segunda-feira, outubro 26, 2009
Fazendo as malas
Ela gosta desta tarefa... arrumar as malas da mãe.
Ela enrola as camisetas para mais peças se encaixarem na mala.
Me avisa que os cintos não ficam enroladinhos e que ocupam muito espaço.
Conta que colocorá as meias nas bolsas laterais.
São tantas coisas que duas malas não dão.
Teremos que levar em mais de uma etapa.
Por enquanto, deixo as coisas do cabine em outro armário.
Por enquanto, os sapatos vão ficar em sacolas e as blusas de lã em caixas.
No ap, casa nova, o espaço para as minhas roupas ainda não está pronto.
Mas, na casa velha, elas já precisam deixar o espaço aberto para quem é de direito.
A fase negra já passou, eu penso. E como essa sensação é boa.
Eu vou embora daqui a pouco com a consciência leve.
Há um ano isso parecia impossível, inatingivel.
Mas agora está tão próximo, uma questão de dias, horas.
E o que levo comigo é como uma sensação do dever cumprido.
Até a tristeza que poderia surgir em meu coração por causa da tristeza alheia não consegue se instalar.
Eu estou realmente feliz. E satisfeita com o desfecho de tudo isso.
Hoje, no ap, eu quis que ele também se sentisse feliz.
Vai tudo ficar bem, você vai ver, eu disse... nós somos irmãos.
E ele falou em estar conformado, tudo bem...
Achei boa a resposta, que reforça ainda mais a minha certeza e libera ainda mais a minha trilha.
É porque acredito que quem ama não se conforma.
;-)
terça-feira, outubro 20, 2009
Falando a mesma língua
- Fala, Bia.
- Você e o meu pai não namoram mais, vão se separar, morar em casas diferentes, certo?
- Certo.
- Então, por que, quando são sobre as minhas coisas, vocês dois têm sempre que concordar com tudo?
.........rs, rs, rs......
sexta-feira, outubro 02, 2009
Tá combinado
Sete anos dá bem pra organizar um festão..he, he.
terça-feira, setembro 29, 2009
Louca semana
Um "Eu me amo" de vez em quando não faz mal a ninguém.
:-)
sexta-feira, setembro 25, 2009
O dia que o meu bairro explodiu
Mas, o que mais me chamou atenção no momento, e que me fez imaginar que aquilo não era fruto da minha imaginação, eram os semblantes das pessoas saindo de suas casas para também ver o que havia acontecido. A expressão era de assombro. Todos olhavam para o céu e várias pessoas começaram a correr em direção à torre de fumaça que se via no céu. Eu nunca tinha visto rostos tão assustados. Era um pânico coletivo.
Eu, na minha curiosidade jornalística, dei meia volta no carro e também fui procurar de onde vinha a fumaça. Abri o vidro e o ar era puro cheiro de pólvora. Alcancei a Firestone e parei na esquina da rua da loja. Alguns policiais já estava lá, tentando evitar que as pessoas se aproximassem. A via estava coberta por uma nuvem de fuligem. O asfalto parecia terra. No fundo, a uns 50 metros, a loja ainda pegava fogo e tinha explosões. Uma Fiorino atravessada da rua estava destruída. Outros carros estacionados também haviam sido atingidos. Os fios de alta tensão estouravam. E eu, que sempre relato tragédias, comecei a tremer.
É que o jornalista geralmente chega o local do acidente com a situação um pouco controlada. Autoridades já isolaram a área e os colegas estão junto. Mas ali, tudo ainda era caos e espanto. Nada estava organizado. As pessoas, vizinhos, ainda não conseguiam falar. Liguei e pedi ajuda para o jornal. Aquilo era grande demais para um só jornalista. Também liguei para casa e pedi pra o Mauro me levar a máquinas fotográfica. Eu, ali, só podia fazer o meu trabalho.
Vi as primeiras pessoas a serem socorridas. Uma mulher corria desesperada, com pernas e braços sangrando, falando que o filho jovem e o irmão deficiente estavam dentro da segunda casa após a loja. Os policiais foram até o local e retiraram os dois, que só estavam assustados, mas não se feriram. Um de pijama e o outro enrolado em um lençol. A mulher continuou por lá, andando de um lado para outro, completamente desnorteada. Dos paramédicos, ela só queria água. Conversei com ela. Se preparava para tomar banho quando ouviu o barulho. Saiu para ver o que era e foi jogada no chão da calçada.
Em seguida, os policiais trouxeram um casal de idosos, também em choque. O Samu os levou para o hospital. Depois, eu descobri que os dois moram lá há uns 60 anos, criaram seus filhos no local. Uma neta deles, que chegou desesperada buscando notícias, me contou. Tentei acalmá-la, dizendo que tinha visto velhinhos sendo resgatados. E mostrei as fotos para ela, que os reconheceu e me agradeceu, aliviada. Me senti reconfortada. Tinha tranquilizado uma família, pelo menos. Geralmente o jornalista é visto como aquele que quer ver a tragédia. É bom conseguir ajudar alguém nessas situações. Tinha conseguido pelo menos ajudar alguém.
As demais equipes de reportagem só chegaram ao local mais de meia hora depois. Não sei direito o tempo, Lá, tudo parecia demorar muito. Mas, de fato, tudo foi muito rápido. Eu sai de lá às duas da tarde, deixando duas equipes minhas e mais duas a caminho de Santo André. Para o jornal, tinha um ótimo material. Fotos e histórias exclusivas. Para minha vida pessoal, mais um experiência. E mais um pouco para agradecer. Afinal, tive sorte. Por minutos não estava a uma quadra do local, no farol onde várias carros bateram. Por sorte, não tinha feito o caminho que passa na frente da loja, como às vezes faço.
Mesmo satisfeita, fica aqui no peito um pesar, uma tristeza. Afinal, é uma tragédia sem precedentes para nós, daqui da região. Acho que todos acabamos atingidos. Cada um de nós tem uma história daquele canto do bairro, uma memória. São vidas destruídas. Mesmo que a gente não conheça as pessoas pessoalmente. Ali ficará sempre marcado como um lugar de muita dor. Abaixo, os corpos das duas vítimas fatais.
terça-feira, setembro 22, 2009
Vertigem
- Então, Vivi, ele ficou parado na porta, sem reagir. Depois, foi para cama e começou a tremer. Teve uma hora que achamos que estivesse morto e...
Eu a cortei para não dar na vista e menti:
- Olha, vou ter que desligar. A Bia está me chamando.
Desliguei o fone e chamei a Val. Depois, não lembro de mais nada.
Só sei que acordei no sofá, melada de um suor frio, escutando a minha própria respiração pesada. Mais parecia que tinha saído de uma piscina gelada.
- Você desmaiou - me disse uma Val assustada, branca como uma folha de papel - Eu te coloquei no sofá.
- É, acho que foi a notícia, a insônia, o levantar rápido, o remédio, a falta de café... Tudo isso junto e mais um pouco.
Fiquei o resto da manhã assim, pensando naquela vertigem. Que foi preocupante, mas que foi boa. Como foi boa aquela sensação de sono profundo, que nem sei quanto tempo durou! É que, quando eu voltei, não tinha a intenção. Só sei que não queria acordar. E voltei sem me esforçar, sem ouvir nenhum chamado, como se minha alma fosse tomando conta de cada parte do meu corpo bem devagar, encaixando parte por parte. Foi uma viagem rápida, e assustadoramente feliz.
;-)
Conversa de piscina
Faça tudo sem pressa. A gente tem tempo. A gente só não sabe que tem tempo, mas sempre tem tempo.Ana Lúcia
Caixas de papelão
Empacotar as minhas coisas, colocar no carro e dizer tchau.
A Del outro dia me disse: "Éh, a parte de separar os CDs é bem chata mesmo."
Queria pular esta etapa, até por causa do esforço físico disso, mas sei que não vai dar.
O problema é que eu não estou habituada a mudanças. Minha vida sempre foi muito estável. Vinte anos num ap com meus pais, 15 anos de emprego, 15 anos na mesma casa. No trabalho, nunca me interessei em procurar outras áreas para cobrir. Lá, quando as mudanças veem, elas me alcançam.
Não que eu tenha medo de mudar. É que não penso nisso como uma necessidade. Não me incomoda estar anos "no mesmo lugar", porque eu nunca me sinto parada, paralisada, "perdendo tempo". O lugar mudou tanto neste tempo todo....
Voltando aos CDs, não sei porque a gente coleciona tanta coisa ao longo da vida. Dá vontade de deixar tudo pra trás, comprar tudo novo. Pena que isso é impossível.
Então, por conta do impossível, domingo eu comecei a organizar algumas coisas que vão comigo. O mais legal é que a Bia está bem mais empenhada em separar as coisas dela. Ela vibra quando eu falo em arrumar a mudança. Então, eu comecei a ajudando com os brinquedos e os livros. Foi divertido pegar os jogos e deixar de lado as Pollys. Ela, sozinha, pegou uma caixa e colocou os gibis que vai levar. Alguns brinquedos ela separou em kits para doação. Fiquei orgulhosa.
Quanto às minhas próprias coisas, volto a pensar... tudo já está bem separado na minha cabeça. Queria ser a Jeanne e com um piscar de olhos transferir todas as tralhas de cá para lá. Mas, como não dá, vou buscar esta semana no fundo da minha alma a disposição para colocar tudo em caixas de papelão.
:-)
quarta-feira, setembro 16, 2009
Parir outra vez
É a mesma sensação de quando se está grávida, prestes a parir.
A gente faz tudo certinho na gravidez, todos os exames e testes, até conta os dedinhos do bebê no ultrasson para não ter surpresas, checa 15 vezes aquela lista de itens indispensáveis que são publicadas em revistas (e só depois descobre que metade é inútil), está com a mala pronta com as roupinhas RN lavadas, passadas e desinfectadas, ao lado da sua cama, pronta para sair correndo assim que o bichinho der o primeiro sinal que quer sair da sua barriga. Ou seja, está tudo ok, não há motivos para se afobar, só tem que esperar a hora certa...
...mas é impossível saber como será o parto e a vida depois dele. Só se sabe que, com aquela vida reinando, a nossa própria vida vai mudar completamente. Eu sempre tive a certeza que seria mais feliz. Porque aquilo - dar à luz - era o que eu mais desejava até aquele momento.
É mais ou menos assim que estou me sentindo. É como se eu fosse parir de novo.
Só que agora eu estou parindo a minha nova vida. A vida que eu escolhi conscientemente. Mudar para o meu lugar. E tenho certeza que serei feliz também porque é tudo o mais quis nos últimos tempos. E a preparação dessa mudança tem me dado vida, como minhas filhas me deram. É a vida, sempre nos pedindo mais.
E está tudo certo, a arrumação do ap está no ritmo que dá pra ser, eu não posso fazer nada mais para agilizar, não estou sendo pressionada para mudar, ninguém, até agora, me deu um calote que pudesse atrasar os meu planos, o dinheiro é curto, mas eu vou levando.... Ou seja, nada para eu me apreender.
... mas... o coração está apertado, tá doendo uma dor ardida no meio do peito e, como toda boa gestante, eu tenho chorado mais, e não é de tristeza. São só minhas emoções à flor da pele. Como também a minha capacidade de trabalho amplificada, como toda buchuda que trabalha como louca e acha aquilo normal.
Não é medo, não é apreensão. Não gosto da palavra ansiedade, é negativa. Pode haver uma boa ansiedade?
Vou me conformar achando que é mais expectativa pelo que virá e eu não posso planejar ou nem ao mesmo imaginar como será.
É o inesperado, ou o imponderável... E eu não vejo a hora que eles me alcancem...
segunda-feira, setembro 14, 2009
Quando o silêncio diz tudo
Assisti "O silêncio do mar", um filme francês de 2004. É novembro de 1941. E Jeanne é uma jovem órfã que vive só com o avô. Período de guerra, a França dominada pelos nazistas, ela e o avô são obrigados a hospedar um oficial alemão.
A maior parte da história transcorre sem troca de palavras entre estes dois personagens principais, o oficial e a moça. Ela, principalmente, não diz nada a ele. Mas a troca de emoções entre eles diz tudo.
O difícil, hoje, é traduzir isso no Outro. Acho que preciso aprender muito ainda. Uma vez me disseram que eu sabia entender as situações sem que me fossem dadas, necessariamente, muitas explicações. Não tenho certeza disso. Taí uma coisa que preciso aprender. A ler - e realmente entender - mais o silêncio do Outro.
PS - O filme tem como tema de fundo o Prelúdio de Bach. É lindo, não é?
:-)
terça-feira, setembro 08, 2009
sábado, setembro 05, 2009
O tempo resolve tudo
Heloísa se foi em 4 de setembro de 1999. Era um sábado e, como hoje, eu também estava de plantão neste jornal. Vim trabalhar porque era muito comum a Helô ter crises como as que ela estava tendo naquele início de feriadão. E eu tinha a babá e o pai para cuidarem dela. Quando o Mauro me ligou no jornal no fim da tarde eu sabia que era algo muito grave. Mas essa história eu já contei aqui.
O que quero hoje é falar do tempo. E, acho, agradecer a ele. Não porque ele me faz esquecer. Isso ele não consegue. Nada do que é realmente importante se apaga da minha memória. Mas porque ele tem me feito entender o porquê das coisas. E leva também pra longe as minhas dores.
Hoje, 10 anos depois, eu só posso agradecer por ter tido o privilégio de conviver por pouco mais de dois anos com a Helô. E, sempre que preciso de um pouco de luz, é nela em que eu me inspiro.
Afinal, Heloísa significa "aquela que traz a luz".
.
quarta-feira, setembro 02, 2009
Uivando numa nova alcatéia
Bem, isso pode parecer um pouco triste, já que os dois já se foram pro andar de cima, mas não. É muito mais uma homenagem atrasada bem pra cima a duas figuras queridas, que adoravam viver e transbordavam talento, opinião, força de vontade e inteligência. E essa música tem a cara deles, que agora estão "uivando numa nova alcatéia", em algum lugar do universo. É uma poesia que empurra a gente pra frente.
Olha só um trechinho da letra:
"Nada no passado
Tudo no futuro
Espalhando o que já está morto
Pro que é vivo crescer"
E é esse o espírito dos dois. Avante e afrente!!!
terça-feira, setembro 01, 2009
Baby
Vamos lá, fazer coisas simples, mas com paixão e leveza: "Você precisa saber da margarina, da gasolina, da carolina... Ouvir aquela canção do Roberto. Baby, há quanto tempo!!!"
:-)
domingo, agosto 30, 2009
Abraço de costas
A Bia me pede para "abraçá-la pelas costas" na hora que deitamos. E adormece com um sorrizinho tão feliz que dá gosto. Só dorme depois que eu leio páginas e páginas para ela, geralmente de gibis da Mônica. Quando eu chego tarde ela dorme com o pai. Mas, pela manhãzinha, se mete para dentro do meu cobertor, toda dona do pedaço. Então, eu peço: "Agora é a sua vez de me abraçar de costas". E, com aqueles bracinhos envolvendo o meu pescoço, eu me sinto no céu até acordar de vez. Mas no calor, dormir abraçada com ela é muito, muito quente. Ela parece uma brasinha incandescente. Então, acabamos cada uma num canto da cama. Na casa nova, acho que vai ser mais fácil. Ela está toda animada com o quarto novo e acho que, enfim, vai dormir sozinha.
A Cléo é mais "ordinária". Durante a noite, ela escolhe qual é a cama mais quente. E fica indo de uma para outra até se decidir. Na minha, sempre escolhe ficar antes de eu e a Bia nos ajeitarmos. É que quer ficar no meio da gente, perto do meu peito. Mas eu a empurro para os meus pés. É impressionante como ela consegue se meter embaixo das cobertas, fazendo de ninho o espaço entre as batatas das minha pernas e as minhas coxas, me encostando o seu focinho frio.
Com o calor, eu a expulso do meu quarto. Não aguento o seu calor. Ela nos atormenta, arranhando a porta da área de serviço, e só sossega quando pensa (se é que cachorro pensa) que estamos todos dormindo.
Eu vou sentir falta da Cléo. Ela vai ficar na casa. Será só visita no ap. A Bia já quer outro cachorro, mas eu estou resistindo à ideia. Aí, vem o pedido de ter um gato, mas eu também não digo nem sim, nem não. Vamos ver...
sexta-feira, agosto 14, 2009
A aventura começou. De fato
O primeiro é certidão de nascimento, papel que estabelece que nós existimos. Sem ela, não há nem como ser reconhecido neste mundo, ter direitos, tomar vacina, ir pra escola, etc e tal.
Depois, vem lá o RG, um número de registro geral. Me sinto como um móvel de uma empresa que ganha uma chapinha para ficar marcado como um "patrimônio". Sem o RG não temos identidade.
Antigamente, a carteira de trabalho era o must. Para muitos, a prova de que o cidadão era trabalhador e gente de bem. Hoje, na economia mais informal, onde os marreteiros e os "pe-jotas" viraram moda, ela está meio em baixa, mas há quem ainda a considere, desde que assinada, um símbolo de retidão e vida acertada.
Tem também quem ache o máximo a certidão de casamento. Um símbolo de amor e compromisso, alguns ainda acreditam. Mas, para este papel eu nunca dei a menor a bola. Sempre o considerei uma formalidade dispensável quando duas pessoas que se gostam querem se unir. Para mim, a certidão de casamento sempre cheirou mais a contrato de sociedade. E, até hoje, não sei porque eu assinei a minha. Penso que foi um momento, fazia parte daquela fase da vida, e achei que ela era uma garantia para as crianças. Mas, acima de tudo, era um ato de carinho, porque eu percebia que assinar era importante para o meu parceiro. O faria feliz.
Hoje, exatamente hoje, eu assinei um outro papel com o meu coração dando saltos de felicidade. Sinto muito, Mauro, mas muito mais do que no dia do nosso casamento no cartório.
Me senti uma criança ao ganhar o presente que pediu para o Papai Noel. Hoje, assinei o contrato de compra do meu ap, talvez o primeiro e único nesta vida.
Colocar lá meu nome foi como carimbar o passaporte para uma viagem a um lugar desconhecido. É como ter iniciado uma daquelas deliciosas aventuras que a gente planeja e planeja, mas que acabam cheias de imprevistos, e, mesmo assim, a gente nunca se arrepende de tê-las realizado.
O papel de hoje também significa uma dívida de décadas e um aperto ainda incerto no orçamento, mas são "pedras" nas quais eu vou pisar com satisfação, sem chororô.
É isso!
Hoje, eu, com orgulho, virei um bobalhona feliz, porque proprietária da minha própria casa!
;-)
quarta-feira, agosto 12, 2009
FINZINHO DE FÉRIAS
Eu, de minha parte, tento aproveitar ao máximo essa oportunidade, já que semana que vem volto ao batente. Passo tardes com minha filha - também de férias por causa da gripe suína - brincado sem a minha costumeira pressa do dia comum, faço com ela caminhadas pelo bairro sem o passo apressado, dou minhas braçadas na piscina do clube sem compromisso com o relógio.
No fundo, queria incorporar esses pequenos atos - que neste momento me parecem tão revolucionários - como hábitos. Acho que nos deixamos envolver demais com o corre-corre do cotidiano e esquecemos de parar para olhar ao redor. Espero que nestas férias tenha conseguido aprender isso. E espero também nunca mais esquecer de curtir o que é simples e está mais ao alcance da minha mão.
quarta-feira, agosto 05, 2009
O mergulho
Espero ter aprendido. Espero, nunca mais, desistir deles, abandoná-los, deixá-los para depois, para outra hora, outro tempo....
Quando estou na água, tudo na minha vida melhora... a dor, o humor, a razão, a capacidade de criação...
Penso na água como penso no amor porque ambos são mergulho.
Não falo do amor só por um outro, um objeto, um objetivo, algo a perseguir mas que acaba, ou que se vai.
Falo do amor pelo todo, pela vida, a minha vida, aquela que, enfim, escolhi. Agora eu escolhi, conscientemente.
Assim como a água, o amor eu não consigo prender nas mãos... Se insisto, ele me escapa pelos dedos, e se espalha pelo chão, seca, desaparece...
Mas em ambos eu posso ficar submersa... e deixá-los entrar pelos meus poros, me embalar, me amansar... Ambos passam a fazer parte de mim. Eu quero ficar submersa.
A água pode ser morna, ou mesmo fria... ela me envolve no seu silêncio, e me acalma... Ela é como um outro corpo morno, ou mesmo frio, que me abraça e me deixa ver, através de sua pele translúcida, o seu coração...
Coloco o rosto para fora d'água e lembro: ela também reflete uma realidade distorcida, eu sei, eu vejo agora.
Mas, eu reflito, a distorção está principalmente na sua superfície turbulenta. É superficial. Não é importante. E a minha razão percebe a diferença entre a vida real e a imagem distorcida no meio do turbilhão. Eu só preciso respirar com paciência e esperar passar.
E espero a água se acalmar até voltar os meus olhos para o meu próprio corpo, mergulhado nela.
É... através do amor/água clara e transparente eu me vejo como eu sou.
;-)
sábado, agosto 01, 2009
Os porquês e os oquês da Bia
Por que a Terra é redonda e não quadrada?
Por que a gente é cheio de dobrinha?
Por que os gatinhos quando nascem não abrem os olhos?
O que é "aquela conversa" que sempre falam na TV?
Por que nos restaurantes os garçons são sérios?
O que tem a ver a gripe suína com a minha aula?
O que é paladar?
Por que a gente sente frio?
Por que tem gente que precisa usar óculos?
Por que tem gente gorda?
Por que criança não pode dirigir?
:-)
;-(
(:-o
s(:-(
.
domingo, julho 05, 2009
Uma possível explicação
Fico pensando que o que sinto também é a atração do seu sentir, das suas saudades, do seu pensamento que também não me larga... Como almas que se sincronizam, transmitem suas energias e sensações.
Só isso me parece explicar esse frio bom na barriga, a sua imagem insistente na minha cabeça, o meu coração batendo descompassado de novo sem nenhum motivo racional, a minha pele sentindo o seu toque depois de tanto tempo.
É... essa pode ser uma possível explicação...
Mas o bom mesmo, eu sei, é nem pensar nisso.
:-)
quarta-feira, junho 24, 2009
Bobagens Femininas 1
Estacionar de Ré
Modéstia à parte, sou uma ótima motorista. Dirijo 50 quilômetros por dia, todos os dias, e adoro pisar bem. Mas meu calcanhar de Aquiles sempre foram as manobras. Acho que a origem do trauma está lá nos meus 19 anos, quando eu fui tirar a carta: quase levo pau por causa da baliza. O carro não ficou paralelo à calçada, como seria o natural. Ficou a 90 graus, he, he. Mas, no final, deu tudo certo. A carta está aí, há mais de 20 anos, sem nada muito grave que a macule.
Então, nestes dias que quero bombar minha autoestima, nada melhor do que estacionar na garagem de ré. É o máximo. Juro, fico superfeliz com a minha capacidade de manobrar. É mesmo uma grande bobagem, mas saio do carro rindo sozinha e até assobiando.
Quem tiver sugestões de outras Bobagens Femininas é só falar que eu publico.
beijos a todos
:-)
segunda-feira, junho 22, 2009
Sábio conselho
É, parece que agora você se deu conta que não há muito a fazer a não ser seguir o fluxo, no tempo dele. Enquanto os carros param, você poderia fazer o mesmo. Existe sabedoria também em esperar, não pensar, não planejar. Há algo acontecendo com você quando não acontece nada, mas é preciso ficar em silêncio para saber o que é. Contemple a paciência que separa a lagarta da borboleta, a semente do fruto, a noite do dia.
:-)
domingo, junho 21, 2009
O meu rumo
Mas, aí, me deparei com isso. E isso me diz tanto, mesmo não sendo a minha história exata, nem o final que eu almejo, mas é a história de tanta gente que está por aí. E é isso que me move - saber que eu não sou única, sozinha, que há histórias por aí que terminam bem e outras nem tanto, mas são histórias que eu quero saber e contar. E que a minha é boa, muito boa, porque mesmo com dor, tem me feito aprender, e a melhorar com ela.
Eu não rejeito a dor, mas não quero viver com ela. Creio que ela é parte, mas não é fim.
Acredito na vida, no que ela tenta nos mostrar e ensinar. Acredito nos seus sinais.
A fase agora é de abertura, o coração amplo, aberto, maior do que o corpo, até um pouco sem proteção...
Voltei a amar a vida como ela merece ser amada, a querer a vida com a minha liberdade, com as minhas coisas poucas e simples, as minhas dúvidas e sonhos e até choros.
É uma fase boa, que espero que se estenda. Na verdade, sei que tenho de aprender a preservá-la. E deixar a fase negra para traz, já que passou. Mas sem abandonar quem esteve comigo aí atrás, e me ajudou a ver o meu caminho. Quero trazer todos comigo. Não sei se consido. Nem todos me enxergam e me entendem. É mais fácil me acharem louca.
Hoje disse para uma amiga que encontrei o meu rumo. E é isso - o rumo. Aquele que, às vezes, por distração, ou medo, ou comodismo, ou mesmo por necessidade, a gente sai dele. Acho que estava fora do meu por necessidade.
Mas que, quando nele, não há dúvida, nem medo, nem solidão, nem rancor que nos demova.
:-)
quinta-feira, junho 18, 2009
domingo, junho 14, 2009
Festa de aniversário
São 43 anos bem vividos, a maior parte deles muito felizes.
Pela ordem:
Um jogo de jantar do ex-marido, muito amigo, pra eu levar pra casa nova.
Um cartão feito à mão em formato de coração, da Bia.
Um cachecol da cunhada, que parece mais o pelo de um coelho.
Uma mensagem de voz de longe, do Zé viajando, que adorei.
Um girassol brilhante, da nova Dani, a Costa.
Dezenas de mensagens no orkut e pelo celular, de amigos novos e velhos, distantes e próximos. (Dos distantes, ajudou muito para apertar a saudades)
Alguns telefonemas da família, pai, mãe, irmão e tias.
Dezenas de abraços e beijos de parabéns.
Um jantar maravilhoso da Ana (bacalhau com grão de bico).
Algumas amigas novas e velhas amigas se aproximando.
Mas, o mais gostoso de todos foi, sem dúvida o bolo de chocolate da Dani, minha amiga mais doce e filha do coração. Quem não comeu, já era. Só no ano que vem agora. Mas pode dar uma olhadinha aqui, só pra ficar com água na boca.
:)
quinta-feira, junho 11, 2009
ANO DOIS
O ano passado foi caracterizado por muito movimento e oportunidades, agora
é hora de separar o joio do trigo, e tomar consciência de onde realmente vale à
pena investir. Plantou as semenstes? Agora é hora de esperar germinar. Paciência
e observância de detalhes importantes. Época boa para cuidar dos relacionamentos
(em todos os níveis), valorize as atividades em grupo. Poderá apaixonar-se ou
desapaixonar-se, relacionar-se super bem ou ter grandes dificuldades nos
relacionamentos, tudo vai depender do seu Mapa Pessoal. Estará envolvido em
reuniões, troca de idéias e movimentações envolvendo pessoas, por isso deverá
tomar cuidado com o que diz, sendo ponderado, aprendendo a ouvir e a se colocar
no lugar do outro. Prepare-se por que, nesse período, a vida vai exigeir grande
capacidade de adaptação, flexibilidade, muita diplomacia e paciência. Para
garantir o sucesso dos próximos Anos Pessoais, procure manter-se em harmonia com
o Ano Dois: ao invés de afirmar-se, simplesmente aguarde os resultados. Confie,
porque nem sempre você estará totalmente ciente de todas as circunstâncias que
envolvem uma determinada situação, o futuro, então, lhe parecerá meio obscuro.
As escolhas parecerão difíceis, devido a uma certa indecisão, é melhor tomar
cuidado e esperar o momento mais propício. Estará emocionalmente mais sensível,
por isso tome muito cuidado para não levar as coisas para o lado pessoal,
enfraquecendo assim sua autoconfiança.
terça-feira, junho 09, 2009
Stand by me, lady Moon
Diz que a energia da lua cheia nos concede o dom da renovação...
Então, ela tem me ajudado demais. É bom sentir esta leveza. Chorar sem dor, mas simplesmente porque, depois de tanta turbulência, ver a própria vida com clareza emociona.
Tenho me sentido feliz ultimamente. Com um frio bom na barriga pelo que ainda virá, cheia de expectativas, mas feliz, confiante com a vida, com o tempo e principalmente com o amor.
Estou apaixonada pela vida, acho que é isso.
Alguém aí deve me achar piegas, romântica, ingênua e infantil. Tudo bem. E eu estou nem aí para a opinião de gente assim.
A vida, se a gente observa bem, sempre prova que tudo tem saída, que até o que é negro num certo momento, depois, se ilumina. Depois, há outros problemas, mas a gente está mais forte.
Acho que a gente sofre demais porque não aceita esses momentos negros. Quer passar pela vida como se estivesse numa novela das seis. Concluo que o melhor é encará-los de frente, sofrer o que tem que ser, mas sempre sabendo que vai passar.
segunda-feira, junho 01, 2009
Com amor e sabedoria
- Poxa vida, Viviane, mas por quê? Vocês estão há tanto tempo juntos, passaram por tanta coisa....
- Mas nós estamos bem, doutor, estamos - cortei, até porque já não aguento mais responder a essa pergunta quando digo para alguém que estou me separando.
O meu médico é um cara novo, mas conservador, como a maioria das pessoas. Acho curioso esse conservadorismo que até as pessoas que parecem "avançadas" demonstram quando eu comunico que estou saindo do meu relacionamento de 20 anos.
Não sei o que é pior nelas - a cara de espanto ou de pena.
Primeiro vem o espanto porque eu e o Mauro somos o que todo mundo idealiza como "o casal ideal". Relacionamento pacato, um não enche o saco do outro, casa boa, renda média mensal também boa. Além de tudo isso, nunca nos viram brigar, nos mal-dizer, nos agredir. Vivemos, sim, em paz.
Quando conto, geralmente a pergunta, que também vem é assim, às vezes até indignada:
- Mas você parece tão bem?
- Sim, estou bem porque estou feliz - respondo, e já emendo a explicação para não deixar dúvidas - O tesão acabou. Sobrou o amor de irmão.
Ou seja, não estou sofrendo com isso. Tenho que explicar que a parte do sofrimento pior é quando a gente descobre que não quer ficar junto e não sabe como dizer para o outro ou como fazer para o outro entender. E que essa parte da história já passou. E veja só, eu sofri muito sim, e poucos perceberam. Mas agora percebem que eu estou feliz. Isso é bom.
E, se não vem o espanto, vem o olhar de pena, como se eu tivesse abrindo mão de uma fortuna incalculável. Em boa parte das vezes vem mesmo os dois olhares juntos, como um míssel acompanhado de uma voz embargada, de pesar e melancólica. Algo assim:
- Mas o que deu errado?
- Não deu nada errado.
Tenho tentado me divertir com tudo isso. Analisar mesmo a reação das pessoas. Percebi que os mais velhos são os que mais me entendem. E as outras mulheres separadas também.
Eu não sou muito fã do Jabor, mas outro dia a Glenda, uma colega de trabalho, me contou que ele fala exatamente o que eu havia acabado de explicar para ela:
- Meu casamento não deu errado. Me irrita quando dizem isso. Deu muito certo. Só um relacionamento que deu certo explica porque estamos nos separando sem rancores, não estamos contando com quantos talheres cada um vai ficar, nem disputando para saber quem vai ficar com o fogão e a televisão. Estamos nos ajudando. A Bia, nossa filha de 8 anos, está participando de tudo, elaborando por conta seu calendário semanal para quando nós, enfim, estivermos em casas diferentes. Com ela, já falamos sobre fim de namoro, amor, divórcio, padrastos e madrastas que poderão vir. Ela não vê a hora da vida dela também mudar.
É raro, eu sei, mas eu gostaria que todo casamento terminasse assim.
E eu espero que a gente seja um exemplo sim.
É nisso que eu acredito, e quero provar que é possível.
Não podia fazer diferente.
PS - Há muitos anos, o Zé, um amigo que havia havia se separado, me mandou um trecho do livro "Ame e dê Vexame", do Roberto Freire. Talvez ele não tenha a dimensão do quanto aquilo mexeu comigo, porque lá estava escrito exatamente o que eu já sabia, mas nunca tinha conseguido expressar em palavras. E nem imaginava que o que eu sentia era possível de colocar em prática. Quando eu li, me senti feliz como uma criança quando consegue ficar em pé pela primeira vez e dar um passo. Tinha vontade de gritar: eureca, é isso! O trecho é o seguinte:
"Quando o amor acaba por ele mesmo, quando existe incompatibilidade entre as personalidades dos amantes, suas reações à perda não chegam nunca ao desespero trágico (...) Os amantes sabem que só se ama por inteiro, ou então o que estão fazendo não é amor, mas uma associação de interesses mútuos, um negócio. Além disso, quando se ama, não se está pensando em segurança, duração, controle, posse, pois isso corresponde à forma com que o autoritarismo capitalista familiar ou de estado se expressa no plano pessoal e afetivo. Se sou um libertário, desejo que tanto eu como meu parceiro vivamos o amor em liberdade, na emoção, no espaço e no tempo. É o amor em sí mesmo que comanda a intensidade, a beleza, a forma e a duração do nosso amor, em cada um e entre os dois, jamais o contrário."
São palavras sábias, mas difíceis de serem vividas.
Como uma criança, - que depois que fica em pé dá muitos tropeços e sofre muitas quedas, mas que enfim sai andando e correndo por aí - o meu esforço é para conseguir viver assim.
Com muito amor e um pouco de sabedoria.
-
domingo, maio 31, 2009
A importância de deixar ir
Cultivar o desapego é um dos conselhos fundamentais dado pelo arcano
chamado “O Ceifador”. Existem momentos da vida em que somos desafiados a
perder cascas, a compreender a importância de caminhar, deixando paisagens para
trás. Ainda que isso doa, uma vez que nosso ego se estrutura a partir de apegos
e identificações, é a compreensão meditativa de que tudo passa que lhe permitirá
seguir caminhando e, enfim, abrir-se ao novo que belamente se introduz em sua
vida, pouco a pouco, passo a passo, até que você apareça com a alma totalmente
renovada. Procure se interiorizar neste momento, evitando grandes atividades
sociais. Faça este contato com o núcleo da sua alma e você entenderá quais são
as coisas que precisam ser deixadas para trás. Conselho: Viver é perder cascas
continuamente!
terça-feira, maio 26, 2009
COMPREI!!!
O Ap que eu quis. Vou ser a mulher mais sem dinheiro da face da terra nos próximos meses, mas eu estou feliz!! Dura, mas feliz.
:-)
PS - E agorinha fui ver o meu I-Ching do dia. Olha só: tô fazendo tudo direitinho, segundo a cultura oriental.
Wu Wang: A Simplicidade
Ouça o que lhe sugere a sua voz interior e prossiga fazendo as coisas que sabe serem certas. É importante também que você não aja mirando um objetivo ou com a expectativa de uma recompensa monetária. Seja simples e ouça o seu ser profundo, assim seguirá de modo livre e sereno.
Ieba !!!!!!!!!! :-)
domingo, maio 24, 2009
Haicus latinos
O Ciro, um amigo, me enviou. Tá registrado.
Los sentimientos
son inocentes
como armas blancas
---
Hay pocas cosas
tan ensordecedoras
como el silencio
---
Me gustaría
mirar todo de lejos
pero contigo
Mario Benedetti
Rincon de Haicus
--
terça-feira, maio 19, 2009
O conto
Misturei histórias e sentidos
Nem sei se ficou bom
Mas sei que ficou um desejo, só isso
domingo, maio 17, 2009
Cheguei agora, no vento
Amor, vim te buscar, em pensamento
Cheguei agora, no vento
Amor não chora, de sofrimento
Cheguei agora, no vento
Eu só voltei pra te contar
Viajei, fui pra Serra do Luar
Mergulhei, ah, eu quis voar
Agora vem, vem pra terra descansar
Viver é afinar um instrumento
De dentro pra fora, de fora pra dentro
A toda hora, a todo momento
De dentro pra fora, de fora pra dentro
;-)
sábado, maio 16, 2009
O tempo dos outros
A decisão já foi feita, não há mais dúvidas, mas algumas peças não se encaixam.
Não há nada o que se possa fazer e a gente é obrigado a esperar.
Todo mundó já passou por isso, eu imagino. É uma sensação de desamparo.
Acho que tudo isso vem para exercitar a minha paciência.
Eu, que fui treinada para conseguir tudo para ontem, na rapidez do raio, sou obrigada a esperar o tempo dos outros...
Ironia... onde está a minha auto-suficiência?
A solução é respirar fundo e torcer para que a espera passe mais rápido do que eu possa sentir.
.
quinta-feira, maio 14, 2009
O velho chavão
Tem dias que a gente não devia nem levantar da cama......
:-()
domingo, maio 10, 2009
Sou mãe em Lua
A mãe com o signo lunar em Áries é toda sinceridade. Apressada, às vezes
impaciente, mas quase uma criança na manifestação espontânea de seu amor. O
melhor lado que ela tem a oferecer ao mundo é a fé: a crença de que as coisas
podem e devem ser melhores do que são. Essa mãe também é voltada para o
imediato, para o agora. Sua vida é uma sucessão de momentos intensos como os de
alguém que deseja aproveitar ao máximo a vida. Para ela, tudo é à flor da pele.
É uma criatura aventureira, mas sabe se dedicar muito bem à tarefa de ser mãe.
sexta-feira, maio 08, 2009
O beijo
Íamos comprar algo, pizza, eu acho.
Ele me viu, sorriu, falou oi, contornou o balcão e veio me beijar.
Dei o rosto, mas ele queria ir além.
Então, eu resisti, surpreendida, e caí assustada no meu corpo deitado e, agora, ofegante.
Por que recusei o beijo? Ainda não é a hora, eu pensei. Que estúpida, me xinguei.
Só sei que foi difícil retomar o sono nesta madrugada.
Ando sonhando demais nos últimos tempos.
domingo, maio 03, 2009
A profecia da Ana
A última profecia da Ana é sobre a solidão. A minha solidão.
Não ligo de estar só. De verdade, estou curtindo o "descasamento" em doses homeopáticas. Foi uma escolha minha e, aos poucos, vou fazendo o que posso para consolidá-la, digo, a separação.
Assim, o primeiro passo foi estar só do ponto de vista afetivo. Ou seja, já está claro para mim e para o outro que acabou, que somos amigos e podemos viver bem com isso. E está sendo ótimo para mim viver isso no dia-a-dia. Por si só já é uma história bem diferente das que conheço por aí sobre separações, a maioria delas dramáticas e rancorosas. É lógico que há dor no processo, mas eu estou me saindo bem com ela e acho que ele também.
Até a Bia já entendeu que vamos morar em casas separadas e tem me acompanhado na melhor parte desta fase da nossa história: a procura pela nova casa ideal. Tem sido delicioso olhar aps ocupados, vazios e até em construção.
Então, voltando à Ana, o que ela diz é que, de fato, apesar desta minha solidão por opção, eu ainda não estou assim tão só. Porque ainda não mudei de casa, minha separação ainda não é visual para o grande público e a Bia está sempre comigo.
E ela profetiza que a pior parte, a que é mais dolorida ainda do que a descoberta que o casamento acabou, é a solidão quando ninguém mais estará comigo no dia-a-dia. "Aí você vai sentir!"
E que ninguém pense que ela diz isso por mal, porque a Ana nunca quer o meu mal. Ela fala isso como falaria "nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos". Para ela, esse será o curso natural das coisas. Ela profetiza: você só saberá o quanto está curtindo a solidão quando o telefone tocar e não tiver vontade de atender. Só aí, completa, estará feliz se sabendo sozinha de verdade.
Pode ser, Ana, eu digo. Mas o fato é que tudo até agora foi encabeçado e decidido por mim. E as decisões sempre foram solitárias, por mais que eu buscasse ajuda, apoio e conselhos aqui e ali. E eu também não acredito que as fórmulas são iguais para todos. Aliás, tenho a pretensão de fazer as coisas diferentes. É um desafio pessoal.
Por tudo isso, amiga, se tiver que vir a tal da "solidão pior", que venha. Eu estou duvidando.
E, se vier, no fundo, no fundo, eu acho que já estou bem preparada para ela.
:-)
Ninguém é perfeito
Adora a Fiel... Cai das nuvens.
;-(
terça-feira, abril 28, 2009
O sorriso de Monalisa
A Bia tem tido aulas de artes na escola. Outro dia, me disse que adorava a Monalisa, que era a pintura mais importante do mundo. Perguntei a ela se sabia que a Monalisa "olhava para as pessos". E ela me respondeu: - Sei, mãe. É assim: se você olha a Monalisa de frente, parece que ela está olhando para você. Se você a vê de lado, parece que ela está olhando de lado para você.... Mas.... se você está olhando a Monalisa de costas..... Bem, aí não dá pra ver nada, né!
É, tem muita gente por aí tentando ver a Monalisa de costas!
Tudo terminando bem
Madruguei para estar no jornal às 7h. Mau humor em alta, é lógico. Sono, trânsito, frio, neblina e, na pauta, a gripe do porco a me atormentar.
Vamos lá, cada coisa tem que ser feita no seu horário, e eu esquecendo várias das coisas: o post no blog, a entrada na rádio, a ronda na internet, o fone tocando, o rádio e a TV ligados, tudo ao mesmo tempo agora.
Deus!, eu ainda tenho que finalizar a pauta (e é lógico que não vou conseguir almoçar) e depois ainda tenho que escrever a coluna toda do próximo domingo para fechar hoje. E, para piorar, minhas tonturas estão voltando, já sei, estou relaxando na dieta.
A manhã passou num piscar de olhos e eu ainda tenho uma reunião às duas e preciso comer. Engulo uma sopa quase que na hora do lanche. Quando vejo, são 4 da tarde. E ainda falta a coluna do próximo domingo. E tenho que pegar a Bia no ballet às 8 e meia - não dá pra sair muito tarde do jornal.
Então, comecei a escrever, entre a pergunta de um repórter, o telefone tocando, o chefe me chamando. Fui puxando uma lembrança aqui, um frase acolá, parava, voltava a escrever. Pensei: "Esta vai ficar horrível", mas vamos continuar. Descarto quase tudo que rascunhei ontem à noite, quando estava sentada na minha cama, com a Bia do lado, lendo gibi.
E, quase 7, terminei. E.... adorei o que escrevi. Como há muito não gostava. Ficou demais.
Foram 12 horas dentro do jornal e, por incrível que pareça, sai de lá feliz.
Dando graças por não desistir de escrever. É que, nestes dias nebulosos, eu muitas vezes penso em parar...
Bem, o resto da noite foi ótimo. No carro, voltei rápido ao som "The Miracle of Love", peguei a Bia, passeamos no clube e agora estou aqui. Fechando a noite.
Dia normal. Dia em que, no fim, tudo terminou bem.
:)
domingo, abril 26, 2009
Agora com os pés no chão
É como se nenhum deles quisesse mais se arriscar em devaneios e fantasias.
É um pouco triste isso. Porque o que há por trás é uma tentativa de brecar o desejo.
Mas o desejo é como um curso d'água represado, que um dia precisa escoar.
Então, com os pés no chão, eles se esforçam para contê-lo, mas intuem que um dia ele vai transbordar descontroladamente. Novamente.
Só não sabem de qual forma. E se isso lhes trará a felicidade.
Mas também há nisso o seu lado bom. Sempre há.
Com os pés nos chão, eles repassam sua história, analisam o que foi certo e errado.
Eles afastam as culpas, acalmam o coração, respiram com folga.
Talvez sonhem. Quem sabe têm planos curtos, porque não querem mais nada a longo prazo. Pode ser.
É que nada que tentem pensar além alegra a sua alma.
É certo que vivem conformados por ter o mínimo, e se sentem seguros porque o mínimo está no agora, na vida que parece real.
Mas não é.
quarta-feira, abril 22, 2009
Uma História um Pouco Esquisita
Era uma vez um príncipe diferente dos outros. Ele era um pouco feio, um pouco estranho, um pouco torto e um pouco azarado também.
Um dia, esse príncipe foi preso na torre por uma princesa horrorosa, chata, mandona e feia de doer. O coitado ficou se sentindo muito mal, pior que um sapo perdido na areia do deserto.
Por sorte, uma bruxa muito interessante, bonita, alegre e engraçada ficou sabendo da terrível maldade. Não perdeu tempo, montou o cavalo nas costas e correu para lá.
Chegando, gritou: "Ó príncipe amado, joga-me tuas tranças! Eu vim te salvar!"
O príncipe ficou tão feliz com a chegada dela que, sem pensar, pulou lá de cima. Caiu no cavalo, quebrou uma perna, dois dentes da frente, torceu as costelas, rasgou toda a roupa e, como se não bastasse, perdeu a peruca também. O que aconteceu com o pobre cavalo ninguém sabe.
O príncipe se arrebentou inteiro, mas a bruxa, que o amava, cuidou tão bem dele que o moço ficou bonzinho, só um pouco mais torto do que antes.
A bruxa e o príncipe mudaram para longe, para uma terra distante, bem mais bonita que aquela, e compraram um castelo antigo, lindo, que ficava no alto de uma montanha. E aí aconteceu, de verdade, o que ninguém acreditava que fosse acontecer; eles viveram juntinhos para sempre, felizes, cheios de amor.
FIM
NOTA DE RODAPÉ: Um dia, quando eles já eram velhinhos e continuavam felizes, ficaram sabendo que a princesa malvada tinha se casado com um dragão. Um dragão que sabia queimar a maldade dela com o fogo das ventas.
Este texto não é meu. É do Felpo Filva, personagem da Eva Furnari. É que tenho lido muitos livros infantis ultimamente. Até porque a Bia tem 8 e leio tudo o que cai nas mãos dela. Outro dia, na escola, pediram a leitura do Felpo Filva (Moderna). Adorei. Acho que porque continuo romântica, acreditando no amor quando todo mundo já tem a certeza de que ele é impossível e improvável. Que pessoa teimosa eu sou. Ainda bem.
:-)
terça-feira, março 17, 2009
Mais Biscoitos
quando eu chego em casa,
ou de madrugada,
debruçada na janela da minha cozinha.
Agora, o cheiro também vem durante o dia,
nas manhãs de sol, nas tardes de chuva e mormaço.
E, o que é ainda melhor:
agora, eu também já sei fazer os meus próprios biscoitos.
:-)
terça-feira, março 10, 2009
quinta-feira, março 05, 2009
Inferno na terra
Morrer de mau humor.
Os dias até que começam bem, mas conforme as horas passam
o calor aumenta, as pessoas cansadas, arfando, suando...
Tudo irrita.
Os telefones não atendem e, quando atende, ninguém se entende.
Celulares que falham... não sei porque os inventaram.
Nada está bom.
A barriga dói, o estômago enjoa, dá vontade de chorar.
As caras ficam feias, os cabelos desgruvinhados, os lugares abafados...
O ar-condicionado esfria e eu tenho que colocar uma blusa mesmo suada.
E depois tirar pra ir pra rua. Fico gelada e pego fogo.
Eu só gosto de calor na praia, na piscina, ao lado de um copo de cerveja
segunda-feira, março 02, 2009
Presente da Querida Su
Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos. Chorar menos.
Ver nos olhos de quem me vê a admiração que eles me têm
e não a inveja que prepotentemente penso que têm.
Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática as palavras que se
fazem gestos
e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.
Saber realizar os sonhos que nascem em mim
e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhos.
Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis;
aqueles que morrem e ressuscitam a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.
Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar,
sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.
Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos,
do impossível,
da imensidão de toda profundeza.
Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque,
pelo sentir,
pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só
ela, alma, responde).
Que eu saiba dimensionar o calor,
experimentar a forma,
vislumbrar as curvas,
desenhar as retas,
e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações
da vida.
Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos.
Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam minhas dúvidas.
Que eu saiba perder meus caminhos,
mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo.
Que eu não tenha medo de meus medos!
Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis,
e desperte com o coração cheio de esperanças.
Que eu faça de mim um ser sereno dentro de minha própria turbulência,
sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos,
humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas.
Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso, ser órfão.
Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei;
traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender a alegria com que os simples traduzem suas
experiências;
respeitar incondicionalmente o ser;
auxiliar a solidão de quem
chegou,
render-me ao motivo de quem partiu e
aceitar a saudade de quem ficou.
Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando recebo
carinhos;
fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas.
Que eu jamais
fique só, mesmo quando eu me queira só.
Obrigada Suzete
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Verdades
Mas há outras verdades. Aquelas que a gente sente e percebe. Aquelas que, às vezes, parecem o oposto do que estamos vendo ou dizendo. Está lá uma situação que parece perfeita e feliz, mas não é. Não vemos, mas sentimos, percebemos. Alguém se esforça num discurso, numa relação, numa situação, até acredita nela, mas aquilo tudo, sabemos sem entender como, não é verdade. Mas também não é mentira. São enganos. Podem ser fugas. Impossível julgar. Acredito que é isso o que chamam por aí de intuição. Mas tem quem também chame isso de fantasia. E fantasia surge do desejo, que às vezes é impossível de ser realizado.
Eu, que já me achei muito racional, ultimamente tenho me visto no meio dessas duas verdades. Em algumas situações, tento acreditar no que me mostram, no que parece real, mas sinto cada vez com mais certeza uma outra verdade.
Me entregar a ela significa seguir a minha intuição, com um desafio de discernir até onde ela é real e até onde ela é só um fruto da mais doce fantasia que eu criei.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Quietude
E eu estou querendo colaborar com o silêncio...
Ficar só com os meus pensamentos, na solidão do silêncio.
Até porque já tenho respostas,
mas isso não importa para mais ninguém.
O que eu penso, o que eu sinto... a mais ninguém...
terça-feira, janeiro 06, 2009
No dia 1º eu morri
Desencarnei, passei dessa para melhor, fiz a passagem.
Mas não cheguei em lugar algum e voltei, mergulhei em mim mesma.
Ressuscitei.
Não. Eu não renasci.
Quando a gente renasce a gente se renova, muda o corpo, pelo menos, e esquece o passado.
E eu voltei no mesmo corpo cansado, já meio arredondado, com as mesmas dores, dúvidas e dramas.
Não vi o dia 1º amanhecer e nem sei como, depois da aurora, enfim, dormi.
É que simplesmente apaguei. Como deve ser mesmo a morte ideal.
Todo mundo devia morrer assim, num off, sem dor. E acordar lá do outro lado, sem rancor.
Mas um anjo que me acompanha me amparou, me pegou no colo e tomou conta de mim.
Me fez voltar. Me disse assim: "Vamos, você tem que continuar".
E voltei a viver na minha cama, ressuscitada no meio do desejo.
Nem sei como cheguei no fim do dia. Mas ainda trabalhei, feliz, até o anoitecer...
domingo, dezembro 14, 2008
Beijo, abraço e a felicidade*
Mesmo quando ficamos muito tempo sem nos ver, o que tem sido mais comum do que gostaríamos, tenho certeza que sabe que estou de alguma forma por perto, flutuando pelos seus pensamentos e você nos meus. Respiro fundo e está aqui. Respira fundo e estou aí.
E é assim que vamos levando nossas vidas, entre beijos e abraços e declarações de amor eterno.
Eu agora sou o seu espelho. Você agora é a minha inspiração.
*escrito há muito tempo
:-)
sexta-feira, novembro 28, 2008
Céu Negro
quinta-feira, novembro 27, 2008
Talvez...
Nenhuma frase, nenhum linha, nenhuma letra.
Este tem sido o "efeito colateral".
Mas, mesmo assim, as palavras devem sair. Mesmo que espremidas.
É um tipo de "o show deve continuar".
Mas sem vontade alguma.
:-!
terça-feira, novembro 18, 2008
De "O Mundo Perfeito"
Fusão
Lá estarás à minha espera, no final. O meu coração há de sobressaltar-se,
quando te vislumbrar na distância, e hei de, num segundo, rememorar todo o nosso amor, cópia total do que me dedicas. E a falta, a ausência, a distância será recompensada nesse abraço que dermos, que não será um reencontro, um mero abraço e um beijo, mas a merecida fusão das nossas almas, para não mais se desencontrarem.--------------
:-) e olha que a Isabela, dona do blogue, nem parece romântica....
quinta-feira, outubro 30, 2008
Num tempo qualquer
O céu claro
O gramado brilhante
O casal apaixonado
Uma tiara
Um pacto de amor
Um vínculo de vida
Depois...
O tempo que corre soltoO medo que se aproxima
A doença, a cama, a tristeza....
"Vou velar o seu sono", a moça diz
"Vou velar até o fim!"
:-!
segunda-feira, outubro 27, 2008
Par de vasos
Aí, tocou a campainha, eu atendi a porta e lá estava ele. Também feliz.
Mas, nos olhamos de alto a baixo chocados e, antes mesmo do beijo de oi, caimos na gargalhada. Estávamos vestidos da mesma forma, como gêmeos que usam roupas idênticas: calça jeans e uma ridícula camisa tipo havaiana, toda florida e azulada, bem larga. A roupa era horrorosa, por sinal. Mas era impressionante a nossa sintonia até no mau gosto.
Rimos de monte, mas não dava para ir pra rua daquele jeito, tipo par de vasos. Então, ele ficou conversando com o meu pai sei lá o quê e eu fui me apressar para trocar de roupa.
Sei que íamos a uma festa, com muita gente conhecida. Pensando racionalmente, não tinha o menor sentido eu usar aquela roupa, tão masculina. Mas não importava. Era vestida como homem que eu me sentia bem naquele momento. Porém, sem muito o que fazer, fui procurar outra apropriada.
Me vejo tirando roupas e mais roupas do guarda-roupa, vestidos e saias e blusas. A Bia do lado, dando palpite com um sorriso maroto. O tempo passando e eu desesperada porque não conseguia escolher outro figurino tão bom quanto o primeiro. "E o que será que ele e meu pai estão falando?", eu pensava.
Consegui escolher uma saia ou vestido, não sei direito, meio bege, meio creme, meio pérola, dos detalhes eu não lembro, mas sei que era muito mais feminino que o outro. Sensual eu diria. E, enfim, saíamos, eu envergonhada pela demora em decidir e por fazê-lo esperar, já esperando ser esculhambada porque a festa, naquela altura, já devia estar prá lá da metade.
Ai que medo daquela bronca!
Então, no hall de entrada do apartamento, bem no início da escada de emergência, nos abraçamos e beijamos como namorados adolescentes que se escondem na hora do amasso e ele fez a proposta indecente que toda mulher apaixonada quer ouvir:
"Vamos deixar essa festa pra lá e ir para um lugar só nós dois?".
"Demorou", eu pensei, com um sorriso nos lábios que diziam sim.
E acordei.
Talvez Freud ou Alan Kardec expliquem esse sonho. Se bem que eu tenha lá a minha interpretação. Mas essa fica pra outra oportunidade. E só dá pra falar pessoalmente...
:-)
domingo, outubro 26, 2008
O caminho
Mas, depois de um tempo, se você é um pouco lúcido e tem amor-próprio, você permite que o que foi do outro volte a fazer parte da sua vida. Você se deixa levar pela nostalgia do que foi, mesmo que não tenha sido tudo o que você quis ou imaginou merecer, e se sente feliz por ter boas lembranças. Se você tem mesmo amor-próprio, dá um jeito de aproveitar o lado bom de tudo o que passou. Porque nem tudo é sempre totalmente perdido. Não dá pra ter raiva da vida só porque as coisas não andaram do jeito que você imaginou que deviam ser. Não dá pra se colocar da posição da coitada vítima.
Acho que estou nessa fase: mais nostálgica. Escrevendo mais, deixando voltar as músicas que eu aprendi a gostar, ou passei a gostar mais, lendo, revendo e analisando algumas situações... Tentando, principalmente, cumprir todas as promessas que fiz a mim mesma, mantendo a esperança na vida, enfim. Enquanto o tempo passa, eu vou desenhando o meu caminho. Parece piegas, mas a dor e o amor são sempre piegas.
;-)
sábado, outubro 25, 2008
Adeus, Bóris!
Não foi uma decisão fácil. Demoramos talvez mais tempo do que devíamos.
Mas, hoje cedo, depois de vê-lo tentar se arrastar no nosso quintal mais um vez, não deu mais para adiar.
Ele não sofreu. Uma injeção, ele dormiu e pronto.
Mais difícil foi ver aquele homem adulto e aquela menina pequena chorando.
Obrigado, Bóris, por tudo.
quarta-feira, outubro 22, 2008
Nua
Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba
E quando nua,
por incrível que pareça
sou mais pura.
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios
Liberto os mistérios,
mas sem perder o
encanto
Porque quando nua
sou única
e exclusivamente tua;-)
sexta-feira, outubro 17, 2008
Dias loucos
O traficante ameaça resolver à sua moda, sem meias palavras: é assustador.
Nas ruas, Pms jogam bombas em policiais civis no bairro mais chique da cidade: é inusitado.
Na TV, o chefe de estado diz que tudo é uma armação política: é impressionante.
----------------------
Dias loucos como esse são os que eu mais gosto. Mal dá pra respirar, não dá pra relaxar, nem há tempo de pensar, refletir sobre a própria vida. O bom é o alheio, o bom é só o que está lá fora, trazendo adrelina aqui pra dentro. O melhor é que do resto de mim eu esqueço por algumas horas.
:-!
terça-feira, outubro 14, 2008
Transporte
Eu não estou mais aqui.
Sou um corpo sem alma.
E ela, agora livre, está perto de você.
:
sábado, outubro 04, 2008
Dezessete horas fora do ar
E dormi. Dezessete horas de sono, abrindo o olho aqui e ali, me esforçando pra prestar atenção em alguma coisa, mas dormindo. Dormiria mais, se não ouvisse o chamado. E eu também chamei.
"Te liguei porque ouvi você me chamando agora mesmo", me disse meu pai do outro lado da linha, me acordando, enfim. Quinhentos quilômetros de distância e ele me escuta. Isto está começando a ficar comum. Em menos de dois meses, é a segunda vez que ele me escuta pedindo socorro.
E, por mais que quisesse, não voltei pra cama. Não dava mais. Não eu. Vou carregar essa cabeça que está explodindo de dor por causa da falta da cafeína, nenhum analgésico será capaz de curá-la, mas eu vou sair daqui, enfrentar o trânsito e ir pro trabalho.
É isso aí. Acabou a vontade de dormir.
Agora, só tenho vontade de seguir....
:)
quarta-feira, outubro 01, 2008
Doce Bandido
;(
domingo, setembro 28, 2008
Uma encruzilhada
À tarde, as sensações se dispersam. O mundo corre muito rápido à minha volta e eu oscilo entre a certeza absoluta, o medo de estar apenas sonhando, me enganando, e o pavor não ter mais tempo para consertar o que parece perdido. Mas, ainda consigo conciliar a razão para lembrar que o tempo é infinito, que ele resolve tudo e tem a sua própria lógica. Nestas horas, me dá um insight delicioso, uma esperança infinita no futuro e a consciência de que, apesar de ter frustrações e problemas, sou feliz porque não fujo deles, quero conhecê-los, destrinchá-los, resolvê-los e enguli-los. De preferência, acompanhados de um bom vinho tinto. Não quero desistir. Me animo, destilo um pouco de doce veneno, de bom humor, vislumbro a luz no meu coração e tento me prender a ela pelo infinito.
Mesmo assim, já com um sorriso no lábios, não consigo pensar em algo para fazer. Parece que sem a força inspiradora da paixão do meu lado, a meu favor, minhas engrenagens estão emperradas. Tenho só o amor, a certeza do amor, mas ele, neste momento, parece um paquiderme envelhecido. Não tenho estratégia, não tenho objetivo a curto prazo, não tenho vontade de me movimentar para lado nenhum. Minha única vontade é deixar a vida passar e superar sozinha seus próprios limites. Só há um detalhe difícil, lembro: é a minha vida. E seria muito fácil se eu pudesse somente assisti-la, sem ser a atriz principal. Penso "tenho que fazer algo". Mas o quê? Não tenho forças. É uma encruzilhada.
À noite, no caminho para casa, tento lembrar de tudo o que passou, tudo o que passei principalmente nos últimos 20 anos, e como as coisas se resolveram ou não. Tento tirar experiências de dentro do que eu mesma fiz, de como eu agi e reagi. Fico lá, fazendo minha autocrítica, normalmente sendo mais rigorosa comigo do que mereço, mas não sentindo que havia um jeito diferente de fazer. Porém, há coisas que eu simplesmente não sei. E queria ajuda para saber.
Por isso, tenho me perdoado mais. E esperado. Sorte que não consigo desistir. Acho que essa é a minha melhor virtude. Não desisto de mim, de quem eu amo e nem do que eu acredito que seja verdade. Mas entendo que, nessa fase, a única coisa que consigo realmente fazer é esperar. Se estiver frio e eu tiver um cobertor, tanto melhor.
;-/
sábado, setembro 27, 2008
Só dormir
Tem dias que tudo, tudo o que eu quero é dormir.
... dormir ... dormir... dormir ... dormir... e dormir.
Dormir pra não acordar mais.
Ou para acordar outra, em outra vida, em outro mundo, outra dimensão.
Hoje é um desses dias.
Dia que eu estou tão cansada que até o ato de pensar é pesado.
Começa assim: acordo, ou melhor, abro lentamente os olhos de manhã querendo não ver a cor do dia. Teimo em ficar na cama, levanto por obrigação, me arrasco até quase meio-dia.
Quem me vê nem percebe. Mas eu estou me arrastando por dentro.
No trabalho, a irritação com o excesso do que fazer... sempre muito para poucos braços.
Mas, enquanto o dia corre, vou esquecendo o mau humor, mas me pego agindo meio que por impulso.
No meio da noite, a irritação volta a mil e no fim do expediente eu já quero sair correndo de lá.
E, de sexta, ainda é pior. Me pergunto: por que, sua estúpida, você foi decidir fazer inglês de sábado pela manhã?! Pra abraçar o mundo, é lógico! Pra provar que sou capaz de dar conta de tudo, e de todos, e também de mim mesma...
Hoje eu queria entregar as pontos. Não me digam: "Você está infeliz!", porque não é nem isso.
Só estou nem aí.
É a vontade de entregar o jogo, de ficar parada, de falar fui, essa eu passo por hora, vou deixar pra mais tarde, outro dia, outra vez, talvez. Agora eu quero descansar....
Seria tão bom conseguir parar de pensar!
:(
...
quinta-feira, setembro 25, 2008
Um frame em câmera lenta
Mas, lembrando agora, é como se eu estivesse em uma cena em câmera lenta. Será possível um frame em câmera lenta? Ali era. E, num pause eu tento observar melhor os detalhes, e dou então o play again, vamos adiante.
Eu estava muito distraída. Difícil isso. Estou sempre atenta ao ambiente, multiplicando meus olhares pela rua, tentando enxergar tudo o que está à minha volta. Mas, naquele instante, eu estava andando muito devagar, com um panfleto na mão, vislumbrando um sonho que persigo.
Então, ali, quase parada, completamente absorta, eu escutei que me chamaram. Mas não ouvi nenhum som. Foi um grito mudo, mas tão certeiro que meus olhos se viraram diretamente para o local exato de onde vinha o som.
Sei que foi num susto que ele me viu. E ele não quis me chamar. Mas, quando virou a esquina, e me encontrou lá, quase parada, sem percebê-lo, instintivamente reduziu a velocidade. E, por dentro, falou meu nome tão alto que eu, mesmo sem escutar, não pude deixar de ouvir. E me virei diretamente para ele, sem precisar procurar.
Com o canto dos olhos, queixo voltado para baixo e o corpo na outra direção, eu o encontrei com o olhar. E o avistei também num susto. Estava lá, como eu, quase parado, sentado no carro, marcha reduzida, disfarçando, fingindo não me ver atrás de lentes escuras. Achei graça.
Nenhum de nós disse nada. Nenhum de nós parou de fato. Talvez porque não tivesse como parar nem o que falar. Ele simplesmente voltou a acelerar, desconcertado. E eu não consegui ver uma forma para voltar.
Seguimos os dois para frente, em direções de novo opostas (nosso destino?), tentando imaginar se um dia os nossos caminhos vão de novo se cruzar.
Ou, talvez, tentando imaginar um jeito de um dia os nossos caminhos de novo se cruzar.
...
A cor rosa
Ou melhor dizendo, sobre a luz rosa.
Diz assim que você pode enviar, pelo pensamento, a luz rosa para alguém, e que ela significa o "amor incondicional".
E que, ao fazer isso, você também pode "dizer" a essa pessoa, mentalmente:
"Eu amo você. Eu desejo a você tudo o que existe de bom e puro no universo."
Bem, acho que estamos no caminho certo.
...
segunda-feira, setembro 22, 2008
A Primavera e o Sol
Ainda bem que eu não me canso de escrever e aprendi a ter paciência.
Ainda bem que sempre tem alguém aí, a me espreitar.
Ainda bem!
:)
sábado, setembro 20, 2008
Risquem essa palavra
Tem algo que eu quero dizer pra vocês: risquem do seu dicionário a palavra "infeliz".
Porque "infeliz" é tudo o que nós não somos.
Acompanhem o que meu raciocínio:
"Infeliz" é a qualidade da pessoa amarga, sem amigos, rigorosa demais consigo mesma.
"Infeliz" é quem não consegue rir dos próprios erros, não consegue ver além do próprio umbigo.
"Infeliz" é quem tem medo do caminho só porque ele parece difícil e, assim, desiste.
"Infeliz" é quem não conhece nenhum tipo de solidariedade. É quem nunca explode.
Não somos assim.
Por isso, risquem essa palavra horrível, que nunca vai se encaixar nas nossas vidas.
Porque, vez ou outra, podemos estar tristes, confusas, solitárias, com medo e até desesperadas.
Mas "infelizes" nós nunca, nunca mesmo, conseguiremos ser. Ainda bem.
:-)
Proposta sem dor
Terminar aos poucos, desatar nós sem quebrar os fios nos obriga a ser delicados, cautelosos, vagorosos, pacientes.
Mas algo me diz que é esse o caminho certo, mesmo que para a grande maioria das pessoas seja um objetivo muito improvável de ser alcançado.
É que não aceito a existência do improvável simplesmente porque também não aceito o impossível.
Então, combinamos: vamos conversando, acertando os pontos, limando as arestas e, quando a gente menos esperar, estaremos lá.
Eu já dei alguns passos, tive a iniciativa, chorei de medo, mas não embarquei na dúvida.
Ele começou cambaleante, mas agora me segue, talvez me alcance, talvez me ultrapasse, porque ele é muito melhor do que eu.
Acho que o resumo é isso: a separação sem dor, sem rancor, só é possível onde há amor.
segunda-feira, setembro 15, 2008
Datas pra não esquecer
"Sabe, Vivi, é que hoje é meu aniversário de casamento. E, pôxa, eu esqueci de manhã! Por isso quero chegar em casa logo...."
Achei engraçado aquilo. Eu quase o invejei. Mas não cheguei a isso.
Parei mesmo foi pra pensar que nunca tive uma data assim, pra comemorar.
Nem eu e nem o Mauro nunca nos importamos com isso.
"Mauro, afinal, começamos a namorar no dia 17 ou 19 de dezembro? 88 ou 89? E o casamento? Foi 12 de fevereiro ou 11 de qual ano mesmo? Acho que foi 2000"
Só sei a data que mudamos pra casa: 12 de setembro de 1994, mesmo dia que comecei a trabalhar no Diário (E já abro um parênteses: não disse que a gente não liga pra datas? Nem lembramos este ano! Agora, exatamente agora, que me dei conta: fez 14 anos na sexta-feira passada!).
Mudança de vida radical foi aquela: comecei a trabalhar no novo emprego de "ripórti"e passei a morar com um cara exatamente no mesmo dia. Era uma segunda-feira.
"Mãe, vou dormir hoje na casa", avisei por telefone.
"Mas, hoje, filha? Já?"
"Mãe, como já?! Até compra de mês a gente já fez. O colchão chegou. E o Mauro vai dormir lá. Então, eu passo aí, pego só algumas roupas e vou prá lá!"
"É, tá certo... Então, tá!"
Foi assim o meu "casamento". Sem festa, sem convite, sem bem-casado.
Nunca trocamos um presente nestas datas. Mais comum a lembrança no fim do dia, ou dias depois: "Ahn, foi ontem que fizemos aniversário de namoro?"
Se me sinto infeliz ou triste ou frustrada com isso? Nem um pouco. É só uma constatação curiosa da vida que eu resolvi viver.
Acho que isso tem a ver também com como construímos esse relacionamento. Sempre mais como um namoro, que caminha para a amizade, para o companheirismo. "Somos colegas de quarto", eu costumo dizer.
Estranho falar "meu marido". Estranho ouvir "minha mulher". Prefiro ser "a Vivi". Digo "meu marido" só quando quero dispensar vendedores chatos. "Ah, moço, desculpe, mas tenho que consultar meu marido...", reforço o tom na hora de falar as palavras meu e marido e eles desistem. Me divirto com o quanto eles são ridículos. Acreditam, sem questionar. Afinal, neste mundo machista a mulher ter que consultar o homem da casa pra poder comprar é mais comum do que se imagina.
Mas, voltando ao meu colega, que encomendou flores às pressas pra mulher e se sentiu culpado por esquecer...
Agora, neste exato momento, eu torço pra ele estar bem feliz, na cama, ao lado de dela, curtindo mais um ano de casamento.
Eu não tenho a data, mas acho o máximo que tem, e curte, e se sente bem e feliz com alguém.
:-)
quinta-feira, setembro 11, 2008
Eu velhinha
Me vejo assim, leve, despreocupada com o que eu não consegui fazer na vida. Talvez sozinha, eu não sei, nisso eu não penso, nem vislumbro nada.
Mas de bem comigo, sempre. Sabendo que eu tentei, e tentei, e tentei do jeito que eu podia e sabia fazer aquilo que achava certo em cada um dos trilhões de momentos que tive. Não quero pecar por falta de empenho, de vontade, de amor e de alma. Nem por birra, por medo ou por rancor.
Acho que tenho pensado nisso porque tenho conhecido gente muito rancorosa, que me choca. Carregando pesos eternos de problemas passados tão pequenos. Dando valor demais ao que é passageiro e insignificante. Gente que só olha pro próprio umbigo. E que perde o presente e amarga o futuro sem nem ao menos tentar entender. Dessa gente eu tenho medo.
É. Ando ainda mais pensativa ultimamente. Tentando alcançar sonhos sem perder os pés do chão. É um esforço e tanto. Mas páro, escuto o meu coração e penso: vamos lá, este é que é o caminho certo.
É como a poesia que canta Ney Matogrosso. "O que me importa é não estar vencido... minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos... minha alma cativa".
Quero ficar velhinha, assim, sem me arrepender de nada, incorporando cada passo da minha vida na minha vida.
Ficar velhinha sabendo que eu sempre fui além de mim!
domingo, setembro 07, 2008
Cléo e Théo
Ela gosta dele, ele gosta dela, são da mesma raça, os dois virgens, pretinhos e alegres.
Mas ele tem um defeito difícil pra ela encarar: é enorme! Um cão amoroso, mas pesado, desajeitado, que não sabe como chegar naquela menina miudinha, delicada e leve como uma pluma.
Os dois têm a mesma altura e comprimento, mas a largura é desproporcional. Eles brincam e brincam, e mal latem um para o outro quando estão brincando, deitam e e rolam, até a hora do vamos ver... e a coitada desaba. Literalmente cai! E late de raiva, mostrando os dentes pra ele: "Vai com calma!"
O dia começou com a gente indo levar a Cléo pra casa do Théo. "No território do macho é mais fácil!", alguém nos disse.
No sábado, os dois já haviam passado a tarde em casa, mas nada... Mas hoje, enquanto estávamos na padaria tomando café da manhã, ela ficou lá na garagem dele, grudada na grade, se sentindo refém: "Mãe, Bia, me tirem daqui!", parecia que gritava quando nos viu de volta. Decidimos, então, levá-lo pra brincar na nossa casa: "Sabe como é, no quintal grande, com mais espaço, os dois podem se acertar!", eu disse pra 'mãe' do menino.
O dona do Théo também estava animada com o encontro. "É que também não aguento mais. Só ando de calças compridas agora! Ele não para de grudar nas minhas pernas!", me disse, com um sorrizinho.
Mas, ao mesmo tempo, a senhora, que tem lá seus 65 anos, se sentia meio traída por ele. "Ontem, quando ele voltou da sua casa, ficou tão deprimido... É por causa dela. O Théo sempre deita comigo de noite, mas ontem não quis nem saber de mim. Eu chamei e ele só ficou lá, no canto. É que nem filho, sabe? Quando arruma uma namorada esquece da mãe!"
"É, deve ser isso mesmo!!!", eu respondi, me divertindo.
Em casa soltei os dois no quintal. Mas o moleque é tão gordo que nem conseguia subir a mureta que a Cléo pula com a maior agilidade. E parece tão atrapalhado que entra com as quatro patas dentro do pote de água. "Deve ser o calor", eu penso, enquanto a Bia não pára de rir.
Uma tarde toda e eles ficaram lá, entre tapas e beijos. Mais nada... nada mais sério.
No fim da tarde, o garoto já estava ansioso pra voltar pra sua casa.
"Olha, não deu certo hoje de novo. Amanhã a gente pode tentar de novo! E ele parece que já estava esperando a senhora aqui na porta! Tava ansioso mesmo", eu disse pra 'mãe' dele, quando ela chegou pra buscá-lo.
"É que esse cachorro não me larga. É muito grudado em mim, não te disse!", ela respondeu, feliz da vida.
Pelo menos traída a senhorinha não vai se sentir mais.
sábado, agosto 23, 2008
O que é a paixão, doutor?
Marie Claire - O que é a paixão?
Robert Neuburger - É o abandono da vigilância. A paixão invade, pode fazer com que você negligencie os filhos, o trabalho, tudo. A paixão se organiza dentro da ansiedade e da urgência. O sentimento primordial é a necessidade absoluta do outro.
MC - O que provoca esse estado? O encontro com alguém especial?
RN - Não, esse estado precede o encontro com a pessoa que vai se transformar no objeto da paixão. Corresponde à necessidade de se sentir vivo. Geralmente, as pessoas se apaixonam quando estão se sentindo mal, insatisfeitas consigo mesmas e com os outros. Nessas situações, uma paixão faz a pessoa sentir que está vivendo intensamente. Claro que não se pode negligenciar a escolha da pessoa por quem se vai ficar apaixonado, mas o mecanismo passional vem antes. É acionado quando começamos a desejar algo que nos traga uma nova energia vital. A paixão toca no que existe de mais profundo na existência de cada um. É uma autoterapia excelente e um antidepressivo muito eficaz.
MC - É raro a paixão durar.
RN - Ela está ligada à vida e à morte. Ter amado passionalmente permite aceitar a morte. Mas não se deve ultrapassar a dose. Há um aspecto mortífero na paixão. Os apaixonados tendem a ir além de suas forças, com uma percepção alterada da realidade. O resto do mundo não existe mais, e isso não pode durar para sempre. Depois, tudo vai depender da maneira como a pessoa aterrissa: devagarinho, com lembranças maravilhosas, ou com amargor e arrependimento. A menos que a paixão se transforme em amor duradouro. E aí começa outra história.
* Por Isabelle Maury, da Marie Claire França
Tradução: Ana Ban
sexta-feira, agosto 22, 2008
Na minha nuca
Uma se veste com um anjo bom, toda de prata. A outra usa uma roupa marrom escuro, meio avermelhado, brilhante também. Uma fala assim:
- Ele não te ama, ponha isso na sua cabeça!
A outra replica:
- Ah, ele a ama sim. Tenho certeza!
Uma me dá bronca:
- Você já andou tanto pra frente! Não vai recuar agora, né?
E a outra argumenta e passa a mão na minha cabeça:
- Tá querendo pensar mais? Pensa, você faz bem...
Eu adoro é ficar de fora da conversa delas, elas brigando debaixo do meu nariz, ou atrás do meu pescoço, na minha nuca, e eu só observando. Olho pra uma e depois pra outra, às vezes rindo, outras brigando: "Dá pra parar de falar você duas?"
Não adianta. Meu protesto é em vão. Elas nunca páram. Ainda bem.
- Muda de cabelereiro e faz um corte bem fashion!
- Não, não, deixa ele crescer!
- Ficaram ótimos estes óculos.
- Na verdade, acho que você escolheu mal.
- Eu te disse que isso não ia dar certo!
- Ela fez o que achou que devia!
- Chuta o balde!
- Vai com calma.
- Liga.
- Desaparece.
- Confia.
- Desiste.
- Esquece.
- Insiste.
Elas se parecem mesmo com o anjo e ao diabinho dos desenhos animados, a boa e a má consciência de cada um. Nunca sei direito quem é quem. Elas vivem trocando de lugar. A prateada fica marrom. A marrom fica prateada. Depois, quando presto atenção de novo, voltam como num estalo ao seu outro estado. Só sei que nenhuma delas é má de coração. E nenhuma é boa demais. Mas sei que as duas só me querem bem.
-
Papo cabeça
- Nada demais. Só dormi, andei e trepei!
- Orra! E quer melhor?
-Ép! Acho que tá bom, né?
...
quinta-feira, agosto 07, 2008
Uma noite sem fim
A festa foi boa. Cheguei só, de táxi, minha amiga na porta à minha espera, vamos beber que é por isso que estou aqui. Conhecidos, beijos, oi, tudo bem, me dá cá um abraço, cadê a cerveja?
No pátio aberto, quem está faz apenas o social. Já sabe tudo o que vai rolar lá dentro, o que vai ser dito e o porquê. Lá dentro, um monte de gente, muitos interessados, outros quase dormindo, o pessoal que foi mesmo trabalhar.
Olha aqui: esta é minha amiga, jornalista. É, eu sou, mas estou de férias. Onde é que vende a cerveja? Tem trocado? Nossa, quanta gente! Tudo bem, daqui a pouco isso aqui acaba e gente estica. Você que ir pra onde? Tanto faz, hoje eu estou por sua conta. Viu aquele cara? Ele é interessante. Não é o seu tipo? É, não achei, não. Meu Deus, você por aqui? Você vê, por mais que queira sair do ABC, acabo voltando pra cá. Que saudades. Olha, essa aqui é minha amiga, minha "cumadi". Então é você, sempre quis te conhecer. Estou com fome, tem churrasco aqui? Lá fora, vamos lá.
Vou comprar mais uma e elas somem. Quando vejo, estão as três, num canto em pé, conversando um monte, em uma rodinha bem feminina.
Pergunta: o que falam mulheres maduras reunidas numa rodinha quando se encontram?
De seus homens, claro.
Ainda está com ele? Sim, é meu terceiro marido. Não sabia que tinha tido um segundo. Ah, eu lembro agora, ele era o homem mais lindo da redação. Lindo mais cruel, querida, muito cruel. E você, há quase 20 anos com o seu. É, pra você ver. Mas não quero mais dar pra ele. É, daí é difícil. Eu quebrei o cabaço e fui num sexshop comprar umas coisinhas. Mas meu namorado se nega a usar... Que babaca ele, não? Se fosse um homem mais velho usava. E eu que separei ontem e faço 40 amanhã. Estou arrasada... Aquele ali é um escroto, falso que só. Chega. Vamos? Um beijo, vamos sair mais dia desses, parabéns, coragem. O celular tocando na bolsa.
Cadê meu celular? Atende aí? Já estamos aqui, vocês não vêm?
No boteco tem mais mulher madura, com homens maduro, outros nem tantos, meninas, bichas e tudo o mais. Mais cerveja.
Me dá um croquete, vamos sentar lá fora, arruma umas mesas. Já estou aqui, sentada, esperando vocês. Tem algo melhor pra comer aqui? Come a batata assada que é mais saudável. Então dá uma, com berinjela que eu adoro.
Pergunta: o que falam mulheres maduras com homens maduros reunidos numa mesa de bar?
Das outras mulheres maduras que não estão lá. E falam também de seus ex-maridos, e filhos, e namorados. E dão pitaco na vida de quem está na mesa.
Não dá pra entender o que aquela lá tem que atrai tanto homem. Porque ela é muito feia, é vulgar, ninguém gosta dela. É, mas o fulano disse que até aquele outro, aquele bonitão meio gordo, pagava um pau por ela. Não acredito, ele parece tão inteligente. E ela mesma me disse que o cara era pegajoso, mas pagava algumas contas pra ela, então, tudo bem, ela aguentava ele. Outro dia, nem te conto, sumiu num bar e quando voltou disse que tinha ido dar uma. Ali mesmo, no meio do bar? Não sei, acho que sim. O maior bafão. Conheço você de uma festa, sou amigo do seu amigo. E ele, é viado ou não? Não sei. Já viu ele com mulher. Nunca, mas nem com homem. É, mas o cara é muito boa gente. E vocês, são skinheads? Carecas do ABC? Pô, não ofende. Esse aí, querida, não combina com você. O outro lá é melhor. Sempre fui assim, louca, batalhei pra criar meus filhos. Vamo'mbora que meus filhos não param de ligar. Pede a conta, eu deixo vinte, tchau.
Deitada em casa tudo isso vem sem muita ordem, até que eu durmo. Durmo? Não. Eu acordo de hora em hora, a madrugada não acaba. Levanto, bebo água, vou ao banheiro, deito de novo. Com frio, me cubro pra pouco depois chutar o edredon. Cinco horas, cinco e meia, sei lá, o despertador toca. Ele acorda pra ir trabalhar. Não tem a curiosidade de olhar no outro quarto, será que ela está aí? Com certeza está, as botas estão no corredor, a roupa jogada no banheiro. Ele assume o banheiro e eu continuo deitada. Ele sai do banheiro e eu não aguento, levanto, vou pra cozinha.
Bom dia. Bom dia. Fez café? Fiz.
Uma xícara, duas. Vou comer torrada com geléia e manteiga, tudo diet, tudo light. Vou esquentar o leite, tomar com café, perdi o sono. Ele se toma banho, se troca, eu ainda na cozinha, comendo e lendo o Unidade. Li inteirinho. Vou ao banheiro, palavras cruzadas. O dia ainda escuro. Ele sai e o sono não vem. Meu Deus, essa noite, essa balada não acaba. Tá, vou ler mais, na sala agora, escolho um livro velho, leio a dedicatória "Nós não queremos mais o paraíso, mas continuamos dispostos a continuar reencarnando", escolho um conto. Deu errado. Não veio o sono. Só mais e mais excitação. Preciso dormir, vou tomar mais café com leite, e mais um, e mais torrada. Vou deitar com ela, na minha cama, eu a abraço de costas e consigo dormir. São sete e meia.
:-/
terça-feira, agosto 05, 2008
Beijo de língua
"Bia, ele está com ciúmes de mim com você. Mas não tem motivo. Não sou nada dele. Quase nunca me vê. É tão difícil eu vir aqui", eu disse.
Então, só para testar, a Bia resolveu sair do meu colo para deixar o caminho livre para o garotão. Sem tirar os olhos dele, e com um sorrizinho maroto nos lábios, ela se sentou ao meu lado meio escondida e ficou esperando a reação dele. A Bia queria ver o circo pegar fogo.
O menino não perdeu tempo. Deu o primeiro e o segundo passos e, na seqüência, colocou sua pata esquerda e pesada no meu colo, depois a outra, e começou a avançar sobre o meu peito. Em segundos o bocão negro dele estava a um centímetro do meu nariz! Eu afastei o meu rosto, gritando.
"Vítor, socorro! Tira o Angus daqui porque ele quer me dar um beijo de língua: vai me lamber! Argh, que bafo!"
O boxer nunca mais me perdoou. Ofendido, foi sentar no seu tapetinho bordado à mão, de costas para a gente, e durante o resto da noite não olhou mais para mim. Que cachorrão mais temperamental! Magoou de vez! Mas até que devia ter aceitado o beijo de língua que queria me dar. Foi o único que me ofereceram aquela noite.
;-(
domingo, agosto 03, 2008
Registro
Entristecido, porém. Ninguém quer saber mais disso. Pra quê? Uma punheta basta. E de porre. Mas uma só. Mais que uma dói a mão. Dá trabalho.
Ontem cantaram Sentimental pra mim. Tenho que cantar e cantar pra não desistir. Não desistir de mim. E tentar transformar o sentimento. De novo. Geminiana eu sou. E esse é o meu desejo
Sentimental, sentimental
Um coração saliente
Bate e bate muito mais que
sente
Fica doente
Mas é natural, natural
Que num cochilo de agosto
Surja um outro alguém do sexo oposto
Do sexo oposto, outro alguém
Ontem vi tudo acabado
Meu céu desastrado
Medo, solidão, ciúmeHoje eu contei as estrelas
E a vida parece um filme
Gemini, gemini, geminiano
Este ano vai ser o seu ano
Ou senão, o destino não quis
Ah, eu hei de ser
Terei de ser
Serei feliz
Serei feliz, feliz
Façam muitas manhãs
Que se o mundo acabar
Eu ainda não fui feliz
Atrapalhem os pés
Dos exércitos, dos pelotões
Eu não fui feliz
Desmantelem no cais
Os navios de guerra
Eu ainda não fui feliz
Paralisem no céu
Todos os aviões
É urgente, eu não fui feliz
Tenho dezesseis anos
Sou morena clara
Atraente
E sentimental.