terça-feira, março 15, 2011

Várias contas do tempo

- Quanto tempo faz que você está separada?
A pergunta veio assim de surpresa, sem que eu nem sequer imaginasse que iria aparecer. 
- Dois anos - respondi rápido, fazendo uma conta de cabeça que sabia não ser muito fiel. Mas era a mais fácil de explicar.
Tinha várias outras formas de responder, várias outras contas pra fazer, mas aquela era uma conversa tão informal, pra preencher o espaço do intervalo entre nossas aulas. E ele estava só curioso, queria puxar assunto, por que eu ia complicar a história, dar explicações prolongadas?
- Dois anos de separação de corpos. Mas faz pouco mais de um que sai da casa onde morávamos para o meu apartamento.
Enquanto ele me dava conselhos de como encarar esta fase (curioso que muita gente gosta de dar conselhos para separados), eu ia repassando toda a minha história na cabeça. É que eu adoro repassar minha história, me fortalece, me faz sentir um orgulho danado de mim mesma. Eu sei que minha história é rara. Se antes eu e o meu ex éramos um casal ideal, agora somos um ex-casal ideal, com uma separação ideal, fora do comum. Acho isso bom.
Pensei que minha conta poderia ser assim. Tudo na base do cerca de... É que nessas coisas de relacionamento parece que o tempo tem outra dimensão. Não é possível contar com precisão as horas, os dias, os anos. Às vezes, um dia de relação parece um ano.. 
Mas, voltando à métrica mais "social", acho que ficaria assim.. cerca de:
- Um ano (de separação de casas)
- Dois  (de corpos)
- Três (de mente. A decisão tomada, mas a ação paralisada pelo medo da solidão)
- Quatro (a descoberta que acabou, que casamento não se faz só de respeito, mas também de paixão e tesão)
- Cinco (sensação de que algo vai mal, mas não se sabe o que. Será que é minha culpa?)
- Dez (certeza de que há amor e respeito, mas casar não vai dar certo, mas já que estamos aqui, vamos lá)
- Quinze (não há paixão, mas temos respeito e amor construído no relacionamento. Belo discurso, vamos morar juntos, mas acho que não vivo com ele por toda a minha vida)
Ou seja, a gente sempre sabe lá no fundo o que precisamos e, mesmo assim, teimamos em ir contra a nossa intuição. Mas não me culpo mais, porque também há coisas que precisavam ser vividas com ele, o ex. E eu fui muito feliz com, sempre digo. Quando deixei de ser feliz, era a hora de parar.
Só que agora, que a calmaria voltou e a vida parece tomar outro rumo, ou que eu passei a fazer o rumo da minha vida, às vezes lembro do que foi mais difícil. E, incrível!, ainda tenho vontade de chorar!
Quando decidi, imaginei quem me apoiaria e quem seria contra mim. Acho que todo mundo faz isso. Engraçado o quanto me enganei. O pânico e o silêncio vieram de quem eu esperava apoio. Não parceria - porque há coisas que só se podem fazer sozinha, e separação é uma delas - mas apoio, ombro.
E o meu pai, de mais de 70 anos, de quem eu esperava levar o maior sermão da vida, de quem esperava todas as palavras de desencorajamento num discurso moralista, fez exatamente o oposto. E eu passei a admirá-lo mais que tudo nesta vida. Ele disse assim:
- Ah, filha, é por isso que você está assim, sofrendo? Por que quer se separar?! Larga a mão disso, larga esse cara e vai cuidar da sua vida! Você pode muito bem cuidar da sua filha sozinha!
E ele estava certo. Eu posso. Eu já estou.
;-)




quarta-feira, março 09, 2011

Quarta-feira de cinzas

O Carnaval para mim parece um sonho.
Na concentração, eu ando no meio de alas, plumas e penas coloridas me roçando, lantejoulas brilhando nos meus olhos. Os integrantes me olham com curiosidade, afinal, o que será que quer essa pessoa sem fantasia passeando no meio de nós, cheia de fios e fones e celulares pendurados.
Eu me desvio das saias rodadas das Baianas, como se fosse um tipo de pecado encostar naquelas franjas. Umas me olham com bondade, outras com uma certa pena porque, afinal, eu não posso estar mais feliz do que elas naquele momento.
Parecem deusas as Rainhas e Madrinhas, seminuas, nuas, só pintadas, mulheres gigantes, perfeitas em suas plataformas ou saltos agulhas, sempre impecáveis ali. É bom pensar que, fora daquele furor, elas são tão humanas quanto eu, ou você. Mas ali, elas são únicas e intocáveis. Eu, porém, posso esticar a minha mão e tocá-las, sentir que são reais, e ter certeza que é possível ser assim uma deusa naturalmente humana, de carne e osso. Os deuses não deviam ser etéreos. E nem os anjos.
Mas a melhor parte de tudo é mesmo a Bateria. Fecho os olhos e fico ao lado, no corredor de serviço, parada, enquanto o bum bum e o taratata explodem no meio da avenida. É impossível não se emocionar com a emoção e a força dos integrantes da Bateria. Eles estão em outro mundo naquele momento. Um mundo em que só mora o som. Também é impossivel manter o corpo parado. Ele vibra sozinho. Cada músculo, cada osso, cada nervo e o coração vibram no compasso da Bateria. É isso que é sentir o som. É tão forte que, quando percebo, tenho que pular, dançar, mesmo se quiser ficar parada. O meu corpo, nessa hora, não obedece a minha vontade.

Mas lá se foi mais um Carnaval.
O que eu não gosto é da maratona, da tensão anterior, do vazio que fica depois.
Mas do resto, confesso, eu não gostaria de ficar sem.
:-)

quinta-feira, março 03, 2011

E Bota Calhau, aí, gente!

A melhor coisa que a imprensa paulista criou nos últimos anos.

http://botacalhau.blogspot.com/

Ieba!!!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Tempo certo

Quando você vem...
e vai
deixa em mim, no meu corpo
tatuadas
as suas marcas

Suas mãos
ficam nas minhas coxas
sua barba
no meu colo
seu lábios ficam no meu seio

E seu corpo
inteiro
fica impresso no meu coração

Então, você se vai e,
aos poucos,
com o tempo
suas marcas vão desaparecendo de mim

E
quando resta em mim apenas uma linha de você
Você reaparece e me reencontra
limpa
Pronta
para refazer em mim tudo outra vez

.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Transição

Ela chega pra mim com ar de segredo e me pede com todo jeito para eu tirar os pêlos das suas pernas.

- A Natália já depila desde o ano passado.
- Mas você quer passar cera?
- Não, que dói. Quero que você passe gilete. Ah, vai, mãe, eu quero.

Vamos para a praia e ela quer já parecer mocinha. Mas, de verdade, ainda não sabe direito o que é. Com 10 anos, quer ser mocinha, mas adora ser criança.

De repente, enquanto pensa no que vai levar, se lembra dos baldinhos.

- Estão lá no papai! Vou ligar pra ele.

E, enquanto ela explica pro pai em qual armário e dentro de qual bolsa estão os baldes e pazinhas de plástico que ela ganhou quando tinha 4 anos, eu passo creme na sua perna e raspo fora todos os pêlos negros que ela tinha desde quando nasceu.

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PS - Os baldinhos ficaram na praia, na casa da madrinha, pra algum bebê que ainda vai nascer poder brincar quando chegar a hora. Esta semana ela me pediu de novo para raspar os pêlos de suas pernas.
Não há mais volta!

:-)

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Inverno

Não sou fã da Adriana Calcanhoto, mas a letra desta música é maravilhosa.
É triste, mas estranhamente me deixa feliz.
Também fico pensando onde foi que eu larguei
"o leão que sempre cavalguei"


http://letras.terra.com.br/adriana-calcanhotto/43975/


:-)

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Da janela

Ela me diz que gosta de olhar dessa janela aquela janela, assim, quando não tem nada o que fazer. As cortinas balançam leves e parecem iluminadas por ene luzes multicores, fruta-cor, suaves... O efeito só ocorre à noite? penso. O que será que acontece naquela sala? quarto? sei lá. Não importa. O que há é o que ela imagina, sente...
E eu me lembro que da janela gostava de olhar o sol, sentir o sol nos meus olhos fechados, e o que via era o vermelho vivo, depois rosa, estrelas, e rosa, e às vezes preto, tudo se desmanchando, até aquecer tanto que eu não podia mais aguentar. Ou até alguém me chamar, me acordar. E ainda gosto, mas é raro ter tempo para ficar assim, sem ter o que fazer, só encarando o sol...
..

terça-feira, janeiro 04, 2011

Efeitos da chuva

Domingo, 2 de janeiro. Acordo com aquele barulho delicioso de chuva na minha janela. Adoro. Chove quase o dia inteiro pela cidade. Estou de plantão e o ar fresco me anima. Minhas plantas estão mais verdinhas,  lindas. A chuva parece vida mesmo.

Segunda, 3 de janeiro. Acordo e abro a janela. Há um pouco de chuvisco. Não me animo muito. É o primeiro dia útil do ano para o resto do mundo. O meu foi ontem. Estou cansada deste plantão infinito. Do estacionamento onde deixo meu carro até o jornal tenho que abrir o guarda-chuva. Pela calçada, bato em pessoas com ele e elas me olham feio. Desculpe. De repente, onde está meu celular? Não tenho mãos vazias pra procurar na minha bolsa. Bosta de chuva. À noite, me sinto embolorada... Quero que o céu pare de chorar... estou deprimida.

Terça, 4 de janeiro. Estou de folga. Acordo animada pra fazer mil coisas. Lá fora, mais chuva fina persiste. Mas eu não me intimido. Vou no médico e, depois, na casa de minha amiga. Está tudo bem. O almoço e o papo são ótimos. Mas, de repente, o mundo cai lá fora e a luz acaba. Tranquila, Vivi, você está segura aqui. Respire funda e faça de conta que nada acontece lá fora. A chuva dá uma trégua e eu, com a Bia, vou até o mercado. Tenho coisas importantes pra comprar. A chuva aperta de novo. Fila pra entrar. Difícil encontrar uma boa vaga. Será que todo mundo teve a mesma ideia de se refugiar aqui, droga? Aquela água caindo sem parar e essa gente procurando por liquidações me irritam tanto... De repente, toca o celular. Penso: - Ótimo, preciso de uma boa notícia agora. Mas nada.... - Olha, você esqueceu de pagar uma conta, o juro é alto... Porra, já estou puta com este tempo e mais isso! Eu falo: - Chega, Bia, vamos embora. Compramos tudo amanhã - Mãe, vou te dizer uma coisa, você não fica brava, mas ficou  de mau humor. - É, eu sei, é a chuva. Ela já me bastou... Penso: Se ela não parar logo, eu acho que vou enlouquecer.

..

domingo, janeiro 02, 2011

Solidão e desejo

São duas pessoas tão diferentes que é difícil imaginar porque se aproximam.

Não têm nem gostos, nem hábitos, nem objetivos em comum. Também não convivem no dia a dia.
Resistem até alguns dias, mas acabam se vendo nem que seja no mais tarde da noite.

Por que motivo?, eu me pergunto.

Quero colocar razão onde, talvez, seja melhor deixar só o coração e o instinto mandar. Mas não tomo jeito, quero entender o que é isso.

Pelo desejo, com certeza, sempre... Corpos que se encaixam tão bem, o que é tão raro de se conseguir nesta cidade infinita. Corpos que se amam com o único compromisso de um dar prazer ao outro. É tudo tão simples assim, sem sair de dentro das quatro paredes.

Mas, ultimamente, também pela solidão, eu percebo. Nenhum deles quer largar seu mundo independente, mas a solidão às vezes é pesada demais... Então, se encontram, nem que seja apenas para falar e falar, e rir e brincar. Ou nem que seja apenas para ficarem quietos, sem nada falar.

Entre quatro paredes, duas pessoas tão diferentes, de repente, são tão iguais pela solidão e pelo desejo.

Vou correr lá e contar para eles que descobri o seu segredo.

:-)

terça-feira, dezembro 21, 2010

Teoria e prática

Gostei do que disse. Suas palavras encontraram o meu pensamento. Que o ideal é a gente conseguir viver o amor como uma verdadeira amizade erotizada, manter o brinquedo, a leveza, o afeto. E acrescento: sem o apego doentio, sem a cobrança excessiva, por aquilo que nem nós podemos dar, sem achar que somos o umbigo do universo. Isso é o melhor do amor. A sua essência, eu diria. Mas nós, pela cultura que temos, por descuido e até sem nos darmos conta, acabamos procurando só o romance com sofrimento, o relacionamento "ideal" que não vê o outro, a renúncia, como se a dor fosse sempre necessária no amor. E sabemos que não é. O amor deve ser construção. Sempre. O desafio é levar a nossa teoria à prática.

domingo, novembro 28, 2010

Espaços

Desejo latente
Amor dormente

Desejo ardente
Amor ausente

Sexo caliente
Amor premente
;

segunda-feira, novembro 08, 2010

I Ching do dia

Tai: A Paz,


Este é um bom momento de harmonia no qual reina a paz, a concordância e o sucesso. Se você deseja prosperar e ter sorte, terá de tentar manter este estado, sendo ajudado por alguém que seja capaz de estabilizar melhor esta situação favorável.

:-)

quarta-feira, novembro 03, 2010

Clarice Lispector

Dá-me a tua mão desconhecida, que a vida está me doendo,e não sei como falar - a realidade é delicada demais,só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas.


Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”

:-)

domingo, outubro 31, 2010

Pensata e Resposta

Algo bom até pode começar com o impulso do desejo,
mas não pode continuar - e muito menos perdurar -
sem a cumplicidade do afeto.

:-)

....

quarta-feira, outubro 06, 2010

Saudades

Veio assim como um toque no coração, uma vibração boa, inesperada, silenciosa e acalentadora. Daquelas que te fazem fechar com olhos com suavidade e respirar fundo, soltando o ar devagar, como num suspiro prolongado. Começou no fim da tarde, no meio do trabalho, sem que eu provocasse, sem que eu estivesse pensando no assunto. Estranhei porque, na verdade, sempre penso em tudo o que passou, refaço cada passo, relembro cada palavra dita e escrita e, nem mesmo assim, sinto esse toque no coração. Já senti outras coisas, boas e ruins, bem sei. Nó na garganta, euforia, enjoos, aperto no peito, dores no útero, olhos úmidos, borboletas no estômago, a carne trêmula, os músculos se encolhendo por conta própria.... Mas este toque no coração, essa vibração alegre que senti hoje há muito, muito mesmo não sentia. E nem sei explicar racionalmente porque senti. Não tinha música, não tinha poema, não tinha mensagem, não tinha nenhuma imagem que me inspirasse. Pelo contrário. Tinha o frio do ar condicionado e o burburinho da redação. Fiquei tentando imaginar se era fruto da minha atual tristeza. Não consegui chegar a uma conclusão. E, já que bem tarde da noite, quando saí do trabalho, a sensação ainda estava lá, insistente na sua certeza, decidi me render a ela. Curti-la até o fim, simplesmente porque era muito boa, autêntica e minha. Só minha.  E, afinal, saudades é como o amor de verdade. Não tem muita explicação.Ela simplesmente é. Não há muito o que controlar.

;-)

sábado, outubro 02, 2010

Passatempo

É engraçado como as coisas comuns da vida ficam tão sem sentido quando a dor da morte que parece certa chega assim tão perto de você.
Nada parece ter mais muita importância.
Mas, o mais curioso, é que é para o dia a dia insosso que a gente quer correr quando a morte se aproxima.
Ele poderia ser ruim, mas é nele que está na nossa proteção contra a dor.
Então, a gente tenta mergulhar no mesmo ritmo antigo, insistir nas mesmas ações mornas, retomar antigos desejos superficiais não-realizados.
Mas, aí, isso que a gente chamava vida parece que é só uma distração, um passatempo.
Você tem que encontrar um outro sentido para as coisas.
E aceitar que aquela dor da morte próxima te mudou tanto que é impossível ser a mesma de antes.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Vidas suspensas

Primeiro, as veias estavam entupidas. Depois, a falta de ar, a fraqueza, as ideias confusas. Então, veio lá o estômago ferido, sangrando. Uma cauterização resolve, disseram. Mas, agora, é o sangue ralo, que não se reproduz, o problema.
E ele reaje. Ao modo dele, mas reaje.
Está cheio de problemas, e ainda lhe faltam a paciência, a resignação, a quietude. Ele se enfurece.
E ele não está errado, está?
Como deixar de brigar, de aceitar a maca se sua vida toda foi de liderança?
Como ser paciente agora se ele sempre fez tudo primeiro, na frente, rápido?
Mas, agora, tudo tem que esperar. É como se nossas vidas estivessem suspensas...

E, então, como a quietude agora é obrigatória, um comprimido, uma dose de sedativo, seria a solução.
Mas para ele não é.
Ele até dorme, mas quando volta, mesmo zonzo, se debate, quer arrancar o soro, sair de lá.
Como um bêbado, caindo, sem se aguentar sobre as próprias pernas, e nem sobre o próprio tronco, ele me diz, como se reclamasse do atendimento de um restaurante: "Filha, nunca mais volto aqui!". Ou "Filha, vou levantar porque tenho que buscar sua mãe!"
E eu o coloco de novo deitado. 80 quilos de pele e osso. Meu corpo inteiro dói. E todo dia sinto como se já tivesse vivido isso. É um 'de javu' atrás do outro.
Até quando? Ele resiste? Eu resisto? Tudo que me dizem é "você tem que ser forte". E eu estou cansada de ser forte. Até quando eu tenho que ser forte? Será que tem alguém que pode ser forte por mim?
E é inevitável pensar no futuro.
Porque, depois disso, seja o fim que tiver tudo isso, nossas vidas não serão mais iguais. A vida deles aqui vai mudar. E a minha longe daqui também.
Se sobrevivermos ou não, depois disso, temos que pelo menos mudar o modo de pensar e de agir na vida.
E, enquanto isso, temos que aceitar que nossas vidas estão mesmo suspensas.
Pra repetir um clichê, eu queria acordar e perceber que tudo foi só um pesadelo.
...

sábado, setembro 04, 2010

Pai e mãe

Eles agora estão mais frágeis, e isso me assusta. Ela me diz que ele fala coisas sem nexo, vê uma casa duplicada, dorme fora da hora e fica alerta na hora de dormir. É a idade, eu sei. Ele, que sempre foi forte, agora cambaleia, chora, olha para o nada. E ela, que sempre foi mais dependente, tem que criar forças que nem ela mesma sabe que tem.
E eu, aqui de longe, posso fazer o quê? Dou conselhos, digo que é uma fase, ele está doente, vai passar. Mando dinheiro, peço para eles voltarem, vou até lá de vez em quando, mas a vida nessas horas é tão madrasta que, no momento que eles mais precisarem, que é inesperado, como eu poderei estar lá? Como vou poder adivinhar? E foi uma escolha deles passar a velhice lá, num lugar tão distante...
Tudo que sei é o que os dois me contam, e nem sei se me contam tudo o que eu preciso saber. E nem sei se eles sabem exatamente o que acontece com eles. Isso é que é mais assustador. Eles também não sabem...
E não é só medo que tenho. Fica junto um outro sentimento que eu nem sei dar nome. É um tipo de pena, de melancolia, saudades pelo que os dois já foram e que agora não aguentam mais ser e uma necessidade de se conformar com o ritmo da vida. É a vida... infância, juventude, maturidade, velhice... Ela vai chegar. E ele sabia disso, porque sempre me disse que a velhice dele ia acontecer.
Mas, de uma forma ou de outra, os dois sempre estiveram por aí. Agora, com ele doente, parece que fica concreto o que ele sempre falou por hipótese... que um dia não estará.
E eu aqui, sem poder mudar o rumo das coisas...

;-)

PS - Há 11 anos Heloisa partia.

...

segunda-feira, agosto 30, 2010

Após 400 anos, vulcão entra em erupção

Isso é a melhor prova de que tudo muda.
Sinal que sempre é tempo de se mexer, explodir e voltar à ativa.

:-)

sexta-feira, agosto 27, 2010

Primeiro aniversário

Tô feliz da vida...
Agora, só faltam 29 anos pra eu quitar meu apartamento.

:-)