domingo, junho 14, 2009

Festa de aniversário

Ganhei pouquíssimos presentes de aniversário este ano, mas o que ganhei valeu como ouro.
São 43 anos bem vividos, a maior parte deles muito felizes.

Pela ordem:
Um jogo de jantar do ex-marido, muito amigo, pra eu levar pra casa nova.
Um cartão feito à mão em formato de coração, da Bia.
Um cachecol da cunhada, que parece mais o pelo de um coelho.
Uma mensagem de voz de longe, do Zé viajando, que adorei.
Um girassol brilhante, da nova Dani, a Costa.
Dezenas de mensagens no orkut e pelo celular, de amigos novos e velhos, distantes e próximos. (Dos distantes, ajudou muito para apertar a saudades)
Alguns telefonemas da família, pai, mãe, irmão e tias.
Dezenas de abraços e beijos de parabéns.
Um jantar maravilhoso da Ana (bacalhau com grão de bico).
Algumas amigas novas e velhas amigas se aproximando.
Mas, o mais gostoso de todos foi, sem dúvida o bolo de chocolate da Dani, minha amiga mais doce e filha do coração. Quem não comeu, já era. Só no ano que vem agora. Mas pode dar uma olhadinha aqui, só pra ficar com água na boca.

:)

quinta-feira, junho 11, 2009

ANO DOIS

Diz a numerologia que eu entro amanhã no meu Ano 2. Então, só para deixar registrado, lá vai o que dizem os números.

O ano passado foi caracterizado por muito movimento e oportunidades, agora
é hora de separar o joio do trigo, e tomar consciência de onde realmente vale à
pena investir. Plantou as semenstes? Agora é hora de esperar germinar. Paciência
e observância de detalhes importantes. Época boa para cuidar dos relacionamentos
(em todos os níveis), valorize as atividades em grupo. Poderá apaixonar-se ou
desapaixonar-se, relacionar-se super bem ou ter grandes dificuldades nos
relacionamentos, tudo vai depender do seu Mapa Pessoal. Estará envolvido em
reuniões, troca de idéias e movimentações envolvendo pessoas, por isso deverá
tomar cuidado com o que diz, sendo ponderado, aprendendo a ouvir e a se colocar
no lugar do outro. Prepare-se por que, nesse período, a vida vai exigeir grande
capacidade de adaptação, flexibilidade, muita diplomacia e paciência. Para
garantir o sucesso dos próximos Anos Pessoais, procure manter-se em harmonia com
o Ano Dois: ao invés de afirmar-se, simplesmente aguarde os resultados. Confie,
porque nem sempre você estará totalmente ciente de todas as circunstâncias que
envolvem uma determinada situação, o futuro, então, lhe parecerá meio obscuro.
As escolhas parecerão difíceis, devido a uma certa indecisão, é melhor tomar
cuidado e esperar o momento mais propício. Estará emocionalmente mais sensível,
por isso tome muito cuidado para não levar as coisas para o lado pessoal,
enfraquecendo assim sua autoconfiança.

terça-feira, junho 09, 2009

Stand by me, lady Moon

A lua cheia foi a última imagem que vi na rua ao chegar em casa ontem. E a primeira quando abri a porta, às 6h da manhã de hoje, para vir trabalhar. Liguei o rádio e ouvi Stand by me... Ótimo jeito de terminar e começar o dia. Com sonhos na cabeça e esperanças no coração. Nem o fato de madrugar me fez perder o humor.
Diz que a energia da lua cheia nos concede o dom da renovação...
Então, ela tem me ajudado demais. É bom sentir esta leveza. Chorar sem dor, mas simplesmente porque, depois de tanta turbulência, ver a própria vida com clareza emociona.
Tenho me sentido feliz ultimamente. Com um frio bom na barriga pelo que ainda virá, cheia de expectativas, mas feliz, confiante com a vida, com o tempo e principalmente com o amor.
Estou apaixonada pela vida, acho que é isso.
Alguém aí deve me achar piegas, romântica, ingênua e infantil. Tudo bem. E eu estou nem aí para a opinião de gente assim.
A vida, se a gente observa bem, sempre prova que tudo tem saída, que até o que é negro num certo momento, depois, se ilumina. Depois, há outros problemas, mas a gente está mais forte.
Acho que a gente sofre demais porque não aceita esses momentos negros. Quer passar pela vida como se estivesse numa novela das seis. Concluo que o melhor é encará-los de frente, sofrer o que tem que ser, mas sempre sabendo que vai passar.

segunda-feira, junho 01, 2009

Com amor e sabedoria

O meu médico me olhou daquele jeito estranho quando eu lhe disse que estava me separando.
- Poxa vida, Viviane, mas por quê? Vocês estão há tanto tempo juntos, passaram por tanta coisa....
- Mas nós estamos bem, doutor, estamos - cortei, até porque já não aguento mais responder a essa pergunta quando digo para alguém que estou me separando.
O meu médico é um cara novo, mas conservador, como a maioria das pessoas. Acho curioso esse conservadorismo que até as pessoas que parecem "avançadas" demonstram quando eu comunico que estou saindo do meu relacionamento de 20 anos.
Não sei o que é pior nelas - a cara de espanto ou de pena.
Primeiro vem o espanto porque eu e o Mauro somos o que todo mundo idealiza como "o casal ideal". Relacionamento pacato, um não enche o saco do outro, casa boa, renda média mensal também boa. Além de tudo isso, nunca nos viram brigar, nos mal-dizer, nos agredir. Vivemos, sim, em paz.
Quando conto, geralmente a pergunta, que também vem é assim, às vezes até indignada:
- Mas você parece tão bem?
- Sim, estou bem porque estou feliz - respondo, e já emendo a explicação para não deixar dúvidas - O tesão acabou. Sobrou o amor de irmão.
Ou seja, não estou sofrendo com isso. Tenho que explicar que a parte do sofrimento pior é quando a gente descobre que não quer ficar junto e não sabe como dizer para o outro ou como fazer para o outro entender. E que essa parte da história já passou. E veja só, eu sofri muito sim, e poucos perceberam. Mas agora percebem que eu estou feliz. Isso é bom.
E, se não vem o espanto, vem o olhar de pena, como se eu tivesse abrindo mão de uma fortuna incalculável. Em boa parte das vezes vem mesmo os dois olhares juntos, como um míssel acompanhado de uma voz embargada, de pesar e melancólica. Algo assim:
- Mas o que deu errado?
- Não deu nada errado.
Tenho tentado me divertir com tudo isso. Analisar mesmo a reação das pessoas. Percebi que os mais velhos são os que mais me entendem. E as outras mulheres separadas também.
Eu não sou muito fã do Jabor, mas outro dia a Glenda, uma colega de trabalho, me contou que ele fala exatamente o que eu havia acabado de explicar para ela:
- Meu casamento não deu errado. Me irrita quando dizem isso. Deu muito certo. Só um relacionamento que deu certo explica porque estamos nos separando sem rancores, não estamos contando com quantos talheres cada um vai ficar, nem disputando para saber quem vai ficar com o fogão e a televisão. Estamos nos ajudando. A Bia, nossa filha de 8 anos, está participando de tudo, elaborando por conta seu calendário semanal para quando nós, enfim, estivermos em casas diferentes. Com ela, já falamos sobre fim de namoro, amor, divórcio, padrastos e madrastas que poderão vir. Ela não vê a hora da vida dela também mudar.
É raro, eu sei, mas eu gostaria que todo casamento terminasse assim.
E eu espero que a gente seja um exemplo sim.
É nisso que eu acredito, e quero provar que é possível.
Não podia fazer diferente.

PS - Há muitos anos, o Zé, um amigo que havia havia se separado, me mandou um trecho do livro "Ame e dê Vexame", do Roberto Freire. Talvez ele não tenha a dimensão do quanto aquilo mexeu comigo, porque lá estava escrito exatamente o que eu já sabia, mas nunca tinha conseguido expressar em palavras. E nem imaginava que o que eu sentia era possível de colocar em prática. Quando eu li, me senti feliz como uma criança quando consegue ficar em pé pela primeira vez e dar um passo. Tinha vontade de gritar: eureca, é isso! O trecho é o seguinte:


"Quando o amor acaba por ele mesmo, quando existe incompatibilidade entre as personalidades dos amantes, suas reações à perda não chegam nunca ao desespero trágico (...) Os amantes sabem que só se ama por inteiro, ou então o que estão fazendo não é amor, mas uma associação de interesses mútuos, um negócio. Além disso, quando se ama, não se está pensando em segurança, duração, controle, posse, pois isso corresponde à forma com que o autoritarismo capitalista familiar ou de estado se expressa no plano pessoal e afetivo. Se sou um libertário, desejo que tanto eu como meu parceiro vivamos o amor em liberdade, na emoção, no espaço e no tempo. É o amor em sí mesmo que comanda a intensidade, a beleza, a forma e a duração do nosso amor, em cada um e entre os dois, jamais o contrário."

São palavras sábias, mas difíceis de serem vividas.
Como uma criança, - que depois que fica em pé dá muitos tropeços e sofre muitas quedas, mas que enfim sai andando e correndo por aí - o meu esforço é para conseguir viver assim.
Com muito amor e um pouco de sabedoria.
-

domingo, maio 31, 2009

A importância de deixar ir

Tirei isso no Tarot de hoje. Engraçado como essas coisas exotéricas "acertam" às vezes. Pode ser coincidência, mas é curioso.

Cultivar o desapego é um dos conselhos fundamentais dado pelo arcano
chamado “O Ceifador”. Existem momentos da vida em que somos desafiados a
perder cascas, a compreender a importância de caminhar, deixando paisagens para
trás. Ainda que isso doa, uma vez que nosso ego se estrutura a partir de apegos
e identificações, é a compreensão meditativa de que tudo passa que lhe permitirá
seguir caminhando e, enfim, abrir-se ao novo que belamente se introduz em sua
vida, pouco a pouco, passo a passo, até que você apareça com a alma totalmente
renovada. Procure se interiorizar neste momento, evitando grandes atividades
sociais. Faça este contato com o núcleo da sua alma e você entenderá quais são
as coisas que precisam ser deixadas para trás. Conselho: Viver é perder cascas
continuamente!

terça-feira, maio 26, 2009

COMPREI!!!

Quero gritar COMPREI!!!

O Ap que eu quis. Vou ser a mulher mais sem dinheiro da face da terra nos próximos meses, mas eu estou feliz!! Dura, mas feliz.

:-)

PS - E agorinha fui ver o meu I-Ching do dia. Olha só: tô fazendo tudo direitinho, segundo a cultura oriental.

Wu Wang: A Simplicidade
Ouça o que lhe sugere a sua voz interior e prossiga fazendo as coisas que sabe serem certas. É importante também que você não aja mirando um objetivo ou com a expectativa de uma recompensa monetária. Seja simples e ouça o seu ser profundo, assim seguirá de modo livre e sereno.

Ieba !!!!!!!!!! :-)

domingo, maio 24, 2009

Haicus latinos

É assim que os poeminhas curtos se chamam no resto do mundo - haicus.

O Ciro, um amigo, me enviou. Tá registrado.


Los sentimientos
son inocentes
como armas blancas
---
Hay pocas cosas
tan ensordecedoras
como el silencio

---
Me gustaría
mirar todo de lejos
pero contigo


Mario Benedetti
Rincon de Haicus

--

terça-feira, maio 19, 2009

O conto

Acabei me inspirando em nós duas
Misturei histórias e sentidos
Nem sei se ficou bom
Mas sei que ficou um desejo, só isso

domingo, maio 17, 2009

Cheguei agora, no vento

Quem viveu a juventude na década de 80 lembra desta música do Walter Franco. Ganhei hoje de presente. A letra diz tudo, a melodia cheira passado, o conjunto me empurra pra frente. A gente não devia nunca esquecer o que passou e foi bom. Escute.


Serra do Luar



Amor, vim te buscar, em pensamento


Cheguei agora, no vento



Amor não chora, de sofrimento


Cheguei agora, no vento


Eu só voltei pra te contar


Viajei, fui pra Serra do Luar


Mergulhei, ah, eu quis voar


Agora vem, vem pra terra descansar


Viver é afinar um instrumento


De dentro pra fora, de fora pra dentro


A toda hora, a todo momento


De dentro pra fora, de fora pra dentro

;-)



sábado, maio 16, 2009

O tempo dos outros

Dias como hoje são esquisitos. Dias em que os planos ficam em suspenso.
A decisão já foi feita, não há mais dúvidas, mas algumas peças não se encaixam.
Não há nada o que se possa fazer e a gente é obrigado a esperar.
Todo mundó já passou por isso, eu imagino. É uma sensação de desamparo.
Acho que tudo isso vem para exercitar a minha paciência.
Eu, que fui treinada para conseguir tudo para ontem, na rapidez do raio, sou obrigada a esperar o tempo dos outros...
Ironia... onde está a minha auto-suficiência?
A solução é respirar fundo e torcer para que a espera passe mais rápido do que eu possa sentir.
.

quinta-feira, maio 14, 2009

O velho chavão

É chavão, mas é a pura verdade:

Tem dias que a gente não devia nem levantar da cama......

:-()

domingo, maio 10, 2009

Sou mãe em Lua

Recebi isso e gostei. Tá registrado.

A mãe com o signo lunar em Áries é toda sinceridade. Apressada, às vezes
impaciente, mas quase uma criança na manifestação espontânea de seu amor. O
melhor lado que ela tem a oferecer ao mundo é a fé: a crença de que as coisas
podem e devem ser melhores do que são. Essa mãe também é voltada para o
imediato, para o agora. Sua vida é uma sucessão de momentos intensos como os de
alguém que deseja aproveitar ao máximo a vida. Para ela, tudo é à flor da pele.
É uma criatura aventureira, mas sabe se dedicar muito bem à tarefa de ser mãe.

sexta-feira, maio 08, 2009

O beijo

Eu estava em um lado do balcão, com a Bia, e o vi do outro lado, através do vidro.
Íamos comprar algo, pizza, eu acho.
Ele me viu, sorriu, falou oi, contornou o balcão e veio me beijar.
Dei o rosto, mas ele queria ir além.
Então, eu resisti, surpreendida, e caí assustada no meu corpo deitado e, agora, ofegante.
Por que recusei o beijo? Ainda não é a hora, eu pensei. Que estúpida, me xinguei.
Só sei que foi difícil retomar o sono nesta madrugada.
Ando sonhando demais nos últimos tempos.

domingo, maio 03, 2009

A profecia da Ana

Minha amiga Ana tem a mania de profetizar sobre a vida de seus amigos. Não ligo não. Acho divertido até, mesmo porque ela já acertou algumas vezes. Mas confesso que às vezes me dá um frio na espinha o que ela diz sobre o meu possível futuro.
A última profecia da Ana é sobre a solidão. A minha solidão.
Não ligo de estar só. De verdade, estou curtindo o "descasamento" em doses homeopáticas. Foi uma escolha minha e, aos poucos, vou fazendo o que posso para consolidá-la, digo, a separação.
Assim, o primeiro passo foi estar só do ponto de vista afetivo. Ou seja, já está claro para mim e para o outro que acabou, que somos amigos e podemos viver bem com isso. E está sendo ótimo para mim viver isso no dia-a-dia. Por si só já é uma história bem diferente das que conheço por aí sobre separações, a maioria delas dramáticas e rancorosas. É lógico que há dor no processo, mas eu estou me saindo bem com ela e acho que ele também.
Até a Bia já entendeu que vamos morar em casas separadas e tem me acompanhado na melhor parte desta fase da nossa história: a procura pela nova casa ideal. Tem sido delicioso olhar aps ocupados, vazios e até em construção.
Então, voltando à Ana, o que ela diz é que, de fato, apesar desta minha solidão por opção, eu ainda não estou assim tão só. Porque ainda não mudei de casa, minha separação ainda não é visual para o grande público e a Bia está sempre comigo.
E ela profetiza que a pior parte, a que é mais dolorida ainda do que a descoberta que o casamento acabou, é a solidão quando ninguém mais estará comigo no dia-a-dia. "Aí você vai sentir!"
E que ninguém pense que ela diz isso por mal, porque a Ana nunca quer o meu mal. Ela fala isso como falaria "nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos". Para ela, esse será o curso natural das coisas. Ela profetiza: você só saberá o quanto está curtindo a solidão quando o telefone tocar e não tiver vontade de atender. Só aí, completa, estará feliz se sabendo sozinha de verdade.
Pode ser, Ana, eu digo. Mas o fato é que tudo até agora foi encabeçado e decidido por mim. E as decisões sempre foram solitárias, por mais que eu buscasse ajuda, apoio e conselhos aqui e ali. E eu também não acredito que as fórmulas são iguais para todos. Aliás, tenho a pretensão de fazer as coisas diferentes. É um desafio pessoal.
Por tudo isso, amiga, se tiver que vir a tal da "solidão pior", que venha. Eu estou duvidando.
E, se vier, no fundo, no fundo, eu acho que já estou bem preparada para ela.

:-)

Ninguém é perfeito

Estou chocada: hoje eu, com quase 43 anos, descobri que minha tia de 85 anos é corintiana...
Adora a Fiel... Cai das nuvens.
;-(

terça-feira, abril 28, 2009

O sorriso de Monalisa

A Bia tem tido aulas de artes na escola. Outro dia, me disse que adorava a Monalisa, que era a pintura mais importante do mundo. Perguntei a ela se sabia que a Monalisa "olhava para as pessos". E ela me respondeu:

- Sei, mãe. É assim: se você olha a Monalisa de frente, parece que ela está olhando para você. Se você a vê de lado, parece que ela está olhando de lado para você.... Mas.... se você está olhando a Monalisa de costas..... Bem, aí não dá pra ver nada, né!

É, tem muita gente por aí tentando ver a Monalisa de costas!





Tudo terminando bem

Adoro dias como o de hoje. Começou, assim, sem nenhuma perspectiva e terminou.. ah, em paz, feliz eu diria.
Madruguei para estar no jornal às 7h. Mau humor em alta, é lógico. Sono, trânsito, frio, neblina e, na pauta, a gripe do porco a me atormentar.
Vamos lá, cada coisa tem que ser feita no seu horário, e eu esquecendo várias das coisas: o post no blog, a entrada na rádio, a ronda na internet, o fone tocando, o rádio e a TV ligados, tudo ao mesmo tempo agora.
Deus!, eu ainda tenho que finalizar a pauta (e é lógico que não vou conseguir almoçar) e depois ainda tenho que escrever a coluna toda do próximo domingo para fechar hoje. E, para piorar, minhas tonturas estão voltando, já sei, estou relaxando na dieta.
A manhã passou num piscar de olhos e eu ainda tenho uma reunião às duas e preciso comer. Engulo uma sopa quase que na hora do lanche. Quando vejo, são 4 da tarde. E ainda falta a coluna do próximo domingo. E tenho que pegar a Bia no ballet às 8 e meia - não dá pra sair muito tarde do jornal.
Então, comecei a escrever, entre a pergunta de um repórter, o telefone tocando, o chefe me chamando. Fui puxando uma lembrança aqui, um frase acolá, parava, voltava a escrever. Pensei: "Esta vai ficar horrível", mas vamos continuar. Descarto quase tudo que rascunhei ontem à noite, quando estava sentada na minha cama, com a Bia do lado, lendo gibi.
E, quase 7, terminei. E.... adorei o que escrevi. Como há muito não gostava. Ficou demais.
Foram 12 horas dentro do jornal e, por incrível que pareça, sai de lá feliz.
Dando graças por não desistir de escrever. É que, nestes dias nebulosos, eu muitas vezes penso em parar...
Bem, o resto da noite foi ótimo. No carro, voltei rápido ao som "The Miracle of Love", peguei a Bia, passeamos no clube e agora estou aqui. Fechando a noite.
Dia normal. Dia em que, no fim, tudo terminou bem.

:)

domingo, abril 26, 2009

Agora com os pés no chão

Parece que agora eles pisaram no chão.
É como se nenhum deles quisesse mais se arriscar em devaneios e fantasias.
É um pouco triste isso. Porque o que há por trás é uma tentativa de brecar o desejo.
Mas o desejo é como um curso d'água represado, que um dia precisa escoar.
Então, com os pés no chão, eles se esforçam para contê-lo, mas intuem que um dia ele vai transbordar descontroladamente. Novamente.
Só não sabem de qual forma. E se isso lhes trará a felicidade.

Mas também há nisso o seu lado bom. Sempre há.
Com os pés nos chão, eles repassam sua história, analisam o que foi certo e errado.
Eles afastam as culpas, acalmam o coração, respiram com folga.
Talvez sonhem. Quem sabe têm planos curtos, porque não querem mais nada a longo prazo. Pode ser.
É que nada que tentem pensar além alegra a sua alma.
É certo que vivem conformados por ter o mínimo, e se sentem seguros porque o mínimo está no agora, na vida que parece real.
Mas não é.

quarta-feira, abril 22, 2009

Uma História um Pouco Esquisita

Era uma vez um príncipe diferente dos outros. Ele era um pouco feio, um pouco estranho, um pouco torto e um pouco azarado também.

Um dia, esse príncipe foi preso na torre por uma princesa horrorosa, chata, mandona e feia de doer. O coitado ficou se sentindo muito mal, pior que um sapo perdido na areia do deserto.

Por sorte, uma bruxa muito interessante, bonita, alegre e engraçada ficou sabendo da terrível maldade. Não perdeu tempo, montou o cavalo nas costas e correu para lá.

Chegando, gritou: "Ó príncipe amado, joga-me tuas tranças! Eu vim te salvar!"

O príncipe ficou tão feliz com a chegada dela que, sem pensar, pulou lá de cima. Caiu no cavalo, quebrou uma perna, dois dentes da frente, torceu as costelas, rasgou toda a roupa e, como se não bastasse, perdeu a peruca também. O que aconteceu com o pobre cavalo ninguém sabe.

O príncipe se arrebentou inteiro, mas a bruxa, que o amava, cuidou tão bem dele que o moço ficou bonzinho, só um pouco mais torto do que antes.

A bruxa e o príncipe mudaram para longe, para uma terra distante, bem mais bonita que aquela, e compraram um castelo antigo, lindo, que ficava no alto de uma montanha. E aí aconteceu, de verdade, o que ninguém acreditava que fosse acontecer; eles viveram juntinhos para sempre, felizes, cheios de amor.

FIM

NOTA DE RODAPÉ: Um dia, quando eles já eram velhinhos e continuavam felizes, ficaram sabendo que a princesa malvada tinha se casado com um dragão. Um dragão que sabia queimar a maldade dela com o fogo das ventas.


Este texto não é meu. É do Felpo Filva, personagem da Eva Furnari. É que tenho lido muitos livros infantis ultimamente. Até porque a Bia tem 8 e leio tudo o que cai nas mãos dela. Outro dia, na escola, pediram a leitura do Felpo Filva (Moderna). Adorei. Acho que porque continuo romântica, acreditando no amor quando todo mundo já tem a certeza de que ele é impossível e improvável. Que pessoa teimosa eu sou. Ainda bem.

:-)

terça-feira, março 17, 2009

Mais Biscoitos

E, agora, eu não sinto o cheiro de biscoito quente só durante a noite,
quando eu chego em casa,
ou de madrugada,
debruçada na janela da minha cozinha.

Agora, o cheiro também vem durante o dia,
nas manhãs de sol, nas tardes de chuva e mormaço.
E, o que é ainda melhor:
agora, eu também já sei fazer os meus próprios biscoitos.

:-)

terça-feira, março 10, 2009

Mais Quatro

Eu te amo
Sinto muito
Me perdoe
Muito obrigada

quinta-feira, março 05, 2009

Inferno na terra

Acho que se esse calor infernal não acabar logo eu vou morrer...
Morrer de mau humor.
Os dias até que começam bem, mas conforme as horas passam
o calor aumenta, as pessoas cansadas, arfando, suando...
Tudo irrita.
Os telefones não atendem e, quando atende, ninguém se entende.
Celulares que falham... não sei porque os inventaram.
Nada está bom.
A barriga dói, o estômago enjoa, dá vontade de chorar.
As caras ficam feias, os cabelos desgruvinhados, os lugares abafados...
O ar-condicionado esfria e eu tenho que colocar uma blusa mesmo suada.
E depois tirar pra ir pra rua. Fico gelada e pego fogo.
Eu só gosto de calor na praia, na piscina, ao lado de um copo de cerveja

segunda-feira, março 02, 2009

Presente da Querida Su

Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos. Chorar menos.

Ver nos olhos de quem me vê a admiração que eles me têm
e não a inveja que prepotentemente penso que têm.

Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática as palavras que se
fazem gestos
e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.

Saber realizar os sonhos que nascem em mim
e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhos.
Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis;
aqueles que morrem e ressuscitam a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.

Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar,
sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.

Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos,
do impossível,
da imensidão de toda profundeza.

Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque,
pelo sentir,
pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só
ela, alma, responde).

Que eu saiba dimensionar o calor,
experimentar a forma,
vislumbrar as curvas,
desenhar as retas,
e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações
da vida.

Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos.
Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam minhas dúvidas.

Que eu saiba perder meus caminhos,
mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.

Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo.
Que eu não tenha medo de meus medos!

Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis,
e desperte com o coração cheio de esperanças.

Que eu faça de mim um ser sereno dentro de minha própria turbulência,
sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos,
humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas.

Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso, ser órfão.

Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei;
traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender a alegria com que os simples traduzem suas
experiências;

respeitar incondicionalmente o ser;
auxiliar a solidão de quem
chegou,
render-me ao motivo de quem partiu e
aceitar a saudade de quem ficou.

Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando recebo
carinhos;
fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas.

Que eu jamais
fique só, mesmo quando eu me queira só.


Obrigada Suzete

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Verdades

Há verdades que a gente escuta, vê, ou dizem pra gente. São fatos concretos, conclusões de histórias, inícios de outras, fotos nítidas, coisas que se encaixam nos padrões, que se colocam como totalmente reais e irrefutáveis. Se contraditas, viram mentiras, engodos, invenções. Essas são verdades mais fáceis da gente lidar, mais racionais, por serem palpáveis.
Mas há outras verdades. Aquelas que a gente sente e percebe. Aquelas que, às vezes, parecem o oposto do que estamos vendo ou dizendo. Está lá uma situação que parece perfeita e feliz, mas não é. Não vemos, mas sentimos, percebemos. Alguém se esforça num discurso, numa relação, numa situação, até acredita nela, mas aquilo tudo, sabemos sem entender como, não é verdade. Mas também não é mentira. São enganos. Podem ser fugas. Impossível julgar. Acredito que é isso o que chamam por aí de intuição. Mas tem quem também chame isso de fantasia. E fantasia surge do desejo, que às vezes é impossível de ser realizado.
Eu, que já me achei muito racional, ultimamente tenho me visto no meio dessas duas verdades. Em algumas situações, tento acreditar no que me mostram, no que parece real, mas sinto cada vez com mais certeza uma outra verdade.
Me entregar a ela significa seguir a minha intuição, com um desafio de discernir até onde ela é real e até onde ela é só um fruto da mais doce fantasia que eu criei.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Quietude

O mundo anda quieto ultimamente.
E eu estou querendo colaborar com o silêncio...
Ficar só com os meus pensamentos, na solidão do silêncio.

Até porque já tenho respostas,
mas isso não importa para mais ninguém.
O que eu penso, o que eu sinto... a mais ninguém...

terça-feira, janeiro 06, 2009

No dia 1º eu morri

Acreditem: no dia 1º de janeiro eu morri.
Desencarnei, passei dessa para melhor, fiz a passagem.
Mas não cheguei em lugar algum e voltei, mergulhei em mim mesma.
Ressuscitei.

Não. Eu não renasci.
Quando a gente renasce a gente se renova, muda o corpo, pelo menos, e esquece o passado.
E eu voltei no mesmo corpo cansado, já meio arredondado, com as mesmas dores, dúvidas e dramas.

Não vi o dia 1º amanhecer e nem sei como, depois da aurora, enfim, dormi.
É que simplesmente apaguei. Como deve ser mesmo a morte ideal.
Todo mundo devia morrer assim, num off, sem dor. E acordar lá do outro lado, sem rancor.

Mas um anjo que me acompanha me amparou, me pegou no colo e tomou conta de mim.
Me fez voltar. Me disse assim: "Vamos, você tem que continuar".
E voltei a viver na minha cama, ressuscitada no meio do desejo.

Nem sei como cheguei no fim do dia. Mas ainda trabalhei, feliz, até o anoitecer...

domingo, dezembro 14, 2008

Beijo, abraço e a felicidade*

Parece bobagem, pretensão até, mas às vezes eu tenho a nítida impressão de estar no mundo para fazer você feliz. Sei que quando pensa em mim não consegue inibir um sorriso no rosto e fechar os olhos por alguns instantes para lembrar melhor dos meus traços.
Mesmo quando ficamos muito tempo sem nos ver, o que tem sido mais comum do que gostaríamos, tenho certeza que sabe que estou de alguma forma por perto, flutuando pelos seus pensamentos e você nos meus. Respiro fundo e está aqui. Respira fundo e estou aí.
E é assim que vamos levando nossas vidas, entre beijos e abraços e declarações de amor eterno.
Eu agora sou o seu espelho. Você agora é a minha inspiração.

*escrito há muito tempo

:-)

sexta-feira, novembro 28, 2008

Céu Negro

Adoro o céu quando ele está assim, escuro, preto, negro. De longe, enquanto corro pela avenida vindo para Santo André, vejo que sobre ele se desenham monstros com tentáculos: são manchas cinza-claro, quase brancas, nuvens frias como o vento lá de fora do carro, que queria ver voar. Corro encantada em direção a essas imagens geladas: o branco no negro, um desenho forte que se transforma sem que ninguém possa fazer nada, que fortalece a madrugada. Enquanto isso, eu penso que tenho que correr menos, mas não consigo ir mais devagar. Penso bobagens: "morrer seria bom assim, na velocidade, num choque rápido, sem dor". Mas não quero morrer. São 30 minutos. Aqui, a nuvem clara desaparece. É que estou dentro dela, suponho. Entrei na nuvem e a noite agora está embaçada. Mas, do lado de fora do carro, o cheiro que sempre me encanta e me envolve: o biscoito quente, saindo no forno, que esquentará o meu sono, meu alegre sono.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Talvez...

... o pior de tudo seja a falta de vontade de escrever.

Nenhuma frase, nenhum linha, nenhuma letra.

Este tem sido o "efeito colateral".

Mas, mesmo assim, as palavras devem sair. Mesmo que espremidas.

É um tipo de "o show deve continuar".

Mas sem vontade alguma.

:-!

terça-feira, novembro 18, 2008

De "O Mundo Perfeito"

Fusão

Lá estarás à minha espera, no final. O meu coração há de sobressaltar-se,
quando te vislumbrar na distância, e hei de, num segundo, rememorar todo o nosso amor, cópia total do que me dedicas. E a falta, a ausência, a distância será recompensada nesse abraço que dermos, que não será um reencontro, um mero abraço e um beijo, mas a merecida fusão das nossas almas, para não mais se desencontrarem.

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:-) e olha que a Isabela, dona do blogue, nem parece romântica....

quinta-feira, outubro 30, 2008

Num tempo qualquer

O piquenique
O céu claro
O gramado brilhante
O casal apaixonado

Uma tiara
Um pacto de amor
Um vínculo de vida


Depois...

O tempo que corre solto
O medo que se aproxima
A doença, a cama, a tristeza....

"Vou velar o seu sono", a moça diz

"Vou velar até o fim!"

:-!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Par de vasos

Íamos sair. Eu estava tão feliz, porque a vida caminhava certa, para o lado que tinha que ser. Eu morava de novo com meus pais, no velho apartamento da rua Antonio Bastos. Não era o ideal ainda, mas éramos só eu, eles e a Bia.

Aí, tocou a campainha, eu atendi a porta e lá estava ele. Também feliz.
Mas, nos olhamos de alto a baixo chocados e, antes mesmo do beijo de oi, caimos na gargalhada. Estávamos vestidos da mesma forma, como gêmeos que usam roupas idênticas: calça jeans e uma ridícula camisa tipo havaiana, toda florida e azulada, bem larga. A roupa era horrorosa, por sinal. Mas era impressionante a nossa sintonia até no mau gosto.

Rimos de monte, mas não dava para ir pra rua daquele jeito, tipo par de vasos. Então, ele ficou conversando com o meu pai sei lá o quê e eu fui me apressar para trocar de roupa.
Sei que íamos a uma festa, com muita gente conhecida. Pensando racionalmente, não tinha o menor sentido eu usar aquela roupa, tão masculina. Mas não importava. Era vestida como homem que eu me sentia bem naquele momento. Porém, sem muito o que fazer, fui procurar outra apropriada.

Me vejo tirando roupas e mais roupas do guarda-roupa, vestidos e saias e blusas. A Bia do lado, dando palpite com um sorriso maroto. O tempo passando e eu desesperada porque não conseguia escolher outro figurino tão bom quanto o primeiro. "E o que será que ele e meu pai estão falando?", eu pensava.

Consegui escolher uma saia ou vestido, não sei direito, meio bege, meio creme, meio pérola, dos detalhes eu não lembro, mas sei que era muito mais feminino que o outro. Sensual eu diria. E, enfim, saíamos, eu envergonhada pela demora em decidir e por fazê-lo esperar, já esperando ser esculhambada porque a festa, naquela altura, já devia estar prá lá da metade.

Ai que medo daquela bronca!

Então, no hall de entrada do apartamento, bem no início da escada de emergência, nos abraçamos e beijamos como namorados adolescentes que se escondem na hora do amasso e ele fez a proposta indecente que toda mulher apaixonada quer ouvir:
"Vamos deixar essa festa pra lá e ir para um lugar só nós dois?".
"Demorou", eu pensei, com um sorriso nos lábios que diziam sim.

E acordei.

Talvez Freud ou Alan Kardec expliquem esse sonho. Se bem que eu tenha lá a minha interpretação. Mas essa fica pra outra oportunidade. E só dá pra falar pessoalmente...

:-)

domingo, outubro 26, 2008

O caminho

Quando alguém, ou alguma coisa muito importante, passa pela nossa vida, e sem saber explicar direito o porquê nada dá certo como planejado, fica lá, no fundo do coração, algo como uma agulha, cutucando sem parar. Aí, a primeira reação, até de autoproteção, é se fechar, ou caminhar para outro lado. Vamos lá fazer outra coisa, procurar outro rumo, tentar encontrar outras gentes, inventar amores, trocar de amigos! Vamos evitar as lembranças do que deveria ter sido. Músicas, textos, objetos, fotos, tudo o que possar fazer lembrar o que não teve forças para ser é intuitivamente banido. É assim com 99% das pessoas, eu acredito.


Mas, depois de um tempo, se você é um pouco lúcido e tem amor-próprio, você permite que o que foi do outro volte a fazer parte da sua vida. Você se deixa levar pela nostalgia do que foi, mesmo que não tenha sido tudo o que você quis ou imaginou merecer, e se sente feliz por ter boas lembranças. Se você tem mesmo amor-próprio, dá um jeito de aproveitar o lado bom de tudo o que passou. Porque nem tudo é sempre totalmente perdido. Não dá pra ter raiva da vida só porque as coisas não andaram do jeito que você imaginou que deviam ser. Não dá pra se colocar da posição da coitada vítima.


Acho que estou nessa fase: mais nostálgica. Escrevendo mais, deixando voltar as músicas que eu aprendi a gostar, ou passei a gostar mais, lendo, revendo e analisando algumas situações... Tentando, principalmente, cumprir todas as promessas que fiz a mim mesma, mantendo a esperança na vida, enfim. Enquanto o tempo passa, eu vou desenhando o meu caminho. Parece piegas, mas a dor e o amor são sempre piegas.


;-)

sábado, outubro 25, 2008

Adeus, Bóris!

Ele teve que ir. Estava velhinho, doente, infeliz. Então, deixamos ele partir.
Não foi uma decisão fácil. Demoramos talvez mais tempo do que devíamos.
Mas, hoje cedo, depois de vê-lo tentar se arrastar no nosso quintal mais um vez, não deu mais para adiar.
Ele não sofreu. Uma injeção, ele dormiu e pronto.
Mais difícil foi ver aquele homem adulto e aquela menina pequena chorando.
Obrigado, Bóris, por tudo.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Nua

Andei dizendo por aí que esse poema era da Elisa Lucinda. Me enganei. Não é. É da Isabel Machado. Correção feita, poema republicado. É um dos meus preferidos.

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba
E quando nua,
por incrível que pareça
sou mais pura.
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios
Liberto os mistérios,
mas sem perder o
encanto
Porque quando nua
sou única
e exclusivamente tua

;-)

sexta-feira, outubro 17, 2008

Dias loucos

A menina volta para o cativeiro, a pedido da polícia e o olhar atônito dos pais: é inimaginável.

O traficante ameaça resolver à sua moda, sem meias palavras: é assustador.

Nas ruas, Pms jogam bombas em policiais civis no bairro mais chique da cidade: é inusitado.

Na TV, o chefe de estado diz que tudo é uma armação política: é impressionante.

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Dias loucos como esse são os que eu mais gosto. Mal dá pra respirar, não dá pra relaxar, nem há tempo de pensar, refletir sobre a própria vida. O bom é o alheio, o bom é só o que está lá fora, trazendo adrelina aqui pra dentro. O melhor é que do resto de mim eu esqueço por algumas horas.

:-!

terça-feira, outubro 14, 2008

Transporte

A água quente cai na minha nuca, me arrepia e me transporta.
Eu não estou mais aqui.
Sou um corpo sem alma.
E ela, agora livre, está perto de você.
:

sábado, outubro 04, 2008

Dezessete horas fora do ar

E como pode ser possível acreditar que eu iria ficar tão feliz com uma agulha entrando na minha veia. Eu sentada numa poltrona, e a agulha sendo meu amuleto, minha sorte, minha paz. "Me faça dormir, querida, tudo o que eu quero dormir."
E dormi. Dezessete horas de sono, abrindo o olho aqui e ali, me esforçando pra prestar atenção em alguma coisa, mas dormindo. Dormiria mais, se não ouvisse o chamado. E eu também chamei.
"Te liguei porque ouvi você me chamando agora mesmo", me disse meu pai do outro lado da linha, me acordando, enfim. Quinhentos quilômetros de distância e ele me escuta. Isto está começando a ficar comum. Em menos de dois meses, é a segunda vez que ele me escuta pedindo socorro.
E, por mais que quisesse, não voltei pra cama. Não dava mais. Não eu. Vou carregar essa cabeça que está explodindo de dor por causa da falta da cafeína, nenhum analgésico será capaz de curá-la, mas eu vou sair daqui, enfrentar o trânsito e ir pro trabalho.
É isso aí. Acabou a vontade de dormir.
Agora, só tenho vontade de seguir....

:)

quarta-feira, outubro 01, 2008

Doce Bandido

Como uma coisa tão doce pode provocar tanta dor. Um simples pedaço de bolo de chocolate, símbolo da boa comemoração, foi capaz de acabar com minha noite e, com certeza, vai destruir o meu dia. Me fará ter como único desejo um tubo de soro direto na veia, deitada na maca de algum hospital.

;(

domingo, setembro 28, 2008

Uma encruzilhada

Pela manhã é sempre mais difícil. Não que eu durma mal. Na verdade, tenho dormido como uma pedra. Mas acordo cansada, como se tivesse lutado a noite inteira, correndo pelo mundo invisível atrás de fantasmas vivos ou de algum objetivo perdido e difícil. Acho que vem daí a vontade de não sair da cama. E levanto sem nenhuma esperança.

À tarde, as sensações se dispersam. O mundo corre muito rápido à minha volta e eu oscilo entre a certeza absoluta, o medo de estar apenas sonhando, me enganando, e o pavor não ter mais tempo para consertar o que parece perdido. Mas, ainda consigo conciliar a razão para lembrar que o tempo é infinito, que ele resolve tudo e tem a sua própria lógica. Nestas horas, me dá um insight delicioso, uma esperança infinita no futuro e a consciência de que, apesar de ter frustrações e problemas, sou feliz porque não fujo deles, quero conhecê-los, destrinchá-los, resolvê-los e enguli-los. De preferência, acompanhados de um bom vinho tinto. Não quero desistir. Me animo, destilo um pouco de doce veneno, de bom humor, vislumbro a luz no meu coração e tento me prender a ela pelo infinito.

Mesmo assim, já com um sorriso no lábios, não consigo pensar em algo para fazer. Parece que sem a força inspiradora da paixão do meu lado, a meu favor, minhas engrenagens estão emperradas. Tenho só o amor, a certeza do amor, mas ele, neste momento, parece um paquiderme envelhecido. Não tenho estratégia, não tenho objetivo a curto prazo, não tenho vontade de me movimentar para lado nenhum. Minha única vontade é deixar a vida passar e superar sozinha seus próprios limites. Só há um detalhe difícil, lembro: é a minha vida. E seria muito fácil se eu pudesse somente assisti-la, sem ser a atriz principal. Penso "tenho que fazer algo". Mas o quê? Não tenho forças. É uma encruzilhada.

À noite, no caminho para casa, tento lembrar de tudo o que passou, tudo o que passei principalmente nos últimos 20 anos, e como as coisas se resolveram ou não. Tento tirar experiências de dentro do que eu mesma fiz, de como eu agi e reagi. Fico lá, fazendo minha autocrítica, normalmente sendo mais rigorosa comigo do que mereço, mas não sentindo que havia um jeito diferente de fazer. Porém, há coisas que eu simplesmente não sei. E queria ajuda para saber.

Por isso, tenho me perdoado mais. E esperado. Sorte que não consigo desistir. Acho que essa é a minha melhor virtude. Não desisto de mim, de quem eu amo e nem do que eu acredito que seja verdade. Mas entendo que, nessa fase, a única coisa que consigo realmente fazer é esperar. Se estiver frio e eu tiver um cobertor, tanto melhor.

;-/

sábado, setembro 27, 2008

Só dormir

Então, é assim:

Tem dias que tudo, tudo o que eu quero é dormir.
... dormir ... dormir... dormir ... dormir... e dormir.
Dormir pra não acordar mais.
Ou para acordar outra, em outra vida, em outro mundo, outra dimensão.
Hoje é um desses dias.
Dia que eu estou tão cansada que até o ato de pensar é pesado.
Começa assim: acordo, ou melhor, abro lentamente os olhos de manhã querendo não ver a cor do dia. Teimo em ficar na cama, levanto por obrigação, me arrasco até quase meio-dia.
Quem me vê nem percebe. Mas eu estou me arrastando por dentro.
No trabalho, a irritação com o excesso do que fazer... sempre muito para poucos braços.
Mas, enquanto o dia corre, vou esquecendo o mau humor, mas me pego agindo meio que por impulso.
No meio da noite, a irritação volta a mil e no fim do expediente eu já quero sair correndo de lá.
E, de sexta, ainda é pior. Me pergunto: por que, sua estúpida, você foi decidir fazer inglês de sábado pela manhã?! Pra abraçar o mundo, é lógico! Pra provar que sou capaz de dar conta de tudo, e de todos, e também de mim mesma...
Hoje eu queria entregar as pontos. Não me digam: "Você está infeliz!", porque não é nem isso.
Só estou nem aí.
É a vontade de entregar o jogo, de ficar parada, de falar fui, essa eu passo por hora, vou deixar pra mais tarde, outro dia, outra vez, talvez. Agora eu quero descansar....
Seria tão bom conseguir parar de pensar!

:(

...

quinta-feira, setembro 25, 2008

Um frame em câmera lenta

Tudo foi muito rápido. Foi como um frame, uma foto, uma imagem que era pra ficar mesmo congelada na memória. Foram três, talvez quatro segundos, no máximo, eu não sei direito.
Mas, lembrando agora, é como se eu estivesse em uma cena em câmera lenta. Será possível um frame em câmera lenta? Ali era. E, num pause eu tento observar melhor os detalhes, e dou então o play again, vamos adiante.
Eu estava muito distraída. Difícil isso. Estou sempre atenta ao ambiente, multiplicando meus olhares pela rua, tentando enxergar tudo o que está à minha volta. Mas, naquele instante, eu estava andando muito devagar, com um panfleto na mão, vislumbrando um sonho que persigo.
Então, ali, quase parada, completamente absorta, eu escutei que me chamaram. Mas não ouvi nenhum som. Foi um grito mudo, mas tão certeiro que meus olhos se viraram diretamente para o local exato de onde vinha o som.
Sei que foi num susto que ele me viu. E ele não quis me chamar. Mas, quando virou a esquina, e me encontrou lá, quase parada, sem percebê-lo, instintivamente reduziu a velocidade. E, por dentro, falou meu nome tão alto que eu, mesmo sem escutar, não pude deixar de ouvir. E me virei diretamente para ele, sem precisar procurar.
Com o canto dos olhos, queixo voltado para baixo e o corpo na outra direção, eu o encontrei com o olhar. E o avistei também num susto. Estava lá, como eu, quase parado, sentado no carro, marcha reduzida, disfarçando, fingindo não me ver atrás de lentes escuras. Achei graça.
Nenhum de nós disse nada. Nenhum de nós parou de fato. Talvez porque não tivesse como parar nem o que falar. Ele simplesmente voltou a acelerar, desconcertado. E eu não consegui ver uma forma para voltar.
Seguimos os dois para frente, em direções de novo opostas (nosso destino?), tentando imaginar se um dia os nossos caminhos vão de novo se cruzar.
Ou, talvez, tentando imaginar um jeito de um dia os nossos caminhos de novo se cruzar.
...

A cor rosa

Hoje eu li em algum lugar algo que gostei sobre a cor rosa.
Ou melhor dizendo, sobre a luz rosa.
Diz assim que você pode enviar, pelo pensamento, a luz rosa para alguém, e que ela significa o "amor incondicional".
E que, ao fazer isso, você também pode "dizer" a essa pessoa, mentalmente:
"Eu amo você. Eu desejo a você tudo o que existe de bom e puro no universo."

Bem, acho que estamos no caminho certo.

...

segunda-feira, setembro 22, 2008

A Primavera e o Sol

Ainda bem que chegou a Primavera e com ela veio o Sol.

Ainda bem que eu não me canso de escrever e aprendi a ter paciência.

Ainda bem que sempre tem alguém aí, a me espreitar.

Ainda bem!

:)

sábado, setembro 20, 2008

Risquem essa palavra

Para as mulheres que eu amo


Tem algo que eu quero dizer pra vocês: risquem do seu dicionário a palavra "infeliz".
Porque "infeliz" é tudo o que nós não somos.

Acompanhem o que meu raciocínio:

"Infeliz" é a qualidade da pessoa amarga, sem amigos, rigorosa demais consigo mesma.
"Infeliz" é quem não consegue rir dos próprios erros, não consegue ver além do próprio umbigo.
"Infeliz" é quem tem medo do caminho só porque ele parece difícil e, assim, desiste.
"Infeliz" é quem não conhece nenhum tipo de solidariedade. É quem nunca explode.

Não somos assim.

Por isso, risquem essa palavra horrível, que nunca vai se encaixar nas nossas vidas.
Porque, vez ou outra, podemos estar tristes, confusas, solitárias, com medo e até desesperadas.
Mas "infelizes" nós nunca, nunca mesmo, conseguiremos ser. Ainda bem.

:-)

Proposta sem dor

Eu sei que o que eu me proponho a fazer é difícil.
Terminar aos poucos, desatar nós sem quebrar os fios nos obriga a ser delicados, cautelosos, vagorosos, pacientes.
Mas algo me diz que é esse o caminho certo, mesmo que para a grande maioria das pessoas seja um objetivo muito improvável de ser alcançado.
É que não aceito a existência do improvável simplesmente porque também não aceito o impossível.
Então, combinamos: vamos conversando, acertando os pontos, limando as arestas e, quando a gente menos esperar, estaremos lá.
Eu já dei alguns passos, tive a iniciativa, chorei de medo, mas não embarquei na dúvida.
Ele começou cambaleante, mas agora me segue, talvez me alcance, talvez me ultrapasse, porque ele é muito melhor do que eu.
Acho que o resumo é isso: a separação sem dor, sem rancor, só é possível onde há amor.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Datas pra não esquecer

Ele saiu apressado hoje. No fim do dia, estava lá, ansioso, querendo acabar logo com o trabalho e sair correndo.
"Sabe, Vivi, é que hoje é meu aniversário de casamento. E, pôxa, eu esqueci de manhã! Por isso quero chegar em casa logo...."

Achei engraçado aquilo. Eu quase o invejei. Mas não cheguei a isso.
Parei mesmo foi pra pensar que nunca tive uma data assim, pra comemorar.
Nem eu e nem o Mauro nunca nos importamos com isso.
"Mauro, afinal, começamos a namorar no dia 17 ou 19 de dezembro? 88 ou 89? E o casamento? Foi 12 de fevereiro ou 11 de qual ano mesmo? Acho que foi 2000"
Só sei a data que mudamos pra casa: 12 de setembro de 1994, mesmo dia que comecei a trabalhar no Diário (E já abro um parênteses: não disse que a gente não liga pra datas? Nem lembramos este ano! Agora, exatamente agora, que me dei conta: fez 14 anos na sexta-feira passada!).
Mudança de vida radical foi aquela: comecei a trabalhar no novo emprego de "ripórti"e passei a morar com um cara exatamente no mesmo dia. Era uma segunda-feira.

"Mãe, vou dormir hoje na casa", avisei por telefone.
"Mas, hoje, filha? Já?"
"Mãe, como já?! Até compra de mês a gente já fez. O colchão chegou. E o Mauro vai dormir lá. Então, eu passo aí, pego só algumas roupas e vou prá lá!"
"É, tá certo... Então, tá!"

Foi assim o meu "casamento". Sem festa, sem convite, sem bem-casado.
Nunca trocamos um presente nestas datas. Mais comum a lembrança no fim do dia, ou dias depois: "Ahn, foi ontem que fizemos aniversário de namoro?"
Se me sinto infeliz ou triste ou frustrada com isso? Nem um pouco. É só uma constatação curiosa da vida que eu resolvi viver.
Acho que isso tem a ver também com como construímos esse relacionamento. Sempre mais como um namoro, que caminha para a amizade, para o companheirismo. "Somos colegas de quarto", eu costumo dizer.
Estranho falar "meu marido". Estranho ouvir "minha mulher". Prefiro ser "a Vivi". Digo "meu marido" só quando quero dispensar vendedores chatos. "Ah, moço, desculpe, mas tenho que consultar meu marido...", reforço o tom na hora de falar as palavras meu e marido e eles desistem. Me divirto com o quanto eles são ridículos. Acreditam, sem questionar. Afinal, neste mundo machista a mulher ter que consultar o homem da casa pra poder comprar é mais comum do que se imagina.

Mas, voltando ao meu colega, que encomendou flores às pressas pra mulher e se sentiu culpado por esquecer...
Agora, neste exato momento, eu torço pra ele estar bem feliz, na cama, ao lado de dela, curtindo mais um ano de casamento.

Eu não tenho a data, mas acho o máximo que tem, e curte, e se sente bem e feliz com alguém.

:-)

quinta-feira, setembro 11, 2008

Eu velhinha

Não é sempre, mas às vezes eu me pego pensando em como eu estarei quando estiver assim, bem velhinha. Sentada numa poltrona, fazendo crochê, bordando ponto cruz?... Bom, coisas novas pra aprender...
Me vejo assim, leve, despreocupada com o que eu não consegui fazer na vida. Talvez sozinha, eu não sei, nisso eu não penso, nem vislumbro nada.
Mas de bem comigo, sempre. Sabendo que eu tentei, e tentei, e tentei do jeito que eu podia e sabia fazer aquilo que achava certo em cada um dos trilhões de momentos que tive. Não quero pecar por falta de empenho, de vontade, de amor e de alma. Nem por birra, por medo ou por rancor.

Acho que tenho pensado nisso porque tenho conhecido gente muito rancorosa, que me choca. Carregando pesos eternos de problemas passados tão pequenos. Dando valor demais ao que é passageiro e insignificante. Gente que só olha pro próprio umbigo. E que perde o presente e amarga o futuro sem nem ao menos tentar entender. Dessa gente eu tenho medo.

É. Ando ainda mais pensativa ultimamente. Tentando alcançar sonhos sem perder os pés do chão. É um esforço e tanto. Mas páro, escuto o meu coração e penso: vamos lá, este é que é o caminho certo.
É como a poesia que canta Ney Matogrosso. "O que me importa é não estar vencido... minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos... minha alma cativa".

Quero ficar velhinha, assim, sem me arrepender de nada, incorporando cada passo da minha vida na minha vida.
Ficar velhinha sabendo que eu sempre fui além de mim!

domingo, setembro 07, 2008

Cléo e Théo

A farra do dia hoje foi o namoro da Cléo com o Théo. Namoro arranjado, devo dizer. Queremos filhotes.
Ela gosta dele, ele gosta dela, são da mesma raça, os dois virgens, pretinhos e alegres.
Mas ele tem um defeito difícil pra ela encarar: é enorme! Um cão amoroso, mas pesado, desajeitado, que não sabe como chegar naquela menina miudinha, delicada e leve como uma pluma.
Os dois têm a mesma altura e comprimento, mas a largura é desproporcional. Eles brincam e brincam, e mal latem um para o outro quando estão brincando, deitam e e rolam, até a hora do vamos ver... e a coitada desaba. Literalmente cai! E late de raiva, mostrando os dentes pra ele: "Vai com calma!"
O dia começou com a gente indo levar a Cléo pra casa do Théo. "No território do macho é mais fácil!", alguém nos disse.
No sábado, os dois já haviam passado a tarde em casa, mas nada... Mas hoje, enquanto estávamos na padaria tomando café da manhã, ela ficou lá na garagem dele, grudada na grade, se sentindo refém: "Mãe, Bia, me tirem daqui!", parecia que gritava quando nos viu de volta. Decidimos, então, levá-lo pra brincar na nossa casa: "Sabe como é, no quintal grande, com mais espaço, os dois podem se acertar!", eu disse pra 'mãe' do menino.
O dona do Théo também estava animada com o encontro. "É que também não aguento mais. Só ando de calças compridas agora! Ele não para de grudar nas minhas pernas!", me disse, com um sorrizinho.
Mas, ao mesmo tempo, a senhora, que tem lá seus 65 anos, se sentia meio traída por ele. "Ontem, quando ele voltou da sua casa, ficou tão deprimido... É por causa dela. O Théo sempre deita comigo de noite, mas ontem não quis nem saber de mim. Eu chamei e ele só ficou lá, no canto. É que nem filho, sabe? Quando arruma uma namorada esquece da mãe!"
"É, deve ser isso mesmo!!!", eu respondi, me divertindo.
Em casa soltei os dois no quintal. Mas o moleque é tão gordo que nem conseguia subir a mureta que a Cléo pula com a maior agilidade. E parece tão atrapalhado que entra com as quatro patas dentro do pote de água. "Deve ser o calor", eu penso, enquanto a Bia não pára de rir.
Uma tarde toda e eles ficaram lá, entre tapas e beijos. Mais nada... nada mais sério.
No fim da tarde, o garoto já estava ansioso pra voltar pra sua casa.
"Olha, não deu certo hoje de novo. Amanhã a gente pode tentar de novo! E ele parece que já estava esperando a senhora aqui na porta! Tava ansioso mesmo", eu disse pra 'mãe' dele, quando ela chegou pra buscá-lo.
"É que esse cachorro não me larga. É muito grudado em mim, não te disse!", ela respondeu, feliz da vida.
Pelo menos traída a senhorinha não vai se sentir mais.

sábado, agosto 23, 2008

O que é a paixão, doutor?

O terapeuta familiar Robert Neuburger afirma que esse sentimento altera a percepção da realidade*

Marie Claire - O que é a paixão?
Robert Neuburger - É o abandono da vigilância. A paixão invade, pode fazer com que você negligencie os filhos, o trabalho, tudo. A paixão se organiza dentro da ansiedade e da urgência. O sentimento primordial é a necessidade absoluta do outro.

MC - O que provoca esse estado? O encontro com alguém especial?
RN - Não, esse estado precede o encontro com a pessoa que vai se transformar no objeto da paixão. Corresponde à necessidade de se sentir vivo. Geralmente, as pessoas se apaixonam quando estão se sentindo mal, insatisfeitas consigo mesmas e com os outros. Nessas situações, uma paixão faz a pessoa sentir que está vivendo intensamente. Claro que não se pode negligenciar a escolha da pessoa por quem se vai ficar apaixonado, mas o mecanismo passional vem antes. É acionado quando começamos a desejar algo que nos traga uma nova energia vital. A paixão toca no que existe de mais profundo na existência de cada um. É uma autoterapia excelente e um antidepressivo muito eficaz.

MC - É raro a paixão durar.
RN - Ela está ligada à vida e à morte. Ter amado passionalmente permite aceitar a morte. Mas não se deve ultrapassar a dose. Há um aspecto mortífero na paixão. Os apaixonados tendem a ir além de suas forças, com uma percepção alterada da realidade. O resto do mundo não existe mais, e isso não pode durar para sempre. Depois, tudo vai depender da maneira como a pessoa aterrissa: devagarinho, com lembranças maravilhosas, ou com amargor e arrependimento. A menos que a paixão se transforme em amor duradouro. E aí começa outra história.

* Por Isabelle Maury, da Marie Claire França
Tradução: Ana Ban

sexta-feira, agosto 22, 2008

Na minha nuca

Elas ficam lá, sentadas, balançando as perninhas, cada uma em um ombro meu, discutindo a minha vida, decidindo o meu destino. Se eu deixar, elas fazem minhas ligações e assumem a minha fala.
Uma se veste com um anjo bom, toda de prata. A outra usa uma roupa marrom escuro, meio avermelhado, brilhante também. Uma fala assim:
- Ele não te ama, ponha isso na sua cabeça!
A outra replica:
- Ah, ele a ama sim. Tenho certeza!

Uma me dá bronca:
- Você já andou tanto pra frente! Não vai recuar agora, né?
E a outra argumenta e passa a mão na minha cabeça:
- Tá querendo pensar mais? Pensa, você faz bem...

Eu adoro é ficar de fora da conversa delas, elas brigando debaixo do meu nariz, ou atrás do meu pescoço, na minha nuca, e eu só observando. Olho pra uma e depois pra outra, às vezes rindo, outras brigando: "Dá pra parar de falar você duas?"
Não adianta. Meu protesto é em vão. Elas nunca páram. Ainda bem.

- Muda de cabelereiro e faz um corte bem fashion!
- Não, não, deixa ele crescer!
- Ficaram ótimos estes óculos.
- Na verdade, acho que você escolheu mal.
- Eu te disse que isso não ia dar certo!
- Ela fez o que achou que devia!
- Chuta o balde!
- Vai com calma.
- Liga.
- Desaparece.
- Confia.
- Desiste.
- Esquece.
- Insiste.

Elas se parecem mesmo com o anjo e ao diabinho dos desenhos animados, a boa e a má consciência de cada um. Nunca sei direito quem é quem. Elas vivem trocando de lugar. A prateada fica marrom. A marrom fica prateada. Depois, quando presto atenção de novo, voltam como num estalo ao seu outro estado. Só sei que nenhuma delas é má de coração. E nenhuma é boa demais. Mas sei que as duas só me querem bem.

-

Papo cabeça

- E aí, fofa? Que cara de desânimo é essa. O que fez na folga?

- Nada demais. Só dormi, andei e trepei!

- Orra! E quer melhor?

-Ép! Acho que tá bom, né?

...

quinta-feira, agosto 07, 2008

Uma noite sem fim

Nem sei bem que horas são. Mais de uma, talvez duas, um silêncio, nenhum cheiro, uma luz acesa no corredor. Entrei quieta, a cabeça rodando, a bixiga explodindo. Na minha cama, ela dorme com o pai. Eles nem percebem que cheguei. Quero ir ao banheiro, estou com sede, o estômago está virado, mas não vou vomitar. Não é pra tanto. Sem acender a luz, entro no quarto pé ante pé para pegar o pijama, quero uma cama, mesmo que não seja a minha. Deito no quarto cor de rosa de criança, na minha velha cama de solteira, e tento colocar em ordem a noite.

A festa foi boa. Cheguei só, de táxi, minha amiga na porta à minha espera, vamos beber que é por isso que estou aqui. Conhecidos, beijos, oi, tudo bem, me dá cá um abraço, cadê a cerveja?

No pátio aberto, quem está faz apenas o social. Já sabe tudo o que vai rolar lá dentro, o que vai ser dito e o porquê. Lá dentro, um monte de gente, muitos interessados, outros quase dormindo, o pessoal que foi mesmo trabalhar.

Olha aqui: esta é minha amiga, jornalista. É, eu sou, mas estou de férias. Onde é que vende a cerveja? Tem trocado? Nossa, quanta gente! Tudo bem, daqui a pouco isso aqui acaba e gente estica. Você que ir pra onde? Tanto faz, hoje eu estou por sua conta. Viu aquele cara? Ele é interessante. Não é o seu tipo? É, não achei, não. Meu Deus, você por aqui? Você vê, por mais que queira sair do ABC, acabo voltando pra cá. Que saudades. Olha, essa aqui é minha amiga, minha "cumadi". Então é você, sempre quis te conhecer. Estou com fome, tem churrasco aqui? Lá fora, vamos lá.

Vou comprar mais uma e elas somem. Quando vejo, estão as três, num canto em pé, conversando um monte, em uma rodinha bem feminina.

Pergunta: o que falam mulheres maduras reunidas numa rodinha quando se encontram?

De seus homens, claro.

Ainda está com ele? Sim, é meu terceiro marido. Não sabia que tinha tido um segundo. Ah, eu lembro agora, ele era o homem mais lindo da redação. Lindo mais cruel, querida, muito cruel. E você, há quase 20 anos com o seu. É, pra você ver. Mas não quero mais dar pra ele. É, daí é difícil. Eu quebrei o cabaço e fui num sexshop comprar umas coisinhas. Mas meu namorado se nega a usar... Que babaca ele, não? Se fosse um homem mais velho usava. E eu que separei ontem e faço 40 amanhã. Estou arrasada... Aquele ali é um escroto, falso que só. Chega. Vamos? Um beijo, vamos sair mais dia desses, parabéns, coragem. O celular tocando na bolsa.

Cadê meu celular? Atende aí? Já estamos aqui, vocês não vêm?

No boteco tem mais mulher madura, com homens maduro, outros nem tantos, meninas, bichas e tudo o mais. Mais cerveja.

Me dá um croquete, vamos sentar lá fora, arruma umas mesas. Já estou aqui, sentada, esperando vocês. Tem algo melhor pra comer aqui? Come a batata assada que é mais saudável. Então dá uma, com berinjela que eu adoro.

Pergunta: o que falam mulheres maduras com homens maduros reunidos numa mesa de bar?

Das outras mulheres maduras que não estão lá. E falam também de seus ex-maridos, e filhos, e namorados. E dão pitaco na vida de quem está na mesa.

Não dá pra entender o que aquela lá tem que atrai tanto homem. Porque ela é muito feia, é vulgar, ninguém gosta dela. É, mas o fulano disse que até aquele outro, aquele bonitão meio gordo, pagava um pau por ela. Não acredito, ele parece tão inteligente. E ela mesma me disse que o cara era pegajoso, mas pagava algumas contas pra ela, então, tudo bem, ela aguentava ele. Outro dia, nem te conto, sumiu num bar e quando voltou disse que tinha ido dar uma. Ali mesmo, no meio do bar? Não sei, acho que sim. O maior bafão. Conheço você de uma festa, sou amigo do seu amigo. E ele, é viado ou não? Não sei. Já viu ele com mulher. Nunca, mas nem com homem. É, mas o cara é muito boa gente. E vocês, são skinheads? Carecas do ABC? Pô, não ofende. Esse aí, querida, não combina com você. O outro lá é melhor. Sempre fui assim, louca, batalhei pra criar meus filhos. Vamo'mbora que meus filhos não param de ligar. Pede a conta, eu deixo vinte, tchau.

Deitada em casa tudo isso vem sem muita ordem, até que eu durmo. Durmo? Não. Eu acordo de hora em hora, a madrugada não acaba. Levanto, bebo água, vou ao banheiro, deito de novo. Com frio, me cubro pra pouco depois chutar o edredon. Cinco horas, cinco e meia, sei lá, o despertador toca. Ele acorda pra ir trabalhar. Não tem a curiosidade de olhar no outro quarto, será que ela está aí? Com certeza está, as botas estão no corredor, a roupa jogada no banheiro. Ele assume o banheiro e eu continuo deitada. Ele sai do banheiro e eu não aguento, levanto, vou pra cozinha.

Bom dia. Bom dia. Fez café? Fiz.

Uma xícara, duas. Vou comer torrada com geléia e manteiga, tudo diet, tudo light. Vou esquentar o leite, tomar com café, perdi o sono. Ele se toma banho, se troca, eu ainda na cozinha, comendo e lendo o Unidade. Li inteirinho. Vou ao banheiro, palavras cruzadas. O dia ainda escuro. Ele sai e o sono não vem. Meu Deus, essa noite, essa balada não acaba. Tá, vou ler mais, na sala agora, escolho um livro velho, leio a dedicatória "Nós não queremos mais o paraíso, mas continuamos dispostos a continuar reencarnando", escolho um conto. Deu errado. Não veio o sono. Só mais e mais excitação. Preciso dormir, vou tomar mais café com leite, e mais um, e mais torrada. Vou deitar com ela, na minha cama, eu a abraço de costas e consigo dormir. São sete e meia.
:-/

terça-feira, agosto 05, 2008

Beijo de língua

Ele não parava de olhar para mim. Parecia enfeitiçado. Desde a hora que eu cheguei, ele ficou lá, parado e me encarando, suspirando e me seguindo a cada movimento. Nem a Bia no meu colo o intimidava. Bem pelo contrário: quanto mais eu a abraçava e beijava, mais ele suspirava. Seus olhos brilhavam e pareciam encher de lágrimas.

"Bia, ele está com ciúmes de mim com você. Mas não tem motivo. Não sou nada dele. Quase nunca me vê. É tão difícil eu vir aqui", eu disse.

Então, só para testar, a Bia resolveu sair do meu colo para deixar o caminho livre para o garotão. Sem tirar os olhos dele, e com um sorrizinho maroto nos lábios, ela se sentou ao meu lado meio escondida e ficou esperando a reação dele. A Bia queria ver o circo pegar fogo.

O menino não perdeu tempo. Deu o primeiro e o segundo passos e, na seqüência, colocou sua pata esquerda e pesada no meu colo, depois a outra, e começou a avançar sobre o meu peito. Em segundos o bocão negro dele estava a um centímetro do meu nariz! Eu afastei o meu rosto, gritando.

"Vítor, socorro! Tira o Angus daqui porque ele quer me dar um beijo de língua: vai me lamber! Argh, que bafo!"

O boxer nunca mais me perdoou. Ofendido, foi sentar no seu tapetinho bordado à mão, de costas para a gente, e durante o resto da noite não olhou mais para mim. Que cachorrão mais temperamental! Magoou de vez! Mas até que devia ter aceitado o beijo de língua que queria me dar. Foi o único que me ofereceram aquela noite.
;-(

domingo, agosto 03, 2008

Registro

Expectativa, desejo. Desejo, expectativa. Qual é a ordem certa disso? Não há. O certo é que tudo é tão dinâmico. Tudo é tão desânimo. E brincar com desejos e expectativas parece tão fácil. E se faz tanto disso que parece até uma aposta: eu vou porque vou provar pra você que isso não existe. O que você sente não existe. O que você quer não existe. O que você acredita não existe. Eu não existo. Percebeu, garota? Constatação: o lado duro da vida está vencendo. Você tem razão. Eu estou ficando mais dura. O que se sente, mesmo sem querer, está mudando. O que parecia tão certo agora está calejado, desconfiado, cansado.

Entristecido, porém. Ninguém quer saber mais disso. Pra quê? Uma punheta basta. E de porre. Mas uma só. Mais que uma dói a mão. Dá trabalho.


Ontem cantaram Sentimental pra mim. Tenho que cantar e cantar pra não desistir. Não desistir de mim. E tentar transformar o sentimento. De novo. Geminiana eu sou. E esse é o meu desejo


Sentimental, sentimental
Um coração saliente
Bate e bate muito mais que
sente
Fica doente
Mas é natural, natural
Que num cochilo de agosto
Surja um outro alguém do sexo oposto
Do sexo oposto, outro alguém

Ontem vi tudo acabado
Meu céu desastrado
Medo, solidão, ciúme

Hoje eu contei as estrelas
E a vida parece um filme
Gemini, gemini, geminiano
Este ano vai ser o seu ano
Ou senão, o destino não quis
Ah, eu hei de ser
Terei de ser
Serei feliz
Serei feliz, feliz
Façam muitas manhãs
Que se o mundo acabar
Eu ainda não fui feliz
Atrapalhem os pés
Dos exércitos, dos pelotões
Eu não fui feliz
Desmantelem no cais
Os navios de guerra
Eu ainda não fui feliz
Paralisem no céu
Todos os aviões
É urgente, eu não fui feliz
Tenho dezesseis anos
Sou morena clara
Atraente
E sentimental.




terça-feira, julho 29, 2008

Em suspenso

É bom ficar assim, em suspenso, desconectado, fora do ar, sem ligação com o mundo.
Não que eu estivesse em um lugar completamente isolado. Mas não tinha net em casa, lá não chega jornal e, assistir a um mundo pela só TV é como viajar sempre por um mundo irreal.
Como acreditar inteiramente no que diz o Datena, o JN ou a Marcia Goldsmith??
Os dias lá são cheios de crianças, sorvetes e doces.
As tardes repletas de páginas e mais páginas de livros. Há tempos não lia tanto.
E o calor não estava insuportável.
Santo descanso. Nunca foram tão boas as férias.
Nem no frio do Sul, nem nas praias do Nordeste.
A simplicidade me conquistou este ano.
Por uns dias, deixei de ser eu.
Mas, bem, estou de volta.
Mãos à obra!
.

domingo, julho 13, 2008

Já estou com saudades

É, você está certa.
Só com amor é possível querer continuar.
Sem esse afeto que já estava lá antes de tudo, e que sobrevive ao tempo e à toda palavra amarga, não teria como ouvir, se magoar e mesmo assim estar disposta a retomar.
O bom disso tudo é que a gente aprende a reconhecer o que realmente importa.
E aprende a esperar o tempo de cada um.
Porque, se eu demorei a perceber, não posso exigir a rapidez do outro.
Já estou com saudades.

domingo, julho 06, 2008

Crescendo

Outro dia ela me ligou no celular, feliz da vida:
- Mãe, mãe, adultos não ficam um tempão no telefone?? Então, hoje eu fiquei falando um tempão com as minhas amigas no telefone, mãe...
- E daí, Bia?
- Fiquei um tempão com uma e depois com outra... Que nem um adulto! Não é legal??
Seu programa preferido na TV se chama...
Rebeldes,
ela diz que adora fazer...
compras,
e já escolheu as roupas que hoje são minhas e que, quando ela crescer, quer que sejam dela... Estão lá todos os meus sapatos altos...
E, quando está só, ela diz que tem... tédio!
Agora, ela descobriu a flauta doce. Meus ouvidos andam doendo.
De verdade, me surpreendo a cada dia. E é delicioso...
Estou adorando esta fase da Bia!

domingo, junho 22, 2008

A história da Helô (Parte 1)

----Introdução

Tudo bem, vou escrever uma história triste, mas é uma história que tem que ser contada um dia.
Não estou sofrendo, não estou remoendo, não cai em depressão por causa disso, mas não nego que traduzir o que passa na minha alma e na minha mente em letras legíveis alivia o meu espírito. É como tornar concreto o pensamento. Ele fica palpável, ao alcance da minha mão. E eu o supero. Então, vamos lá. Peguem seus lenços de papel.

----Parte 1

Quando cheguei lá ela já havia partido. Eu soube exatamente o momento. Primeiro veio o telefonema: "Vi, vem pra cá que a Helô está internada."

Sai do jornal como uma louca, e segui a pé em direção ao metrô, mas não andei nem 20 metros e a minha própria cabeça girou. Era como se eu, no meio da multidão anônima, estivesse sendo observada por todos. Uma zueira no ouvido, uma falta de sentido de direção e a certeza de que não era possível seguir a pé. Voltei pra trás, pro jornal, e pedi por favor um carro (Dias depois percebi que foi exatamente neste momento de angústia e de vertigem que ela partia) .

O motorista foi pronto e seguimos correndo pro hospital. Há oito anos, celular era uma bosta e nem todo mundo tinha. Mas consegui ligar pro irmão do Mauro, que passou o telefone pra ele. Não sei que horas eram, mas era de tarde, o fim da tarde. O carro voava na avenida dos Estados e o Mauro do outro lado da linha:

"Como ela está?", perguntei.

"Vi, vem pra cá", ele respondeu.

"Eu tô indo, mas como ela está?", insisti.

O silêncio, a certeza:

"Mauro, ela morreu, não foi?"

Foi assim que eu soube. Por telefone, no meio da Avenida dos Estados, entre São Paulo e São Caetano, num sabadão de plantão, início de um fim de semana prolongado de Sete de Setembro, ao lado de um estranho.

O motorista era um negro alto, enorme, nem lembro o nome, daqueles que parece que só podem ser contratados para fazer segurança de show. Sem olhar pra ele senti que seus olhos marejaram. Os meus estavam secos. Ainda. Ao meu lado, ele expressou uma raiva misturada com pena, e uma vontade de fazer algo a mais por mim... Mas aquele gigante não sabia o que fazer (Ninguém saberia). E fez o que achou útil. Acelerou.

Então, eu disse:

"Pode ir devagar. Agora não adianta mais correr."

E não trocamos mais palavra. Era 4 de setembro de 1999.
Continua em algum dia.

quinta-feira, junho 12, 2008

42 lágrimas

E nem as 42 lágrimas que eu derramar por você hoje vão poder redimi-la, minha querida.

Nem o meu suor, nem o meu sexo,
nem o meu fluido, nem o meu gozo,
nem o meu amor.

Nada de mim hoje será nosso.
Nada de mim hoje vai lhe bastar.
Nada.

Talvez amanhã.
Mas talvez nunca mais.

terça-feira, junho 10, 2008

Outra dimensão

Se eu pulo e corro na água sem sair do lugar,
fecho os olhos e, com a música ao fundo,
saio do chão.

Eu flutuo.

É como se eu pudesse deixar lá o meu corpo
e sair para outra dimensão.

Eu volito.

E, conforme me movimento sem sair do lugar,
também se movimenta o Som.

Ele não está mais à minha frente.
Ele está à minha volta, ao meu redor.
Eu o Sinto e o percebo sobre a minha cabeça,
nas minhas costas,
como que rodando e roçando o meu corpo.

Entro em êxtase. Páro de respirar por instantes.
Abro os olhos.
Onde estou?
Onde estão todas as outras?

Olho para trás e lá estão elas, viradas para frente,
prestando atenção ao que ele diz.

Me volto, meio constrangida, mas feliz.
Estou inteira. Estou íntegra. Estou aqui.
Ninguém percebeu minha viagem particular.

Continuo pulando e correndo, flutuando na água,
mas agora de olhos abertos, olhando pra frente,
olhando para dentro, olhando para mim.

sexta-feira, junho 06, 2008

Em paz

Nem acredito que a semana acabou. Ela quase acabou também com meu relógio biológico.
Já tinha desacostumado a acordar de madrugada, sair de casa antes do sol raiar, me encher de cachecol e gorro para enfrentar o gelo da manhã desse começo de inverno, pedir pão com manteiga e pingado pro Régis...
É bom variar a rotina de vez em quando.
Mas, o melhor de tudo é sair do jornal com o dia ainda claro, poder curtir o entardecer e até arriscar beber umas, jantar fora com a moçada e ter chance de dormir na cama de casal abraçando a Bia "nas costas", como ela diz...
É! é bom mesmo mudar a rotina.
Hoje, sexta-feira, estou destruída. Meus olhos pesam, já decidi dar o nó na aula amanhã pra fazer tudo o que preciso e ainda encarar o plantão, mas tudo bem.
Adoro me sentir assim, em paz...

Mario Quintana

CURIOSIDADES

O dicionário de Mario Quintana...

"Deficiente" - é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as
imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de
que é dono do seu destino.

"Louco" - é quem não procura ser feliz com o
que possui.

"Cego" - é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de
fome, de miséria. E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" - é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo,
ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer
garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" - é aquele que não consegue
falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" - é quem não consegue andar na direção daqueles que
precisam de sua ajuda.

"Diabético" - é quem não consegue ser doce.

"Anão" - é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a
pior das deficiências é ser miserável, pois "Miseráveis" são todos que não
conseguem falar com Deus.

...
Bem, nesta última parte eu faço um aparte. Deus aí pode ser algo como "coração", já que nem todo mundo é obrigado a acreditar em um Deus, mas coração e intuição todo mundo tem.
...

terça-feira, maio 27, 2008

Roberto Freire

Duas boas frases de Roberto Freire, escritor e terapeuta que morreu aos 81 anos no último fim de semana. Uma singela homenagem...

"Do amor pode-se fazer uma necropsia, nunca uma biópsia. Se eu examiná-lo,
paro de amar. O amor não é para ser entendido, mas sentido, experimentado."

Entrevista à Folha, em 2003


"...quando se ama, não se está pensando em segurança, duração, controle, posse,
pois isso corresponde à forma com que o autoritarismo capitalista familiar ou de
estado se expressa no plano pessoal e afetivo. Se sou um libertário, desejo que
tanto eu como meu parceiro vivamos o amor em liberdade, na emoção, no espaço e no tempo. É o amor em sí mesmo que comanda a intensidade, a beleza, a forma e a
duração do nosso amor, em cada um e entre os dois, jamais o contrário."

Do livro Ame e Dê Vexame, de 1990

quarta-feira, maio 21, 2008

Bruxas e Bruxinhas

- Bia, eu sou uma bruxa, você sabe! - eu provoco a menina, sem dó nem piedade, desde que ela começou a entender o que é uma bruxa.

Antes, ela chorava de verdade, lágrimas escorriam do seu rosto.
- Não é não, mãe, não é!

- Mas, Bia, eu sou sim. Até nome de bruxa eu tenho, sabia? Viviane, nome de bruxa, bruxa! E você é uma bruxinha!!!!

- Pára, mãe, não sou, você não é bruxa! - ela brigava e vinha me empurrar. E eu, má como só uma bruxa, ria e ria e ria.

Esta semana estamos lá, lendo um livro deitadas da cama. Livro sobre uma festa em que só podiam ir bichos, fadas e.... bruxas.

- Oba, eu posso ir. Afinal, sou uma bruxa, você sabe!

E recomeça a ladainha.
- Não é!
- Sou!
- Não é!
- Sou!

Então, ela percebe que pode mudar o jogo. E faz o desafio.

- Se é, faz então desaparecer a.... - ela procura algo pelo quarto - esta televisão!

Me surpreendo, já orgulhosa. E não perco rebolado. De fato, penso: "Ela está crescendo."
- Fácil, fácil!

Movimentos de mão teatrais, palavras "mágicas" inventadas na hora, olhar fixo na TV e, tcharam!!!!

- Viu? A televisão sumiu! - fantasio.

- Ah, mãe, sumiu nada. Olha a televisão aí? - aponta rindo.

- Só você que está vendo a TV aí, Bia. Pra mim, ela sumiu!

- Ahhh, tááá!! Então, eu sou uma bruxinha mesmo. Porque sou a única que tô vendo ali televisão que você acabou de fazer desaparecer!!

É, ela tá crescendo mesmo.

domingo, maio 11, 2008

Trocando as telhas

E, agora, que a tempestade passou, que a água abaixou e deixou a casa, e que o céu vai ficando claro, o que é que a gente vai fazer?


Vamos varrer o quintal, colocar as folhas e os galhos que caíram das árvores em um saco plástico e deixar lá fora para o lixeiro levar?


Vamos tirar a lama e secar o térreo da casa, que inundou, colocar os móveis nos seus lugares?


Secaremos as vidraças, abriremos as janelas para o ar entrar e expulsar daqui o cheiro de cachorro molhado?


Lavaremos as roupas que se molharam e mofaram e vamos colocá-las no varal para elas secarem ao sol?


E, finalmente, subimos no telhado para trocar aquelas telhas quebradas? Por causa delas, uma goteira se formou bem em cima de nossa cama, o colchão encharcou e nem dormir juntos a gente pode. E, engraçado, que minha prepotência nem deixou eu imaginar que existiam telhas quebradas no nosso telhado. Estou com saudades do seu calor.


Podemos, sim, fazer tudo isso. Tem só que sair dessa paralisia e tomar coragem. Respirar fundo e começar.


Há vantagens em tudo isso, eu vejo. Eu sempre vejo a luz no fim do túnel, o bem no meio da inevitável confusão que vem com a tempestade.


O ar fica mais fresco, a gente aproveita e também joga fora o lixo que deixou acumular por tanto tempo, por causa da incerteza sobre se um dia a gente ia ou não usar de novo.


Vai dar muito trabalho essa limpeza, eu sei. É difícil e cansativo recolocar tudo no lugar, ou decidir os novos lugares das velhas coisas (É que a gente nunca se livra totalmente das velhas coisas). Mas pensar na casa limpa, clara e fresca é sempre um incentivo. Um alento.



..

sábado, abril 26, 2008

Dez minutinhos

E agora é uma mulher que me atende ao telefone. Ela tem uma voz metálica, cansada e irritada. E, a primeira vez que me ouviu, tenho certeza, se sentiu intrigada. Pensou: "Nossa, isso é hora de mulher estar voltando pra casa?" Pra, depois, pensar: "Mas eu trabalho a essa hora!"
Bem, mas até hoje a sinto despeitada quando fala comigo:
- Central de vigilância, bom dia.
É, geralmente passa da meia-noite quando eu telefono.
Ao escutar o meu "Boa noite, é a Viviane da rua V.. C..", ela responde um "Boa noite" seco, sempre seguido por um 'tchi'. É tão baixo o seu 'tchi', mas dá pra eu perceber a sua má vontade. Esse 'tchi' parece um: "Ah, que saco! Que vontade de xingar essa mulher que me pede segurança!"
Tudo isso só no seu 'tchi'.
O mais irritante é que ela sempre pergunta o número da casa. Todo dia! E eu respondo: "É a 360". E aí ela pergunta qual é o carro. E eu penso: "Que porra! É o Pálio e ela ainda não guardou!" Mas respondo educada: "Pálio azul marinho."
- Quanto tempo?
- Daqui uns 10 minutos.
- Ok - e ela desliga o telefone.

Fico imaginando como ela é. Magrinha e muito miúda, com os cabelos tingidos de castanho claro já meio desbotados, sempre presos em um rabo de cavalo, e vestindo um terninho surrado, às vezes preto, àz vezes azul claro. Ou seja, deve ser horrorosa.

Gostava mais do rapaz que atendia antes. Ele era mais animado. Mais esperto também. Já respondia, assim que ouvia minha voz:
- Oh Viviane, daqui 10 minutinhos, né? Ele vai estar lá!
Simples assim. Sem rodeios.

Outro dia a mocréia não foi trabalhar. Deve ter sido a folga dela. E era o rapaz que estava ao telefone. Fiquei até contente de não escutar a voz metálica. Ele me atendeu assim:
- Ooooh, tudo bem. É o 360, né? (Pensei: "Nossa, que memória. O cara lembra o número de casa e faz um mês que não fala comigo!")
- É isso. Dez minutos e eu estou lá, tudo bem?
- Tuuuudo bem! Ele vai estar lá, tá?
- Tchau.
- Tchau.
Esse deve moreno e meio gordinho. Um pouco mais alto que eu. E não deve usar barba. Roupas? Sempre calças jeans, uma camiseta e por cima um casaco ou um colete. Quando usa camisa, o último botão está invariavelmente aberto (porque é impossível fechá-lo), mostrando um pedaço desagradável de sua barriga. Acho que ele é assim.

Só há um detalhe em tudo isso: desde que a moça começou a atender, nunca mais o segurança deixou de aparecer na minha casa nos 10 minutos combinados. Com o Boa Praça, várias vezes eu fiquei rodando em volta do quarteirão até o motoqueiro chegar. Sei lá, pode ser coincidência, mas não deixa de ser curioso. A moça é antipática, mas até que é eficiente. Já o moço....

.

quarta-feira, abril 23, 2008

Começo que não acaba

Depois da saga que não acaba sobre a queda do sexto andar e do vôo tragicômico de balões para a morte, vem o tremor de terra na cidade.
Alguém aí sentiu a terra tremer?
Eu senti. Sensação que se tem quando se levanta rápido da cama de manhã - um bambear. Pequeno tremor. Um delícia de tremor, aliás.
Mas estou cansada. Não temos um dia de trégua.
Devia dar graças à Deus. Afinal, a Isabella saiu um dia do foco, mas o terremoto provocou outro tipo de abalo.
Todos ficam mais enlouquecidos, mas agora em dose dupla. São dois focos. E, ainda por cima, não vamos para o céu, porque não paramos de rir do padre maluco, que se meteu numa aventura sem sentido.
Esse começo de ano não acaba... Será esse o ônus de ter o Carnaval mais cedo, coisa que eu tanto festejei?
O mundo pode parar pra eu descer?
Alguém pode me socorrer?
A impressão que tenho é que as horas e os dias estão confusos. Hoje, não sabia se era terça ou quarta. Por um momento achei que era quinta. E não é primeira vez que sinto isso. Será efeito do feriado? Parece que já estamos em outubro, tanta coisa que já aconteceu este ano na minha vida e na vida do mundo. Mas é só abril, quase maio, aliás. E, em menos de um mês (Não, dois. Olha aí a confusão, não disse?), faço 42. Imagino o que pode vir no meu inferno astral.
E venho pensando nisso tudo enquanto dirijo de volta pra casa. Quase uma da manhã, o que pode acontecer, eu penso? Nada. Mas não é que vem lá um carro na contramão na Avenida dos Estados!!! Penso: eu já estou vendo coisas... Mas não, é um carro na minha direção mesmo. Sorte que desviou antes de me alcançar. Acho que eu não teria reflexos para evitar um choque. Ele entrou na viela de uma favela. Nem na madrugada estou livre das palpitações.
Então, tenho ou não motivos para estar farta deste começo de 2008?

segunda-feira, abril 21, 2008

Da dúvida à saída

E ele, agora, deve achar que eu estou cheia de dúvidas...

Não, eu não tenho dúvidas. Eu, por hora, só não tenho saída!

:-/

PS: "O Mundo Perfeito" está du caralho. Coloco aqui o último post que li. Maravilhoso.

sábado, abril 19, 2008

Divagações

O que eu devo pensar? O que eu devo sentir?
São coisas que eu não sei dizer. E por que deveria saber?
De repente, só o desejo de ser rasa, básica, o desejo de não querer.
...por que tenho a pretensão de ser densa, forte, objetiva, clara?
Por que penso tanto?!!
Por que simplesmente não deixo estar, não espero rolar, não páro de perguntar, de querer saber, de tentar explicar?
Por que não fumo um?!! Unzinho só!!
O que importa se os outros são tão diferentes, ou indiferentes, ou fazem as coisas de forma que não entendo, ou não apreendo?
Por que deixo de lado a minha intuição e coloco lá, no seu lugar, a minha razão?
Por que deixo quebrarem o meu coração?
Por que insisto em colocar palavras onde, às vezes, só cabem olhares?
E na outra ponta da corda, quem é que está? Eu o conheço?
E do outro lado do muro, o que pretendem? Estão lá, me espreitando? Me olhando através do buraco feito a prego? Será?!!
E por que tenho que achar que pretendem algo? Por que tenho que supor?
Me coloco no seu lugar? Ou fico o tempo todo tentando encaixá-los no meu ideal? No meu "mundo real"?
Estou certa ou estou errada?
Talvez, de fato, me falte a capacidade de entender. A humildade de querer compreender.
De fato, talvez me falte a capacidade de me perdoar, me falte a capacidade de confiar...

;-/








sexta-feira, abril 18, 2008

Que seja hoje

E será que, enfim, tudo isso vai terminar hoje? Será que o casal vai se entregar? Eles vão confessar o crime?
O fato é que ninguém aguenta mais o caso Isabella. Pobre garota! Com certeza vai virar santa, ser responsável por algum milagre cantado por algum maluco de plantão logo logo.
Hoje, espera-se, será um dia decisivo: os "suspeitos" vão depor. Acredito que não há jornalista na ativa nessa chamada "grande imprensa" que não esteja louco para que esse caso, que já virou nosso inferno, acabe logo. Se eles confessam, praticamente acaba. O resto é rescaldo.
Por quê?
Porque são plantões intermináveis nas portas de DPs, ICs e etc, em busca de um detalhe, um indício, uma declaração de um parente, um amigo, uma testemunha. É uma competição irracional para "ter acesso" a laudos preliminares, depoimentos sigilosos, informações confiáveis. Todos pressionados para ter o que as TVs e a internet já estão divulgando e algo a mais. Na edição, a preocupação para dar tudo, todos os detalhes, da maneira mais clara, com o melhor texto, a melhor ilustração, a melhor foto. E ficar até tarde na redação, até que a última frase do Jornal da Globo seja proferida pelo William Waack e que o risco de furo esteja definitivamente anulado. Isso por pelo menos mais um dia.
Às vezes me pergunto pra que tudo isso? Faz parte, eu sei, mas pra que serve, no final?
É excitante estar neste turbilhão, é bom saber antes o que todos só saberão no dia seguinte ou até dias depois, mas é triste perceber que também alimentamos a maluquice das pessoas. Há uma turba de gente enlouquecida, perseguindo, xingando e ameaçando o casal, seus amigos e parentes que não têm nada a ver com o pato. Gente como uma mulher que ontem deixou quatro filhos pequenos em casa e andou quase duas horas de condução para colocar um cartaz no portão da casa da família do rapaz os xingando de 'assacinos' (nem escrever ela sabia). Dá vontade de perguntar pra esta dona de ela não tem um tanque de roupa pra lavar em casa.
Na outra ponta da história, há os santificadores, crédulos e de bom coração, que já pedem milagres, acendem velas e criam ongs da paz oportunistas em nome da menina Isabella.
De nosso lado, jornalistas de plantão, está ficando só o cansaço. Estamos esgotados e estressados com o trabalho dobrado que veio com o caso. Fora o clima, porque o assunto é pesado, é triste, é mesmo uma história inacreditável.
Já é um fenômeno de mídia. Em quase 20 anos de trabalho (nossa!!! quase 20 anos!!!) não lembro de um caso que tenha rendido tanta manchete, tanta página nobre dos jornais, tanto espaço nos noticiários da TV, com equipes grandes na cobertura, durante tantos dias seguidos. Já são quase 20 dias. Nem os ataques do PCC mereceram essa atenção.
E será um fenômeno a ser estudado por comunicólogos, psicanalistas, sociólogos, etc, e etc. Logo logo alguém fará uma tese à respeito. Depois haverá um filme. Eu mesma já bolei um roteiro bem sinistro, como se no caso tivesse mesmo o "terceiro elemento". Mas essa é uma outra história.
2008 será pra sempre dividido entre antes e depois do caso Isabella.

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segunda-feira, abril 14, 2008

Tempestade na madrugada

Acordei meio atordoada, mas feliz na madrugada de hoje... O céu parecia cair. Já tinha ido dormir tarde, quase 3, mas o barulhão da tempestade não me incomodou. Incomodada eu estava com aquele calor absurdo de verão fora de época.

Antes de dormir de novo, consegui pensar: será que, enfim, o outono chegou??

Acho que sim. A chuva vinha e voltava, para minha felicidade.

Depois do almoço, quando dirigia para o jornal, fui observando o céu cinzento. Cúmulos nimbos escuros na minha cabeça, cercados por outras nuvens mais claras e com um pouco, muito pouco de azul do céu que ainda teimava em sair. Adoro dias assim. Meio cinzentos, úmidos, com vento não congelante e um pouco de azul celeste.

Hoje, no caminho fiquei com medo do rio. O Tamanduateí estava mais cheio que o comum. Sempre penso que posso perder a direção e mergulhar na correnteza marrom. Não é o medo de morrer afogada. Mas é o de sobreviver cheia de berebas e coceiras que o bosteiro com certeza vai me deixar.

:-)

domingo, abril 13, 2008

Entre Suzana e Lya

Teve uma época que eu gostei muito de Lya Luft. Li uns dois ou três livros dela e me encantei com a forma emotiva como ela descreve os sentimentos mais simples da vida. Nunca concordei com classificação de "auto-ajuda" que alguns dão à sua obra, simplesmente porque a vejo como uma autora sensível. Mas confesso que depois que li algumas de suas colunas na Veja me decepcionei. Não gostei nada das suas opiniões sobre política. E simplesmente me desinteressei por ela.

Mas Lya Luft volta a escrever ficções e não dá pra negar a sua sensibilidade quando se trata de analisar a alma do ser humano. Ela deu semana passada uma estrevista ao Caderno 2 sobre o seu novo livro, que fala sobre a incomunicabilidade, e me deixou um bocado curiosa. Num trecho da entrevista, ela diz porque o assunto a fascina: "a palavra que você não disse quando devia ter falado e a palavra que você disse quando devia ter-se calado. A grande dificuldade nos relacionamentos humanos baseia-se em grande parte na incomunicabilidade, da forma que você vê o outro e como isso pode provocar o preconceito."

É, talvez eu volte a ler Lya Luft.

Mas, por enquanto, estou mesmo interessada é em terminar de ler Suzana Flag. Esta me inspira menos emotividade, mas, em compensação, me deixa muito mais crua.

:-)

sábado, abril 12, 2008

A estranha na foto

Tirei a tarde hoje para organizar as minhas fotos. Tenho centenas delas ainda fora de álbuns, tudo bagunçado, sem saber de qual data são. Assim como quase 90% da humanidade, eu imagino. Consegui organizar um pouco, mas ainda continuo atrasada em dois anos. Preciso comprar mais álbuns e espero ter isso pronto até a mudança.

Mas o barato de organizar as fotos é mesmo revê-las. Como ainda sou antiguinha, não tenho a tal da máquina digital, nada do que registro é apagado. Hoje, encontrei fotos que simplesmente já tinha esquecido. Velhos amigos e amigos velhos. Situações felizes, outras estranhas e até constrangedoras.

Mas fiquei assustada mesmo ao encontrar uma minha, de uns cinco ou seis anos atrás. Não porque me achei diferente ou mais nova. Mas fiquei assustada simplesmente porque não me reconheci nela. É como se aquela não fosse eu. Nada nela se parecia comigo.

Voltando ainda mais no tempo, o coerente seria continuar a não me reconhecer nas imagens. Mas não. Nas fotos de 15, 20 anos atrás, lá estou de novo, brilhando. E de novo estou lá, nas mais recentes. E resplandescente, eu diria. Só naquela, ou naquelas, de um determinado período que não me achei.

Isso parece loucura, talvez. "É fruto do seu amadurecimento", devem dizer os terapeutas de plantão, que colocam tudo na conta do tempo. Mas não sei se é isso. Como diz uma amiga minha, tem gente que só consegue amadurecer em um aspecto da vida, o profissional por exemplo, mas continua um adolescente bobo em outro, como no emocional. Quem não conhece alguém assim?E ainda não sei se é esse o meu caso. Tento porque tento que não, mas vai saber, né? É muito difícil reconhecer a própria imaturidade.

Mas o fato é que eu fiquei pensando durante o resto da tarde e também à noite sobre o porquê desse estranhamento. E, pensando nela, naquela que não reconheci, acho que, sem muita consciência, ela tentava ir contra a sua própria natureza. Ou contra os seus próprios sentimentos e vontades e instintos e intuições. É só isso que eu posso imaginar.

De toda forma, ela já passou e fico feliz que tenha participado da minha vida e passado. E sei que não há mais risco dela voltar, porque agora tenho consciência dela. Naquela época, nem a percebia. E também sei que dela, apesar do estranhamento, sinto um orgulho danado. Como também de todo o resto.

PS: a Bia acabou de me dar um coração. No fundo, não é isso que vale? Ganhar, sem pedir e nem imaginar, um coração do jeito que for pra tomar conta?

Ganhei o meu dia.

Mais um dia.

:-)

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sexta-feira, abril 11, 2008

Só um segundo

E, enfim, depois de quase 15 dias de trabalho pesado, hoje eu consegui parar...

Páro, respiro fundo, sinto o ar encher o meu peito e ele se abre... Há dor.

Há tempos eu não me sentia tão frágil. Tem sido um começo de ano diferente. Intenso.

E não é apenas um motivo.

São emoções à flor da pele, decisões inadiáveis, trabalhos intermináveis, histórias desgastantes, provas de paciência, de competência, de amor...

É como se a cada dia eu tivesse que aprender na marra algo que deixei pra lá em algum momento, teimei em não ver antes, descobri tardiamente, não quis aceitar...

Sinto uma dor real no peito e o ar, às vezes, parece que não vai conseguir entrar. Tenho que me apoiar pra conseguir respirar. Hoje ele entrou com facilidade. O ar.

Alguém poderia me dizer que eu preciso ir ao médico. Mas não é nada disso.

Nunca fui uma pessoa infeliz, depressiva, pesada. Mas sei que tenho estado triste ultimamente. Peço aos meus que me perdoem. E que tenham paciência. Isso não é infelicidade. E nem sinal de desistência, desespero, desesperança. É só um sinal desse período, que no futuro terá sido só um momento, nada mais do que um segundo.
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sábado, abril 05, 2008

Na beira do rio

A semana começou sinistra, ontem o dia foi negro, hoje amanheceu nebuloso.
Mas, veja só: na Avenida dos Estados, na beira daquele bosteiro em que se transformou o Rio Tamanduateí, há uma árvore tão florida, que dá gosto - toda rosa....
Não, isso não vai mudar o meu humor! Não hoje.
Mas, pelo menos, vai me fazer respirar fundo e desenhar um sorriso cínico no rosto ao lembrar que a natureza, por si só, acaba por fazer a vida se renovar.
E, com sorte, melhorar.

quinta-feira, abril 03, 2008

Chuva na Manhã

Manhãs de chuva, como as de hoje, sempre me incomodam. Parece que o dia já começa nos dizendo "não tenha esperança". E a gente é meio obrigado a tirar lá de dentro uma força enorme pra sair da cama e tocar a vida. Porque, no fundo, sabe que isso é só uma sensação passageira.

Espero que amanhã o tempo melhore. E meu desejo é puro oportunismo. Amanhã é sexta-feira e, excepcionalmente, vou entrar no trabalho às 7h. Se acordar com chuva é difícil, madrugar e enfrentar o trânsito dessa cidade ainda é pior.

E, à noite, se tudo der certo, o bar me espera para afugentar de vez qualquer tipo de sensação de tristeza.

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quarta-feira, abril 02, 2008

Angústia

É assustadora essa história da menina de 5 anos jogada pela janela de um prédio na Zona Norte da cidade.
Mesmo que acostumada a tratar com tragédias diárias de todo tipo, não dá pra ficar indiferente quando paro e penso no momento da menina, no que ela passou naqueles poucos minutos que antecederam à sua morte, o seu lançamento pelo ar.
E quem teria coragem de segurar uma garotinha frágil no colo, enfiá-la em um buraco no meio de uma tela de nylon cortada e a jogá-la? Que tipo de ser humano é esse?
Nestes últimos dias só temos falado disso no jornal, buscando fotos da garota, depoimentos de amigos e parentes, tentando, por nós, descobrir o culpado. Será mesmo um bandido que entrou no prédio? O pai seria capaz? A madrasta, afinal, sempre é a madrasta, com a carga de maldade que o nome e os contos de fada lhe conferem... Poderia ser ela?
De madrugada, voltando pra casa, não dá pra não pensar nesse caso, fazer associações (afinal também tenho uma menininha), criar teses que podem ser base de um roteiro sinistro para um filme menos B. Espero que minhas teses sejam todas erradas.
Fica na barriga um frio de angústia, no peito a sensação de brevidade da vida e na cabeça a certeza de que há pessoas que têm um buraco no lugar do coração.

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