Venha, venha sol
curar este inferno astral que inferniza a minha alma....
....
domingo, maio 29, 2011
terça-feira, maio 17, 2011
Terreno fértil
Fase estranha essa... me sinto como um terreno fértil, pronto para ser semeado. E sendo semeado aos poucos.
É vida que parece se esparramar por todos os meus poros... uma felicidade boa, sem nenhuma pretensão de ser mais do que ela é ou ter mais do que ela tem.
E, melhor, não há nada de muito especial acontecendo... Só o dia a dia, só o de sempre, só o esperado (Às vezes, muito às vezes, tem um inesperado sim, mas isso é outra história :-).
E talvez seja isso o melhor da vida - o imponderável estar dentro do nosso cotidiano, sem tropeços, nem grandes expectativas, sem pensar que a vida pode ser melhor do que é.
Simplesmente porque ela é do jeito que tem de ser.
:-)
É vida que parece se esparramar por todos os meus poros... uma felicidade boa, sem nenhuma pretensão de ser mais do que ela é ou ter mais do que ela tem.
E, melhor, não há nada de muito especial acontecendo... Só o dia a dia, só o de sempre, só o esperado (Às vezes, muito às vezes, tem um inesperado sim, mas isso é outra história :-).
E talvez seja isso o melhor da vida - o imponderável estar dentro do nosso cotidiano, sem tropeços, nem grandes expectativas, sem pensar que a vida pode ser melhor do que é.
Simplesmente porque ela é do jeito que tem de ser.
:-)
quinta-feira, maio 05, 2011
Gostos e desgostos
O que eu gosto é do toque
Gosto do cheiro da pele lisa
E do perfume que fica em minhas mãos depois
O que eu gosto é da conversa sem compromisso
Das histórias que se diz e que eu nunca sei
se são exageros ou meias-verdades
Eu gosto é do espanto, do sorriso e do cansaço
Mas há algo também que não gosto
De um certo estranhamento
Um não sei quê sem nome que fica no ar às vezes
Um risco de olhar sem confiança
Uma frase solta, sarcástica
Um suspiro de impaciência
Coisas assim que não sei definir
E que me fazem sair um pouco da linha
Dessa nossa linha imaginária
E ficar meio de lado
Esperando o tempo passar
E tudo, de novo, se arrumar
;-)
Gosto do cheiro da pele lisa
E do perfume que fica em minhas mãos depois
O que eu gosto é da conversa sem compromisso
Das histórias que se diz e que eu nunca sei
se são exageros ou meias-verdades
Eu gosto é do espanto, do sorriso e do cansaço
Mas há algo também que não gosto
De um certo estranhamento
Um não sei quê sem nome que fica no ar às vezes
Um risco de olhar sem confiança
Uma frase solta, sarcástica
Um suspiro de impaciência
Coisas assim que não sei definir
E que me fazem sair um pouco da linha
Dessa nossa linha imaginária
E ficar meio de lado
Esperando o tempo passar
E tudo, de novo, se arrumar
;-)
sexta-feira, abril 15, 2011
A ficha ainda não caiu
As caixas estão espalhadas pela redação. Estão em cima das mesas, sob as balcões, nos corredores. É mais uma despedida pela qual eu passo. Tem gente até tirando fotos, fazendo filmes... É o nosso último dia aqui. Nessa onda de mudanças que tomou conta da minha vida nos últimos dois anos, esta é a mais involuntária. Até agora não caiu a ficha. Sair do Centro de SP me parece um fato ainda distante, como um plano de viagem que você não sabe quando será realizada de verdade. Mas, o fato, a verdade, é que na próxima segunda-feira estaremos longe daqui, muito longe daqui. E muito mais longe ainda da minha casa. Será uma viagem diária. Por quanto tempo? Eu não sei. Vai valer a pena? Terei que pagar e esperar para ver? Terá volta? Estou apostando que sim.
;-(
;-(
terça-feira, abril 05, 2011
Protocolada é sempre melhor
A dor já estava lá. Eu acordei sabendo que seria difícil sair da cama. Mas teimei. Num esforço enorme, arrastei as pernas para fora do colchão e coloquei os pés no chão. Dei um impulso e fiquei em pé. Mas os músculos das minhas costas não me obedeciam. Malditas seis horas de aula de dança que eu tinha feito no sábado. Só podia ser isso: excesso de esforço. E as minhas costas doiam. Encostei a cabeça e as mãos da parede numa tentativa de alongar, e acho que foi esse o meu erro. Devia ter voltado para a cama. Mas tudo aconteceu mais rápido do que o meu raciocínio: veio o zunido no ouvido, os olhos turvos, a escuridão e....cataplof - o chão. Cai de lado, do lado esquerdo, e assim fiquei.
Não entendo até agora porque eu não voltei a sentar na cama. Quem sabe se foi porque a expectativa pelo domingo era tão grande, eu e a Bia tínhamos combinado de fazer tanta coisa, e aquela dor horrível nas costas chegou tão fora de hora... sei lá. Só pode ter sido isso. Só sei que o que ouvi na sequência foi uma garotinha gritando "MÃE!!!, VOCÊ CAIU!!!" E se desesperar tanto que eu, mesmo sentindo calafrios pelo corpo todo, transpirando gelado com a pressão em baixa, me esforcei e consegui não desmaiar. Só falava, "Calma, Bia. Liga para o seu pai! Eu estou bem." E ela ligou, chorando... O vizinho ouviu a balburdia e veio ver o que era. "Não levanta, Viviane, pode ser grave!". A Bia falando: "Mãe, você está sangrando!" "Estou?" "É, um pouco, Viviane, foi um corte pequeno, deve precisar dar um pontos!" Toca o telefone e é o Mauro. Eu no chão, do jeito que cai. A Bia fala com ele e me dá o aparelho. E eu descubro que, no chão, o aparelho na minha orelha esquerda não funciona. Vamos mudar de lado e aí eu escuto, apontando o aparelho para cima. "Eu estou parado no trânsito, a Claudia está indo praí! Você está bem?" "Eu ainda estou no chão." Eu, pro vizinho: "O senhor pode ficar tranquilo. O meu ex-marido e minha cunhada estão vindo pra cá. Obrigada, viu?" Fiquei tentando distrair a Bia. "Bia, pega uma toalha!" "É melhor um algodão. Onde tem?", pergunta o solícito vizinho. Ele, ainda todo atencioso, encontra uma almofada de coração e coloca embaixo na minha orelha. E eu, ainda tentando distrair a menina. "Bia, me arruma um copo de água". A toalha ficou suja de sangue. A água eu nem consegui beber, ali, deitada de lado no chão, só consegui me molhar. E, enfim, chegou a Cláudia. "Não se mexe, Vi. Dor nas costas? Vou ligar pro Samu!" Tento evitar; "Não, eu já estava com esta dor... E já tive outras quedas de pressão assim.." Mas não teve jeito, ela ligou. O Mauro chegou, o vizinho se foi, e o Samu parou na frente de casa. Os socorristas me fizeram mil perguntas, me colocaram sentada, viram que eu não tinha quebrado nada e que, aparentemente, estava tudo bem. Depois me colocaram para andar, e alívio, perguntaram: "A senhora quer ir pro hospital de veículo próprio ou prefere ir conosco?" "De veículo próprio, é lógico!" "Eu levo ela no meu carro", disse o Mauro. "Então, vou ver como está o PA e a taxa de glicose e, se estiver tudo bem, pode ir com o seu carro." Mas o PA estava 10x7. "O normal? É 12x8." "Então, a senhora vai com a gente. O PA está muito baixo. Vai que a senhora tem outra síncope (síncope?) no carro e aí ele se distrai, bate, e são dois acidentados. Assim, protocolada é melhor." Bem, eu não estava em condições de discutir com o homem. A essas alturas, a minha cunhada já tinha feito a Bia parar de chorar, a distraia lavando a louça. Eles me deitaram naquela prancheta estreita e me imobilizaram até o pescoço. Na saída do prédio até a viatura, que ficou parada na frente de casa, ainda peguei aquela garoa fina do domingo cedo. "Delícia", pensei. Foi um ótimo passeio para uma manhã de domingo chuvosa. Percebi o quanto a cidade está esburacada.
A maior vantagem de ter sido "protocolada" foi entrar no hospital pela emergência e evitar as três horas e meia de espera do pronto-atendimento. O saldo? Dois pontos na testa, um arranhão no rosto, um dedo ensacado, um analgésico fortão na veia e uma filha me olhando estranho, com medo até de ficar sozinha comigo. "E se você passar mal de novo?" "Bia, você foi exemplar hoje, ótima mesmo. Fez tudo direitinho. E eu não vou passar mal de novo. Pelo menos não hoje ou amanhã. Então, você pode dormir abraçada comigo esta noite?" "Tá bom, então!" "Hoje, Bia, só não posso ver nenhum filme triste. Porque senão eu choro e, está vendo este arranhão aqui na bochecha? Vai arder pra burro!"
:-)
Não entendo até agora porque eu não voltei a sentar na cama. Quem sabe se foi porque a expectativa pelo domingo era tão grande, eu e a Bia tínhamos combinado de fazer tanta coisa, e aquela dor horrível nas costas chegou tão fora de hora... sei lá. Só pode ter sido isso. Só sei que o que ouvi na sequência foi uma garotinha gritando "MÃE!!!, VOCÊ CAIU!!!" E se desesperar tanto que eu, mesmo sentindo calafrios pelo corpo todo, transpirando gelado com a pressão em baixa, me esforcei e consegui não desmaiar. Só falava, "Calma, Bia. Liga para o seu pai! Eu estou bem." E ela ligou, chorando... O vizinho ouviu a balburdia e veio ver o que era. "Não levanta, Viviane, pode ser grave!". A Bia falando: "Mãe, você está sangrando!" "Estou?" "É, um pouco, Viviane, foi um corte pequeno, deve precisar dar um pontos!" Toca o telefone e é o Mauro. Eu no chão, do jeito que cai. A Bia fala com ele e me dá o aparelho. E eu descubro que, no chão, o aparelho na minha orelha esquerda não funciona. Vamos mudar de lado e aí eu escuto, apontando o aparelho para cima. "Eu estou parado no trânsito, a Claudia está indo praí! Você está bem?" "Eu ainda estou no chão." Eu, pro vizinho: "O senhor pode ficar tranquilo. O meu ex-marido e minha cunhada estão vindo pra cá. Obrigada, viu?" Fiquei tentando distrair a Bia. "Bia, pega uma toalha!" "É melhor um algodão. Onde tem?", pergunta o solícito vizinho. Ele, ainda todo atencioso, encontra uma almofada de coração e coloca embaixo na minha orelha. E eu, ainda tentando distrair a menina. "Bia, me arruma um copo de água". A toalha ficou suja de sangue. A água eu nem consegui beber, ali, deitada de lado no chão, só consegui me molhar. E, enfim, chegou a Cláudia. "Não se mexe, Vi. Dor nas costas? Vou ligar pro Samu!" Tento evitar; "Não, eu já estava com esta dor... E já tive outras quedas de pressão assim.." Mas não teve jeito, ela ligou. O Mauro chegou, o vizinho se foi, e o Samu parou na frente de casa. Os socorristas me fizeram mil perguntas, me colocaram sentada, viram que eu não tinha quebrado nada e que, aparentemente, estava tudo bem. Depois me colocaram para andar, e alívio, perguntaram: "A senhora quer ir pro hospital de veículo próprio ou prefere ir conosco?" "De veículo próprio, é lógico!" "Eu levo ela no meu carro", disse o Mauro. "Então, vou ver como está o PA e a taxa de glicose e, se estiver tudo bem, pode ir com o seu carro." Mas o PA estava 10x7. "O normal? É 12x8." "Então, a senhora vai com a gente. O PA está muito baixo. Vai que a senhora tem outra síncope (síncope?) no carro e aí ele se distrai, bate, e são dois acidentados. Assim, protocolada é melhor." Bem, eu não estava em condições de discutir com o homem. A essas alturas, a minha cunhada já tinha feito a Bia parar de chorar, a distraia lavando a louça. Eles me deitaram naquela prancheta estreita e me imobilizaram até o pescoço. Na saída do prédio até a viatura, que ficou parada na frente de casa, ainda peguei aquela garoa fina do domingo cedo. "Delícia", pensei. Foi um ótimo passeio para uma manhã de domingo chuvosa. Percebi o quanto a cidade está esburacada.
A maior vantagem de ter sido "protocolada" foi entrar no hospital pela emergência e evitar as três horas e meia de espera do pronto-atendimento. O saldo? Dois pontos na testa, um arranhão no rosto, um dedo ensacado, um analgésico fortão na veia e uma filha me olhando estranho, com medo até de ficar sozinha comigo. "E se você passar mal de novo?" "Bia, você foi exemplar hoje, ótima mesmo. Fez tudo direitinho. E eu não vou passar mal de novo. Pelo menos não hoje ou amanhã. Então, você pode dormir abraçada comigo esta noite?" "Tá bom, então!" "Hoje, Bia, só não posso ver nenhum filme triste. Porque senão eu choro e, está vendo este arranhão aqui na bochecha? Vai arder pra burro!"
:-)
quarta-feira, março 30, 2011
Liberdade à liberdade
Inspirador o Quiroga hoje.
"Dê rédeas soltas a tudo! Neste sagrado momento seria prejudicial tentar impor qualquer coisa que o valha, ainda que em nome dos mais elevados princípios. Permita que a liberdade encontre o melhor caminho."
"Dê rédeas soltas a tudo! Neste sagrado momento seria prejudicial tentar impor qualquer coisa que o valha, ainda que em nome dos mais elevados princípios. Permita que a liberdade encontre o melhor caminho."
sexta-feira, março 25, 2011
...em A Burrice do Demônio
Um colega colocou isso no Facebook e eu adorei..... É do Hélio Pellegrino
"Assim, deslembrados e alertas, falamos dos íntimos silêncios de carne, de que somos feitos. O sonho, com seu rosto eidético é lâmina de significação que nos trespassa, de um lado a outro. Por isto, em sua imaterialidade, tem um peso de rocha - ou de destino. Acontece que nós, humanos, nas lajes do chão que nos suporta, somos signo e linguagem, enraizados no coração selvagem da vida. É dessa floresta, cheia de rumores confusos, que nos virá o alfabeto pelo qual vamos tentar a decifração do mundo. Um bloco de granito pode ser a matéria que vou talhar para, de seu tutano, extrair o barco de pedra que me levará ao naufrágio. Ou a lápide do meu túmulo, se me disponho a morrer em terra. Ou o monumento por cujo intermédio grito para o mundo minha utopia - ou minha revolta. Seja como for, leio o granito a partir do meu sonho, é este que o decifra - e o trabalha.
Aí, no nascedouro do desejo, está a fome. Dela irão fluir as torrentes de fogo e gelo, os acenos, encontros, despedidas. Sou, por um lado, o meu desejo e, por outro, a espessura terna ou hostil da facticidade que me rodeia. Sou lançado no mundo na angústia e no risco, e o mundo - insistente - me obriga a ser, mesmo quando não quero ser. O mundo me provoca, me convoca, suas flechas estilhaçam o casulo narcísico onde - transido - me recolho, luzes e vozes compõem um enorme vitral diante de mim: tenha eu olhos para ver."
quarta-feira, março 23, 2011
Mão no tomate
Ela agora quer cozinhar. Então, a gente estimula. Em casa, deixa picar os alimentos, acender a água no fogão, fazer o café na cafeteira italiana, sempre com supervisão.
Mas, na casa da avó e da tia, a marcação é pesada. Ela diz que as duas a superprotegem, a tratam com bebê. É cuidado, eu digo, mas ela fica puta com as duas.
Então, ficou superfeliz porque, nas últimas semanas, as duas passaram a deixá-la picar os ingredientes dos pratos que fazem por lá. No domingo, fui buscá-la e a tia anunciou, elogiosa.
- Vivi, a Bia picou quase tudo da torta de bacalhau. E fez tudo direitinho!!!
E a Bia lá, toda triunfante.
Mas, assim que entramos no carro, ela confessou.
- Mãe, tenho que te contar. Cortei o dedo com a faca na hora que estava picando as coisas. Elas nem perceberam...
- Mas você não falou para sua avó e sua tia?
- Eu não. Se eu falo, elas nunca mais me deixam pegar numa faca. E olha que a vó me deu a menos perigosa....
- Mas não doeu na hora.
- Tá doendo até agora, mas eu resisti, não reclamei. E elas não viram.
- Mas, Bia, não sangrou?
- Sangrar, sangrou, mas eu estava picando tomate... elas nem perceberam...
Aprendi mais uma:
Se sangrar, mete a mão no tomate. Vai doer, mas ninguém percebe!
..
Mas, na casa da avó e da tia, a marcação é pesada. Ela diz que as duas a superprotegem, a tratam com bebê. É cuidado, eu digo, mas ela fica puta com as duas.
Então, ficou superfeliz porque, nas últimas semanas, as duas passaram a deixá-la picar os ingredientes dos pratos que fazem por lá. No domingo, fui buscá-la e a tia anunciou, elogiosa.
- Vivi, a Bia picou quase tudo da torta de bacalhau. E fez tudo direitinho!!!
E a Bia lá, toda triunfante.
Mas, assim que entramos no carro, ela confessou.
- Mãe, tenho que te contar. Cortei o dedo com a faca na hora que estava picando as coisas. Elas nem perceberam...
- Mas você não falou para sua avó e sua tia?
- Eu não. Se eu falo, elas nunca mais me deixam pegar numa faca. E olha que a vó me deu a menos perigosa....
- Mas não doeu na hora.
- Tá doendo até agora, mas eu resisti, não reclamei. E elas não viram.
- Mas, Bia, não sangrou?
- Sangrar, sangrou, mas eu estava picando tomate... elas nem perceberam...
Aprendi mais uma:
Se sangrar, mete a mão no tomate. Vai doer, mas ninguém percebe!
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terça-feira, março 22, 2011
Depois do amor, o medo
Por que, meus amigos, tem que "sempre" ser assim?
Atração, expectativa, amor, prazer,
medo e medo,
dor e dor...
....e solidão again.
Mas eu sempre acredito no amor no final...
E "sempre", pra mim, é muito tempo.
Por isso...
With A Little Help From My Friends
...eu vou chegar lá.
Eu vou.
Atração, expectativa, amor, prazer,
medo e medo,
dor e dor...
....e solidão again.
Mas eu sempre acredito no amor no final...
E "sempre", pra mim, é muito tempo.
Por isso...
With A Little Help From My Friends
...eu vou chegar lá.
Eu vou.
quinta-feira, março 17, 2011
Marcado com selo rosa
Enquanto dirigia de volta pra casa, fiquei pensando na pergunta que ela me fez:
"Hoje é daqueles dias que você riscaria da sua agenda?"
Minha primeira resposta, ainda lá no jornal, foi: "Talvez..."
Afinal, hoje as coisas não deram tão certo quanto eu planejei.
Amanheci toda faceira mas, ao longo dia, o que estava fora do plano começou a acontecer como se o dia estivesse conspirando contra mim.
Primeiro, o velório do pai de uma amiga me mostrando que meu próprio luto ainda não terminou, que ele ainda só está envolvido em uma pele muito fina e fácil de voltar a se romper.
Chorei por ela e com ela, mas sei que chorei muito mais por mim.
Depois, um encontro de trabalho na hora do almoço e outro de amor no final da noite que não aconteceram....
"Oh, dia desanimador!", pensei na hora da pergunta.
Mas, na reflexão dentro do carro, vi que não era mesmo o caso de riscar o dia da agenda.
Afinal, no meio da manhã, eu, lá no fundo, já não queria mais o almoço de trabalho e, logo no final da tarde, o encontro de amor também não fazia o menor sentido para o meu coração. Eu só ia que ter o trabalho de ligar pra desmarcar. E, na verdade, ir ao velório abraçar a minha amiga querida, tentar doar a ela um pouco de conforto - porque era só isso que ela precisava naquela hora - também fez um bem danado para a minha alma.
Então, concluo, de novo na minha vida, o que parece errado está, de fato, no lugar certo.
E o dia, lembrei, também não foi só de notícias e fatos ruins...
Soube que a mudança foi adiada e que ganhamos mais uns 40 dias no Centro, o que é um alívio.
Conversei com minha mãe e ela está ótima, paparicando a Milly e se cuidando.
E, o melhor tudo, escrevi um conto para o próximo domingo que ficou tão bonito que até a minha editora se emocionou. Veio na minha mesa com os olhos cheios de lágrimas.
Então, cheguei em casa louca para tomar um vinho, escrever tudo isso e ir pra cama.
Tenho certeza que vou dormir como um anjo.
E definitivamente não vou tirar o dia de hoje da minha agenda.
Acho até que vou colar lá na página um selo bem cor-de-rosa.
;-)
"Hoje é daqueles dias que você riscaria da sua agenda?"
Minha primeira resposta, ainda lá no jornal, foi: "Talvez..."
Afinal, hoje as coisas não deram tão certo quanto eu planejei.
Amanheci toda faceira mas, ao longo dia, o que estava fora do plano começou a acontecer como se o dia estivesse conspirando contra mim.
Primeiro, o velório do pai de uma amiga me mostrando que meu próprio luto ainda não terminou, que ele ainda só está envolvido em uma pele muito fina e fácil de voltar a se romper.
Chorei por ela e com ela, mas sei que chorei muito mais por mim.
Depois, um encontro de trabalho na hora do almoço e outro de amor no final da noite que não aconteceram....
"Oh, dia desanimador!", pensei na hora da pergunta.
Mas, na reflexão dentro do carro, vi que não era mesmo o caso de riscar o dia da agenda.
Afinal, no meio da manhã, eu, lá no fundo, já não queria mais o almoço de trabalho e, logo no final da tarde, o encontro de amor também não fazia o menor sentido para o meu coração. Eu só ia que ter o trabalho de ligar pra desmarcar. E, na verdade, ir ao velório abraçar a minha amiga querida, tentar doar a ela um pouco de conforto - porque era só isso que ela precisava naquela hora - também fez um bem danado para a minha alma.
Então, concluo, de novo na minha vida, o que parece errado está, de fato, no lugar certo.
E o dia, lembrei, também não foi só de notícias e fatos ruins...
Soube que a mudança foi adiada e que ganhamos mais uns 40 dias no Centro, o que é um alívio.
Conversei com minha mãe e ela está ótima, paparicando a Milly e se cuidando.
E, o melhor tudo, escrevi um conto para o próximo domingo que ficou tão bonito que até a minha editora se emocionou. Veio na minha mesa com os olhos cheios de lágrimas.
Então, cheguei em casa louca para tomar um vinho, escrever tudo isso e ir pra cama.
Tenho certeza que vou dormir como um anjo.
E definitivamente não vou tirar o dia de hoje da minha agenda.
Acho até que vou colar lá na página um selo bem cor-de-rosa.
;-)
terça-feira, março 15, 2011
Várias contas do tempo
- Quanto tempo faz que você está separada?
A pergunta veio assim de surpresa, sem que eu nem sequer imaginasse que iria aparecer.
- Dois anos - respondi rápido, fazendo uma conta de cabeça que sabia não ser muito fiel. Mas era a mais fácil de explicar.
Tinha várias outras formas de responder, várias outras contas pra fazer, mas aquela era uma conversa tão informal, pra preencher o espaço do intervalo entre nossas aulas. E ele estava só curioso, queria puxar assunto, por que eu ia complicar a história, dar explicações prolongadas?
- Dois anos de separação de corpos. Mas faz pouco mais de um que sai da casa onde morávamos para o meu apartamento.
Enquanto ele me dava conselhos de como encarar esta fase (curioso que muita gente gosta de dar conselhos para separados), eu ia repassando toda a minha história na cabeça. É que eu adoro repassar minha história, me fortalece, me faz sentir um orgulho danado de mim mesma. Eu sei que minha história é rara. Se antes eu e o meu ex éramos um casal ideal, agora somos um ex-casal ideal, com uma separação ideal, fora do comum. Acho isso bom.
Pensei que minha conta poderia ser assim. Tudo na base do cerca de... É que nessas coisas de relacionamento parece que o tempo tem outra dimensão. Não é possível contar com precisão as horas, os dias, os anos. Às vezes, um dia de relação parece um ano..
Mas, voltando à métrica mais "social", acho que ficaria assim.. cerca de:
- Um ano (de separação de casas)
- Dois (de corpos)
- Três (de mente. A decisão tomada, mas a ação paralisada pelo medo da solidão)
- Quatro (a descoberta que acabou, que casamento não se faz só de respeito, mas também de paixão e tesão)
- Cinco (sensação de que algo vai mal, mas não se sabe o que. Será que é minha culpa?)
- Dez (certeza de que há amor e respeito, mas casar não vai dar certo, mas já que estamos aqui, vamos lá)
- Quinze (não há paixão, mas temos respeito e amor construído no relacionamento. Belo discurso, vamos morar juntos, mas acho que não vivo com ele por toda a minha vida)
Ou seja, a gente sempre sabe lá no fundo o que precisamos e, mesmo assim, teimamos em ir contra a nossa intuição. Mas não me culpo mais, porque também há coisas que precisavam ser vividas com ele, o ex. E eu fui muito feliz com, sempre digo. Quando deixei de ser feliz, era a hora de parar.
Só que agora, que a calmaria voltou e a vida parece tomar outro rumo, ou que eu passei a fazer o rumo da minha vida, às vezes lembro do que foi mais difícil. E, incrível!, ainda tenho vontade de chorar!
Quando decidi, imaginei quem me apoiaria e quem seria contra mim. Acho que todo mundo faz isso. Engraçado o quanto me enganei. O pânico e o silêncio vieram de quem eu esperava apoio. Não parceria - porque há coisas que só se podem fazer sozinha, e separação é uma delas - mas apoio, ombro.
E o meu pai, de mais de 70 anos, de quem eu esperava levar o maior sermão da vida, de quem esperava todas as palavras de desencorajamento num discurso moralista, fez exatamente o oposto. E eu passei a admirá-lo mais que tudo nesta vida. Ele disse assim:
- Ah, filha, é por isso que você está assim, sofrendo? Por que quer se separar?! Larga a mão disso, larga esse cara e vai cuidar da sua vida! Você pode muito bem cuidar da sua filha sozinha!
E ele estava certo. Eu posso. Eu já estou.
;-)
quarta-feira, março 09, 2011
Quarta-feira de cinzas
O Carnaval para mim parece um sonho.
Na concentração, eu ando no meio de alas, plumas e penas coloridas me roçando, lantejoulas brilhando nos meus olhos. Os integrantes me olham com curiosidade, afinal, o que será que quer essa pessoa sem fantasia passeando no meio de nós, cheia de fios e fones e celulares pendurados.
Eu me desvio das saias rodadas das Baianas, como se fosse um tipo de pecado encostar naquelas franjas. Umas me olham com bondade, outras com uma certa pena porque, afinal, eu não posso estar mais feliz do que elas naquele momento.
Parecem deusas as Rainhas e Madrinhas, seminuas, nuas, só pintadas, mulheres gigantes, perfeitas em suas plataformas ou saltos agulhas, sempre impecáveis ali. É bom pensar que, fora daquele furor, elas são tão humanas quanto eu, ou você. Mas ali, elas são únicas e intocáveis. Eu, porém, posso esticar a minha mão e tocá-las, sentir que são reais, e ter certeza que é possível ser assim uma deusa naturalmente humana, de carne e osso. Os deuses não deviam ser etéreos. E nem os anjos.
Mas a melhor parte de tudo é mesmo a Bateria. Fecho os olhos e fico ao lado, no corredor de serviço, parada, enquanto o bum bum e o taratata explodem no meio da avenida. É impossível não se emocionar com a emoção e a força dos integrantes da Bateria. Eles estão em outro mundo naquele momento. Um mundo em que só mora o som. Também é impossivel manter o corpo parado. Ele vibra sozinho. Cada músculo, cada osso, cada nervo e o coração vibram no compasso da Bateria. É isso que é sentir o som. É tão forte que, quando percebo, tenho que pular, dançar, mesmo se quiser ficar parada. O meu corpo, nessa hora, não obedece a minha vontade.
Mas lá se foi mais um Carnaval.
O que eu não gosto é da maratona, da tensão anterior, do vazio que fica depois.
Mas do resto, confesso, eu não gostaria de ficar sem.
:-)
Na concentração, eu ando no meio de alas, plumas e penas coloridas me roçando, lantejoulas brilhando nos meus olhos. Os integrantes me olham com curiosidade, afinal, o que será que quer essa pessoa sem fantasia passeando no meio de nós, cheia de fios e fones e celulares pendurados.
Eu me desvio das saias rodadas das Baianas, como se fosse um tipo de pecado encostar naquelas franjas. Umas me olham com bondade, outras com uma certa pena porque, afinal, eu não posso estar mais feliz do que elas naquele momento.
Parecem deusas as Rainhas e Madrinhas, seminuas, nuas, só pintadas, mulheres gigantes, perfeitas em suas plataformas ou saltos agulhas, sempre impecáveis ali. É bom pensar que, fora daquele furor, elas são tão humanas quanto eu, ou você. Mas ali, elas são únicas e intocáveis. Eu, porém, posso esticar a minha mão e tocá-las, sentir que são reais, e ter certeza que é possível ser assim uma deusa naturalmente humana, de carne e osso. Os deuses não deviam ser etéreos. E nem os anjos.
Mas a melhor parte de tudo é mesmo a Bateria. Fecho os olhos e fico ao lado, no corredor de serviço, parada, enquanto o bum bum e o taratata explodem no meio da avenida. É impossível não se emocionar com a emoção e a força dos integrantes da Bateria. Eles estão em outro mundo naquele momento. Um mundo em que só mora o som. Também é impossivel manter o corpo parado. Ele vibra sozinho. Cada músculo, cada osso, cada nervo e o coração vibram no compasso da Bateria. É isso que é sentir o som. É tão forte que, quando percebo, tenho que pular, dançar, mesmo se quiser ficar parada. O meu corpo, nessa hora, não obedece a minha vontade.
Mas lá se foi mais um Carnaval.
O que eu não gosto é da maratona, da tensão anterior, do vazio que fica depois.
Mas do resto, confesso, eu não gostaria de ficar sem.
:-)
quinta-feira, março 03, 2011
E Bota Calhau, aí, gente!
A melhor coisa que a imprensa paulista criou nos últimos anos.
http://botacalhau.blogspot.com/
Ieba!!!
http://botacalhau.blogspot.com/
Ieba!!!
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
Tempo certo
Quando você vem...
e vai
deixa em mim, no meu corpo
tatuadas
as suas marcas
Suas mãos
ficam nas minhas coxas
sua barba
no meu colo
seu lábios ficam no meu seio
E seu corpo
inteiro
fica impresso no meu coração
Então, você se vai e,
aos poucos,
com o tempo
suas marcas vão desaparecendo de mim
E
quando resta em mim apenas uma linha de você
Você reaparece e me reencontra
limpa
Pronta
para refazer em mim tudo outra vez
.
e vai
deixa em mim, no meu corpo
tatuadas
as suas marcas
Suas mãos
ficam nas minhas coxas
sua barba
no meu colo
seu lábios ficam no meu seio
E seu corpo
inteiro
fica impresso no meu coração
Então, você se vai e,
aos poucos,
com o tempo
suas marcas vão desaparecendo de mim
E
quando resta em mim apenas uma linha de você
Você reaparece e me reencontra
limpa
Pronta
para refazer em mim tudo outra vez
.
terça-feira, fevereiro 22, 2011
Transição
Ela chega pra mim com ar de segredo e me pede com todo jeito para eu tirar os pêlos das suas pernas.
- A Natália já depila desde o ano passado.
- Mas você quer passar cera?
- Não, que dói. Quero que você passe gilete. Ah, vai, mãe, eu quero.
Vamos para a praia e ela quer já parecer mocinha. Mas, de verdade, ainda não sabe direito o que é. Com 10 anos, quer ser mocinha, mas adora ser criança.
De repente, enquanto pensa no que vai levar, se lembra dos baldinhos.
- Estão lá no papai! Vou ligar pra ele.
E, enquanto ela explica pro pai em qual armário e dentro de qual bolsa estão os baldes e pazinhas de plástico que ela ganhou quando tinha 4 anos, eu passo creme na sua perna e raspo fora todos os pêlos negros que ela tinha desde quando nasceu.
-------------
PS - Os baldinhos ficaram na praia, na casa da madrinha, pra algum bebê que ainda vai nascer poder brincar quando chegar a hora. Esta semana ela me pediu de novo para raspar os pêlos de suas pernas.
Não há mais volta!
:-)
- A Natália já depila desde o ano passado.
- Mas você quer passar cera?
- Não, que dói. Quero que você passe gilete. Ah, vai, mãe, eu quero.
Vamos para a praia e ela quer já parecer mocinha. Mas, de verdade, ainda não sabe direito o que é. Com 10 anos, quer ser mocinha, mas adora ser criança.
De repente, enquanto pensa no que vai levar, se lembra dos baldinhos.
- Estão lá no papai! Vou ligar pra ele.
E, enquanto ela explica pro pai em qual armário e dentro de qual bolsa estão os baldes e pazinhas de plástico que ela ganhou quando tinha 4 anos, eu passo creme na sua perna e raspo fora todos os pêlos negros que ela tinha desde quando nasceu.
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PS - Os baldinhos ficaram na praia, na casa da madrinha, pra algum bebê que ainda vai nascer poder brincar quando chegar a hora. Esta semana ela me pediu de novo para raspar os pêlos de suas pernas.
Não há mais volta!
:-)
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Inverno
Não sou fã da Adriana Calcanhoto, mas a letra desta música é maravilhosa.
É triste, mas estranhamente me deixa feliz.
Também fico pensando onde foi que eu larguei
"o leão que sempre cavalguei"
http://letras.terra.com.br/adriana-calcanhotto/43975/
:-)
É triste, mas estranhamente me deixa feliz.
Também fico pensando onde foi que eu larguei
"o leão que sempre cavalguei"
http://letras.terra.com.br/adriana-calcanhotto/43975/
:-)
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Da janela
Ela me diz que gosta de olhar dessa janela aquela janela, assim, quando não tem nada o que fazer. As cortinas balançam leves e parecem iluminadas por ene luzes multicores, fruta-cor, suaves... O efeito só ocorre à noite? penso. O que será que acontece naquela sala? quarto? sei lá. Não importa. O que há é o que ela imagina, sente...
E eu me lembro que da janela gostava de olhar o sol, sentir o sol nos meus olhos fechados, e o que via era o vermelho vivo, depois rosa, estrelas, e rosa, e às vezes preto, tudo se desmanchando, até aquecer tanto que eu não podia mais aguentar. Ou até alguém me chamar, me acordar. E ainda gosto, mas é raro ter tempo para ficar assim, sem ter o que fazer, só encarando o sol...
..
E eu me lembro que da janela gostava de olhar o sol, sentir o sol nos meus olhos fechados, e o que via era o vermelho vivo, depois rosa, estrelas, e rosa, e às vezes preto, tudo se desmanchando, até aquecer tanto que eu não podia mais aguentar. Ou até alguém me chamar, me acordar. E ainda gosto, mas é raro ter tempo para ficar assim, sem ter o que fazer, só encarando o sol...
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terça-feira, janeiro 04, 2011
Efeitos da chuva
Domingo, 2 de janeiro. Acordo com aquele barulho delicioso de chuva na minha janela. Adoro. Chove quase o dia inteiro pela cidade. Estou de plantão e o ar fresco me anima. Minhas plantas estão mais verdinhas, lindas. A chuva parece vida mesmo.
Segunda, 3 de janeiro. Acordo e abro a janela. Há um pouco de chuvisco. Não me animo muito. É o primeiro dia útil do ano para o resto do mundo. O meu foi ontem. Estou cansada deste plantão infinito. Do estacionamento onde deixo meu carro até o jornal tenho que abrir o guarda-chuva. Pela calçada, bato em pessoas com ele e elas me olham feio. Desculpe. De repente, onde está meu celular? Não tenho mãos vazias pra procurar na minha bolsa. Bosta de chuva. À noite, me sinto embolorada... Quero que o céu pare de chorar... estou deprimida.
Terça, 4 de janeiro. Estou de folga. Acordo animada pra fazer mil coisas. Lá fora, mais chuva fina persiste. Mas eu não me intimido. Vou no médico e, depois, na casa de minha amiga. Está tudo bem. O almoço e o papo são ótimos. Mas, de repente, o mundo cai lá fora e a luz acaba. Tranquila, Vivi, você está segura aqui. Respire funda e faça de conta que nada acontece lá fora. A chuva dá uma trégua e eu, com a Bia, vou até o mercado. Tenho coisas importantes pra comprar. A chuva aperta de novo. Fila pra entrar. Difícil encontrar uma boa vaga. Será que todo mundo teve a mesma ideia de se refugiar aqui, droga? Aquela água caindo sem parar e essa gente procurando por liquidações me irritam tanto... De repente, toca o celular. Penso: - Ótimo, preciso de uma boa notícia agora. Mas nada.... - Olha, você esqueceu de pagar uma conta, o juro é alto... Porra, já estou puta com este tempo e mais isso! Eu falo: - Chega, Bia, vamos embora. Compramos tudo amanhã - Mãe, vou te dizer uma coisa, você não fica brava, mas ficou de mau humor. - É, eu sei, é a chuva. Ela já me bastou... Penso: Se ela não parar logo, eu acho que vou enlouquecer.
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Segunda, 3 de janeiro. Acordo e abro a janela. Há um pouco de chuvisco. Não me animo muito. É o primeiro dia útil do ano para o resto do mundo. O meu foi ontem. Estou cansada deste plantão infinito. Do estacionamento onde deixo meu carro até o jornal tenho que abrir o guarda-chuva. Pela calçada, bato em pessoas com ele e elas me olham feio. Desculpe. De repente, onde está meu celular? Não tenho mãos vazias pra procurar na minha bolsa. Bosta de chuva. À noite, me sinto embolorada... Quero que o céu pare de chorar... estou deprimida.
Terça, 4 de janeiro. Estou de folga. Acordo animada pra fazer mil coisas. Lá fora, mais chuva fina persiste. Mas eu não me intimido. Vou no médico e, depois, na casa de minha amiga. Está tudo bem. O almoço e o papo são ótimos. Mas, de repente, o mundo cai lá fora e a luz acaba. Tranquila, Vivi, você está segura aqui. Respire funda e faça de conta que nada acontece lá fora. A chuva dá uma trégua e eu, com a Bia, vou até o mercado. Tenho coisas importantes pra comprar. A chuva aperta de novo. Fila pra entrar. Difícil encontrar uma boa vaga. Será que todo mundo teve a mesma ideia de se refugiar aqui, droga? Aquela água caindo sem parar e essa gente procurando por liquidações me irritam tanto... De repente, toca o celular. Penso: - Ótimo, preciso de uma boa notícia agora. Mas nada.... - Olha, você esqueceu de pagar uma conta, o juro é alto... Porra, já estou puta com este tempo e mais isso! Eu falo: - Chega, Bia, vamos embora. Compramos tudo amanhã - Mãe, vou te dizer uma coisa, você não fica brava, mas ficou de mau humor. - É, eu sei, é a chuva. Ela já me bastou... Penso: Se ela não parar logo, eu acho que vou enlouquecer.
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domingo, janeiro 02, 2011
Solidão e desejo
São duas pessoas tão diferentes que é difícil imaginar porque se aproximam.
Não têm nem gostos, nem hábitos, nem objetivos em comum. Também não convivem no dia a dia.
Resistem até alguns dias, mas acabam se vendo nem que seja no mais tarde da noite.
Por que motivo?, eu me pergunto.
Quero colocar razão onde, talvez, seja melhor deixar só o coração e o instinto mandar. Mas não tomo jeito, quero entender o que é isso.
Pelo desejo, com certeza, sempre... Corpos que se encaixam tão bem, o que é tão raro de se conseguir nesta cidade infinita. Corpos que se amam com o único compromisso de um dar prazer ao outro. É tudo tão simples assim, sem sair de dentro das quatro paredes.
Mas, ultimamente, também pela solidão, eu percebo. Nenhum deles quer largar seu mundo independente, mas a solidão às vezes é pesada demais... Então, se encontram, nem que seja apenas para falar e falar, e rir e brincar. Ou nem que seja apenas para ficarem quietos, sem nada falar.
Entre quatro paredes, duas pessoas tão diferentes, de repente, são tão iguais pela solidão e pelo desejo.
Vou correr lá e contar para eles que descobri o seu segredo.
:-)
Não têm nem gostos, nem hábitos, nem objetivos em comum. Também não convivem no dia a dia.
Resistem até alguns dias, mas acabam se vendo nem que seja no mais tarde da noite.
Por que motivo?, eu me pergunto.
Quero colocar razão onde, talvez, seja melhor deixar só o coração e o instinto mandar. Mas não tomo jeito, quero entender o que é isso.
Pelo desejo, com certeza, sempre... Corpos que se encaixam tão bem, o que é tão raro de se conseguir nesta cidade infinita. Corpos que se amam com o único compromisso de um dar prazer ao outro. É tudo tão simples assim, sem sair de dentro das quatro paredes.
Mas, ultimamente, também pela solidão, eu percebo. Nenhum deles quer largar seu mundo independente, mas a solidão às vezes é pesada demais... Então, se encontram, nem que seja apenas para falar e falar, e rir e brincar. Ou nem que seja apenas para ficarem quietos, sem nada falar.
Entre quatro paredes, duas pessoas tão diferentes, de repente, são tão iguais pela solidão e pelo desejo.
Vou correr lá e contar para eles que descobri o seu segredo.
:-)
terça-feira, dezembro 21, 2010
Teoria e prática
Gostei do que disse. Suas palavras encontraram o meu pensamento. Que o ideal é a gente conseguir viver o amor como uma verdadeira amizade erotizada, manter o brinquedo, a leveza, o afeto. E acrescento: sem o apego doentio, sem a cobrança excessiva, por aquilo que nem nós podemos dar, sem achar que somos o umbigo do universo. Isso é o melhor do amor. A sua essência, eu diria. Mas nós, pela cultura que temos, por descuido e até sem nos darmos conta, acabamos procurando só o romance com sofrimento, o relacionamento "ideal" que não vê o outro, a renúncia, como se a dor fosse sempre necessária no amor. E sabemos que não é. O amor deve ser construção. Sempre. O desafio é levar a nossa teoria à prática.
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