terça-feira, setembro 29, 2009

Louca semana

Minha semana passada terminou só ontem. Foi uma semana que começou triste, eu cansada. Depois, duas pessoas queridas doentes, à beira da morte, um desmaio, uma explosão, duas viagens bate e volta. Fazendo as contas, publiquei quatro fotos em uma única edição, rodei dois mil quilômetros em menos de três dias, chorei alguns baldes, trabalhei mais do que o normal, me emocionei muito, mas o saldo foi positivo. Deixo aqui registrado o final desta semana tão louca. A entrevista na  Ana Maria Braga, ontem de manhã.
Um "Eu me amo" de vez em quando não faz mal a ninguém.
:-)

sexta-feira, setembro 25, 2009

O dia que o meu bairro explodiu


Foi com o coração na mão que eu cheguei ontem na Rua Américo Guazzelli, exatos três minutos depois da explosão da loja de fogos que levou meio quarteirão aos ares. O estrondo aconteceu na hora que eu  passava de carro pela Uruguaiana, meu caminho diário para o jornal. O som do rádio estava alto e, mais do ouvir o barulho, eu senti um trepidar estranho no carro.
Mas, o que mais me chamou atenção no momento, e que me fez imaginar que aquilo não era fruto da minha imaginação, eram os semblantes das pessoas saindo de suas casas para também ver o que havia acontecido. A expressão era de assombro. Todos olhavam para o céu e várias pessoas começaram a correr em direção à torre de fumaça que se via no céu. Eu nunca tinha visto rostos tão assustados. Era um pânico coletivo.
Eu, na minha curiosidade jornalística, dei meia volta no carro e também fui procurar de onde vinha a fumaça. Abri o vidro e o ar era puro cheiro de pólvora. Alcancei a Firestone e parei na esquina da rua da loja. Alguns policiais já estava lá, tentando evitar que as pessoas se aproximassem. A via estava coberta por uma nuvem de fuligem. O asfalto parecia terra. No fundo, a uns 50 metros, a loja ainda pegava fogo e tinha explosões. Uma Fiorino atravessada da rua estava destruída. Outros carros estacionados também haviam sido atingidos. Os fios de alta tensão estouravam. E eu, que sempre relato tragédias, comecei a tremer.
É que o jornalista geralmente chega o local do acidente com a situação um pouco controlada. Autoridades já isolaram a área e os colegas estão junto. Mas ali, tudo ainda era caos e espanto. Nada estava organizado.  As pessoas, vizinhos, ainda não conseguiam falar. Liguei e pedi ajuda para o jornal. Aquilo era grande demais para um só jornalista. Também liguei para casa e pedi pra o Mauro me levar a máquinas fotográfica. Eu, ali, só podia fazer o meu trabalho.
Vi as primeiras pessoas a serem socorridas. Uma mulher corria desesperada, com pernas e braços sangrando, falando que o filho jovem e o irmão deficiente estavam dentro da segunda casa após a loja. Os policiais foram até o local e retiraram os dois, que só estavam assustados, mas não se feriram. Um de pijama e o outro enrolado em um lençol. A mulher continuou por lá, andando de um lado para outro, completamente desnorteada. Dos paramédicos, ela só queria água. Conversei com ela. Se preparava para tomar banho quando ouviu o barulho. Saiu para ver o que era e foi jogada no chão da calçada.
Em seguida, os policiais trouxeram um casal de idosos, também em choque. O Samu os levou para o hospital. Depois, eu descobri que os dois moram lá há uns 60 anos, criaram seus filhos no local. Uma neta deles, que chegou desesperada buscando notícias, me contou. Tentei acalmá-la, dizendo que tinha visto velhinhos sendo resgatados. E mostrei as fotos para ela, que os reconheceu e me agradeceu, aliviada. Me senti reconfortada. Tinha tranquilizado uma família, pelo menos. Geralmente o jornalista é visto como aquele que quer ver a tragédia. É bom conseguir ajudar alguém nessas situações. Tinha conseguido pelo menos ajudar alguém.
As demais equipes de reportagem só chegaram ao local mais de meia hora depois. Não sei direito o tempo, Lá, tudo parecia demorar muito. Mas, de fato, tudo foi muito rápido. Eu sai de lá às duas da tarde, deixando duas equipes minhas e mais duas a caminho de Santo André. Para o jornal, tinha um ótimo material. Fotos e histórias exclusivas. Para minha vida pessoal, mais um experiência. E mais um pouco para agradecer. Afinal, tive sorte. Por minutos não estava a uma quadra do local, no farol onde várias carros bateram. Por sorte, não tinha feito o caminho que passa na frente da loja, como às vezes faço.
Mesmo satisfeita, fica aqui no peito um pesar, uma tristeza. Afinal, é uma tragédia sem precedentes para nós, daqui da região. Acho que todos acabamos atingidos. Cada um de nós tem uma história daquele canto do bairro, uma memória. São vidas destruídas. Mesmo que a gente não conheça as pessoas pessoalmente. Ali ficará sempre marcado como um lugar de muita dor. Abaixo, os corpos das duas vítimas fatais.


terça-feira, setembro 22, 2009

Vertigem

O zunido tomou conta da minha cabeça e eu sabia o que viria depois. Enquanto a senhora falava sem parar do outro lado da linha, aos poucos, suas palavras iam se perdendo para mim. Eu não queria mais ouvir.

- Então, Vivi, ele ficou parado na porta, sem reagir. Depois, foi para cama e começou a tremer. Teve uma hora que achamos que estivesse morto e...

Eu a cortei para não dar na vista e menti:

- Olha, vou ter que desligar. A Bia está me chamando.

Desliguei o fone e chamei a Val. Depois, não lembro de mais nada.

Só sei que acordei no sofá, melada de um suor frio, escutando a minha própria respiração pesada. Mais parecia que tinha saído de uma piscina gelada.

- Você desmaiou - me disse uma Val assustada, branca como uma folha de papel - Eu te coloquei no sofá.

- É, acho que foi a notícia, a insônia, o levantar rápido, o remédio, a falta de café... Tudo isso junto e mais um pouco.

Fiquei o resto da manhã assim, pensando naquela vertigem. Que foi preocupante, mas que foi boa. Como foi boa aquela sensação de sono profundo, que nem sei quanto tempo durou! É que, quando eu voltei, não tinha a intenção. Só sei que não queria acordar. E voltei sem me esforçar, sem ouvir nenhum chamado, como se minha alma fosse tomando conta de cada parte do meu corpo bem devagar, encaixando parte por parte. Foi uma viagem rápida, e assustadoramente feliz.

;-)

Conversa de piscina

Faça tudo sem pressa. A gente tem tempo. A gente só não sabe que tem tempo, mas sempre tem tempo.
Ana Lúcia

Caixas de papelão

Acho que eu ainda terei uma etapa bem difícil para cumprir. A da mudança de fato.
Empacotar as minhas coisas, colocar no carro e dizer tchau.
A Del outro dia me disse: "Éh, a parte de separar os CDs é bem chata mesmo."
Queria pular esta etapa, até por causa do esforço físico disso, mas sei que não vai dar.

O problema é que eu não estou habituada a mudanças. Minha vida sempre foi muito estável. Vinte anos num ap com meus pais, 15 anos de emprego, 15 anos na mesma casa. No trabalho, nunca me interessei em procurar outras áreas para cobrir. Lá, quando as mudanças veem, elas me alcançam.
Não que eu tenha medo de mudar. É que não penso nisso como uma necessidade. Não me incomoda estar anos "no mesmo lugar", porque eu nunca me sinto parada, paralisada, "perdendo tempo". O lugar mudou tanto neste tempo todo....

Voltando aos CDs, não sei porque a gente coleciona tanta coisa ao longo da vida. Dá vontade de deixar tudo pra trás, comprar tudo novo. Pena que isso é impossível.
Então, por conta do impossível, domingo eu comecei a organizar algumas coisas que vão comigo. O mais legal é que a Bia está bem mais empenhada em separar as coisas dela. Ela vibra quando eu falo em arrumar a mudança. Então, eu comecei a ajudando com os brinquedos e os livros. Foi divertido pegar os jogos e deixar de lado as Pollys. Ela, sozinha, pegou uma caixa e colocou os gibis que vai levar. Alguns brinquedos ela separou em kits para doação. Fiquei orgulhosa.
Quanto às minhas próprias coisas, volto a pensar... tudo já está bem separado na minha cabeça. Queria ser a Jeanne e com um piscar de olhos transferir todas as tralhas de cá para lá. Mas, como não dá, vou buscar esta semana no fundo da minha alma a disposição para colocar tudo em caixas de papelão.
:-)

quarta-feira, setembro 16, 2009

Parir outra vez

É, eu já senti isso antes.

É a mesma sensação de quando se está grávida, prestes a parir.
A gente faz tudo certinho na gravidez, todos os exames e testes, até conta os dedinhos do bebê no ultrasson para não ter surpresas, checa 15 vezes aquela lista de itens indispensáveis que são publicadas em revistas (e só depois descobre que metade é inútil), está com a mala pronta com as roupinhas RN lavadas, passadas e desinfectadas, ao lado da sua cama, pronta para sair correndo assim que o bichinho der o primeiro sinal que quer sair da sua barriga. Ou seja, está tudo ok, não há motivos para se afobar, só tem que esperar a hora certa...

...mas é impossível saber como será o parto e a vida depois dele. Só se sabe que, com aquela vida reinando, a nossa própria vida vai mudar completamente. Eu sempre tive a certeza que seria mais feliz. Porque aquilo - dar à luz - era o que eu mais desejava até aquele momento.

É mais ou menos assim que estou me sentindo. É como se eu fosse parir de novo.
Só que agora eu estou parindo a minha nova vida. A vida que eu escolhi conscientemente. Mudar para o meu lugar. E tenho certeza que serei feliz também porque é tudo o mais quis nos últimos tempos. E a preparação dessa mudança tem me dado vida, como minhas filhas me deram. É a vida, sempre nos pedindo mais.

E está tudo certo, a arrumação do ap está no ritmo que dá pra ser, eu não posso fazer nada mais para agilizar, não estou sendo pressionada para mudar, ninguém, até agora, me deu um calote que pudesse atrasar os meu planos, o dinheiro é curto, mas eu vou levando.... Ou seja, nada para eu me apreender.

... mas... o coração está apertado, tá doendo uma dor ardida no meio do peito e, como toda boa gestante, eu tenho chorado mais, e não é de tristeza. São só minhas emoções à flor da pele. Como também a minha capacidade de trabalho amplificada, como toda buchuda que trabalha como louca e acha aquilo normal.

Não é medo, não é apreensão. Não gosto da palavra ansiedade, é negativa. Pode haver uma boa ansiedade?
Vou me conformar achando que é mais expectativa pelo que virá e eu não posso planejar ou nem ao mesmo imaginar como será.
É o inesperado, ou o imponderável... E eu não vejo a hora que eles me alcancem...

segunda-feira, setembro 14, 2009

Quando o silêncio diz tudo

Muita coisa se resolve com o silêncio. Nós, na nossa ansiedade moderna, temos a impressão que tudo tem que ser dito, escrito, mostrado. Mas a vida não é assim. Não falar às vezes é a melhor saída.
Assisti "O silêncio do mar", um filme francês de 2004. É novembro de 1941. E Jeanne é uma jovem órfã que vive só com o avô. Período de guerra, a França dominada pelos nazistas, ela e o avô são obrigados a hospedar um oficial alemão.
A maior parte da história transcorre sem troca de palavras entre estes dois personagens principais, o oficial e a moça. Ela, principalmente, não diz nada a ele. Mas a troca de emoções entre eles diz tudo.
O difícil, hoje, é traduzir isso no Outro. Acho que preciso aprender muito ainda. Uma vez me disseram que eu sabia entender as situações sem que me fossem dadas, necessariamente, muitas explicações. Não tenho certeza disso. Taí uma coisa que preciso aprender. A ler - e realmente entender - mais o silêncio do Outro.

PS - O filme tem como tema de fundo o Prelúdio de Bach. É lindo, não é?
:-)

terça-feira, setembro 08, 2009

Pós plantão

Depois de um feriado de sol
Acordo com essa tormenta
No meu quintal

:-)

sábado, setembro 05, 2009

O tempo resolve tudo

É a mais pura verdade isso, que mais parece lugar-comum. Há exatos 10 anos eu estava chorando muito. Não quero falar aqui de tristeza, porque este não é o meu estado de espírito atual, mas é que as datas que nos marcam nem sempre são felizes e não vejo nada de errado em valorizar também o que nos doeu. Porque, ao superar a dor e aprender com ela, a gente fica tão mais forte e feliz. É só não se deixar amargurar.
Heloísa se foi em 4 de setembro de 1999. Era um sábado e, como hoje, eu também estava de plantão neste jornal. Vim trabalhar porque era muito comum a Helô ter crises como as que ela estava tendo naquele início de feriadão. E eu tinha a babá e o pai para cuidarem dela. Quando o Mauro me ligou no jornal no fim da tarde eu sabia que era algo muito grave. Mas essa história eu já contei aqui.
O que quero hoje é falar do tempo. E, acho, agradecer a ele. Não porque ele me faz esquecer. Isso ele não consegue. Nada do que é realmente importante se apaga da minha memória. Mas porque ele tem me feito entender o porquê das coisas. E leva também pra longe as minhas dores.
Hoje, 10 anos depois, eu só posso agradecer por ter tido o privilégio de conviver por pouco mais de dois anos com a Helô. E, sempre que preciso de um pouco de luz, é nela em que eu me inspiro.
Afinal, Heloísa significa "aquela que traz a luz".



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quarta-feira, setembro 02, 2009

Uivando numa nova alcatéia

Hoje me deu muita saudade. Dupla saudade. Vindo trabalhar, escutei Jesus Numa Moto, e lembrei automaticamente do Zé Rodrix -  lógico - mas também do "bandido" do Paulo Bravos. Lembrei dos dois num Carnaval, no Camarote do Diário. O Paulo tirou uma foto minha com o Zé e - puuuto - nunca me entregou. Acho que tava tão bêbado que perdeu o filme.
Bem, isso pode parecer um pouco triste,  já que os dois já se foram pro andar de cima, mas não. É muito mais uma homenagem atrasada bem pra cima a duas figuras queridas, que adoravam viver e transbordavam talento, opinião, força de vontade e inteligência. E essa música tem a cara deles, que agora estão "uivando numa nova alcatéia", em algum lugar do universo. É uma poesia que empurra a gente pra frente.
Olha só um trechinho da letra:
"Nada no passado
Tudo no futuro
Espalhando o que já está morto
Pro que é vivo crescer"
E é esse o espírito dos dois. Avante e afrente!!!

terça-feira, setembro 01, 2009

Baby

Tenho prestado muita atenção às letras das músicas. E fico impressionada como que algumas poesias parecem ter sido escritas para descrever uma situação que estou vivendo, ou já vivi. Ou querem dizer o que eu quero dizer. Isso me convence que as pessoas, por mais que tentem disfarçar, superar, parecer diferentes, são muito parecidas nos seus problemas, expectativas, sonhos... Hoje eu escutei Baby, do Caetano. E ela traduz o meu estado de espírito atual.
Vamos lá, fazer coisas simples, mas com paixão e leveza: "Você precisa saber da margarina, da gasolina, da carolina... Ouvir aquela canção do Roberto. Baby, há quanto tempo!!!"

:-)

domingo, agosto 30, 2009

Abraço de costas

É,  parece que o frio está acabando. Eu vou festejar o calor, o sol, mas vou sentir muita falta de me aquecer dormindo abraçada com a Bia e com a Cléo aos meus pés. As duas são "safadas", como toda criança deve ser.
A Bia me pede para "abraçá-la pelas costas" na hora que deitamos. E adormece com um sorrizinho tão feliz que dá gosto. Só dorme depois que eu leio páginas e páginas para ela, geralmente de gibis da Mônica. Quando eu chego tarde ela dorme com o pai. Mas, pela manhãzinha, se mete para dentro do meu cobertor, toda dona do pedaço. Então, eu peço: "Agora é a sua vez de me abraçar de costas". E, com aqueles bracinhos envolvendo o meu pescoço, eu me sinto no céu até acordar de vez. Mas no calor, dormir abraçada com ela é muito, muito quente. Ela parece uma brasinha incandescente. Então, acabamos cada uma num canto da cama. Na casa nova, acho que vai ser mais fácil. Ela está toda animada com o quarto novo e acho que, enfim, vai dormir sozinha.
A Cléo é mais "ordinária". Durante a noite, ela escolhe qual é a cama mais quente. E fica indo de uma para outra até se decidir. Na minha, sempre escolhe ficar antes de eu e a Bia nos ajeitarmos. É que quer ficar no meio da gente, perto do meu peito. Mas eu a empurro para os meus pés. É impressionante como ela consegue se meter embaixo das cobertas, fazendo de ninho o espaço entre as batatas das minha pernas e as minhas coxas, me encostando o seu focinho frio.
Com o calor, eu a expulso do meu quarto. Não aguento o seu calor. Ela nos atormenta, arranhando a porta da área de serviço, e só sossega quando pensa (se é que cachorro pensa) que estamos todos dormindo.
Eu vou sentir falta da Cléo. Ela vai ficar na casa. Será só visita no ap. A Bia já quer outro cachorro, mas eu estou resistindo à ideia. Aí, vem o pedido de ter um gato, mas eu também não digo nem sim, nem não. Vamos ver...

sexta-feira, agosto 14, 2009

A aventura começou. De fato

Eu sei que a reflexão não é nova, mas é que é muito legal pensar no significado dos papéis que ganhamos e assinamos ao longo das nossas vidas. Vou citar só alguns mais manjados.
O primeiro é certidão de nascimento, papel que estabelece que nós existimos. Sem ela, não há nem como ser reconhecido neste mundo, ter direitos, tomar vacina, ir pra escola, etc e tal.
Depois, vem lá o RG, um número de registro geral. Me sinto como um móvel de uma empresa que ganha uma chapinha para ficar marcado como um "patrimônio". Sem o RG não temos identidade.
Antigamente, a carteira de trabalho era o must. Para muitos, a prova de que o cidadão era trabalhador e gente de bem. Hoje, na economia mais informal, onde os marreteiros e os "pe-jotas" viraram moda, ela está meio em baixa, mas há quem ainda a considere, desde que assinada, um símbolo de retidão e vida acertada.
Tem também quem ache o máximo a certidão de casamento. Um símbolo de amor e compromisso, alguns ainda acreditam. Mas, para este papel eu nunca dei a menor a bola. Sempre o considerei uma formalidade dispensável quando duas pessoas que se gostam querem se unir. Para mim, a certidão de casamento sempre cheirou mais a contrato de sociedade. E, até hoje, não sei porque eu assinei a minha. Penso que foi um momento, fazia parte daquela fase da vida, e achei que ela era uma garantia para as crianças. Mas, acima de tudo, era um ato de carinho, porque eu percebia que assinar era importante para o meu parceiro. O faria feliz.
Hoje, exatamente hoje, eu assinei um outro papel com o meu coração dando saltos de felicidade. Sinto muito, Mauro, mas muito mais do que no dia do nosso casamento no cartório.
Me senti uma criança ao ganhar o presente que pediu para o Papai Noel. Hoje, assinei o contrato de compra do meu ap, talvez o primeiro e único nesta vida.
Colocar lá meu nome foi como carimbar o passaporte para uma viagem a um lugar desconhecido. É como ter iniciado uma daquelas deliciosas aventuras que a gente planeja e planeja, mas que acabam cheias de imprevistos, e, mesmo assim, a gente nunca se arrepende de tê-las realizado.
O papel de hoje também significa uma dívida de décadas e um aperto ainda incerto no orçamento, mas são "pedras" nas quais eu vou pisar com satisfação, sem chororô.
É isso!
Hoje, eu, com orgulho, virei um bobalhona feliz, porque proprietária da minha própria casa!
;-)

quarta-feira, agosto 12, 2009

FINZINHO DE FÉRIAS

Que férias é descanso todo mundo sabe. Mas férias deveria ser também, oportunidade de aprendizado. Não só com as viagens e lugares e pessoas novas que a gente, normalmente, conhece no período de folga. Mas também a dar valor a coisas da vida que, durante o dia a dia difícil que quase todos temos, a gente passa batido, não presta atenção.
Eu, de minha parte, tento aproveitar ao máximo essa oportunidade, já que semana que vem volto ao batente. Passo tardes com minha filha - também de férias por causa da gripe suína - brincado sem a minha costumeira pressa do dia comum, faço com ela caminhadas pelo bairro sem o passo apressado, dou minhas braçadas na piscina do clube sem compromisso com o relógio.
No fundo, queria incorporar esses pequenos atos - que neste momento me parecem tão revolucionários - como hábitos. Acho que nos deixamos envolver demais com o corre-corre do cotidiano e esquecemos de parar para olhar ao redor. Espero que nestas férias tenha conseguido aprender isso. E espero também nunca mais esquecer de curtir o que é simples e está mais ao alcance da minha mão.

quarta-feira, agosto 05, 2009

O mergulho

E eu, de novo, volto a me reconciliar com a água. E com o que eu sinto.

Espero ter aprendido. Espero, nunca mais, desistir deles, abandoná-los, deixá-los para depois, para outra hora, outro tempo....

Quando estou na água, tudo na minha vida melhora... a dor, o humor, a razão, a capacidade de criação...

Penso na água como penso no amor porque ambos são mergulho.

Não falo do amor só por um outro, um objeto, um objetivo, algo a perseguir mas que acaba, ou que se vai.

Falo do amor pelo todo, pela vida, a minha vida, aquela que, enfim, escolhi. Agora eu escolhi, conscientemente.

Assim como a água, o amor eu não consigo prender nas mãos... Se insisto, ele me escapa pelos dedos, e se espalha pelo chão, seca, desaparece...

Mas em ambos eu posso ficar submersa... e deixá-los entrar pelos meus poros, me embalar, me amansar... Ambos passam a fazer parte de mim. Eu quero ficar submersa.

A água pode ser morna, ou mesmo fria... ela me envolve no seu silêncio, e me acalma... Ela é como um outro corpo morno, ou mesmo frio, que me abraça e me deixa ver, através de sua pele translúcida, o seu coração...

Coloco o rosto para fora d'água e lembro: ela também reflete uma realidade distorcida, eu sei, eu vejo agora.

Mas, eu reflito, a distorção está principalmente na sua superfície turbulenta. É superficial. Não é importante. E a minha razão percebe a diferença entre a vida real e a imagem distorcida no meio do turbilhão. Eu só preciso respirar com paciência e esperar passar.

E espero a água se acalmar até voltar os meus olhos para o meu próprio corpo, mergulhado nela.

É... através do amor/água clara e transparente eu me vejo como eu sou.

;-)

sábado, agosto 01, 2009

Os porquês e os oquês da Bia

Mãe, por que não tem dourado e nem prateado no arco-íris?
Por que a Terra é redonda e não quadrada?
Por que a gente é cheio de dobrinha?
Por que os gatinhos quando nascem não abrem os olhos?
O que é "aquela conversa" que sempre falam na TV?
Por que nos restaurantes os garçons são sérios?
O que tem a ver a gripe suína com a minha aula?
O que é paladar?
Por que a gente sente frio?
Por que tem gente que precisa usar óculos?
Por que tem gente gorda?
Por que criança não pode dirigir?
:-)
;-(
(:-o
s(:-(
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domingo, julho 05, 2009

Uma possível explicação

Tem vezes que minha saudade é tão grande que eu chego a duvidar que ela é só minha...

Fico pensando que o que sinto também é a atração do seu sentir, das suas saudades, do seu pensamento que também não me larga... Como almas que se sincronizam, transmitem suas energias e sensações.

Só isso me parece explicar esse frio bom na barriga, a sua imagem insistente na minha cabeça, o meu coração batendo descompassado de novo sem nenhum motivo racional, a minha pele sentindo o seu toque depois de tanto tempo.

É... essa pode ser uma possível explicação...
Mas o bom mesmo, eu sei, é nem pensar nisso.

:-)

quarta-feira, junho 24, 2009

Bobagens Femininas 1

Começo aqui o que pode ser o início de uma série. A série das bobagens que toda mulher fica feliz em fazer, que se sente o máximo e superpoderosa consigo mesma, sem que ninguém precise elogiar. São aquelas coisas bestas que os homens, principalnete os machões, ficam olhando com cara cínica e pensando: "ela não vai conseguir". E a gente vai lá e consegue. Eles nem precisam saber. A satisfação é puramente pessoal. E basta.

Estacionar de Ré
Modéstia à parte, sou uma ótima motorista. Dirijo 50 quilômetros por dia, todos os dias, e adoro pisar bem. Mas meu calcanhar de Aquiles sempre foram as manobras. Acho que a origem do trauma está lá nos meus 19 anos, quando eu fui tirar a carta: quase levo pau por causa da baliza. O carro não ficou paralelo à calçada, como seria o natural. Ficou a 90 graus, he, he. Mas, no final, deu tudo certo. A carta está aí, há mais de 20 anos, sem nada muito grave que a macule.
Então, nestes dias que quero bombar minha autoestima, nada melhor do que estacionar na garagem de ré. É o máximo. Juro, fico superfeliz com a minha capacidade de manobrar. É mesmo uma grande bobagem, mas saio do carro rindo sozinha e até assobiando.

Quem tiver sugestões de outras Bobagens Femininas é só falar que eu publico.
beijos a todos
:-)

segunda-feira, junho 22, 2009

Sábio conselho

É, parece que agora você se deu conta que não há muito a fazer a não ser seguir o fluxo, no tempo dele. Enquanto os carros param, você poderia fazer o mesmo. Existe sabedoria também em esperar, não pensar, não planejar. Há algo acontecendo com você quando não acontece nada, mas é preciso ficar em silêncio para saber o que é. Contemple a paciência que separa a lagarta da borboleta, a semente do fruto, a noite do dia.

:-)


domingo, junho 21, 2009

O meu rumo

Esse fim de semana foi tão bom, tão cheio de coisas novas para mim, mas ao mesmo tempo verdades antigas, com as quais aprendi mais um pouco sobre essa arte de viver leve. E queria escrever e escrever sobre tudo isso - festa junina, rezas, terços, crianças correndo, idosos sorrindo, amigos novos, muitos amigos, tatuagem cor vermelha, vermelha na flor, no coração...
Mas, aí, me deparei com isso. E isso me diz tanto, mesmo não sendo a minha história exata, nem o final que eu almejo, mas é a história de tanta gente que está por aí. E é isso que me move - saber que eu não sou única, sozinha, que há histórias por aí que terminam bem e outras nem tanto, mas são histórias que eu quero saber e contar. E que a minha é boa, muito boa, porque mesmo com dor, tem me feito aprender, e a melhorar com ela.
Eu não rejeito a dor, mas não quero viver com ela. Creio que ela é parte, mas não é fim.
Acredito na vida, no que ela tenta nos mostrar e ensinar. Acredito nos seus sinais.
A fase agora é de abertura, o coração amplo, aberto, maior do que o corpo, até um pouco sem proteção...
Voltei a amar a vida como ela merece ser amada, a querer a vida com a minha liberdade, com as minhas coisas poucas e simples, as minhas dúvidas e sonhos e até choros.
É uma fase boa, que espero que se estenda. Na verdade, sei que tenho de aprender a preservá-la. E deixar a fase negra para traz, já que passou. Mas sem abandonar quem esteve comigo aí atrás, e me ajudou a ver o meu caminho. Quero trazer todos comigo. Não sei se consido. Nem todos me enxergam e me entendem. É mais fácil me acharem louca.
Hoje disse para uma amiga que encontrei o meu rumo. E é isso - o rumo. Aquele que, às vezes, por distração, ou medo, ou comodismo, ou mesmo por necessidade, a gente sai dele. Acho que estava fora do meu por necessidade.
Mas que, quando nele, não há dúvida, nem medo, nem solidão, nem rancor que nos demova.
:-)