza e o meu, ultimamente, anda bem lilás. Ando muito feliz e sem vergonha ou constrangimento de declarar.
Portanto, volto aqui de vez em quando, quando der certo, quando pintar, enfim, qualquer dia desses, quando rolar.

terça-feira, dezembro 01, 2009

Mudanças e mais mudanças

Eu sei da velha crença de que quando as mudanças vêm, chegam todas juntas. Eu até estava preparada para elas, as mudanças. Mudei de casa e achei curioso quando mudei de patrão. Mas, agora, mudar também de horário foi bem inesperado.
É isso: voltei a madrugar, a acordar, às 5h, para estar no jornal às 7h. E, pelo menos nestes dois primeiros dias, não achei tão ruim. As manhãs estão quentes e as tardes têm brisa. Chego em casa cedo e ainda brinco com a Bia.
A vida é isso... cheia de boas surpresas... gostar disso - de acordar cedo - foi inusitado para mim.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Só com lençóis novos

Respirei fundo e subi o lance de escadas, puxando a minha mala gigante e superpesada. Estava cansada. Havia trabalhado o dia inteiro. Mas estava animada, acesa.
Era a madrugada de 10 de novembro, 1h da manhã e, pela primeira vez, dormiria no meu apartamento. E sozinha.
Abri a porta, acendi as luzes, entrei e agradeci à vida, a Deus, a mim. "Consegui", pensei. "Enfim, estou aqui. É meu espaço. Depois de tanto tentar, tantas dúvidas, tanto empenho, estou aqui. Feliz e sozinha."
Fiz questão de sentir o silêncio do ambiente. Tirei os sapatos, e deixei o frio do piso subir pelas minhas veias, atiçar os meus músculos. Andei devagar pelos cômodos, acendi todas as luzes, deixei o brilho das lâmpadas fluorescentes alegrarem ainda mais a minha alma.
Meu coração estava calmo, nada de palpitações exageradas. "Estranho", pensei. Deveria estar excitada? Acho que não.
Fui à geladeira, peguei um pouco de chá de caixinha, aqueci no micro-ondas. Abri um pacote de bolachas de água e sal. Seria o meu jantar. Um grande ceia. Mas bastou. Não estava com fome.
Depois, tirei a roupa para dormir no jogo novo de lençóis, branco com flores rosas. Demorei um dia a mais para mudar exatamente por causa dele, do jogo novo de lençóis. Para mim, era impossível passar a primeira noite lá com lençóis velhos, desgastados por uma antiga história. A primeira noite não, teriam que ser novos. Então, naquela manhã, tinha ido à loja correndo, só para escolher um novo. E eles estavam lá, na cama arrumada e perfumada, me convidando para a primeira noite de sono.
Ao deitar, um reflexo comum - me apertei no canto direito... Então, me repreendi: "Para com isso, a cama é toda sua!". Respirei o cheiro do tecido novo, engomado, e me arrastei para o meio, entre os desenhos de rosas. Lá, no centro da minha cama, dormi, profundamente e em paz.
E foi assim que começou a segunda metade da minha vida.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Os ciclos da minha vida

Pela primeira vez na vida assinei um aviso prévio. Está certo que é uma situação diferenciada. Não fui demitida. A empresa foi vendida e todos os funcionários assinaram a carta de demissão, com a promessa que seremos recontratados imediatamente pela nova firma que comprou o jornal. É bem mais tranquilizador do que uma demissão sumária.
Mas essa mudança toda na empresa me fez refletir ainda mais nos ciclos da vida. Gosto muito de observar que vivemos nestes ciclos, que há histórias e situações que de tempos em tempos se repetem. Me explico:
Há 15 anos, na Primavera, eu entrei nesta empresa. No mesmo dia, eu sai da casa dos meus pais e fui morar com meu namorado. Demoramos muito para falar que estávamos casados, mas, na prática, era isso: havíamos casado, sem assinar papéis, sem festa, vestido branco ou champanhe.
Agora, de novo na Primavera, quando eu me preparo para mudar de novo de casa e também mudar o meu estado civil, voltar a ser solteira, a vida me surpreende com uma mudança no jornal. Vou trocar de chefe, começar a trabalhar numa outra empresa, mas com a diferença de que não sairei na minha baia.
É coincidência? Eu acho que não. São os mesmos tipos de mudanças, na mesma época, com a mesma importância.
Para mim, são os ciclos da minha vida, mais do que se repetindo, se renovando.
Meu desafio é melhorar a cada ciclo, fazer melhor cada etapa.
E eu acho, tenho certeza, estou conseguindo.
;-)

quinta-feira, outubro 29, 2009

Thank You

Foi a primeira música que escutei na mannhã dublada de hoje. Thank You
Achei que foi um presente da vida. Sorri sozinha.
Entrei no carro, liguei o rádio e lá estava ela, dizendo nos seus acordes "seja feliz", ou fique bem, mesmo com problemas. Sempre tem algo ou alguém para lembrar e te deixar bem.
A letra da música diz bem isso... o dia pode estar cinza, o chá esfria, a cabeça dói, mas eu só quero agradecer por você existir. E me dar um ótimo dia.
Essa música tem o dom de transformar o meu estado de espírito. Não é a primeira vez que isso ocorre. Ela me eleva.

E agradecer à vida por isso é só uma obrigação.
Então, I want do thank you....

:-)

segunda-feira, outubro 26, 2009

Fazendo as malas

Uma a uma, ela vai colocando as minhas coisas na mala.
Ela gosta desta tarefa... arrumar as malas da mãe.
Ela enrola as camisetas para mais peças se encaixarem na mala.
Me avisa que os cintos não ficam enroladinhos e que ocupam muito espaço.
Conta que colocorá as meias nas bolsas laterais.
São tantas coisas que duas malas não dão.
Teremos que levar em mais de uma etapa.
Por enquanto, deixo as coisas do cabine em outro armário.
Por enquanto, os sapatos vão ficar em sacolas e as blusas de lã em caixas.
No ap, casa nova, o espaço para as minhas roupas ainda não está pronto.
Mas, na casa velha, elas já precisam deixar o espaço aberto para quem é de direito.
A fase negra já passou, eu penso. E como essa sensação é boa.
Eu vou embora daqui a pouco com a consciência leve.
Há um ano isso parecia impossível, inatingivel.
Mas agora está tão próximo, uma questão de dias, horas.
E o que levo comigo é como uma sensação do dever cumprido.
Até a tristeza que poderia surgir em meu coração por causa da tristeza alheia não consegue se instalar.
Eu estou realmente feliz. E satisfeita com o desfecho de tudo isso.
Hoje, no ap, eu quis que ele também se sentisse feliz.
Vai tudo ficar bem, você vai ver, eu disse... nós somos irmãos.
E ele falou em estar conformado, tudo bem...
Achei boa a resposta, que reforça ainda mais a minha certeza e libera ainda mais a minha trilha.
É porque acredito que quem ama não se conforma.
;-)

terça-feira, outubro 20, 2009

Falando a mesma língua

- Mãe, eu quero saber uma coisa.
- Fala, Bia.
- Você e o meu pai não namoram mais, vão se separar, morar em casas diferentes, certo?
- Certo.
- Então, por que, quando são sobre as minhas coisas, vocês dois têm sempre que concordar com tudo?
.........rs, rs, rs......

sexta-feira, outubro 02, 2009

Tá combinado

Vou fazer uma festa de aniversário de 50 anos no Rio, durante a Olimpíadas 2016...
Sete anos dá bem pra organizar um festão..he, he.

terça-feira, setembro 29, 2009

Louca semana

Minha semana passada terminou só ontem. Foi uma semana que começou triste, eu cansada. Depois, duas pessoas queridas doentes, à beira da morte, um desmaio, uma explosão, duas viagens bate e volta. Fazendo as contas, publiquei quatro fotos em uma única edição, rodei dois mil quilômetros em menos de três dias, chorei alguns baldes, trabalhei mais do que o normal, me emocionei muito, mas o saldo foi positivo. Deixo aqui registrado o final desta semana tão louca. A entrevista na  Ana Maria Braga, ontem de manhã.
Um "Eu me amo" de vez em quando não faz mal a ninguém.
:-)

sexta-feira, setembro 25, 2009

O dia que o meu bairro explodiu


Foi com o coração na mão que eu cheguei ontem na Rua Américo Guazzelli, exatos três minutos depois da explosão da loja de fogos que levou meio quarteirão aos ares. O estrondo aconteceu na hora que eu  passava de carro pela Uruguaiana, meu caminho diário para o jornal. O som do rádio estava alto e, mais do ouvir o barulho, eu senti um trepidar estranho no carro.
Mas, o que mais me chamou atenção no momento, e que me fez imaginar que aquilo não era fruto da minha imaginação, eram os semblantes das pessoas saindo de suas casas para também ver o que havia acontecido. A expressão era de assombro. Todos olhavam para o céu e várias pessoas começaram a correr em direção à torre de fumaça que se via no céu. Eu nunca tinha visto rostos tão assustados. Era um pânico coletivo.
Eu, na minha curiosidade jornalística, dei meia volta no carro e também fui procurar de onde vinha a fumaça. Abri o vidro e o ar era puro cheiro de pólvora. Alcancei a Firestone e parei na esquina da rua da loja. Alguns policiais já estava lá, tentando evitar que as pessoas se aproximassem. A via estava coberta por uma nuvem de fuligem. O asfalto parecia terra. No fundo, a uns 50 metros, a loja ainda pegava fogo e tinha explosões. Uma Fiorino atravessada da rua estava destruída. Outros carros estacionados também haviam sido atingidos. Os fios de alta tensão estouravam. E eu, que sempre relato tragédias, comecei a tremer.
É que o jornalista geralmente chega o local do acidente com a situação um pouco controlada. Autoridades já isolaram a área e os colegas estão junto. Mas ali, tudo ainda era caos e espanto. Nada estava organizado.  As pessoas, vizinhos, ainda não conseguiam falar. Liguei e pedi ajuda para o jornal. Aquilo era grande demais para um só jornalista. Também liguei para casa e pedi pra o Mauro me levar a máquinas fotográfica. Eu, ali, só podia fazer o meu trabalho.
Vi as primeiras pessoas a serem socorridas. Uma mulher corria desesperada, com pernas e braços sangrando, falando que o filho jovem e o irmão deficiente estavam dentro da segunda casa após a loja. Os policiais foram até o local e retiraram os dois, que só estavam assustados, mas não se feriram. Um de pijama e o outro enrolado em um lençol. A mulher continuou por lá, andando de um lado para outro, completamente desnorteada. Dos paramédicos, ela só queria água. Conversei com ela. Se preparava para tomar banho quando ouviu o barulho. Saiu para ver o que era e foi jogada no chão da calçada.
Em seguida, os policiais trouxeram um casal de idosos, também em choque. O Samu os levou para o hospital. Depois, eu descobri que os dois moram lá há uns 60 anos, criaram seus filhos no local. Uma neta deles, que chegou desesperada buscando notícias, me contou. Tentei acalmá-la, dizendo que tinha visto velhinhos sendo resgatados. E mostrei as fotos para ela, que os reconheceu e me agradeceu, aliviada. Me senti reconfortada. Tinha tranquilizado uma família, pelo menos. Geralmente o jornalista é visto como aquele que quer ver a tragédia. É bom conseguir ajudar alguém nessas situações. Tinha conseguido pelo menos ajudar alguém.
As demais equipes de reportagem só chegaram ao local mais de meia hora depois. Não sei direito o tempo, Lá, tudo parecia demorar muito. Mas, de fato, tudo foi muito rápido. Eu sai de lá às duas da tarde, deixando duas equipes minhas e mais duas a caminho de Santo André. Para o jornal, tinha um ótimo material. Fotos e histórias exclusivas. Para minha vida pessoal, mais um experiência. E mais um pouco para agradecer. Afinal, tive sorte. Por minutos não estava a uma quadra do local, no farol onde várias carros bateram. Por sorte, não tinha feito o caminho que passa na frente da loja, como às vezes faço.
Mesmo satisfeita, fica aqui no peito um pesar, uma tristeza. Afinal, é uma tragédia sem precedentes para nós, daqui da região. Acho que todos acabamos atingidos. Cada um de nós tem uma história daquele canto do bairro, uma memória. São vidas destruídas. Mesmo que a gente não conheça as pessoas pessoalmente. Ali ficará sempre marcado como um lugar de muita dor. Abaixo, os corpos das duas vítimas fatais.


terça-feira, setembro 22, 2009

Vertigem

O zunido tomou conta da minha cabeça e eu sabia o que viria depois. Enquanto a senhora falava sem parar do outro lado da linha, aos poucos, suas palavras iam se perdendo para mim. Eu não queria mais ouvir.

- Então, Vivi, ele ficou parado na porta, sem reagir. Depois, foi para cama e começou a tremer. Teve uma hora que achamos que estivesse morto e...

Eu a cortei para não dar na vista e menti:

- Olha, vou ter que desligar. A Bia está me chamando.

Desliguei o fone e chamei a Val. Depois, não lembro de mais nada.

Só sei que acordei no sofá, melada de um suor frio, escutando a minha própria respiração pesada. Mais parecia que tinha saído de uma piscina gelada.

- Você desmaiou - me disse uma Val assustada, branca como uma folha de papel - Eu te coloquei no sofá.

- É, acho que foi a notícia, a insônia, o levantar rápido, o remédio, a falta de café... Tudo isso junto e mais um pouco.

Fiquei o resto da manhã assim, pensando naquela vertigem. Que foi preocupante, mas que foi boa. Como foi boa aquela sensação de sono profundo, que nem sei quanto tempo durou! É que, quando eu voltei, não tinha a intenção. Só sei que não queria acordar. E voltei sem me esforçar, sem ouvir nenhum chamado, como se minha alma fosse tomando conta de cada parte do meu corpo bem devagar, encaixando parte por parte. Foi uma viagem rápida, e assustadoramente feliz.

;-)

Conversa de piscina

Faça tudo sem pressa. A gente tem tempo. A gente só não sabe que tem tempo, mas sempre tem tempo.
Ana Lúcia

Caixas de papelão

Acho que eu ainda terei uma etapa bem difícil para cumprir. A da mudança de fato.
Empacotar as minhas coisas, colocar no carro e dizer tchau.
A Del outro dia me disse: "Éh, a parte de separar os CDs é bem chata mesmo."
Queria pular esta etapa, até por causa do esforço físico disso, mas sei que não vai dar.

O problema é que eu não estou habituada a mudanças. Minha vida sempre foi muito estável. Vinte anos num ap com meus pais, 15 anos de emprego, 15 anos na mesma casa. No trabalho, nunca me interessei em procurar outras áreas para cobrir. Lá, quando as mudanças veem, elas me alcançam.
Não que eu tenha medo de mudar. É que não penso nisso como uma necessidade. Não me incomoda estar anos "no mesmo lugar", porque eu nunca me sinto parada, paralisada, "perdendo tempo". O lugar mudou tanto neste tempo todo....

Voltando aos CDs, não sei porque a gente coleciona tanta coisa ao longo da vida. Dá vontade de deixar tudo pra trás, comprar tudo novo. Pena que isso é impossível.
Então, por conta do impossível, domingo eu comecei a organizar algumas coisas que vão comigo. O mais legal é que a Bia está bem mais empenhada em separar as coisas dela. Ela vibra quando eu falo em arrumar a mudança. Então, eu comecei a ajudando com os brinquedos e os livros. Foi divertido pegar os jogos e deixar de lado as Pollys. Ela, sozinha, pegou uma caixa e colocou os gibis que vai levar. Alguns brinquedos ela separou em kits para doação. Fiquei orgulhosa.
Quanto às minhas próprias coisas, volto a pensar... tudo já está bem separado na minha cabeça. Queria ser a Jeanne e com um piscar de olhos transferir todas as tralhas de cá para lá. Mas, como não dá, vou buscar esta semana no fundo da minha alma a disposição para colocar tudo em caixas de papelão.
:-)

quarta-feira, setembro 16, 2009

Parir outra vez

É, eu já senti isso antes.

É a mesma sensação de quando se está grávida, prestes a parir.
A gente faz tudo certinho na gravidez, todos os exames e testes, até conta os dedinhos do bebê no ultrasson para não ter surpresas, checa 15 vezes aquela lista de itens indispensáveis que são publicadas em revistas (e só depois descobre que metade é inútil), está com a mala pronta com as roupinhas RN lavadas, passadas e desinfectadas, ao lado da sua cama, pronta para sair correndo assim que o bichinho der o primeiro sinal que quer sair da sua barriga. Ou seja, está tudo ok, não há motivos para se afobar, só tem que esperar a hora certa...

...mas é impossível saber como será o parto e a vida depois dele. Só se sabe que, com aquela vida reinando, a nossa própria vida vai mudar completamente. Eu sempre tive a certeza que seria mais feliz. Porque aquilo - dar à luz - era o que eu mais desejava até aquele momento.

É mais ou menos assim que estou me sentindo. É como se eu fosse parir de novo.
Só que agora eu estou parindo a minha nova vida. A vida que eu escolhi conscientemente. Mudar para o meu lugar. E tenho certeza que serei feliz também porque é tudo o mais quis nos últimos tempos. E a preparação dessa mudança tem me dado vida, como minhas filhas me deram. É a vida, sempre nos pedindo mais.

E está tudo certo, a arrumação do ap está no ritmo que dá pra ser, eu não posso fazer nada mais para agilizar, não estou sendo pressionada para mudar, ninguém, até agora, me deu um calote que pudesse atrasar os meu planos, o dinheiro é curto, mas eu vou levando.... Ou seja, nada para eu me apreender.

... mas... o coração está apertado, tá doendo uma dor ardida no meio do peito e, como toda boa gestante, eu tenho chorado mais, e não é de tristeza. São só minhas emoções à flor da pele. Como também a minha capacidade de trabalho amplificada, como toda buchuda que trabalha como louca e acha aquilo normal.

Não é medo, não é apreensão. Não gosto da palavra ansiedade, é negativa. Pode haver uma boa ansiedade?
Vou me conformar achando que é mais expectativa pelo que virá e eu não posso planejar ou nem ao mesmo imaginar como será.
É o inesperado, ou o imponderável... E eu não vejo a hora que eles me alcancem...