sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Calda de morango quente
Você é
doce
doce
doce
Como o sorvete de creme
Mergulhado na calda de morango
Quente
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Primeiro plano - Original
O dedo desliza lentamente e então eu posso senti-la úmida e quente.
Por que não? Se a opção imediata é pela solidão eu devo me acostumar a tocá-la com mais freqüência. E no sexo solitário pode haver mais prazer do que no sexo sem amor.
Na cabeça, lembranças de toques sutis e delicados, palavras doces, situações que emocionaram. Isso basta, eu me pergunto? Se no momento é o melhor que eu posso fazer por mim, sim, basta.
A emoção é um sentimento cruel. Nos abraça, nos chacoalha, vira as nossas vísceras do avesso. Mas é um tipo de dor que não queremos deixar de sentir. Quando não há mais a emoção, a vida perde o sentido.
E eu a busquei tanto que decidi interromper o meu caminho longo e sem emoção.
E isso assusta. Mas fiquei mais assustada no começo, quando eu recomecei sentir. Quando eu percebi que existia a emoção aqui dentro e lá fora, entre as pessoas reais, mas que, ao meu lado, o que tinha era o hábito do convívio e só. Nada de troca. Nenhum interesse. Nem curiosidade. Só afeto respeitoso e a construção de uma imagem equivocada.
E me envergonhei quando me dei conta de tudo isso. O cotidiano fácil, seguro, cheio de certezas nos envolve ao longo da vida e, quando nos damos conta, o sentir ficou em segundo plano. Em que porcaria de mulher moderna eu estava me transformando?
Mas se o movimento é doloroso, ele também é necessário. Estou tão certa da minha opção que tenho até orgulho. Porque a opção foi tão pensada, tão maturada... O caminho foi tão cheio de altos e baixos, descobertas e decepções... Tentativas de recomeços... Reencontros e afastamentos... Levei anos pra chegar até aqui, mas sempre dando sinais, pedindo socorro, lançando avisos...
Mas há situações que não mudam. Há pessoas que não estão preparadas para mudar e nem querem. Cada um tem o seu tempo e eu não me importo se, agora, estou precisando atropelar alguém. Me sinto mesmo um trator.
E é engraçado como nada acontece da noite para o dia.
O limite se deu e não há agora uma segunda via. Também não há como voltar atrás. Não há culpados, nem responsáveis. Só existe uma pessoa, eu, pensando, querendo, desejando e decidindo o que é melhor pra mim. Sem mais nenhum medo.
E sou capaz de chorar de contentamento ao perceber que, pela primeira vez, vou de fato colocar a minha vida nas minhas mãos. Mesmo que para isso o sexo também tenha que ser solitário por algum tempo.
Por que não? Se a opção imediata é pela solidão eu devo me acostumar a tocá-la com mais freqüência. E no sexo solitário pode haver mais prazer do que no sexo sem amor.
Na cabeça, lembranças de toques sutis e delicados, palavras doces, situações que emocionaram. Isso basta, eu me pergunto? Se no momento é o melhor que eu posso fazer por mim, sim, basta.
A emoção é um sentimento cruel. Nos abraça, nos chacoalha, vira as nossas vísceras do avesso. Mas é um tipo de dor que não queremos deixar de sentir. Quando não há mais a emoção, a vida perde o sentido.
E eu a busquei tanto que decidi interromper o meu caminho longo e sem emoção.
E isso assusta. Mas fiquei mais assustada no começo, quando eu recomecei sentir. Quando eu percebi que existia a emoção aqui dentro e lá fora, entre as pessoas reais, mas que, ao meu lado, o que tinha era o hábito do convívio e só. Nada de troca. Nenhum interesse. Nem curiosidade. Só afeto respeitoso e a construção de uma imagem equivocada.
E me envergonhei quando me dei conta de tudo isso. O cotidiano fácil, seguro, cheio de certezas nos envolve ao longo da vida e, quando nos damos conta, o sentir ficou em segundo plano. Em que porcaria de mulher moderna eu estava me transformando?
Mas se o movimento é doloroso, ele também é necessário. Estou tão certa da minha opção que tenho até orgulho. Porque a opção foi tão pensada, tão maturada... O caminho foi tão cheio de altos e baixos, descobertas e decepções... Tentativas de recomeços... Reencontros e afastamentos... Levei anos pra chegar até aqui, mas sempre dando sinais, pedindo socorro, lançando avisos...
Mas há situações que não mudam. Há pessoas que não estão preparadas para mudar e nem querem. Cada um tem o seu tempo e eu não me importo se, agora, estou precisando atropelar alguém. Me sinto mesmo um trator.
E é engraçado como nada acontece da noite para o dia.
O limite se deu e não há agora uma segunda via. Também não há como voltar atrás. Não há culpados, nem responsáveis. Só existe uma pessoa, eu, pensando, querendo, desejando e decidindo o que é melhor pra mim. Sem mais nenhum medo.
E sou capaz de chorar de contentamento ao perceber que, pela primeira vez, vou de fato colocar a minha vida nas minhas mãos. Mesmo que para isso o sexo também tenha que ser solitário por algum tempo.
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Como uma máquina
"Aconteceu um problema inesperado. O sistema está sendo desligado. Salve os trabalhos em andamento e acione o logoff."
A gente devia ser assim, como uma máquina. Simplesmente desligar automaticamente quando um problema no meio do caminho surgisse. Salvar o que foi iniciado para, em seguinda, religar e continuar de onde se parou.
A gente devia ser assim, como uma máquina. Simplesmente desligar automaticamente quando um problema no meio do caminho surgisse. Salvar o que foi iniciado para, em seguinda, religar e continuar de onde se parou.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
A Dite e os sapatos
A Dite estava linda como nunca. Me surpreendi quando soube que estava com 31, porque quando me lembro dela sempre a vejo mais velha, sofrida, gorda. Mas, hoje, ela estava linda, como uma diva da década de 50, uma atriz de cinema: a pele extremamente branca, o sorriso aberto, com dentes perfeitos, o cabelo dourado e cheio de cachos. Parecia um anjo. Não havia registro do seu mau humor, sua marca registrada de antes.
Todos se surpreenderam. E eu a abracei... que saudades... Eu não sabia que estava com tanta saudades dela. Não imaginava o quanto!
Era surpreendente porque todos a vimos morta. Nós vimos como ela foi definhando e como estava envelhecida quando se foi. Mas, agora, ela tinha 31 e dizia quando via alguém: não, eu não morri. E aquilo era tão natural. Não era nada assustador. Todos estavam felizes, em confraternização. E, para cada um que chegava, eu, como uma criança da casa, fazia questão de mostrar: olha, olha quem está aqui! E novamente expressões de surpresas, abraços, felicidade.
Eu não sei como cheguei naquele lugar. Quando vi, estava naquela casa, que era pequena, mas estava cheia de gente conhecida. Mas tinha que partir e, de novo (essa sensação sempre vem) estava sem sapatos. Alguém na casa me deu dois pares: um sapato lilás claro, meio transparente, bico fino e um pequeno salto; outro preto, completamente baixo. Ambos eram de plástico. Mesmo assim, sai descalça, com os dois pares em uma sacola.
Na rua, de noite, olhei o trânsito, que era frenético. Via luzes dos carros que riscavam a escuridão. Duas grandes avenidas se encontravam no ponto onde eu estava, uma praça na parte baixa de dois morros. Mas a minha noção de sentido estava completamente perdida e não sabia para qual lado seguir: direita ou esquerda. Tinha que pegar um ônibus, ir para o Centro, mas os ônibus subiam e desciam as ruas, que eram ladeiras, e eu não conseguia me mexer.
Aquele lugar, eu sabia, já havia sido uma favela enorme - Mauá agora está bonita, eu pensava, mas ainda assim é Mauá, é assustadora. Foi aí que encontrei a garota. Ela não parava de falar, e me deu o sentido: o Centro é para lá (à esquerda), pegue tal ônibus. Perdi ainda um ônibus e, no próximo, ela subiu comigo, sempre falando, falando, que conhecia não sei quem no jornal, que estudava, que estava voltando da escola, que isso, que aquilo.
Foi só então, no ônibus, que decidi vestir os sapatos. Mas, na confusão de subir, entrar no ônibus, um pé do par preto se perdeu, caiu no chão, eu ainda olhei pra trás, tentei encontrar, mas não consegui. Então, coloquei o lilás. Mas era o preto que queria. Esse sapato lilás com essa meia soquete não combina, ainda pensei. Deve ser por isso que está meio apertado. Pensei em voltar pra, procurar o sapato que ficou pra trás, certamente caído na sarjeta, mas não dava mais.
E a menina não parava de falar, enquanto o ônibus seguia e eu observava meu pé com meias soquete no sapato lilás e transparente.
Todos se surpreenderam. E eu a abracei... que saudades... Eu não sabia que estava com tanta saudades dela. Não imaginava o quanto!
Era surpreendente porque todos a vimos morta. Nós vimos como ela foi definhando e como estava envelhecida quando se foi. Mas, agora, ela tinha 31 e dizia quando via alguém: não, eu não morri. E aquilo era tão natural. Não era nada assustador. Todos estavam felizes, em confraternização. E, para cada um que chegava, eu, como uma criança da casa, fazia questão de mostrar: olha, olha quem está aqui! E novamente expressões de surpresas, abraços, felicidade.
Eu não sei como cheguei naquele lugar. Quando vi, estava naquela casa, que era pequena, mas estava cheia de gente conhecida. Mas tinha que partir e, de novo (essa sensação sempre vem) estava sem sapatos. Alguém na casa me deu dois pares: um sapato lilás claro, meio transparente, bico fino e um pequeno salto; outro preto, completamente baixo. Ambos eram de plástico. Mesmo assim, sai descalça, com os dois pares em uma sacola.
Na rua, de noite, olhei o trânsito, que era frenético. Via luzes dos carros que riscavam a escuridão. Duas grandes avenidas se encontravam no ponto onde eu estava, uma praça na parte baixa de dois morros. Mas a minha noção de sentido estava completamente perdida e não sabia para qual lado seguir: direita ou esquerda. Tinha que pegar um ônibus, ir para o Centro, mas os ônibus subiam e desciam as ruas, que eram ladeiras, e eu não conseguia me mexer.
Aquele lugar, eu sabia, já havia sido uma favela enorme - Mauá agora está bonita, eu pensava, mas ainda assim é Mauá, é assustadora. Foi aí que encontrei a garota. Ela não parava de falar, e me deu o sentido: o Centro é para lá (à esquerda), pegue tal ônibus. Perdi ainda um ônibus e, no próximo, ela subiu comigo, sempre falando, falando, que conhecia não sei quem no jornal, que estudava, que estava voltando da escola, que isso, que aquilo.
Foi só então, no ônibus, que decidi vestir os sapatos. Mas, na confusão de subir, entrar no ônibus, um pé do par preto se perdeu, caiu no chão, eu ainda olhei pra trás, tentei encontrar, mas não consegui. Então, coloquei o lilás. Mas era o preto que queria. Esse sapato lilás com essa meia soquete não combina, ainda pensei. Deve ser por isso que está meio apertado. Pensei em voltar pra, procurar o sapato que ficou pra trás, certamente caído na sarjeta, mas não dava mais.
E a menina não parava de falar, enquanto o ônibus seguia e eu observava meu pé com meias soquete no sapato lilás e transparente.
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Pássaro na sala
Entrou um passarinho na minha casa agora há pouco. Foi mágico. Por alguns segundos me bateu uma empolgação. Porque não sei como ele entrou. Quando vi, ele estava lá, batendo asas, pousando na minha estante, cantando para mim no meio da sala. Nem o cachorro se assanhou para pegá-lo, como que o respeitando. Por um instante pensei: "Passarinho em casa assim deve ser um bom sinal. Vou deixá-lo aqui pelo menos até a Bia chegar pra ver o quanto temos sorte." Mas, de repente, percebi que o bichinho estava lá, mas tentando voar alto sem poder. Ele se batia contra o teto e começou a ficar desesperado. Ia e voltava da estante pra a janela, como que me dizendo que estava buscando a luz. E não tive coragem de esperar. O passarinho só queria sair da minha sala. Então, abri a porta e esperei ele perceber o caminho e sair voando. E ele foi rápido como um raio.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Vontade da partilha
Não conheço Mariana Terela, mas ela estava outro dia em O Mundo Perfeito, blogue da Isabela, lá de Portugal, linkado aí do lado. É dela a frase abaixo, que eu assino embaixo.
"Há já muitos gajos que sabem que nós, as que nos julgamos imperfeitas, temos de dar largas à imaginação e ao intelecto e a crescer noutros sentidos. Menear o rabo e dar a cabeleira dá resultado enquanto se tem rabo e cabeleira. E enquanto aquilo se põe em pé só com a visualização de um rabo. Mas isso acaba ... as relações que nos aquecem a alma são aquelas que duram para além das aparências e em que o calor e acolhimento de um corpo (e da alma) valem muito mais do que a sua perfeição física. E a vontade de partilha não acaba aos 40 anos. E a perfeição física começa a acabar aqui."
"Há já muitos gajos que sabem que nós, as que nos julgamos imperfeitas, temos de dar largas à imaginação e ao intelecto e a crescer noutros sentidos. Menear o rabo e dar a cabeleira dá resultado enquanto se tem rabo e cabeleira. E enquanto aquilo se põe em pé só com a visualização de um rabo. Mas isso acaba ... as relações que nos aquecem a alma são aquelas que duram para além das aparências e em que o calor e acolhimento de um corpo (e da alma) valem muito mais do que a sua perfeição física. E a vontade de partilha não acaba aos 40 anos. E a perfeição física começa a acabar aqui."
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Primeiro semestre
Janeiro me atropelou.
Será que em fevereiro eu consigo sair do chão? Tem alguém aí, plis, pra me dar a mão?
Em fevereiro vou me tratar. Devo passar mercúrio nos cortes, enfaixar o braço, engessar a perna, cuidar da cabeça. Serei obrigada a descansar, eu penso. Será que terei um colo? Um café com leite na cama pela manhã? Algúem que me ajude a tomar banho?
Em março, com o corpo ainda dolorido, eu tenho que poder levantar, andar pela sala. Até abril, vou até o quintal olhar pro céu. Só aí devo parar de chorar. O mal, se é que foi mal, já foi feito.
Maio, que pena, é frio. Mas vai ser nesse mês que vou voltar pra rua. Talvez pro trabalho. Acho que já vai dar pra beber um vinho, tomar um conhaque, um belo porre seria o ideal.
Em junho, juro, estarei de novo zero-bala, tentando, é lógico fugir de outro bonde que me atropela.
Será que em fevereiro eu consigo sair do chão? Tem alguém aí, plis, pra me dar a mão?
Em fevereiro vou me tratar. Devo passar mercúrio nos cortes, enfaixar o braço, engessar a perna, cuidar da cabeça. Serei obrigada a descansar, eu penso. Será que terei um colo? Um café com leite na cama pela manhã? Algúem que me ajude a tomar banho?
Em março, com o corpo ainda dolorido, eu tenho que poder levantar, andar pela sala. Até abril, vou até o quintal olhar pro céu. Só aí devo parar de chorar. O mal, se é que foi mal, já foi feito.
Maio, que pena, é frio. Mas vai ser nesse mês que vou voltar pra rua. Talvez pro trabalho. Acho que já vai dar pra beber um vinho, tomar um conhaque, um belo porre seria o ideal.
Em junho, juro, estarei de novo zero-bala, tentando, é lógico fugir de outro bonde que me atropela.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Mais um papo
Queria ter sido apaixonada por você para poder salvar sua vida.
Mas consegui ver em você somente um bom amigo, aquele que me obrigava a ouvir o que eu já via, mas não queria enxergar.
Chorei por causa de tuas palavras mais de uma vez, senti ódio de você, mas nunca por mais do que cinco minutos.
Agora me assusto ao pensar que não o terei mais por perto pra me obrigar a escutar o que já sei mas não quero saber.
Com teu desaparecimento vislumbro o fim de um ciclo. Mergulho na minha alma. E me obrigo a não me esconder mais. Curioso efeito.
Me vejo obrigada a assumir o que sei, a exercer em mim o papel que você exercia, de ser impertinente, insistente, buscar a perfeição.
Mas também olho a sua vida por outro ângulo, percebo o que admiro mas também o que não quero ser. Tenho medo de acabar por trilhar a parte do seu caminho que num certo momento foi a mais fácil. Não sair do lugar por causa da vida. E era o que mais te fazia infeliz nos últimos anos. Sem sair do lugar, você acabou por não ter nenhum lugar.
Continuaremos sempre a ser a bons amigos.
Vamos nos ver ainda por aí.
O tempo é mais curto do que a gente imagina.
Saudades, PB.
Mas consegui ver em você somente um bom amigo, aquele que me obrigava a ouvir o que eu já via, mas não queria enxergar.
Chorei por causa de tuas palavras mais de uma vez, senti ódio de você, mas nunca por mais do que cinco minutos.
Agora me assusto ao pensar que não o terei mais por perto pra me obrigar a escutar o que já sei mas não quero saber.
Com teu desaparecimento vislumbro o fim de um ciclo. Mergulho na minha alma. E me obrigo a não me esconder mais. Curioso efeito.
Me vejo obrigada a assumir o que sei, a exercer em mim o papel que você exercia, de ser impertinente, insistente, buscar a perfeição.
Mas também olho a sua vida por outro ângulo, percebo o que admiro mas também o que não quero ser. Tenho medo de acabar por trilhar a parte do seu caminho que num certo momento foi a mais fácil. Não sair do lugar por causa da vida. E era o que mais te fazia infeliz nos últimos anos. Sem sair do lugar, você acabou por não ter nenhum lugar.
Continuaremos sempre a ser a bons amigos.
Vamos nos ver ainda por aí.
O tempo é mais curto do que a gente imagina.
Saudades, PB.
sábado, janeiro 05, 2008
A árvore
Elas ficam verdes
depois vermelhas
aí vem o azul
e então o laranja.
Vêm lentamennnnte
com calma em princípio
como uma
maaa...rooo...la.
De RePeNtE eNLOuQuEcEm MiNhA ViSãO
CONGELAM!
E retomam o ritmo lento...
Paranovamentecorreremalucinadas!
Se misturam e
Todas juntas
Vão de novo
Desacelerando
Desaceleraanndo
Desaceleraaannndo
Até que voltam à completa PAZ do
Veerde
Vermeeelho
Azullll
e Larrraaanja.
depois vermelhas
aí vem o azul
e então o laranja.
Vêm lentamennnnte
com calma em princípio
como uma
maaa...rooo...la.
De RePeNtE eNLOuQuEcEm MiNhA ViSãO
CONGELAM!
E retomam o ritmo lento...
Paranovamentecorreremalucinadas!
Se misturam e
Todas juntas
Vão de novo
Desacelerando
Desaceleraanndo
Desaceleraaannndo
Até que voltam à completa PAZ do
Veerde
Vermeeelho
Azullll
e Larrraaanja.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
2008
Primeira postagem do ano... Tentarei não ser maus, mas estou, de fato, nem aí com o mundo.
Inspiração baixa, mas espírito feliz, porque de volta à casa, à lida normal, aos cheiros e temperaturas conhecidos, ao ritmo meu....
(O calor é engraçado... nos torna mais permissivos, mais sensuais, mais sonolentos... Dormi nos últimos sete dias como nunca. E só. Fiquei na vontade da permissividade... nem tanto da sensualidade.)
Volto da terra do calor infernal, do lugar onde o suor brota sem nenhum esforço, onde o ar pesa desde a madrugada até o anoitecer, onde o ventilador é amigo inseparável, onde as pálpebras caem sem nenhuma culpa e o regime se dá uma trégua...
Casa de mãe é sempre um paraíso, quando reina a paz. E, desta vez, a paz estava lá. Vou sentir até saudades do Ano Novo de 2008.
De satisfação, encho a cara com cevada. Daqui a pouco vou beber um vinho...
Lá também enchia a cara, mas nada como o porre em casa própria. Mesmo na casa da mãe, o porre tem que ser recatado, não dá pra falar um monte, pai e mãe e tia não estão acostumados a ver a boa moça perdendo as estribeiras.
(Entro em janeiro achando que não há mensagem possível pra mim neste início de 2008. E não fiz pedidos nem promessas de início de ano.
Tenho medo de ter desejos para 2008. 2007 foi além das minhas expectativas e ainda tento administrar o que meu veio, entender, curtir, agradecer. Porque sou supersticiosa e, aos céus, sempre acho prudente agradecer... )
Quero só que a vida continue como está, que eu consiga completar o que comecei e deixar feliz quem comigo ficar... Acho que é isso. Só isso. Será muita pretensão pra quem não tem pedidos de início de ano?
Expectativa baixa.
Mas estou feliz como nunca.
Acreditem!
Inspiração baixa, mas espírito feliz, porque de volta à casa, à lida normal, aos cheiros e temperaturas conhecidos, ao ritmo meu....
(O calor é engraçado... nos torna mais permissivos, mais sensuais, mais sonolentos... Dormi nos últimos sete dias como nunca. E só. Fiquei na vontade da permissividade... nem tanto da sensualidade.)
Volto da terra do calor infernal, do lugar onde o suor brota sem nenhum esforço, onde o ar pesa desde a madrugada até o anoitecer, onde o ventilador é amigo inseparável, onde as pálpebras caem sem nenhuma culpa e o regime se dá uma trégua...
Casa de mãe é sempre um paraíso, quando reina a paz. E, desta vez, a paz estava lá. Vou sentir até saudades do Ano Novo de 2008.
De satisfação, encho a cara com cevada. Daqui a pouco vou beber um vinho...
Lá também enchia a cara, mas nada como o porre em casa própria. Mesmo na casa da mãe, o porre tem que ser recatado, não dá pra falar um monte, pai e mãe e tia não estão acostumados a ver a boa moça perdendo as estribeiras.
(Entro em janeiro achando que não há mensagem possível pra mim neste início de 2008. E não fiz pedidos nem promessas de início de ano.
Tenho medo de ter desejos para 2008. 2007 foi além das minhas expectativas e ainda tento administrar o que meu veio, entender, curtir, agradecer. Porque sou supersticiosa e, aos céus, sempre acho prudente agradecer... )
Quero só que a vida continue como está, que eu consiga completar o que comecei e deixar feliz quem comigo ficar... Acho que é isso. Só isso. Será muita pretensão pra quem não tem pedidos de início de ano?
Expectativa baixa.
Mas estou feliz como nunca.
Acreditem!
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Coisas do Natal
Um sapo pra olhar
Uma pedra leve de carregar
E o doce sempre a eternizar
Adoro o verde, o preto e o sabor do chocolate
Verde é calma, é equilíbrio
Preto é harmonia entre corpo e alma
Chocolate é amor
Feliz foi o Natal!
Feliz será 2008!
Uma pedra leve de carregar
E o doce sempre a eternizar
Adoro o verde, o preto e o sabor do chocolate
Verde é calma, é equilíbrio
Preto é harmonia entre corpo e alma
Chocolate é amor
Feliz foi o Natal!
Feliz será 2008!
segunda-feira, dezembro 10, 2007
A pele de peças
Tento desvendar o rosto daquela mulher. Sua pele, uma máscara formada por um quebra-cabeças com uma centena de peças... O que será que há sob aquela "pele" de papelão? Seus olhos, talvez de vidro, talvez de plástico, também parecem artificiais. Têm focos distintos e, enquanto um se volta para frente, o outro me atravessa quando percebo que uma peça de sua pele-máscara de quebra-cabeças está para se soltar. Sem querer, descobri um seu segredo.
Ela pode ser doce, terna. E pode também ser dura, indiferente. Em segundos sai de um estado de espírito para outro. Não admite que se diga a ela o que tem de fazer. Por isso, não aceita o que a Ana lhe diz daquele jeito estúpido que só quem conhece o seu coração a perdoa de pronto. Está quase a nos enxotar de lá quando ou começo a falar. Digo o mesmo que a Ana, mas de outro jeito. Digo que ela tem que sair de lá, daquele isolamento, daquele mundo inexistente.
A encontramos sem querer. Procurávamos o seu irmão e nem sabíamos dela. O rapaz, casado, morava em um bairro distante da minha cidade, perto do meu pedaço, numa daquelas raras casas que ainda guardam jardins e quintais com árvores. Fui porque a Ana me pediu. No terreno, eram tantas as árvores que o ambiente era escuro. Não havia flores, só umidade da mata. Eram duas casas velhas, mas com várias paredes de vidro ou janelas gigantes. Não sei bem. Mas eram sujas e mal cuidadas. Antes de chegar lá, eu no volante, descemos ladeiras conhecidas, cruzamos a Carijós. Não sei porque a Ana precisava dele. Ele não queria ser encontrado. Mas foi a moça alta, de cabelos negros, que passou tentando não ser vista, muito parecida com viúvas de filme de guerra, que acabou sendo o nosso tesouro. A cercamos, tentanto convencê-la não sei do quê. A mim, como disse, ela chegou a ouvir. Quase a convenci. Mas ela voltou a se esgueirar quando percebi seu segredo. E acordei no momento em que ela me atravessava com seu olho direito, de vidro. Na justa hora que sua máscara certamente se desmancharia. Com a máscara, ela pareceu assustadora, mas no fundo eu sabia que ela era apenas uma mulher solitária.
Ela pode ser doce, terna. E pode também ser dura, indiferente. Em segundos sai de um estado de espírito para outro. Não admite que se diga a ela o que tem de fazer. Por isso, não aceita o que a Ana lhe diz daquele jeito estúpido que só quem conhece o seu coração a perdoa de pronto. Está quase a nos enxotar de lá quando ou começo a falar. Digo o mesmo que a Ana, mas de outro jeito. Digo que ela tem que sair de lá, daquele isolamento, daquele mundo inexistente.
A encontramos sem querer. Procurávamos o seu irmão e nem sabíamos dela. O rapaz, casado, morava em um bairro distante da minha cidade, perto do meu pedaço, numa daquelas raras casas que ainda guardam jardins e quintais com árvores. Fui porque a Ana me pediu. No terreno, eram tantas as árvores que o ambiente era escuro. Não havia flores, só umidade da mata. Eram duas casas velhas, mas com várias paredes de vidro ou janelas gigantes. Não sei bem. Mas eram sujas e mal cuidadas. Antes de chegar lá, eu no volante, descemos ladeiras conhecidas, cruzamos a Carijós. Não sei porque a Ana precisava dele. Ele não queria ser encontrado. Mas foi a moça alta, de cabelos negros, que passou tentando não ser vista, muito parecida com viúvas de filme de guerra, que acabou sendo o nosso tesouro. A cercamos, tentanto convencê-la não sei do quê. A mim, como disse, ela chegou a ouvir. Quase a convenci. Mas ela voltou a se esgueirar quando percebi seu segredo. E acordei no momento em que ela me atravessava com seu olho direito, de vidro. Na justa hora que sua máscara certamente se desmancharia. Com a máscara, ela pareceu assustadora, mas no fundo eu sabia que ela era apenas uma mulher solitária.
domingo, dezembro 09, 2007
O lindo rostinho dela
Insinuante. Este era o atributo exato para Maria Dejanira. Sempre foi assim: fingia ser o que não era, ter feito o que nunca alcançou oportunidade, só para provocar os outros, desestruturar amizades, colocar dúvidas em relacionamentos honestos. Era uma marca de sua personalidade. Se divertia com isso. Na maioria das vezes se dava bem, mas quando se dava mal...
Encontrei Maria Dejanira a primeira vez em um ônibus da minha escola. Íamos a uma excursão de estudantes. Meu professor levou a namorada. Mulher bonita, segura, liberal se comparada com as mulheres mais velhas que eu conhecia até então. Mas era quieta, ria com a molecada adolescente, mas não se metia nas brincadeiras.
Os meninos da minha turma eram abusados, adoravam falar bobagens. E, para brincar com o professor, diziam que, para tirar boa nota na prova, tinham até que beijá-lo na boca. E todo mundo dava risada. Até que Dejanira resolveu aparecer. Parou insinuante ao lado da poltrona do casal e soltou a bomba: “Se é assim eu já passei, né, ‘fessor’?”
O silêncio foi total. A namorada do professor ficou vermelha de raiva e fulminou a menina. Entendeu que era provocação, e todo mundo esperando o escândalo da moça. Mas o professor só apertou forte a sua perna, como que implorando para ela não fazer nada. E nada aconteceu de mais grave.
Anos depois, encontrei uma amiga num café. Jandira estava furiosa. Tinha acabado de ter uma discussão feia com a ex-secretária de seu noivo. Confiava em Rodrigo, mas aquela mulher intrometida a tirava do sério. "Meu noivo era o gerente da empresa, e, por trabalhar com ele, ela acha que mandava ali, que podia tanto quando ele." E começou a me contar o quanto a mulher dava palpites na vida pessoal do patrão e, de tabela, na dela também.
"Rodrigo sofreu uma cirurgia no final do ano, e ela me ligava para contar o que ele fazia de errado em relação à saúde. Depois, começou a dizer que eu e ele tínhamos que sair mais para ele se divertir, já que Rodrigo trabalhava muito. E, por fim, acabou insinuando que tinha de ir junto!"
Por causa das intromissões da secretária, Jandira chegou a brigar com o noivo e pedir para ele despedir a moça. “Ela era tão atrevida que espalhou pela empresa um boato que eles tinham um caso. E eu ficava com ciúmes, porque ela é bonita, tem presença”. O clima entre ela e o noivo por causa da secretária estava mais que azedo, quando ele e a moça foram demitidos. “Quer saber, fiquei aliviada, porque ela não ia mais me encher.” Mas qual não foi a surpresa de Jandira quando a garota ligou para ela para reclamar que Rodrigo não a procurava mais, não atendia seus telefonemas, e que queria voltar a trabalhar com ele. “Eu surtei, Vivi. Marquei um encontro com ela e disse que o Rodrigo também ia, para eles conversarem. Quando ela chegou no bar, estava toda emperequetada e feliz: ‘Cadê o Rodrigo?’, ela me perguntou”.
“E o que você fez?”, perguntei, já ansiosa para saber o fim da história.
“Acabei com o lindo rostinho dela.” Ah! O nome da secretária: Maria Dejanira.
Encontrei Maria Dejanira a primeira vez em um ônibus da minha escola. Íamos a uma excursão de estudantes. Meu professor levou a namorada. Mulher bonita, segura, liberal se comparada com as mulheres mais velhas que eu conhecia até então. Mas era quieta, ria com a molecada adolescente, mas não se metia nas brincadeiras.
Os meninos da minha turma eram abusados, adoravam falar bobagens. E, para brincar com o professor, diziam que, para tirar boa nota na prova, tinham até que beijá-lo na boca. E todo mundo dava risada. Até que Dejanira resolveu aparecer. Parou insinuante ao lado da poltrona do casal e soltou a bomba: “Se é assim eu já passei, né, ‘fessor’?”
O silêncio foi total. A namorada do professor ficou vermelha de raiva e fulminou a menina. Entendeu que era provocação, e todo mundo esperando o escândalo da moça. Mas o professor só apertou forte a sua perna, como que implorando para ela não fazer nada. E nada aconteceu de mais grave.
Anos depois, encontrei uma amiga num café. Jandira estava furiosa. Tinha acabado de ter uma discussão feia com a ex-secretária de seu noivo. Confiava em Rodrigo, mas aquela mulher intrometida a tirava do sério. "Meu noivo era o gerente da empresa, e, por trabalhar com ele, ela acha que mandava ali, que podia tanto quando ele." E começou a me contar o quanto a mulher dava palpites na vida pessoal do patrão e, de tabela, na dela também.
"Rodrigo sofreu uma cirurgia no final do ano, e ela me ligava para contar o que ele fazia de errado em relação à saúde. Depois, começou a dizer que eu e ele tínhamos que sair mais para ele se divertir, já que Rodrigo trabalhava muito. E, por fim, acabou insinuando que tinha de ir junto!"
Por causa das intromissões da secretária, Jandira chegou a brigar com o noivo e pedir para ele despedir a moça. “Ela era tão atrevida que espalhou pela empresa um boato que eles tinham um caso. E eu ficava com ciúmes, porque ela é bonita, tem presença”. O clima entre ela e o noivo por causa da secretária estava mais que azedo, quando ele e a moça foram demitidos. “Quer saber, fiquei aliviada, porque ela não ia mais me encher.” Mas qual não foi a surpresa de Jandira quando a garota ligou para ela para reclamar que Rodrigo não a procurava mais, não atendia seus telefonemas, e que queria voltar a trabalhar com ele. “Eu surtei, Vivi. Marquei um encontro com ela e disse que o Rodrigo também ia, para eles conversarem. Quando ela chegou no bar, estava toda emperequetada e feliz: ‘Cadê o Rodrigo?’, ela me perguntou”.
“E o que você fez?”, perguntei, já ansiosa para saber o fim da história.
“Acabei com o lindo rostinho dela.” Ah! O nome da secretária: Maria Dejanira.
sábado, dezembro 08, 2007
No Night So Long
Dione Warwick me faz lembrar do Pequeno Rapaz Moreno.
Esguio e moreno.
De tanto medo do que sentia da Pequena Menina Doida, desapareceu.
Não entendeu o que significava passear com ela-mulher de braços dados por entre as alamedas centenárias...
Então, se escondeu.
Deve estar sob a saia de sua mãe baiana.
Coitado! Não sabe o que perdeu!
Esguio e moreno.
De tanto medo do que sentia da Pequena Menina Doida, desapareceu.
Não entendeu o que significava passear com ela-mulher de braços dados por entre as alamedas centenárias...
Então, se escondeu.
Deve estar sob a saia de sua mãe baiana.
Coitado! Não sabe o que perdeu!
sábado, dezembro 01, 2007
Madrugada
Só pra dizer que estou aqui, de novo, na madrugada.
Tenho preferido as madrugadas às manhãs nos últimos tempos.
Não porque não goste do sol e da sua claridade.
Mas é no silêncio da madrugada que eu consigo me encontrar... te encontrar.
Corpo doído, cansaço de um trabalho intenso e adorado, mas meio sem sentido.
Me pergunto, onde está o meu tempo?
Quero ele de volta.
O trabalho consome minha "criativa idade" e só na madrugada eu recupero um pouco do meu sentido...
Tenho preferido as madrugadas às manhãs nos últimos tempos.
Não porque não goste do sol e da sua claridade.
Mas é no silêncio da madrugada que eu consigo me encontrar... te encontrar.
Corpo doído, cansaço de um trabalho intenso e adorado, mas meio sem sentido.
Me pergunto, onde está o meu tempo?
Quero ele de volta.
O trabalho consome minha "criativa idade" e só na madrugada eu recupero um pouco do meu sentido...
sexta-feira, novembro 30, 2007
Linda Flor
Linda tinha um sonho. Não. Melhor: Linda tinha um desejo. Queria um dia ser Flor, Dona Flor, como no romance de Jorge Amado, que sempre estava lá, na sua cabeceira.
A fantástica história da professora de artes culinárias que dividia a cama entre o marido vivo e o marido morto a fazia delirar. Era uma fantasia secreta que alimentava.
Dentista, Linda sempre olhava para o seu marido Olavo e via nele todo o jeitão do farmacêutico Teodoro Madureira que na história só gostava de transar com dia e hora marcados. Olavo era um aplicado contabilista e, na sua lista de prioridades, o sexo estava lá pela sexta colocação: primeiro era o trabalho, e depois, na ordem, vinham o escritório, o carro, o cachorro, o tênis no clube às quartas e sextas e a visita à mãe, todo domingo, no asilo. Sorte de Linda que eles não podiam ter filhos (como Flor, ela era estéril) e, por exceção à regra, Olavo não gostava de futebol. Sem isso, o sexo seria muito mais raro. Mas, a estabilidade do casamento a deixava tranqüila e ela se contentava em só imaginar que um dia poderia ter um Vadinho como o do livro.
Nas suas fantasias, ela queria aquele homem safado, que a virasse do avesso de tanto lhe dar prazer, mas que também lhe trouxesse à vida um pouco do sofrimento e da insegurança que aparecem quando não se tem certeza da lealdade e do amor. Era isso que Linda buscava. E além disso, como não acreditava em fantasmas como era o Vadinho do romance, imaginava que tal indivíduo ainda tinha de ser "invisível" - entrar e sair sorrateiramente da sua casa e da sua cama sem ser percebido.
Linda já tinha filho grande quando Duda apareceu na academia onde ela malhava. Parecia um sonho aquele rapaz. Tinha até o hálito do Vadinho dos seus sonhos, era malandro como ele, lhe falava obscenidades no ouvido e a fazia esquecer completamente da existência de Olavo, que a essas alturas da vida só transava uma vez a cada 20 dias. E ela mergulhou na sua fantasia como sempre desejou e fez o que pode para aproximá-la ao máximo da sua realidade. O queria dentro de sua casa, com ela na maior parte dos momentos. E Duda virou amigo de Olavo.
Os dois se viam todos os dias e também trocavam mensagens e torpedos. No seu celular, quando ela chamava, era o nome Vadinho que ela via no visor. Ela também começou a assinar e-mails que escrevia para ele como o codinome Flor. Ia tudo muito bem, ela vivia em paz com seus "dois maridos", quando a tecnologia os traiu. O e-mail que era para ter sido apagado, por uma desses motivos que só os nerds explicam, ficou lá, gravado em uma pasta de memória.
Foi uma declaração de amor que Joana leu naquela noite. Endereçada ao e-mail de Duda, seu marido, uma tal de Dona Flor o chamava de Vadinho. Joana era uma mulher apaixonada pela vida mas que não admitia ser enganada. As malas do marido foram parar na rua, sem direito ao perdão. E, pela mesma porta tecnológica, a cópia do e-mail de Flor a Vadinho foi para na tela de Olavo.
A fantasia de Linda acabou aí. Olavo quis a separação e, sem ele, ser Dona Flor não tinha a menor graça. Às vezes vê Duda, mas agora o romance perdeu toda a graça. Duda que gostava da aventura, também não encontrou seu rumo. Sem casa, nunca tem para onde voltar. Joana e Olavo é que acabaram amigos.
A fantástica história da professora de artes culinárias que dividia a cama entre o marido vivo e o marido morto a fazia delirar. Era uma fantasia secreta que alimentava.
Dentista, Linda sempre olhava para o seu marido Olavo e via nele todo o jeitão do farmacêutico Teodoro Madureira que na história só gostava de transar com dia e hora marcados. Olavo era um aplicado contabilista e, na sua lista de prioridades, o sexo estava lá pela sexta colocação: primeiro era o trabalho, e depois, na ordem, vinham o escritório, o carro, o cachorro, o tênis no clube às quartas e sextas e a visita à mãe, todo domingo, no asilo. Sorte de Linda que eles não podiam ter filhos (como Flor, ela era estéril) e, por exceção à regra, Olavo não gostava de futebol. Sem isso, o sexo seria muito mais raro. Mas, a estabilidade do casamento a deixava tranqüila e ela se contentava em só imaginar que um dia poderia ter um Vadinho como o do livro.
Nas suas fantasias, ela queria aquele homem safado, que a virasse do avesso de tanto lhe dar prazer, mas que também lhe trouxesse à vida um pouco do sofrimento e da insegurança que aparecem quando não se tem certeza da lealdade e do amor. Era isso que Linda buscava. E além disso, como não acreditava em fantasmas como era o Vadinho do romance, imaginava que tal indivíduo ainda tinha de ser "invisível" - entrar e sair sorrateiramente da sua casa e da sua cama sem ser percebido.
Linda já tinha filho grande quando Duda apareceu na academia onde ela malhava. Parecia um sonho aquele rapaz. Tinha até o hálito do Vadinho dos seus sonhos, era malandro como ele, lhe falava obscenidades no ouvido e a fazia esquecer completamente da existência de Olavo, que a essas alturas da vida só transava uma vez a cada 20 dias. E ela mergulhou na sua fantasia como sempre desejou e fez o que pode para aproximá-la ao máximo da sua realidade. O queria dentro de sua casa, com ela na maior parte dos momentos. E Duda virou amigo de Olavo.
Os dois se viam todos os dias e também trocavam mensagens e torpedos. No seu celular, quando ela chamava, era o nome Vadinho que ela via no visor. Ela também começou a assinar e-mails que escrevia para ele como o codinome Flor. Ia tudo muito bem, ela vivia em paz com seus "dois maridos", quando a tecnologia os traiu. O e-mail que era para ter sido apagado, por uma desses motivos que só os nerds explicam, ficou lá, gravado em uma pasta de memória.
Foi uma declaração de amor que Joana leu naquela noite. Endereçada ao e-mail de Duda, seu marido, uma tal de Dona Flor o chamava de Vadinho. Joana era uma mulher apaixonada pela vida mas que não admitia ser enganada. As malas do marido foram parar na rua, sem direito ao perdão. E, pela mesma porta tecnológica, a cópia do e-mail de Flor a Vadinho foi para na tela de Olavo.
A fantasia de Linda acabou aí. Olavo quis a separação e, sem ele, ser Dona Flor não tinha a menor graça. Às vezes vê Duda, mas agora o romance perdeu toda a graça. Duda que gostava da aventura, também não encontrou seu rumo. Sem casa, nunca tem para onde voltar. Joana e Olavo é que acabaram amigos.
quarta-feira, novembro 14, 2007
Que dia engraçado!
Madrugada e eu aqui comendo chuchu com abobrinha na frente do computador. E feliz.
Hoje foi um dia engraçado! Trânsito fluindo bem no começo pra depois travar de um vez e me deixar cozinhando no carro durante uma hora justo num trecho que eu faço em menos de 10 de minutos. Coisas de Sampa. E, apesar de afobada e quase chorar de raiva, não fiquei de mau humor. À noite, já nem lembrava mais do sufoco.
Foi o dia em que tudo deu errado mas que, mesmo assim, tudo deu certo.
Perdi a viagem na troca do presente, parei no trânsito, atrasei a chegada, atrasei a coluna, esqueci a sacolinha dos carentes, o boy esqueceu do meu lanche, os chefes me chamaram pra uma "conversa", não li em tempo as agonias da Ana, o estilista adiou a minha visita, levei um não sobre o almoço com a secretária, o email não chegou, a resposta não veio, o encontro não rolou.
Mas, no fim do dia, estava tudo em seu lugar.
Edição fechada, pré-pauta pronta, boas idéias pro dia seguinte, boteco aberto pra ganhar um copo de chope pago pela amiga de bom coração. O outro amigo que há tempos não via pra me dar um abraço. Penso na Bia me pedindo um beijo pela manhã, querendo só abraços e me derreto. Entre os altos e baixos do dia, um bom comentário sobre a nova crônica, uma pergunta sobre a última, uma fã simples revelada no meio da minha gente. E me dou o direito de curtir minhas saudades, quantas saudades!
Sinto de novo que, mesmo quando não sei bem ao certo o que acontece, tenho que dar atenção ao que uma tal de intuição assobia no meu ouvido, meio sussurrando: "está tudo bem."
Queria sempre conseguir levar a vida assim: sem pesos, sem rancores, sem temores nem tremores.
Só levando. Um dia atrás do outro, esperando que o outro seja sempre melhor.
Hoje foi um dia engraçado! Trânsito fluindo bem no começo pra depois travar de um vez e me deixar cozinhando no carro durante uma hora justo num trecho que eu faço em menos de 10 de minutos. Coisas de Sampa. E, apesar de afobada e quase chorar de raiva, não fiquei de mau humor. À noite, já nem lembrava mais do sufoco.
Foi o dia em que tudo deu errado mas que, mesmo assim, tudo deu certo.
Perdi a viagem na troca do presente, parei no trânsito, atrasei a chegada, atrasei a coluna, esqueci a sacolinha dos carentes, o boy esqueceu do meu lanche, os chefes me chamaram pra uma "conversa", não li em tempo as agonias da Ana, o estilista adiou a minha visita, levei um não sobre o almoço com a secretária, o email não chegou, a resposta não veio, o encontro não rolou.
Mas, no fim do dia, estava tudo em seu lugar.
Edição fechada, pré-pauta pronta, boas idéias pro dia seguinte, boteco aberto pra ganhar um copo de chope pago pela amiga de bom coração. O outro amigo que há tempos não via pra me dar um abraço. Penso na Bia me pedindo um beijo pela manhã, querendo só abraços e me derreto. Entre os altos e baixos do dia, um bom comentário sobre a nova crônica, uma pergunta sobre a última, uma fã simples revelada no meio da minha gente. E me dou o direito de curtir minhas saudades, quantas saudades!
Sinto de novo que, mesmo quando não sei bem ao certo o que acontece, tenho que dar atenção ao que uma tal de intuição assobia no meu ouvido, meio sussurrando: "está tudo bem."
Queria sempre conseguir levar a vida assim: sem pesos, sem rancores, sem temores nem tremores.
Só levando. Um dia atrás do outro, esperando que o outro seja sempre melhor.
sábado, novembro 03, 2007
Estranho encontro
Marcamos um encontro na estrada. O local era agradável, no campo. Eu dirigia tranqüila pela estrada de terra, apreciando as chácaras bem cuidadas e os animais bem criados do interior. De repente, na segunda curva, vi o carro dele em um poste. A Veraneio branca estava lá, e ele sem poder sair do carro, pedindo socorro. Não conseguia movimentar o carro, literalmente enroscado no poste de madeira. Ninguém por perto pra ajudar. Nervosa, peguei o celular e consegui falar com um irmão dele. Avisei sobre o acidente. O irmão quis saber como fui parar lá. E eu disse: "Marquei de me encontrar com ele aqui." Segredo revelado, nada mais a fazer, a não ser esperar a ajuda chegar. Mas, quando me voltei para o acidente, ele tinha conseguido tirar o carro de lá, dirigindo! O carro passou ao meu lado, ele dirigindo, aliaviado, contente, seguiu para estacionar em um campo cercado, mas tinha uma abertura grande, convidando à entrada. As cercas eram de madeira, pintadas de branco. Mas, quando ele pára o carro na grama, que tinha tons verdes e marrons, o inusitado acontece. O carro, que agora não é mais Veraneio nem branco, mas é pequeno e esverdeado, afunda rapidamente. "Isso é areia movediça!", grito. Mas não há mais tempo para ele sair. Se avanço, também afundo, então páro na beira do poço de areia, agacho e grito por socorro. E o carro desaparece complemente.
Ato falho, Freud explica
O vidro explodiu de novo no seu ouvido. "Droga!", gritou Ana. Pelo quarta vez no ano os moleques de rua bandidos estouravam o crido do seu carro, no farol, e levavam sua bolsa.
Ela não se surpreendeu. Na verdade, ela ficou com uma raiva enorme, muita raiva, e fez o retorno com o carro enquanto tentava lembrar o que havia perdido desta vez. Não foi grande coisa: um óculo de sol, carteria de motorista, documentos do carro e, aí!, aquela blusa de lã preta nova! O óculos de sol tinha grau, custou uma grana alta! Que raiva!.
E, enquanto vasculhava a sua memória e, ao mesmo tempo, tentava encontrar a delegacia de polícia mais próxima, viu os meninos de longe, correndo com sua bolsa. Pensou em virar o carro de novo e surpreendê-los, mas conteve o impulso. Não valia a pena...
Foi aí que olhou pra sua mão. Estava sangrando. "Quatro assaltos e pela primeira vez eu me machuco". E chorou.... Chorou de nervoso e de medo. "Justo nesta semana que estava indo tudo tão bem!"
Na delegacia pediu pra parar na vaga onde a placa avisa "reservado para autoridades." E o policial, possivelmente penalizado com tantas lágrimas, deixou. Saiu do carro, se sentou na sala de espera e se preparou para o inevitável chá de cadeira que iria passar.
Foi só então que ligou pro marido que, sabia, deveria estar com a filha, sainda da casa de sua sogra. "Oi. Estouraram o vidro de novo no farol e estou na delegacia." "Pô, de novo? Você tá bem?" "Estou. Me cortei um pouco, estou sangrando, mas estou bem!"
E, então, do outro lado da linha, veio a frase mais chocante do dia: "Ah! Então, vê se resolve tudo rapidão aí e vem pra casa."
Ela teve um ataque de pânico. Pânico mesmo, medo do que ele achava que ela era. Tão forte, tão independente, tão eficiente que era capaz de resolver tudo, tudo rápido. "Como rápido? Você tá louco? Eu estou numa delegacia!"
"Ah, tá! Desculpe. Não quis dizer isto." Mas disse.
Nem menção de ampará-la. Nem menção de socorrê-la. Ato falho. Freud explica.
Ela não se surpreendeu. Na verdade, ela ficou com uma raiva enorme, muita raiva, e fez o retorno com o carro enquanto tentava lembrar o que havia perdido desta vez. Não foi grande coisa: um óculo de sol, carteria de motorista, documentos do carro e, aí!, aquela blusa de lã preta nova! O óculos de sol tinha grau, custou uma grana alta! Que raiva!.
E, enquanto vasculhava a sua memória e, ao mesmo tempo, tentava encontrar a delegacia de polícia mais próxima, viu os meninos de longe, correndo com sua bolsa. Pensou em virar o carro de novo e surpreendê-los, mas conteve o impulso. Não valia a pena...
Foi aí que olhou pra sua mão. Estava sangrando. "Quatro assaltos e pela primeira vez eu me machuco". E chorou.... Chorou de nervoso e de medo. "Justo nesta semana que estava indo tudo tão bem!"
Na delegacia pediu pra parar na vaga onde a placa avisa "reservado para autoridades." E o policial, possivelmente penalizado com tantas lágrimas, deixou. Saiu do carro, se sentou na sala de espera e se preparou para o inevitável chá de cadeira que iria passar.
Foi só então que ligou pro marido que, sabia, deveria estar com a filha, sainda da casa de sua sogra. "Oi. Estouraram o vidro de novo no farol e estou na delegacia." "Pô, de novo? Você tá bem?" "Estou. Me cortei um pouco, estou sangrando, mas estou bem!"
E, então, do outro lado da linha, veio a frase mais chocante do dia: "Ah! Então, vê se resolve tudo rapidão aí e vem pra casa."
Ela teve um ataque de pânico. Pânico mesmo, medo do que ele achava que ela era. Tão forte, tão independente, tão eficiente que era capaz de resolver tudo, tudo rápido. "Como rápido? Você tá louco? Eu estou numa delegacia!"
"Ah, tá! Desculpe. Não quis dizer isto." Mas disse.
Nem menção de ampará-la. Nem menção de socorrê-la. Ato falho. Freud explica.
quinta-feira, novembro 01, 2007
O Passado
Sempre trouxe comigo o meu passado. Não é saudosismo. Me orgulho dele como algo que me formou e me fortalece. Nada que passei me envergonha ou me estristece. Hoje fiquei feliz ao ler um artigo do psicanalista Contardo Calligaris, sobre o filme "O Passado". Diz ele, "não há amnésia que possa acalmar o passado... nada passa, nunca; tudo o que acontece é indelével."
Sempre acho engraçado quem tenta esquecer o passado, enterrá-lo, como se ele não existisse, que se ele fosse só dor. E cito, de novo, Calligaris: "Sobretudo os amores, por mais que acabem, continuam vivendo, subterrâneos, dentro de nós, porque, bem ou mal, são essas as vivências que mais nos formaram e transformaram."
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